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27 de dez. de 2012

De mais ninguém


Apesar de tudo, eu iria. Eu tinha certeza de que devia fazer aquilo, me faria feliz. Após nossos encontros destilados em segundas ou terceiras intenções, eu ia rumo à sua casa, verificando se meu all star estava limpo a cada passo que eu dava. De qualquer forma, o all star não importava, então preferi ter certeza que o decote da minha blusa teria uma boa vista. Sabe aquela minha favorita? É aquela que tem uns botões em ouro velho. 

Arrastando os pés e chutando as pedras, cheguei à sua casa. Comumente você estaria tomando banho. Dessa vez não foi diferente. Quando saiu com o rosto molhado - não lembro se seu cabelo estava maior - eu apenas sorri para você. Você me olhou, me segurou pelos braços e retribuiu o sorriso. Nos seus olhos consegui ler "Sua louca, não acredito que você veio mesmo!" e depois um "Meu Deus, ela gosta de mim!". 

E é, eu gosto de você. Também devo admitir que você deve ter planejado aquilo tudo. Estar sem camisa e ter colocado Los Hermanos pra tocar antes de entrar no banho foi no mínimo, um golpe muito mais baixo que meu decote. Não consegui focar no seu possível plano. Ficamos nos olhando por um tempo, e eu continuei tentando desvendar o que se passava na sua cabeça. Era diferente para nós aquela sensação de que havia uma barreira entre nós. 

Nos segurávamos pelo braço, nos olhávamos, sorríamos e aquilo era quase que suficiente. No coração, eu já estava calma, afinal, eu estava no seu quarto, e você estava me encostando na parede. Quando chegou bem perto, elogiou a flor que estava no meu cabelo. E se aproximou mais, e mais... Tínhamos nos beijado antes, mas aquele era intercalado por sorrisos. É, eu sorrindo de novo. E não conseguia parar. Apoiei meus braços na sua nuca, e fiquei feliz por ter decidido ir ver você, por decidido que nós merecíamos uma nova chance. Te sorri e beijei de olhos fechados, derreti em cada abraço apertado, molhado e com cheiro de banho. 

Nos sentimos e nos deliciávamos com o fato de aquilo era nosso, de mais ninguém. A barreira, nunca foi nossa. Apenas deixamos que a erguessem ali. Essa desmoronou quando fui pra casa, larguei a bolsa no canto do quarto e entrei no banho pra só querer ver você sair do seu. 

9 de out. de 2012

"Pra sonhar"


Foto encontrada em http://michellenewellphotography.com/


Ninguém vai ser casar (muito menos eu), mas estou numa vibe muito gostosa desde que conheci a música "Pra sonhar", do Marcelo Jeneci. O clipe foi feito de forma colaborativa (adoro coisas feitas assim), e ficou a coisa mais apaixonante do mundo! Bora conferir?



E para completar nossa overdose de "vontade de casar"...










Também encontradas em http://michellenewellphotography.com/



Encontradas em http://www.benjhaisch.com/blog/jadeandkaitlin/

Só para sonhar mesmo, né?




8 de out. de 2012

Ficamos


Nos encontramos sem muita conveniência. Não nos olhamos no olhos e permanecemos o tempo inteiro de braços cruzados, afinal, tínhamos consciência de que era melhor assim. Choramos. Falamos. Reclamamos. Deduzimos. Fomos embora para nos encontrarmos novamente. Para não cruzarmos mais os braços. Para tomarmos vento e sol, já que não queríamos nos tomar. Para olhar o céu. Descobrimos que sabemos como estamos e como queremos estar. Mesmo assim nos contentamos em apenas esperar. Esperar qualquer milagre cair em nossas cabeças. Que o tempo avance em outro em que esteja tudo bem. Em que haja espaço. Que o passado não seja qualquer empecilho. No qual vamos dizer o que sentimos, o que queremos. Que sejamos nós para nossas próprias expectativas.

Vamos esperar. Vamos ver se isso vai passar, continuar, piorar, ou terminar. Temos tempo.

