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22 de jan. de 2013

Insuficiência

Me sinto vazia. Não tenho algo em que eu possa alicerçar minhas próprias vontades e anseios. Não creio que eles tenham a capacidade de suprir algo, muito menos a mim mesma. Só sei que eu preciso de mudança, mas não a vejo em lugar algum. Não a vejo no meu corpo (que não é como eu quero), na minha escrita (que não convence)... e eu só tenho a mim. Eu só dependo das minhas atitudes, dos meus méritos. E, já disse: não sou suficiente. Não sou capaz de fazer uma amizade duradoura, de fazer com que queiram minha companhia (só por querer). Não sou capaz de confiar na minha própria capacidade, muito menos acreditar que ela realmente existe.

Só quero que queriam que eu esteja por perto. Quero fazer a diferença. Quero ter alguém pra ligar, pra conversar. Quero contar como me sinto. Quando me casar, quero ter a quem convidar. Quero ser suficiente, nem que seja para mim. Quero acabar com essa minha insuficiência que eu sei que, no final, é só minha. 

E só depende de mim para que ela se esvaia. 
Só depende de mim para que eu seja suficiente, afinal. 

2 de jan. de 2013

Um texto sobre o "amor"

Sério, to indignada e vou ter que falar que definitivamente eu não entendo vocês. Vocês se odeiam, falaram mal um dos outros (comigo, ainda), brigaram, deram o troco por coisas idiotas e agora não se desgrudam mais? Têm fotos juntos no facebook com legendas melosas, e se marcam quando tem uma foto bonitinha falando de amizade? Me poupe! Fico imaginando o que falam de mim agora, porque não compartilho dessa falta de vergonha na cara com vocês. 

Quando eu considero alguém, eu considero de verdade, tanto que tenho a liberdade pra dizer se algo me incomoda ou não. Amizade é isso aí. Algo incomodou? Vamos sentar, vamos resolver juntos. Ir pra pessoa da carteira ao lado e falar o que não deve - isso não foi um fato isolado - não resolve nada e é muito infantil, se quer saber. O foda é que quando você aprende a falar um "não", todo mundo quer ouvir um "sim", e pronto: uma "amizade" verdadeira, que SERIA para sempre simplesmente não faz mais sentido porque não se recebe cola nas provas bimestrais ou favores cheios de segundas intenções. E no fundo, você só não o fez porque não se sentia confortável. 

Gente, se vocês acham que existe amor no facebook (ou nessas atitudes), vocês estão errados. Não existe amor aqui. Existe amor em quem ta aí, do seu lado, te ligando à toa, só pra saber como você está. Sem essa de conveniência, sem essa de troca de favores. Sem chamar pra beber porque simplesmente com mais um lá a conta fica mais barata. Quer saber? Vocês começaram o ano muito mal. Mas quem sou eu para falar isso ou aquilo, não é. E que bom mesmo porque nem faz tanta diferença agora. Não para mim. 

Por isso, o que me disseram agora no ano novo faz muito sentido: "Leve apenas o que foi bom." Mas eu não vou fazer isso. Muitas coisas foram boas, mas não acrescentaram nada na minha vida. Vou levar quem ficou no coração. Não quem está no album do facebook. 

Então saia do computador e vá amar (de verdade) quem valha a pena.

25 de dez. de 2012

Ensino Médio


Ultimo dia D
Assim que cheguei ao primeiro ano fiquei extremamente ansiosa: só faltavam mais dois anos. No começo do segundo, animadíssima com essa ideia da escola acabar e no começo do terceiro já estava fazendo planos pra como seria viver sem o Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG) na minha vida.
Minha historia, não, minha saga estudantil no IEMG começou na primeira série em 2002 e acho que vocês perceberam que eu só saí de lá quando me formei. Claro que vou dizer o que vocês querem saber: estou ajoelhando e dando graças ao meu bom Senhor por eu ter me formado sem nenhuma bomba, sem nenhum ano a mais lá! Porque só os dias a mais que eu tive que ficar naquele prédio rosa e estudando em casa por causa da recuperação equivalem por um aninho a mais! haha Esperei o ano todo por esse momento de me formar e excluir toda a ralé (me desculpe você que está lendo esse adjetivo e se sinta ofendido) da escola das minhas redes sociais porque agora já não sou mais obrigada a conviver e espero que entendam que eu os tinha não por uma questão de querer vigiar vocês e rir de suas fotos (ok, eu fazia isso as vezes...culpada! rs) mas era uma questão de necessidade de informação sobre a nossa instituição de ensino e agora meu querido ou minha querida, NÃO nos veremos nunca mais.
Agora eu estou livre desse fardo de anos. Acho que vocês devem estar um pouquinho só curiosos e se perguntando "se era um fardo e você odiava tanto aquele lugar porque nunca mudou de escola?!" e eu lhes responderei a resposta mais obvia de todas: acontece que o IEMG é uma escola comoda para os filhos dos meus pais estudarem, é bem elogiada (por quem não estuda lá, claro) e é bem localizada - com bem localizada quero dizer perto da minha casa.
Então agora sou um lindo pássaro ruivo solto! Mas vou admitir que estou perdida... meu mundo é tão pequeno e limitado, não sei até onde posso ir. A única realidade que eu conhecia era a realidade do IEMG.

