26 de jul. de 2012

Juventude revolucionária: a década perdida e o pós-punk

( Este post é o quarto de uma série sobre o comportamento juvenil cultural ao longo das décadas; você pode conferir seus antecessores no link da tag Juventude Revolucionária )


A partir de agora se torna particularmente difícil explicar sobre como foi a juventude de cada década: em primeiro lugar, porque as diferenças sociais se tornam gritantes entre os jovens brasileiros e do resto do mundo, e ainda porque a difusão das vertentes da contracultura vão ficando cada vez mais complexas. Complica ainda a facilidade de acesso a informações dos anos 80, pois foram há não muito tempo atrás e provavelmente a época que muitos de nossos pais viveram. Ou seja, como qualquer um de nós pode simplesmente olhar para trás e perguntar se é tudo verídico a uma fonte confiável, se torna difícil ser democrático ao abordar o assunto. Por isso nesse post acabarei generalizando um pouco mais e me ater em especial ao new wave, o pós-punk e o pop rock.





Os anos 80 foram a época em que as diferenças entre o rock e o pop rock começam a atenuar-se cada vez mais, mas vou explicar por partes. Havia o new wave, que na minha opinião era um prolongamento do disco dos anos 70, e que foi o movimento culpado pela sua mãe ter feito aquela permanente que não deu certo e estragado o cabelo lisíssimo dela enquanto usava calça de cintura alta. Havia o pós-punk, que são vários gêneros de rock surgidos após o big bang que foi a cultura punk no final dos anos 70 e, aqui no Brasil, o principal fruto dele é a consolidação do rock brasileiro.



(Madonna nos anos 80)


Os ideais de todos os grupos da época eram bem parecidos: era uma nova juventude, dividida em subculturas, e que ao invés de adequar-se ao senso comum começava a compreender que ela própria era que representava a sociedade e que os interesses dela é que deveriam ser defendidos, e não adaptados. A principal diferença entre os grupos juvenis da época consistiam no estilo de vida adotado. Foi uma década mais política do que social, na verdade, e por isso muitos a chamam de "década perdida" -- muitas guerras, principalmente civis, estavam acontecendo ao redor do mundo.








O punk havia sido um reflexo dessa confusão mascarada que se apresentava na sociedade. Entretanto, por sua grande explosão (tanto que há quem considere o punk como movimento, outros como cultura e outros como mero gênero musical), o significado dele logo começou a se perder e encaixar-se em outros gêneros (como o rock alternativo e o gótico), iniciando-se assim o pós-punk.


(Renato Russo na foto acima e Cazuza nas duas abaixo, mas acho que isso vocês já deduziram)




Enquanto isso, no Brasil, finalmente surge o mais puro rock brasileiro. Ou melhor, foi nessa época que o rock brasileiro finalmente popularizou-se: afinal, com o regime militar vigente, não havia estilo musical que melhor definisse o sentimento do nosso país. Influenciados pelos mesmos ideais contra a sociedade e política contemporânea dos punks, temos finalmente nossos eternos representantes do rock como Legião Urbana, Cazuza, Titãs, Paralamas do Sucesso, entre dezenas de outros.



22 de jul. de 2012

Ilustrações de Jacob Mantia

Se você também consegue ver beleza no inesperado, você se daria muito bem com Jacob Mantia. Vi uma  de suas ilustrações no facebook e me apaixonei de cara. Ele mistura vários elementos - o erotismo, a fantasia - e o resultado não poderia ser melhor. Bem vindo ao mundo de Jacob Mantia!






20 de jul. de 2012

Feliz dia do Amigo


Tenho que admitir que a maioria dos meus amigos estão longe e, que às vezes, mal nos lembramos da existência uns dos outros. Que a coisa que mais aperta o peito é não me ver nas fotos, de não fazer parte dos assuntos, de, simplesmente, não estar mais perto.

Já perdi a conta das vezes que sentei para escrever algo para dizer como me sinto, mas nunca achei nada que pudesse expressar o que realmente está acontecendo. E o pior: estamos crescendo. Sinto que daqui pra frente, vamos nos afastar ainda mais. Tudo isso para fazer novos amigos, para amar, para ter filhos, para fazer todos aqueles sonhos que compartilhávamos virarem realidade.

Minha unica certeza é que lembramos uns dos outros, que gostamos uns dos outros, e que nós não seríamos os mesmos se não tivéssemos vivido essa amizade.


De fato, a responsabilidade e a necessidade de sermos adultos nos tira tudo aquilo que um dia nos fizeram tão felizes, mas não o que sentimos uns pelos outros. E é isso que realmente importa.

Feliz dia do amigo.

Juventude revolucionária: os anos 70 e a discoteca

( Este post é o terceiro de uma série sobre o comportamento juvenil cultural ao longo das décadas; você pode conferir seus antecessores no link da tag Juventude Revolucionária )

A contracultura surgiu no final dos anos 60 e sua principal vertente era o movimento hippie que, como eu havia prometido no post anterior, explicarei um pouco melhor neste visto que foi um movimento que transitou entre o fim dos anos 60 e o início dos anos 70. Comecemos então pelo contexto: enquanto acontecia a Guerra Fria e principalmente a Guerra do Vietnã, tínhamos no Brasil a Ditadura militar, sendo ambos os casos épocas políticas desagradáveis que vieram a influenciar os jovens de ambos os lugares de uma forma parecidíssima. As pessoas (em especial os jovens) não estavam felizes, e foi aí que surgiram os movimentos estudantis: estudantes protestando contra a política.