Também só sabemos que no final ficamos, enfim, no fim.

5 de out. de 2012

Sem você


Com seu braço esquerdo, envolva a minha cintura.
Apoie o direito nas minhas costas, puxando-me para perto.
Me deixe eu apoiar os braços entrelaçados em volta do seu pescoço.
Coloque seu rosto junto do meu, para que eu possa te sentir.
Sussurre ao pé do meu ouvido tudo o que você quer dizer e fazer.
Baile comigo qualquer música que tenha a duração mínima de uma vida;
porque sabemos que nos matamos e nos ressuscitamos, ao mesmo tempo, o tempo todo.
E você não sabe o quanto que eu quero que isso termine de vez.
O quanto eu quero um fim.
Para que o tempo todo seja meu, e ao mesmo tempo, que minha própria vida seja minha.
Para que você não me envolva mais, que não me tenha mais perto.
Que você não precise dizer (nem sussurrar) nada para me fazer bem.
Que para mim não faça diferença o que você quer dizer e fazer.
Só para mim conseguir ficar feliz, sem você.

2 de out. de 2012

Alana e a felicidade



Alana só queria ficar um pouco mais. Não queria um romance ou qualquer coisa coisa do tipo, não queria um relacionamento. Alana apenas gostava daquele beijo e de estar com ele, apenas queria estar com ele o tempo que fosse possível. Aproveitar um forte sentimento que a engolfava e momentos de felicidade com ele. Queria mais daquele abraço, mais daquele beijo, mais daquele prazer e mais daquele garoto. Seria dele pelo tempo necessário e diria as palavras de amor e conforto conforme mandasse seu coração e, quando o sentimento de ambos começasse a esfriar eles continuariam como amigos seguindo as próprias vidas e pronto. Não havia problemas em querer ser feliz e desejada.
            
Ela tinha um compromisso consigo mesma e queria sentir-se bonita e amada o máximo de tempo possível, independentemente se seria amada por si mesma ou pelos outros. Queria estar em todos os lugares e estar sempre fazendo amigos, queria que todos quisessem acompanhá-la onde quer que fosse e mesmo assim poder ficar sozinha quando quisesse também. Alana se atrasava para sair por estar se arrumando mas mesmo assim não se importava quando passava um vento forte em seu cabelo: sua vaidade consistia apenas em sentir-se bem consigo mesma. Se seu reflexo a dizia que estava bonita ou se seu sorriso dizia que estava feliz já bastava. Ela era bonita o suficiente para independentemente dos desastres que acontecessem com sua imagem Alana saber que sempre haveria alguém que a quereria -- talvez não no lugar onde ela estivesse no momento, mas há no mundo pessoas o suficiente para gostar de todos os tipos de beleza possíveis. Alana sempre teria quem a achasse bonita, fosse um ficante ou uma amiga.
            
E por ter consciência do quão especial ela era apenas por ser ela mesma, Alana era sempre especial. Ficava com quem queria o tempo que queria e não deixava as pessoas se intrometerem em sua vida. Todos queriam seu msn, seu twitter, seu facebook. Alana dificilmente saía de uma festa sem ter conseguido alguns números a mais em suas redes sociais. Ela queria apenas a si e por se querer todos a queriam também. Às vezes entristecia-se por conhecer sua imensidão. Um dia ficarei velha, pensava, e dessa forma provavelmente solitária, mas não consigo gostar de alguém mais do que gosto de todos -- será que um dia aparecerá alguém especial o suficiente para mim a ponto de eu querer abandonar esse meu direito de ter todos os que quero ao mesmo tempo?
            
