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11 de ago. de 2010

Não


Apoiei a cabeça na cortina azul da janela do ônibus. Ali, ela batia em certo compasso. Daquele modo, eu quase dormia. Dormia, sim, porque não havia mais o que pensar, só o que fazer. Nada me deixava melhor em relação à isso. Não deixava, e ainda não deixa.
Fazer? Eu? Não, isso não. Não quero fazer isso.
Sei o por quê e a necessidade disso; mas me recuso. E recusar, pra que? Não querer fazer, por que?
Andava avoada rua afora. Tinha uma vontade enorme de me afogar, não importa em que fosse. Em choro, em livro, em música, em seios, em lagoas. Em sete lagoas.
Hipocrisia a minha. Sei o que tenho que fazer e simplesmente não quero.
Enquanto for assim, sofrerei. Sofrerei em forma de crônica. Sofrerei noite afora. Sofrerei beijando a cidade inteira. E que diferença isso faz? Para mim, faz. E mesmo assim, sofro. Simplesmente por te querer demais.

20 de jun. de 2010

Chuva Engarrafada


 Iria escrever sobre calorias, minha insanidade e alienação temporária pós-refeição, mas não, não vou fazer isso. Fico muito puta comigo mesma porque isso me incomoda. E eu, ah, eu não faço nada. Me sinto idiota, e, para me punir, fico parada. E nesse ciclo vicioso eu estou, faz tempo.

Enquanto tentava me distrair disso, me transportei para dia 2 de Fevereiro de 2007.
Lembro até a roupa que eu usava. Eram umas duas da tarde. Estava no carro, com meu pai, no banco de trás; no lado do passageiro. Nesse momento, atravessávamos um cruzamento, pleno centro de Belo Horizonte. Era perto do Mercado Central.

Paramos devido ao engarrafamento. Chovia fino, o céu estava aberto, e o sol, fraquinho, me esquentava um pouco, passando pela janela fechada, naquele caos urbano.
Vinha um homem correndo na direção do carro, e, bufando, parou no nosso lado, em cima do passeio. Ele tinha a pele clara. Estava molhado por conta da chuva e jogava o cabelo liso pra trás. Depois apertou os braços contra o corpo, que, devagar, ia esfriando mais. Logo, batia os dentes. Era bonito, confesso.

O trânsito continuava parado, cauteloso, molhado.

O homem, por não conseguir atravessar, continuou ali, do mesmo jeito, por longos segundos.
Logo atrás, correndo dentre os carros, segurando um guarda-chuva transparente, vinha uma mulher. Tão bonita quanto o homem. Também tinha a pele clara, e os cabelos lisos e escuros. Eu achei até interessante o jeito com o qual ela corria, esvoaçando os cabelos, e molhando a barra da calça.
Parou, do lado do homem.
Ele não a percebeu. Era mais baixa que ele, tinha que olhar pra cima pra vê-lo.

Devagar, chegou perto dele, e colocou o guarda-chuva de um jeito que também o cobria. Ele, por um momento, se assustou. Passou o braço molhado em volta dos ombros dela, para os dois ficarem debaixo do guarda-chuva. Eu não podia ouví-los, mas sei que nada disseram. Apenas sorriam, cúmplices.
O trânsito aliviou um pouco.
Meu pai, arrancou com o carro.
E eu, nunca mais esqueci.

13 de jun. de 2010

Remember, November

Estávamos sentados na varanda. O clima não era muito bom, nada nem perto do sentimento que geralmente tinhamos:
- Roberto, nós estamos brigando muito.
- Você que implica muito comigo, Ceres.
- Roberto, você me proibe de ver o Sérgio, implica com tudo o que eu faço, eu sou eu quem implica com você? Me poupe! Alguma vez eu te proibi de fazer alguma coisa? - minha voz se alterou, e ele permaneceu calado; seu semblante pesado.- Sabe, Beto -respirei-, eu acho melhor se nós dessemos um tempo... talvez seja melhor pra gente pensar, não? Faltam menos de um mês pra mim me mudar pra cá, o que você acha? -eu disse, como se fosse um pedido pra uma viagem.
- Ceres, não gosto de meio-termo. Não gosto.-sua voz era ríspida.- Ou a gente continua assim, ou termina.
- Roberto, por favor... eu gosto tanto de você! Vamos fazer isso? -eu já implorava.
- Ceres... -a voz dele me assustava.
- Então, tá -eu disse, perdendo o tom-, vamos terminar.
Ele tirou a minha pulseira que ele levava no pulso, colocou no chão, perto de onde eu estava sentada, de frente pra ele.
- É, falou, zé... vamos terminar.
Ele levantou, e saiu pelo portão afora.

