Mostrando postagens com marcador rock. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rock. Mostrar todas as postagens

20 de jul. de 2012

Juventude revolucionária: os anos 70 e a discoteca

( Este post é o terceiro de uma série sobre o comportamento juvenil cultural ao longo das décadas; você pode conferir seus antecessores no link da tag Juventude Revolucionária )

A contracultura surgiu no final dos anos 60 e sua principal vertente era o movimento hippie que, como eu havia prometido no post anterior, explicarei um pouco melhor neste visto que foi um movimento que transitou entre o fim dos anos 60 e o início dos anos 70. Comecemos então pelo contexto: enquanto acontecia a Guerra Fria e principalmente a Guerra do Vietnã, tínhamos no Brasil a Ditadura militar, sendo ambos os casos épocas políticas desagradáveis que vieram a influenciar os jovens de ambos os lugares de uma forma parecidíssima. As pessoas (em especial os jovens) não estavam felizes, e foi aí que surgiram os movimentos estudantis: estudantes protestando contra a política.




O principal lema hippie nós sabemos que é “Paz e amor” e sim, isso tem a ver com todo esse contexto de injustiça política que estava havendo em várias partes do mundo. As pessoas não queriam saber de serem usadas como armas em guerras que elas nem sequer acreditavam, elas queriam seus direitos sendo defendidos. Enquanto aconteciam conflitos políticos entre os que estavam no poder, dentro de todo esse contexto estava havendo uma certa guerra juvenil: enquanto de um lado o governo alistava jovens despreparados e lhe davam armas para defender seus ideais, do outro haviam os jovens da contracultura defendendo a paz e a expressão. No Brasil os hippies só vieram a fazer sucesso mesmo nos anos 70, enquanto nos Estados Unidos (lugar principal onde o movimento nasceu) estava começando a decair.



A palavra “Hippie” surgiu como uma abreviação da palavra “hipster”(sim, acredite se quiser), termo em inglês usado na época para definir pessoas que se envolviam de alguma forma com a cultura negra (lembre-se que até então isso não era bem visto). Curiosamente, foi justamente nos anos 70 em que a discoteca, antes popular apenas entre negros e gays, começou a fazer sucesso. Nas discotecas tocavam apenas músicas dançantes (como dance music, disco music, funk, etc.), como uma forma de fugir dessa predominância que o rock estava tendo no mercado fonográfico.






Foi nesse contexto, inclusive, que surgiu o rock progressivo (gênero musical influenciado por outros, hm, não muito esperados nesse nicho, como a música erudita, por exemplo), o glam rock (gênero caracterizado pelo glamour), o hard rock (um rock mais pesado e influenciado pela psicodelia do fim dos anos 60) e a música eletrônica. Entendem agora o eu quis dizer quando citei que a contracultura foi a responsável pelo surgimento de várias subculturas e, talvez principalmente, gêneros musicais? Pois a coisa não para por aí, ainda há e haverão muitos gêneros de música que acabarei não citando ao longo da série. E se você for reparar, praticamente tudo na década de 70 apontava para a “herança psicodélica” e para as discotecas – o filme Os Embalos de Sábado à Noite por exemplo foi enorme sucesso na época, mostrando que a importância da disco music nos anos 70 era tão gritante que chegou às telonas. 



O curioso é que no final dos anos 70, começavam a popularizar-se não apenas as discotecas como ainda a subcultura punk. Enquanto a primeira herdava da “explosão hippie” o estilo colorido e de certa forma psicodélico, o segundo mantinha as ideologias políticas porém num novo gênero de música e estilo. Entretanto, da mesma forma que o hippie surgiu nos anos 60 mas decidi falar sobre ele neste post por conta da influência que ele teve, farei o mesmo com o punk, mas aguardem que no próximo post vocês compreenderão melhor o porquê da minha decisão.




Concluindo o post, muitos dizem que a década de 70 foi um período bastante individualista e acho que agora vocês entendem melhor o porquê. Foi uma época bastante política também e que acabou se refletindo nas décadas seguintes – afinal, muitas “revoluções” aconteceram neste período: as mulheres começaram a usar calça jeans, foi inventada a pílula anticoncepcional, drogas como o ecstasy e os alucinógenos se tornaram populares, os negros e os gays foram aos poucos começando a serem melhor “compreendidos” (não gosto de usar o termo “aceitos” pois quem me conhece sabe que não considero ser gay ou negro um convite que as pessoas precisem aceitar) na sociedade e por aí vai.