Pós primeira etapa: esperançosa.
"Mas peraí Ana,e a faculdade?" É claaaaaaaro que eu deixei que toda aquela pressão da mídia, da família e da escola cair sobre meus ombrinhos nesse último ano. Fiz o ENEM sofrendo, corrigi o gabarito online e é uma coisa que eu não recomendo a fazer, porque você pode se decepcionar muito como eu e ir totalmente desanimado no outro dia e fazer uma péssima prova... só Deus sabe meu resultado dessa prova. E bom, como nas fotos vocês já podem ter reparado que a mocinha aqui botou na cabeça que faria Artes Plásticas na UEMG e a trágica historia é que eu fiquei pra excedente. Tem coisa pior que te deixarem no meio do muro sem saber o que vai acontecer?! Tentei a primeira etapa que foi um dia de desenho de observação e no outro desenho de criação: passei. Fiz a segunda etapa completamente otimista, eram 25 vagas e 2,40 candidatos por vaga (bem que a mamãe avisou pra não cantar vitória antes da hora) e eu não consegui. Fiquei em 30º lugar e atualmente estou esperando que alguns candidatos desistam porque afinal é ARTES PLÁSTICAS E NÃO VAI TE LEVAR A LUGAR NENHUM! (quem sabe algum concorrente meu não lê isso e fica comovido).
Enfim é isso: não tenho pra onde ir. Me formei. Vou ter que prestar vestibular de novo e dessa vez pretendo fazer um cursinho pra matemática não ficar de palhaçada comigo como fez na segunda etapa da UEMG que intrigantemente foi a prova geral com todas as matérias.
Festa de formatura no Mix Garden.
Eu queria dizer muita coisa sobre toda essa mudança, especialmente de  costume, mas tudo está se resumindo mesmo é em saudade. Apesar de todos esses anos torturantes que não passavam, chegou no fim e tiveram coisas lindas também. É um saco sempre ser uma pessimista-apelativa (olha, nem posso mais perguntar a minha professora de português se isso tá certo) mas vou contar uma coisinha: meus melhores anos foram lá. Os meus amigos de hoje são meus amigos desde sempre, que estudaram comigo e eu sei que estarão sempre ao meu lado.
Eu acreditava que a gente não ia se afastar, mas agora... tá tudo bem distante. Aquelas malditas 5 horas por dia fazem falta nessa questão do convívio e da falta dos amigos de verdade que eu sei que ainda vou me divertir muito. Mas me faz feliz saber que agora finalmente cada um vai pro seu rumo artístico, engenheiro, publicitário ou nutricionista. É um surto de desabafo psicótico da Ana, mas também é um agradecimento. Obrigada. <3

8 de out. de 2012

Ficamos


Nos encontramos sem muita conveniência. Não nos olhamos no olhos e permanecemos o tempo inteiro de braços cruzados, afinal, tínhamos consciência de que era melhor assim. Choramos. Falamos. Reclamamos. Deduzimos. Fomos embora para nos encontrarmos novamente. Para não cruzarmos mais os braços. Para tomarmos vento e sol, já que não queríamos nos tomar. Para olhar o céu. Descobrimos que sabemos como estamos e como queremos estar. Mesmo assim nos contentamos em apenas esperar. Esperar qualquer milagre cair em nossas cabeças. Que o tempo avance em outro em que esteja tudo bem. Em que haja espaço. Que o passado não seja qualquer empecilho. No qual vamos dizer o que sentimos, o que queremos. Que sejamos nós para nossas próprias expectativas.

Vamos esperar. Vamos ver se isso vai passar, continuar, piorar, ou terminar. Temos tempo.

Também só sabemos que no final ficamos, enfim, no fim.

25 de ago. de 2012

"O que te sobra além das coisas casuais?"