Alana levantou-se da cama e começou a se vestir. Preciso ir embora, disse, ou não chego no trabalho ainda hoje. E que mal há em não chegar no trabalho? ele desafiou, apenas fique aqui comigo e eu te darei tanto amor que você não precisará de mais nada. Alana respirou fundo, era sempre assim. Já era mulher e não mais se iludia, sabia que ninguém a daria tanto amor quanto ela própria. Sabia que ele correria atrás dela por um bom tempo e que se entregar não havia sentido -- ele não era suficiente, a vida para ela era algo mais do que viver um único grande amor e afagos noturnos caídos na rotina. Se entregar tão jovem representava ser reduzida a um móvel, a empregada gratuita uma vez que logo seria esquecida e então as pelancas começariam a cair tornando difícil se libertar de tal escravidão. Alana não nascera para ser esposa, era a certeza que ela tinha quando se vestia após essas transas casuais. Ela não queria ser eterna ao lado de alguém, apenas queria ser eterna. O homem que afinal a observava deitado na cama a tornava mais feliz do que qualquer pessoa no universo, mas ela sabia que eles não foram feitos para o longo prazo -- com o tempo ele também saberia. As flores das juras de amor morreriam com o tempo e fazer apostas tão altas faria apenas a felicidade e a paciência dos dois morrer junto. Eles eram a felicidade agora, mas logo isso acabaria e o que eles tinham juntos não seria suficiente para prorrogar. Ambos tinham um caminho completamente diferente e afinal não havia problema em aproveitar enquanto ambos os destinos se cruzavam e seguiam a trilha juntos. Mas Alana deixaria-se arrastar quando as linhas se separassem.
            
Terminou de se vestir e foi beijá-lo. Disse um último eu te amo que era o mais sincero que ela poderia dar em todos os milênios que eles possivelmente poderiam passar juntos. Ela o amava agora como nunca amara ninguém, assim como fora com o último e seria com o próximo. Ela o amava naquele segundo e queria ficar presa nele antes que tudo acabasse, porque afinal aquele segundo era o amor puro. Ela o amava porque era bonito, criativo, popular e a amava. Ela o amava porque ele era bom e gentil em sua própria forma. Ela o amava porque sentia que o compreendia e a depressão em sua alma era a maior do mundo naquele único segundo em que ela lembrava-se que um dia ela compreenderia o suficiente para decepcionar-se e não mais amá-lo de tal forma. Deprimia-se porque um dia tudo mudaria e mesmo assim o amava pois ele a amava mesmo sem saber nada sobre ela. Alana o amava porque isso revelava uma ingenuidade infantil no homem que tanto se fazia de durão, via nos olhos dele uma garotinha que se entrega a um amor qualquer. Via o quão perdido ele estava por querer tanto se entregar a alguém e ter uma pessoa que parecia ser tão linda e especial quanto Alana em seus braços. E por tudo isso ela o amava, mas sabia que não era bem o que ela queria no fundo de seu coração. Os homens eram todos assim, eram sempre crianças que não terminaram de crescer e queriam todas as noites anestesiar a solidão de viver em amassos com mulheres quaisquer que os fariam sentir-se o único homem do mundo. Todos queriam sentir-se poderosos por saber que a vida era a maior decepção que se podia ter. Apesar de tudo, Alana sabia que isso não era por maldade, mas ela não era muito do tipo que lamentava sua existência fazendo sexo com pessoas quaisquer; ela transava com quem queria porque queria, pelos mais variados motivos, na esperança de um dia ser tão completa consigo mesma a ponto de conseguir mudar alguma coisa, seja no mundo ou na vida de alguém. Ela sabia que não era menos medíocre por isso, mas sabia que talvez fosse ao menos mais corajosa, por afinal enfrentar todos os dias a felicidade buscando domá-la.



29 de set. de 2012

Na verdade


Sem metáforas. Sem analogias.
Essa sou eu para dizer que não sinto raiva. Para dizer que ainda acredito nas coisas eternas, mas nunca vou deixar de duvidar da força das efêmeras.

Saber que elas existem é fundamental. É necessário aplicar as expectativas na sua própria capacidade.
Porque a saudade é algo que, depois de um tempo, acalma no coração. Depois, nem incomoda.
Então, para que acomodar? Por que acomodar com a dor, com o choro? Não é bom deixar que a tristeza vire rotina só porque você não tem mais a sua do lado de quem quer que seja.