O principal lema hippie nós sabemos que é “Paz e amor” e sim, isso tem a ver com todo esse contexto de injustiça política que estava havendo em várias partes do mundo. As pessoas não queriam saber de serem usadas como armas em guerras que elas nem sequer acreditavam, elas queriam seus direitos sendo defendidos. Enquanto aconteciam conflitos políticos entre os que estavam no poder, dentro de todo esse contexto estava havendo uma certa guerra juvenil: enquanto de um lado o governo alistava jovens despreparados e lhe davam armas para defender seus ideais, do outro haviam os jovens da contracultura defendendo a paz e a expressão. No Brasil os hippies só vieram a fazer sucesso mesmo nos anos 70, enquanto nos Estados Unidos (lugar principal onde o movimento nasceu) estava começando a decair.



A palavra “Hippie” surgiu como uma abreviação da palavra “hipster”(sim, acredite se quiser), termo em inglês usado na época para definir pessoas que se envolviam de alguma forma com a cultura negra (lembre-se que até então isso não era bem visto). Curiosamente, foi justamente nos anos 70 em que a discoteca, antes popular apenas entre negros e gays, começou a fazer sucesso. Nas discotecas tocavam apenas músicas dançantes (como dance music, disco music, funk, etc.), como uma forma de fugir dessa predominância que o rock estava tendo no mercado fonográfico.






Foi nesse contexto, inclusive, que surgiu o rock progressivo (gênero musical influenciado por outros, hm, não muito esperados nesse nicho, como a música erudita, por exemplo), o glam rock (gênero caracterizado pelo glamour), o hard rock (um rock mais pesado e influenciado pela psicodelia do fim dos anos 60) e a música eletrônica. Entendem agora o eu quis dizer quando citei que a contracultura foi a responsável pelo surgimento de várias subculturas e, talvez principalmente, gêneros musicais? Pois a coisa não para por aí, ainda há e haverão muitos gêneros de música que acabarei não citando ao longo da série. E se você for reparar, praticamente tudo na década de 70 apontava para a “herança psicodélica” e para as discotecas – o filme Os Embalos de Sábado à Noite por exemplo foi enorme sucesso na época, mostrando que a importância da disco music nos anos 70 era tão gritante que chegou às telonas. 



O curioso é que no final dos anos 70, começavam a popularizar-se não apenas as discotecas como ainda a subcultura punk. Enquanto a primeira herdava da “explosão hippie” o estilo colorido e de certa forma psicodélico, o segundo mantinha as ideologias políticas porém num novo gênero de música e estilo. Entretanto, da mesma forma que o hippie surgiu nos anos 60 mas decidi falar sobre ele neste post por conta da influência que ele teve, farei o mesmo com o punk, mas aguardem que no próximo post vocês compreenderão melhor o porquê da minha decisão.




Concluindo o post, muitos dizem que a década de 70 foi um período bastante individualista e acho que agora vocês entendem melhor o porquê. Foi uma época bastante política também e que acabou se refletindo nas décadas seguintes – afinal, muitas “revoluções” aconteceram neste período: as mulheres começaram a usar calça jeans, foi inventada a pílula anticoncepcional, drogas como o ecstasy e os alucinógenos se tornaram populares, os negros e os gays foram aos poucos começando a serem melhor “compreendidos” (não gosto de usar o termo “aceitos” pois quem me conhece sabe que não considero ser gay ou negro um convite que as pessoas precisem aceitar) na sociedade e por aí vai.

(eu sei que essa apresentação d'Os Mutantes é do finalzinho dos anos 60, mas eles influenciaram também nos 70 e como eu adoro essa música, não acho que seja muito pecaminoso botar esse vídeo nesse post)

(sim, você já ouviu essa música do Abba)

(e encerrando a amostra do melhor dos três mundos dos anos 70, Sex pistols <3)

19 de jul. de 2012

Músicas para ouvir durante a viagem


Sumi por um tempo por causa das provas bimestrais (o nosso colaborador Vitu tá tomando conta muito bem do blog, né?) e consegui um tempo mais livre só agora, um absurdo. Então, minhas férias começam oficialmente hoje na verdade (já era tempo!), e a vontade de viajar tomou conta. Não tenho nenhum plano (nem dinheiro), mas devo ir para casa de uma amiga numa cidade próxima.

O fato é que eu AMO viajar de carro, e uma música sempre cai bem. Quando eu era menor ouvia muita música nacional, mas hoje eu estou variando mais. Por isso selecionei essas músicas, que são ótimas para ouvir nessa ocasião.


Músicas para ouvir durante a viagem by Ceres on Grooveshark

E então, gostaram das músicas? Colocariam mais alguma? 
Boas férias para vocês!