(eu sei que essa apresentação d'Os Mutantes é do finalzinho dos anos 60, mas eles influenciaram também nos 70 e como eu adoro essa música, não acho que seja muito pecaminoso botar esse vídeo nesse post)

(sim, você já ouviu essa música do Abba)

(e encerrando a amostra do melhor dos três mundos dos anos 70, Sex pistols <3)

6 de jul. de 2012

Juventude revolucionária: os Anos Dourados e o Rockabilly


Como eu havia dito no final do meu último post, eu passei dias (cerca de duas semanas, na verdade) pesquisando na internet sobre os jovens de cada década a partir dos anos 50 até os dias atuais e o que eles tinham de mais interessante e influente sobre a sociedade atual. Escolhi começar por essa época porque creio que foi a partir dela que a juventude foi ficando cada vez mais "chamativa", digamos assim. Afinal, a tecnologia estava avançando cada vez mais rápido, e com o fim das duas guerras mundiais o mundo inteiro passava por um intenso processo de mudanças, enquanto a globalização finalmente se tornava cada vez mais presente. Anyway, vamos começar então com a nossa linha do tempo, para que vocês possam compreender melhor o que estou querendo dizer.



A Segunda Guerra Mundial termina e os Estados Unidos é então a maior potência do mundo, buscando convencer todos a aderirem a seus ideais capitalistas. Após tantos anos de guerras, a sociedade começa então com uma necessidade de voltar-se para si, objetivando e procurando acostumar-se com uma vida de conforto. Há um grande crescimento na indústria capitalista e surgem uma série de aparelhos domésticos (televisão, por exemplo), enquanto a moda se torna mais acessível. É uma década, na minha opinião, de cansaço pós-guerra, no qual a sociedade busca apenas o máximo de conforto possível.




(Marilyn Monroe nas duas fotos acima e Brigitte Bardot abaixo)


As principais inspirações femininas dos Anos Dourados são então as divas Brigitte Bardot e principalmente Marilyn Monroe, as eternas e sensuais musas loiras do cinema. A indústria da moda começa a funcionar a todo vapor, valorizando e glamourizando como nunca a beleza feminina. Via-se para todo lado vestidos amarrados na cintura e pequenas luvas. É dessa época a forte imagem que costumamos ter em mente de mulheres elegantes vestidas com cores alegres e assando tortas esperando seus maridos chegarem em casa.



Era um tempo de relativa prosperidade e no qual surgiu muitos estereótipos contra os quais lutamos até hoje. Os clássicos Disney, por exemplo, que retratam princesas elegantes resgatadas por príncipes encantados, foram lançados grande parte nessa época. Foi um período, na minha opinião, em que após tempos muito conturbados, finalmente a sociedade se via em uma paz praticamente de sonho; era quase uma necessidade produzir e consumir o máximo possível de tecnologia e arte, de valorizar a beleza após quase meio século de devastações e conflitos e angústias. Alguém aqui já notou que os rostos nos retratos dos anos 50 nunca estão insatisfeitos e são sempre sorridentes?




Uma prova disso é o “baby boomer”, ou seja, grande explosão de bebês que houve por todo o mundo: afinal, os homens haviam voltado há pouco da guerra e, após eles e suas esposas se recuperarem do trauma, não queriam outra coisa senão construir uma família e serem felizes.


(Elvis Presley, que apesar de eu não tê-lo citado no post, todos nós sabemos que ele é considerado o pai do rock'n'roll; deixei a presença dele então nas fotos)


Nesse meio nasce então o Rock, gênero de música influenciado por country, blues, R&B, músicas africanas, etc. Sua principal vertente da época era então o Rockabilly (tendo ganhado esse nome por ser uma mistura desse novo gênero com o hillbilly (nome pelo qual chamavam a música country na época)). Lá pela mesma época é lançado ainda o filme Rebel without a cause (Juventude Transviada) que, como o próprio título já diz, lança o estereótipo do “rebelde sem causa”. Os garotos adquiriram então ao visual da camiseta branca com jaqueta de couro, jeans e topete.




(James Dean *suspiros*, um dos principais atores da época e que protagonizou Juventude Transviada)

Inicia-se então todo um estilo baseado em um gênero musical que atualmente ninguém sabe dizer com exatidão de onde surgiu. O Rock começou a ser gerado no final dos anos 40 e início dos anos 50 e, talvez até acidentalmente, misturou-se com todo o movimento pós-guerra e acabou sendo, ao lado do pop, o gênero mais marcante no estilo de vida dos jovens desde então.  Gênero musical causando polêmica desde sempre, prova disso é o então prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, que chegou inclusive a proibir os bailes de tocar o tal do rock and roll.

(Ritchie Valens)

Deixo vocês então com duas músicas que eu adoro: uma do Bill Haley e outra do Ritchie Valens, sendo que a última você provavelmente reconhecerá como sendo a música que o Zé Colmeia (sim, o do desenho <3) canta em vários episódios.




Ps- e para quem estiver interessado ou quiser rir um pouco ou estiver simplesmente entediado, recomendo também o vídeo abaixo apenas de comerciais dos anos 50. Vi na televisão uma vez e fui pesquisar, fiquei impressionado com o quão antigas são algumas marcas bastante comuns no nosso dia-a-dia, e alguns dos comerciais são muitíssimos engraçados na minha opinião (em especial o da musiquinha "Toddy é gostoso quando fica econômico").


19 de jun. de 2012

Tatuagem


Entrou no quarto de Marcelo e mirou-se no espelho. Natália estava corada, mas sua maquiagem continuava perfeita. Seus lábios estavam ainda mais vermelhos do que antes, um rubro de rosa recém nascida, e seus olhos continuavam com um marcante contorno negro cor de noite. Ajeitou seu cabelo por inquietação disfarçada e sentou-se na cama.