As coisas não são da maneira que nós queremos. São exatamente ao contrário se você associar toda sua felicidade, tudo o que há de bom para você em alguém. As pessoas se sentem sufocadas assim, creio eu. Imagina, ser o centro de tudo para alguém? Mas vá, ninguém faz isso por mal. Ninguém deposita sua própria felicidade em ninguém por querer mal. Longe disso.

Pensei nesses dias sobre uma vez que você me disse que se sentia bem comigo. Que confiava em mim. E que perto de mim, conseguia ser você mesmo. Eu lembro que peguei seu rosto entre minhas duas mãos, e beijei cada cantinho dele. E vou te contar que isso me deixou muito, mas muito mais feliz do que quando você disse que me amava pela primeira vez, quando apenas escondi meu rosto na sua camisa.

Isso que eu aprendi. Que têm certas palavras que dão muito mais acalanto e vontade de ficar junto do que o ultrapassado do 'eu te amo'. Que as pessoas estão aqui, com a gente, mas nós nunca vamos conhecê-las de verdade. Nunca vamos saber o que elas sentem, mesmo que façamos tudo para fazê-las felizes. Tudo mesmo. É necessário confiar, muito mais do que gostar muito. E por favor, não subestime. Converse.

Se já chegou a dizer que ama, que confia, não custa dizer o que incomoda. Muito mais do que saber o quanto tem e o tamanho da sua individualidade é saber o quanto o outro conta com você. Se amar primeiro não é egoísmo. Egoísmo é tomar as decisões sozinho sobre algo que é coletivo, sobre algo que envolve outra pessoa. É assim mesmo. E não tente entender. É só respeito. É só pensar no outro.

18 de set. de 2012

Segredo de Liquidificador

Tudo começa sem (muita) pretensão: agrados, telefonemas, conversinha ao pé do ouvido, beijo devagarinho.
Isso rende por algum tempo, até que se descobre o carinho nas costas, no cabelo, barba roçando no ombro e essa coisa de ficar com o corpo grudado demais, o tempo todo.
Aí se decide, em um átimo, que precisam ficar juntos.
Quando dão por si, fizeram uma montanha de roupa ao lado da cama; e, nesse patamar, um sente o perfume do outro no ar, no travesseiro, na própria pele. Assim, com tanto cheiro e pele juntos, são simplesmente, um com o outro, o melhor refúgio do mundo.
Compartilham choro, vela, fita amarela, todo dia, e o resto da vida. 
Só que o tempo passa, e de repente, não tem mais graça. Seguram tudo, mas tudo mesmo só com um dedinho. Dói para um lado, dói para o outro. Um lado caí. O outro também.
E nunca mais se encontram. E fim. Assim.

25 de ago. de 2012

"O que te sobra além das coisas casuais?"



Tenho pensado muito nessas coisas que a gente engole – essas palavras que chegam na pontinha da língua, mas voltam com a saliva e também aquelas palavras que ouvimos e fingimos que não nos doeu. As coisas que deixamos de viver por acharmos não estarmos prontos, por acharmos que aquela situação está à frente do nosso tempo ou por medo...
O que eu tenho pensado muito mesmo é em todas as palavras que eu ando engolindo acreditando que nenhuma delas vai me salvar desse meu medo tão profundo no meu âmago e em todas as palavras que eu consegui não engolir, mas não consegui dizê-las a quem eu queria tanto que ouvisse.
Uma dessas coisas que eu queria dizer é que eu entendo porque as pessoas não amadurecem. Entendo que seja mais fácil viver pelas coisas casuais porque a futilidade é um caminho mais fácil pra felicidade e é por isso que tem tanta gente fútil e vazia ao meu redor. Mas não vou brigar por isso, porque pra deixar de ser fútil e se aprofundar em relacionamentos e atitudes é preciso amadurecer e este é o grande problema.
Amadurecer é uma fase muito dolorosa na vida da gente e as pessoas tem tanto medo de sofrer, medo de se envolver, medo de falar o que querem, medo de serem elas.
O que me incomoda não é quando esse medo impede as pessoas de investirem no que sentem, o que me incomoda é quando elas começam a se aprofundar, mas percebem como é tão vasto ter intimidade e ficam com medo, se assustam e desistem. O que me incomoda é cada pessoa que eu vejo fugindo de ser mais profundo, de ser mais sensível. Me incomoda elas não quererem descobrir o que elas podem ser. Me incomoda elas desistirem por esse medo tão oculto e destrutivo em seu interior.
Quando é a hora da pessoa crescer, ela cresce... não dá pra fugir disso pra sempre.

