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8 de out. de 2012

Ficamos


Nos encontramos sem muita conveniência. Não nos olhamos no olhos e permanecemos o tempo inteiro de braços cruzados, afinal, tínhamos consciência de que era melhor assim. Choramos. Falamos. Reclamamos. Deduzimos. Fomos embora para nos encontrarmos novamente. Para não cruzarmos mais os braços. Para tomarmos vento e sol, já que não queríamos nos tomar. Para olhar o céu. Descobrimos que sabemos como estamos e como queremos estar. Mesmo assim nos contentamos em apenas esperar. Esperar qualquer milagre cair em nossas cabeças. Que o tempo avance em outro em que esteja tudo bem. Em que haja espaço. Que o passado não seja qualquer empecilho. No qual vamos dizer o que sentimos, o que queremos. Que sejamos nós para nossas próprias expectativas.

Vamos esperar. Vamos ver se isso vai passar, continuar, piorar, ou terminar. Temos tempo.

Também só sabemos que no final ficamos, enfim, no fim.

5 de out. de 2012

Sem você


Com seu braço esquerdo, envolva a minha cintura.
Apoie o direito nas minhas costas, puxando-me para perto.
Me deixe eu apoiar os braços entrelaçados em volta do seu pescoço.
Coloque seu rosto junto do meu, para que eu possa te sentir.
Sussurre ao pé do meu ouvido tudo o que você quer dizer e fazer.
Baile comigo qualquer música que tenha a duração mínima de uma vida;
porque sabemos que nos matamos e nos ressuscitamos, ao mesmo tempo, o tempo todo.
E você não sabe o quanto que eu quero que isso termine de vez.
O quanto eu quero um fim.
Para que o tempo todo seja meu, e ao mesmo tempo, que minha própria vida seja minha.
Para que você não me envolva mais, que não me tenha mais perto.
Que você não precise dizer (nem sussurrar) nada para me fazer bem.
Que para mim não faça diferença o que você quer dizer e fazer.
Só para mim conseguir ficar feliz, sem você.

29 de mai. de 2012

29 de maio


A saudade está tomando conta de onde a tristeza já está.
É a hora que a gente sente que vai começar a sofrer; ou pelo menos, admitir que já sofre.
É quando as horas vão passando devagar o bastante para enxergar o que se perde nitidamente.
É quando os batimentos cardíacos aumentam esperando um 'eu te amo' antes do findar da ligação.
É quando, simplesmente, não sabemos o que fazer.
E quando simplesmente, nada fazemos.