Tenho pensado muito nessas coisas que a gente engole – essas palavras que chegam na pontinha da língua, mas voltam com a saliva e também aquelas palavras que ouvimos e fingimos que não nos doeu. As coisas que deixamos de viver por acharmos não estarmos prontos, por acharmos que aquela situação está à frente do nosso tempo ou por medo...
O que eu tenho pensado muito mesmo é em todas as palavras que eu ando engolindo acreditando que nenhuma delas vai me salvar desse meu medo tão profundo no meu âmago e em todas as palavras que eu consegui não engolir, mas não consegui dizê-las a quem eu queria tanto que ouvisse.
Uma dessas coisas que eu queria dizer é que eu entendo porque as pessoas não amadurecem. Entendo que seja mais fácil viver pelas coisas casuais porque a futilidade é um caminho mais fácil pra felicidade e é por isso que tem tanta gente fútil e vazia ao meu redor. Mas não vou brigar por isso, porque pra deixar de ser fútil e se aprofundar em relacionamentos e atitudes é preciso amadurecer e este é o grande problema.
Amadurecer é uma fase muito dolorosa na vida da gente e as pessoas tem tanto medo de sofrer, medo de se envolver, medo de falar o que querem, medo de serem elas.
O que me incomoda não é quando esse medo impede as pessoas de investirem no que sentem, o que me incomoda é quando elas começam a se aprofundar, mas percebem como é tão vasto ter intimidade e ficam com medo, se assustam e desistem. O que me incomoda é cada pessoa que eu vejo fugindo de ser mais profundo, de ser mais sensível. Me incomoda elas não quererem descobrir o que elas podem ser. Me incomoda elas desistirem por esse medo tão oculto e destrutivo em seu interior.
Quando é a hora da pessoa crescer, ela cresce... não dá pra fugir disso pra sempre.

29 de jun. de 2012

Só deixar


Talvez eu não esteja completamente sã; afinal de contas, tenho dezessete anos e estou farta de sonhar, de planejar.
Por anos fui daquelas gordinhas iludidas, que cedia a concentração pra qualquer um mais sensível que arriscasse a me dar uns beijos. Concentração porque primeiro, não conseguia pensar ou falar de outra coisa. Segundo porque não deixava o coitado (nem ninguém) em paz com aquilo. Todo mundo tinha que saber que eu fui beijada, que eu gostei, e que eu tava muito afim de ser beijada de novo. E claro, quem sabe, com o detalhe de a parte do 'gostar' fosse totalmente recíproca.
Eu tinha a puta convicção que cada cara desses que eu beijei era o amor da minha vida. Que eles iam me beijar, gostar, me beijar de novo, me dar presentes, falar em namorar, ir pedir meu pai (que aliás, é enorme), e namorar comigo o namoro mais lindo e duradouro do mundo.
Mas isso não aconteceu. Com nenhum deles.
Custou uns vinte e poucos caras, e uns 7 anos.
Até que eu desisti. Beijava, mas agora era só para controlar meus hormônios que agora atuavam de fato. Me chamaram pra sair. Me falaram que gostavam de me beijar. Duvido nada que pediriam meu pai pra namorar comigo; mas agora era eu quem não queria.
Sabe qual é o problema disso tudo? Quem eu queria existe. Quem eu esperava apareceu. Sim, problema.
E eu nem dei para ele o trabalho de me pedir em namoro. Eu quem pedi.
Ir lá em casa? Claro, para apresentar você para meu pai. É, você, meu namorado. Não precisa pedir para ele.
Mesmo achando que tinha certeza que todos eles eram 'o cara certo', agora era de verdade. Quem e quando eu menos esperava.O problema mesmo é que tudo o que planejei eu mesma estraguei na hora H.
Eu não deixei você ser quem eu sempre quis para mim.
E cheguei à conclusão de que vou deixar você sonhar por mim de agora em diante, e fazer com que tudo se realize. Sem atropelar, sem forçar. Só deixar.

21 de mai. de 2012

Aprendizagem




Eu os amava de uma forma que a nós mortais não estava permitido amar. Cada um de nós era um sopro de vida expelido por um coração em chamas. E quando nos juntávamos, algo soava grandioso... podíamos sentir que era uns com os outros onde deveríamos ficar. Éramos um grupo que chamava atenção, e todos do grupo queriam a atenção um pouco mais voltada para si. Tínhamos uma sede de imperadores que em tempos de crise se aliaram para enfrentar a guerra.

Mas a guerra éramos nós. Sempre havia confrontos internos e mesmo assim um governo não conseguia ficar sem o outro. Éramos crianças descobrindo desde cedo o gosto amargo da vida e mesmo não gostando, não conseguíamos nos desapaixonar desse viver. Era uma descarga de cafeína na alma. Não conseguíamos ficar parados, estávamos sempre fazendo algo de errado com uma aura de isso-vai-dar-merda.

Éramos apaixonados pelo terrível medo do perigo. Estávamos sempre nos arriscando. Sabíamos que esse tipo de vida era uma merda que não valia a pena e mesmo assim botávamos tudo a perder. Seria coragem ou covardia viver no limite do medo por um simples grupo de amizade que às vezes era inclusive posto em dúvida se amizade o era?

Isso não é ser amigo, botavam as pessoas na nossa cabeça. As pessoas, em especial os professores, realmente adoravam encher nossa cabeça. Por alguma razão, nossa pequena sociedade anarquista acabara se subdividindo-se. O tempo nos separou enquanto nosso tamanho crescia. E todos nós lamentamos pelo tempo que se foi, pois mesmo sabendo que nosso estilo de vida era ruim, afinal descobrimos que todos os nossos sentimentos e experimentos foram verdadeiros. E disso ninguém que não fizera parte do movimento pode falar, e o que aprendemos juntos professor nenhum ensina.