24 de ago. de 2012

3x4


Estava olhando sua foto 3x4 que fica na minha carteira. Demorei meia hora namorando sua boca, e mais vinte minutos namorando seu queixo, seu pescoço. Fiquei pensando, enquanto observava seus olhos, em como você deve estar cansado agora. E olhei os olhos mais um tempo. Fitei as sobrancelhas. Lembrei de como elas se contorcem quando você ri...

E novamente, sem relutar, volto a olhar a boca. Encanto-me ainda mais pelo formato, pela espessura dos lábios, na profundidade entre ela e o queixo. E lembro dos dentes. E do sorriso. Meu coração pulou.

Atrás da foto está escrito que te amo. Talvez eu devia escrever do lado que estou com saudade também.

20 de jul. de 2012

Feliz dia do Amigo


Tenho que admitir que a maioria dos meus amigos estão longe e, que às vezes, mal nos lembramos da existência uns dos outros. Que a coisa que mais aperta o peito é não me ver nas fotos, de não fazer parte dos assuntos, de, simplesmente, não estar mais perto.

Já perdi a conta das vezes que sentei para escrever algo para dizer como me sinto, mas nunca achei nada que pudesse expressar o que realmente está acontecendo. E o pior: estamos crescendo. Sinto que daqui pra frente, vamos nos afastar ainda mais. Tudo isso para fazer novos amigos, para amar, para ter filhos, para fazer todos aqueles sonhos que compartilhávamos virarem realidade.

Minha unica certeza é que lembramos uns dos outros, que gostamos uns dos outros, e que nós não seríamos os mesmos se não tivéssemos vivido essa amizade.


De fato, a responsabilidade e a necessidade de sermos adultos nos tira tudo aquilo que um dia nos fizeram tão felizes, mas não o que sentimos uns pelos outros. E é isso que realmente importa.

Feliz dia do amigo.

29 de jun. de 2012

Só deixar


Talvez eu não esteja completamente sã; afinal de contas, tenho dezessete anos e estou farta de sonhar, de planejar.
Por anos fui daquelas gordinhas iludidas, que cedia a concentração pra qualquer um mais sensível que arriscasse a me dar uns beijos. Concentração porque primeiro, não conseguia pensar ou falar de outra coisa. Segundo porque não deixava o coitado (nem ninguém) em paz com aquilo. Todo mundo tinha que saber que eu fui beijada, que eu gostei, e que eu tava muito afim de ser beijada de novo. E claro, quem sabe, com o detalhe de a parte do 'gostar' fosse totalmente recíproca.
Eu tinha a puta convicção que cada cara desses que eu beijei era o amor da minha vida. Que eles iam me beijar, gostar, me beijar de novo, me dar presentes, falar em namorar, ir pedir meu pai (que aliás, é enorme), e namorar comigo o namoro mais lindo e duradouro do mundo.
Mas isso não aconteceu. Com nenhum deles.
Custou uns vinte e poucos caras, e uns 7 anos.
Até que eu desisti. Beijava, mas agora era só para controlar meus hormônios que agora atuavam de fato. Me chamaram pra sair. Me falaram que gostavam de me beijar. Duvido nada que pediriam meu pai pra namorar comigo; mas agora era eu quem não queria.
Sabe qual é o problema disso tudo? Quem eu queria existe. Quem eu esperava apareceu. Sim, problema.
E eu nem dei para ele o trabalho de me pedir em namoro. Eu quem pedi.
Ir lá em casa? Claro, para apresentar você para meu pai. É, você, meu namorado. Não precisa pedir para ele.
Mesmo achando que tinha certeza que todos eles eram 'o cara certo', agora era de verdade. Quem e quando eu menos esperava.O problema mesmo é que tudo o que planejei eu mesma estraguei na hora H.
Eu não deixei você ser quem eu sempre quis para mim.
E cheguei à conclusão de que vou deixar você sonhar por mim de agora em diante, e fazer com que tudo se realize. Sem atropelar, sem forçar. Só deixar.

