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17 de jul. de 2010

Nós, para nós


Eu estava muito, mas muito ansiosa. Sentada à cama, eu colocava as mãos sobre minhas pernas, trêmulas, e cantarolava uma música qualquer, pra ver se me acalmava.
Era difícil acreditar na possibilidade de vê-lo de novo. Melhor do que vê-lo, seria fugir. Fugir para ele, fugir com ele.

Eram seis da manhã, o sol pairava baixinho, iluminando as poucas coisas que eu queria ver pela ultima vez.

A casa toda dormia. A mochila, cheia, estava jogada num canto. Eu a olhava, e me dava uma sensação inexplicável.

A cada dois minutos me levantava da cama, e, inquieta, olhava pela janela de novo, para ver se ele havia chegado. As àrvores, os pássaros, tudo parecia mais bonito, vistos da minha janela. E ele, nada.

Pela sexta vez, me sentara na cama novamente. Meu coração palpitava. Ouvi, baixinho, um ronco de um motor. Era a única coisa que eu conseguia (e queria) ouvir. Uma moto.

Voltei correndo para a janela, e lá ele estava. Não podia me conter, de tanta felicidade! Ele sorria pra mim, cúmplice, ao mesmo tempo que também mostrava nervosismo. Eu corri para dentro do quarto, peguei a mochila e joguei pela janela. Logo depois, saltei.

Montei, atrás dele, naquela moto preta, relusente, e o abracei forte. Sua jaqueta de couro esquentava, de forma especial, meu peito. Ele alisou com uma das mãos a minha que o estava apertando.

Ele deu a partida, eu sentia o coração dele pulsar nas minhas mãos. Ele também sentia o meu, em suas costas. Fomos estrada afora, felizes.Eu, fugindo para ele, e ele, para mim. Fungindo, nós, para nós.

Pauta para o Projeto How Deal

4 de jun. de 2010

i'm a gunner ♥


Você não deveria ter envelhecido, caro Axl, eu ainda queria ver sua tatuagem da segunda arte do CD Appetite for Destruction intacta e visível no seu antebraço direito, sempre acima do seu relógio, com você eu queria ter uma chance, com você eu queria morar. Nós ficaríamos na porta de casa, você cantando Sweet Child O' Mine, Patience, Don't Cry, Estranged pra mim ... Eu faria desenhos de golfinhos pra você, não faria escova pro meu cabelo ficar meio desvairado ... Pena que você já tem 46 anos, e eu, coitada de mim, e eu, 15. Agora você tá velho, barrigudo, barbudo, e com trancinhas afro. Ôh cara, bandana e cabelo ruivo sem pentear é mais sexy, acredite em mim. Eu ainda vou ter um converse vermelho e branco com seu nome atrás. Um dia saberá da minha existência, quem sabe, talvez, um dia me ame. Na verdade, deveríamos morar na terra do nunca. Um ídolo dos anos 80, pra viver comigo, para sempre. Talvez seja isso que falta pra mim. Com você, viveria o irreal. Tomaríamos chuva num mês de novembro, nos amaríamos...
Com você, só posso sonhar. Pena que o tempo passa, pena que as coisas mudam.
Filho da puta do tempo, que fez com que nós nos desencontremos.

Pauta para o projeto How Deal

29 de abr. de 2010

Contra o Exercício de Pensar em Dúvidas

Dúvida.
Esse é tipo de coisa da qual eu não fico sem. Nem eu, nem ninguém.
Sabe o que é pior? Nós somos OBRIGADOS, todos os dias, a morar com ela, estudar com ela, beijar, abraçar, alisar, morder, apertar... e sim, isso é saco. 
Vai que alguma dúvida tem bafo, deixa cabelo no sabonete quando toma banho e ainda por cima copia seu dever?
Eu em particular, todos os dias, fico louquinha atrás das minhas respostas; porque minhas dúvidas têm bafo, e todas essas coisas desconfortáveis.
Eu não sei se meus amigos de BH pensam em mim com frequência igual a que eu penso neles, se em um futuro distante eu vou ser mãe, me enxer de pirralhinhos, ou, até então, ser uma louca, toda tatuada e cheia de piercing.
Ou pior: se vou ter minha casa própria, se vou comprar roupas legais, qual profissão vou exercer, se vou ficar com quem eu amo.
Gente, e se meus amigos me acham esquisita, se meus pais não estão satisfeitos comigo, se o cara que eu gosto não gosta de mim?
Pensar nisso tudo me mata de desespero, que merda.
Então, agora, cheguei à uma conclusão, e vou combinar isso comigo mesma:
se eu tiver dúvidas (é só uma suposição, porque, como eu já disse, eu tenho, e de sobra) eu vou tentar acabar com elas. É, foder com elas, tirá-las o poder de existir e me enxer o raio do saco, mandar elas pra puta que pariu.
Se eu não conseguir vou simplesmente não pensar nelas.
De que adianta ficar horas pensando em uma coisa incerta, totalmente fora do seu alcance?
Garota, para de ficar pensando se os garotos do VDG vão se casar com você. Se isso tiver que acontecer, vai acontecer e ponto final.
Garoto, não fica enxendo a cabeça com filme pornô se masturbando no banheiro. Não fica preocupado se a gatinha da sua sala vai te olhar. Sobe a calça e vai jogar um charme em cima dela, escrever uma música pra uma serenata, sei lá!
Vamos ser felizes não pensando nas dúvidas que não podemos achar as respostas!
Vamos ir pra "Religião do Destino", e acreditar no nosso potencial de alcançar nossos objetivos!
Eu digo por experiência própria.

p.s.: não me dirigi à ninguém.

Pauta para Projeto How Deal