Olhou para as paredes personalizadas do quarto. Havia pôsteres em cada canto que se era possível enxergar, sendo Marcelo um grande fã do rock. Havia uma quantidade tão grande de bandas ali penduradas que Natália começou a se perguntar se alguma delas não seria item de colecionador, raridade que qualquer músico daria o sangue para ter. Em meio a tantos heróis musicais, a garota não conseguia deixar de se sentir uma leiga. Se perguntou se era mesmo tão merecedora de estar com Marcelo, se a dona do coração dele não deveria ser outra.

Ele então entrou no quarto e trancou a porta. Olhou-a daquele jeito mais Marcelo impossível de olhar, e ela correspondeu. O rapaz estava com uma regata escura de aparência desleixada mas que, quando se olhava melhor, qualquer garota reconheceria o quão estilosa era: tinha algumas estampas de fotos antigas e seus cortes nas magas e na gola eram daquele tipo de corte caseiro mal feito. Natália jamais usaria uma roupa com um corte como aquele, mas vê-la em alguém, em especial alguém como Marcelo, fazia com que algo em seu corpo gritasse em reconhecimento a tamanha beleza. Entretanto, ela sabia que tudo aquilo era natural. Marcelo só usava jeans velhos e surrados e gostava de cortar a maior parte de suas roupas. Tinha sempre aquele aspecto de sujeira natural, entretanto maravilhosamente bela. Seu próprio quarto tinha pichações nas paredes que davam essa sensação.

Natália pegou a garrafa da mão direita de Marcelo, seu amado Marcelo, como podia ser assim tão belo? e tomou um gole. Dois goles. Três go-ei! onde você pensa que vai desse jeito? Ele interrompeu puxando a garrafa de sua mão. Deixe pra mim, pô. E tomou um gole. Natália recuperando-se da zonzeira do abaixar-se repentino de cabeça, tentou pegar a garrafa de volta. Marcelo, que já estava sentado a seu lado na cama, se aproveitava e afastava a garrafa para longe dela com o braço, ou então para o alto, enquanto a garota insistia em tentar pegar. Um magnetismo repentino impediu os dois de continuarem a brincadeira, e Natália percebeu estar ajoelhada entre as pernas do outro.

Os dois se olharam um olhar que expressava tudo, uma emoção tão grande que não demonstrava outra coisa senão a história dos dois. Não namoravam e não queriam namorar. Estudaram juntos por algum tempo e de repente, há alguns meses, os laços de amizade e toda uma série de coisas em comum entre eles acabaram por reaproximá-los. Marcelo se tornou um cachorro, foi a primeira conclusão de Natália. Na segunda ele era um cachorro interessante, um cachorro com papo. Na terceira eles já eram amigos e de papo em papo confidentes. Concluíram que Natália afinal não era melhor que ele em nada, pois em dignidade ambos eram igualmente ruins.

Naquele tudo do olhar repentino Marcelo reconheceu por fim a garota com quem estudara e que nunca era vista sozinha. Reconheceu a insegurança daqueles olhos que pareciam implorar para que ele a possuísse e a pegasse para si. Não era uma insegurança de garota mas agora uma insegurança de mulher. Natália agora tinha necessidades de mulher, e num ímpeto o garoto que agora era homem aquiesceu a tais necessidades. Suas línguas dançaram no ritmo certo, numa sede de quem não prova água tão saborosa há muito.

Natália sempre intrometida interrompeu o beijo feroz e tomou o maior gole de vinho que sua boca conseguiria aguentar. Olhou para os lábios de Marcelo manchados de seu vermelho de rosa juvenil, e fê-los abrir-se suavemente. Encheu também a boca dele, como se abastecesse suas providências para um longo período de viagem. O homem então engoliu o álcool do amor de Natália. Temporário ou não, ele estava sendo entregue com uma paixão que a muitos namorados faltavam; não poderia ser outra coisa senão amor.

Os dois jogaram-se então na cama, a mulher encurralada sofrendo as agonias de sentir seu desejo consumando-se com ela em estado de prisão. Queria lutar, mas queria mais que isso ceder. Não queria bancar a feminista agora, pois não conseguia sentir outra coisa senão desejo por enfim ter Marcelo. Enquanto sua garganta era acariciada pelos lábios dele, ela perdeu-se em sonhos que de alguma forma eram tão reais - ou seria uma realidade que de alguma forma era onírica? Sentiu os fios do cabelo de Marcelo fazendo cócegas em sua face, a barba em sua clavícula. Agarrou-se ao braço dele e perdeu-se em meio às cores de suas tatuagens. Não quis fechar os olhos, preferiu olhar para o nada e sentir-se sendo unida enfim ao corpo do homem. Queria ser cor, queria ser tinta. Queria sentir-se a pele dele. Natália queria, de alguma forma, que aquele momento jamais terminasse, queria unir-se e se tornar as tatuagens de Marcelo.