3 de mai. de 2011

Conosco


De longe, ele vinha. Naquele passo maroto, com as mãos no bolso. Eu gritava, saltava... por dentro. A unica coisa que eu deixava transparecer era meu sorriso. Mantinha as mãos entrelaçadas na frente do corpo, como tenho o costume da fazer. E ele vinha... e chegava, e chegava... Agora, eu já balançava as mãos ainda juntas. Ele ficava cada vez mais perto. Cada centímetro que ele percorria em minha direção equivalia a 100 batimentos cardíacos meus. O tempo todo ele mantinha os olhos de mim, e depois diretamente nos meus olhos. Parou. Próximo o bastante para eu não precisar mais de segurar minhas próprias mãos. Não conseguia enxergar outra coisa que não fosse seu sorriso. Percebendo meu êxtase, ele segurou as minhas mãos, entrelaçando meus dedos nos dele. Não importa como o dia estava, ou como eu havia acordado, porque ele estava me beijando. Nada mais importava. Eu estava com ele, e ele, comigo. Nós estávamos conosco.

30 de abr. de 2011

Sete meses



Eu te vi deitado na minha cama. Cobertor tampando até a boca, de bruços, com os braços debaixo do travesseiro; exatamente como eu estaria caso estivesse no seu lugar. Passei na porta do quarto uma, duas vezes, só para observar. Eu sentia uma ansiedade doida de correr, deitar em cima de você, e ficar lá, quietinha, sentindo seu calorzinho matinal de sábado. Mas não. Fiquei me corroendo, devagarinho, e você na sua pose pornográfica, sem mexer um músculo, me extasiando. Até que, segurando a barra do meu short de pijama, eu resolvi chegar perto; afinal de contas, ninguém me dissera que não podia. Sentei na beirada da cama, bem pertinho, sentindo o que podia daquela distância infinita. Fui me inclinando para perto do seu rosto. Parei no meio do caminho. Recuei. Sua boca estava coberta, oras. Continuei naquela tortura de te olhar dormindo, que aliás, é uma delícia. Novamente me inclinei para perto. E mais. E mais. Sentia sua respiração no meu rosto. Me aproximei mais. Passei o nariz, devagarzinho, na sua bochecha. Ia e voltava com o rosto, arrepiando, sentindo, derretendo por dentro. Você se mexeu um pouco, encolhendo mais ainda, com os olhos fechados. Eu sorria de tal maneira, que aquilo parecia fazer parte do meu rosto, como se ele estivesse sempre ali. E você não tem ideia de como faz isso bem. Essa coisa de me fazer feliz. Parece que você via aquilo tudo mesmo de olhos fechados; porque sua boca, agora à vista, também sorria para mim. Passei o braço por cima de você, deitei a cabeça nas suas costas. Num átimo levantei, beijei seu rosto, bem devagar; sentindo, derretendo... tudo de novo. E você me fazendo feliz, como sempre fez. Como sempre irá fazer. À sete meses atrás, daqui a sete meses, sete anos; assim eu penso. Quero você feliz, me fazendo feliz, assim eu sonho. Satisfeita, levantei-me da cama, saltitante. Olhei para trás e você dormia, na pose pornográfica de sempre.

