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8 de out. de 2012

Ficamos


Nos encontramos sem muita conveniência. Não nos olhamos no olhos e permanecemos o tempo inteiro de braços cruzados, afinal, tínhamos consciência de que era melhor assim. Choramos. Falamos. Reclamamos. Deduzimos. Fomos embora para nos encontrarmos novamente. Para não cruzarmos mais os braços. Para tomarmos vento e sol, já que não queríamos nos tomar. Para olhar o céu. Descobrimos que sabemos como estamos e como queremos estar. Mesmo assim nos contentamos em apenas esperar. Esperar qualquer milagre cair em nossas cabeças. Que o tempo avance em outro em que esteja tudo bem. Em que haja espaço. Que o passado não seja qualquer empecilho. No qual vamos dizer o que sentimos, o que queremos. Que sejamos nós para nossas próprias expectativas.

Vamos esperar. Vamos ver se isso vai passar, continuar, piorar, ou terminar. Temos tempo.

Também só sabemos que no final ficamos, enfim, no fim.

20 de set. de 2012

morr(eu)


Essa noite sonhei com você. Que sorria fechando os olhos, como faz quando está extremamente feliz. Coisa que eu já não via mais. Quanto acordei estava convicta de que tudo está como deveria estar, apesar do modo como ocorreu. 
Hoje ainda falamos em respeito, consideração... mas tudo depende de nosso ponto de vista, de nosso coração, de nossa dor (ou a falta dela). Você fala exatamente de liberdade, da falta de felicidade, e que não valia mais a pena. Fala que à um mês já não estava bom. Fala que simplesmente não quer mais tudo o que expectamos. Já eu falo de como as coisas iam andando, apesar de tudo. Falo que acomodamos. Falo do que confinamos esses anos, do que combinamos: que se um dia isso acontecesse, contaríamos um ao outro, sem mágoa. Mas esqueci de que você não faz promessas.
Nesse tempo, muitas vezes, pensei: "Seríamos ótimos amigos!", mas logo afastava a ideia, porque parecíamos felizes daquele jeito. E estávamos (com o sorriso, os olhos fechados e tudo). Mas talvez, se eu dissesse, você concordaria. Já chegaram a nos dizer, desde o início, que isso aconteceria; mas mesmo assim, tentamos.
Entendi, que na verdade, não estávamos amadurecendo... estávamos morrendo afinal. E você enxergou primeiro. Sabe, eu devia esperar que fosse da forma que foi, pelo tanto que te conheço. 
Nunca vi você tão seguro de algo. E espero que esteja mesmo. Porque assim sinto que todas as mudanças que nos cobramos, aprendemos, finalmente. 
Continue correndo atrás do que você quer. 
Eu também estou indo, só que para o outro lado.
E a solução, meu jovem, foi a solidão de nós.