24 de jan. de 2011

Conselhos Grátis


Antes de você se deixar levar por qualquer sentimento que te transforme numa completa deprimida sem vontade própria e totalmente vulnerável, pense duas vezes. Repense.
Veja se o seu problema é mesmo tão grande ou se são só seus olhos, sua cabeça e/ou seu corpo inteiro que têm lente de aumento. Isso sempre acontece, vai por mim.
Conclua. Veja se vale a pena se lamentar, e chorar (Digo que quase sempre não vale).
Seja confiante. Sinta-se bem. Vista a roupa que gosta, arrume o cabelo, faça as unhas; mas não se deixe escravizar pela aparência. Se aceite. Ninguém nunca está satisfeito com o que possui.
Faça com os outros aquilo que queriam que fizessem com você. Beijei alguém devagar, com carinho. Dê um presentinho para uma amiga. Arrume a cama do seu irmão.
Aos poucos, isso fará parte de você.
Pense, sempre coisas boas. A maioria das pessoas não têm ideia da força que o pensamento tem.
Se alguém que você ama não está mais aqui, trate de pensar apenas nos momentos felizes que viveu com essa pessoa. Acredite: isso será bom para ambos.
Cante. Cante qualquer coisa que lhe traga qualquer sensação boa.
Sente-se no chão. Olhe o céu, as estrelas.
Acorde cedo para comprar pão.
Tenha objetivos. Termine o que você começou. Tenha uma vontade saudável de abraçar o mundo.
Escreva. Escreva como foi seu dia, liste o que quer de aniversário, o que deseja para o ano. Escreva uma carta para o seu namorado, para um amigo distante.
Lembre as pessoas o quanto elas são importantes para você. Diga "Eu te amo", em todas as oportunidades que tiver. Com convicção e sem mentira, claro. Pergunte se está tudo bem, fale que está com saudades. Não esconde o que você realmente sente.
Chore. Chore sempre, porque segurar choro dá dor de cabeça.
E sabe o que é mais importante? Eu mesma não sigo nem um terço disso. Porque se conselho fosse bom, eu não dava assim, de graça. Nem eu, nem ninguém.

20 de jan. de 2011

Mate a Nostalgia


E, por favor, não me lembre o motivo de eu ter feito esse blog.
Me lembre, apenas, do motivo do meu presente sorriso.
Me lembre, apenas, do amor que eu esperei existir.
E que agora vivo, para minha inteira felicidade.

15 de jan. de 2011

Dezesseis Espatódeas Completas



Ela chegou perto de mim, ajoelhou na minha frente, e consertou o cabelo lindo e curtinho que eu adorei, colocando-o atrás da orelha.
- Ceres, preciso te mostrar isso.
Pegou o celular, apertou botões com cautela, e depois me entregou.
- Essa música me lembra você, sabia?
Eu ouvi a musica, pra gravar cada acorde, pra, quando eu ouvir de novo, me lembrar ela também.
Ela me falava o quanto gostava de mim, e o quanto eu era importante pra ela.
E isso fez com que meu décimo sexto aniversário fosse o melhor.
Que, pela primeira vez na vida, eu dei valor pra amizade certa. E sabia disso. E tinha certeza de que aquilo me faria bem.
E só. Pra quê mais?
Estou numa fase de satisfação. De estar feliz com o que tenho. Estou numa fase de me sentir completa.
E não, não usei a palavra "espatódea" no sentido certo.

3 de jan. de 2011

Você, aqui.


Fecho os olhos.
Deixo as mãos numa posição confortável sobre as pernas.
Levo a cabeça para trás.
E como é fácil te achar aqui.
Assim sorrio, assim sonho.
É fácil, te tenho aqui comigo.
Te tenho nas mãos, te tenho nos braços.
Tenho seu abraço, tenho seu cheiro.
Tenho você em sonhos, tenho você imaginando.
Você me carrega, gira e sorri o meu sorriso favorito.
Pra quê mais?
Me responda... pra quê mais?

9 de dez. de 2010

Sete Lagoas Piscando

Eu estava sentada na cama, com as pernas cruzadas, e um alicate de unhas na mãos. Levava um dedo na boca, olhava com muita cautela para ele, para, depois, corta-lhe, de modo desapropriado as cutículas.
Meu coração ia contra todo o raciocínio: palpitava, pulava. Chegava a doer o peito.
Agora, deslizava o pincel sobre as unhas, com esmalte roxo.
- Tá horrível, Rúbia, olha isso. - E esticava as mãos, para poder analisá-las.
- Que isso, Ceres, pára.
Me distrai comendo, tomei um banho cauteloso. Estava atrasada, estava nervosa, estava louca, mas não demonstrava. Sai correndo e amarrando o cadarço do All Star.
Me despedi de Rúbia, subi no ônibus.
Vim sentada sem postura alguma. Desci, correndo, de novo, e olhando, periodicamente, mais exatamente de um em um segundo, as horas no celular.
Parei na esquina. Respirei fundo.
O fato de não vê-lo dali me deixava mais nervosa ainda. Dei mais alguns passos, até que minha respiração voltou ao normal. Eu entrelaçava meus próprios dedos com as duas mãos na frente do corpo.
Eu o vi. Parado, de costas para mim.
Continuei, no mesmo ritmo, a andar em sua direção.
"Será que ele vai me beijar?"
Soltei as mãos devagar.
"Não vira, não vira!"
Projetei as duas mãos, e fui chegando mais perto dele.
De uma vez segurei-o pela cintura, e ele se virou pra mim, assustado.
Primeiro: ele riu.
Nunca, nunca havia reparado o quão seu sorriso é bonito.
Ele me cumprimentou como sempre fazia, me abraçando.
- Como você está?
- Estou bem. - eu disse, apreensiva.
Segundo: ele, com carinho, pegou na minha mão, entrelaçando meus dedos nos dele.
Fazia muito calor. Ele estava com uma blusa de manga comprida com o Kurt Cobain estampado na frente. Eu havia elogiado essa blusa dias atrás.
- Você gosta de boné, Ceres?
- Não mesmo.
Ele riu, passando a mão direita na cabeça sem boné. Eu ri com ele.
- É, eu imaginei isso. - ele disse.
Eu sorri para ele.
"Deus, e ele que não me beija!"
Conversamos por horas. Para mim, foram horas. As mãos suavam, mas eu não largava, e duvido que ele pensasse nessa hipótese.
Paramos. Ele se virou para mim. Num susto, me beijou.
Até hoje, o peço para ver se consegue me beijar daquele jeito de novo.
Ele nunca consegue. A cada dia beijá-lo fica melhor.
Minhas mãos ele não solta. Cada pedaço do corpo dele é meu preferido: a cicatriz perto da boca, os lábios, as mãos, as pernas.
Morro de saudade quando ele vira a esquina. A blusa do Kurt Cobain, agora é minha.
Terceiro: Meu coração, agora é seu, Matheus. E vejo luzes piscando em todo lugar que eu vou, porque você está comigo.

30 de nov. de 2010

[Quando ele ler, dá um título]

Eu suspirava. Cantava qualquer música capaz de não me distrair. Curtia aquela coisa que ele tem de levar meus olhos involuntariamente para a sua boca, suas mãos que sempre mexem nos meus cabelos. Fecho os olhos pra ouvir sua voz com mais atenção. Ele consegue fazer com que minha frequência cardíaca aumente consideravelmente com um unico beijo.
Posso dizer uma verdade?
Ele é perfeito.
Parece fantasia, filme de "Sessão da Tarde", e como diria a Michele, propaganda de margarina.
Parece qualquer coisa que eu sonhara pouco vagamente o tempo todo.
Parece um objetivo de vida alcançado, felicidade completa, sensação de não precisar de mais nada.
Juro, até agora, me distraí.
Ainda penso nele como eu pensava enquanto esperava nosso primeiro beijo.
Ainda penso nele como se fosse a primeira vez que ele me disse "Eu te amo".
Ainda penso nele da mesma forma do que dia vinte e três de novembro, a uma e cinquenta e oito da manhã, pra dizer que, melhor do que isso, me ama absolutamente.
Ainda consigo escrever qualquer tipo de texto falando de você de forma concreta, tudo bem?
Não terminou do jeito que eu almejava, mas ah, você tá aqui no sofá, do meu lado, virado pra TV para não ver o que eu estou digitando.
Ai ai.
Te amo, Matheus. Absolutamente.