"Zé? Falou, zé?" Aquilo não enfiava na minha cabeça de forma alguma.
Uma lágrima, solitária, devagar, rolou pelo meu rosto, exatamente no lado direito. Nossa, que simples. Nós havíamos terminado. Não me permiti chorar, nem gritar, como era o que eu queria. Ele não merecia que eu sofresse. Como assim, eu que implicava? Era ele que tinha mansagens de meninas no celular, do tipo "Me busca na porta da escola, amor?" ! E era eu que implicava? Eu não podia ter amigos, eu não podia ver o Sérgio, eu não podia contar piada... e por quê? Só porque eu morava em outra cidade? Por que ele não confiava em mim? Eu confiava nele!
Era um mês de novembro. O tempo estava fechado. Não chovia, fazia calor.
Ele saiu pelo meu portão nitidamente irritado comigo; e eu não queria fazer nada.
Os três meses que se passaram foram comigo o amando. Ou, pelo menos, mentindo pra mim mesma. Passávamos os sábados e domingos no sofá da sala, tomando sorvete, se abraçando.
Aquela foi a unica vez que eu chamei algum garoto de "namorado". Aquelas foram as minhas unicas lembranças. E essa, de ele saindo pelo portão, foi a última.

Ontem foi dia dos namorados. Se ainda estivéssemos namorando, estaríamos fazendo quase um ano.
E eu o vi. Na rua, naquele frio descarado, eu estava de mãos dadas com outra pessoa. A pessoa em quem quero apostar "minhas fichinhas". Para um recomeço, uma tentativa, sempre cái bem. Eu não me incomodo com o Roberto, agora. Para um recomeço, uma (ou algumas) lembranças, sempre caem bem. Eu não me incomodo com essa situação, agora.

Rolei na cama a noite inteira. Quando dormi, sonhei com o dono das minhas fichinhas.
Enquanto eu o esperava, o frio da minha barriga combinava com a noite e com a situação inteira.
Depois, tudo combinava.
Essa é uma das situações em que eu preciso de instabilidade. Agora é uma boa hora pra não saber o que vai acontecer, só pro frio da minha barriga combinar com todo o resto.

Em novembro, essas coisas já vão ser lembranças. E o que aconteceu novembro do ano passado, também.
Em novembro já não vai ser mais recomeço. Essa é a unica certeza que eu tenho.
Te espero, novembro, te espero.
Vejo que não demora.

Vem resto da minha vida. Vem pro resto ser lembrança. Vem pro resto não ser mais recomeço. Vem.

29 de abr. de 2010

Contra o Exercício de Pensar em Dúvidas

Dúvida.
Esse é tipo de coisa da qual eu não fico sem. Nem eu, nem ninguém.
Sabe o que é pior? Nós somos OBRIGADOS, todos os dias, a morar com ela, estudar com ela, beijar, abraçar, alisar, morder, apertar... e sim, isso é saco. 
Vai que alguma dúvida tem bafo, deixa cabelo no sabonete quando toma banho e ainda por cima copia seu dever?
Eu em particular, todos os dias, fico louquinha atrás das minhas respostas; porque minhas dúvidas têm bafo, e todas essas coisas desconfortáveis.
Eu não sei se meus amigos de BH pensam em mim com frequência igual a que eu penso neles, se em um futuro distante eu vou ser mãe, me enxer de pirralhinhos, ou, até então, ser uma louca, toda tatuada e cheia de piercing.
Ou pior: se vou ter minha casa própria, se vou comprar roupas legais, qual profissão vou exercer, se vou ficar com quem eu amo.
Gente, e se meus amigos me acham esquisita, se meus pais não estão satisfeitos comigo, se o cara que eu gosto não gosta de mim?
Pensar nisso tudo me mata de desespero, que merda.
Então, agora, cheguei à uma conclusão, e vou combinar isso comigo mesma:
se eu tiver dúvidas (é só uma suposição, porque, como eu já disse, eu tenho, e de sobra) eu vou tentar acabar com elas. É, foder com elas, tirá-las o poder de existir e me enxer o raio do saco, mandar elas pra puta que pariu.
Se eu não conseguir vou simplesmente não pensar nelas.
De que adianta ficar horas pensando em uma coisa incerta, totalmente fora do seu alcance?
Garota, para de ficar pensando se os garotos do VDG vão se casar com você. Se isso tiver que acontecer, vai acontecer e ponto final.
Garoto, não fica enxendo a cabeça com filme pornô se masturbando no banheiro. Não fica preocupado se a gatinha da sua sala vai te olhar. Sobe a calça e vai jogar um charme em cima dela, escrever uma música pra uma serenata, sei lá!
Vamos ser felizes não pensando nas dúvidas que não podemos achar as respostas!
Vamos ir pra "Religião do Destino", e acreditar no nosso potencial de alcançar nossos objetivos!
Eu digo por experiência própria.

p.s.: não me dirigi à ninguém.

Pauta para Projeto How Deal

10 de abr. de 2010

Praça, Perna, Mar, Sexta Feira 9

"Quebre a Perna!" Na até então língua teatral, isso quer dizer: Boa Sorte. Não sei se isso funciona com música, mããs ...
Conslusão: não me desejaram que eu quebrasse a perna, e eu não tive boa sorte.
De contra regra, eu virei cantora. Isso mesmo que você leu: can-to-ra.
Isso sim, podia acontecer com outra pessoa: mas não. Foi comigo. (can, pode, entendeu?)

Enfim, estávamos todos no salão nobre da escola. Todos os que estavam participando diretamente do Poemar't, a porcaria de projeto bimestral da escola. Nós tinhamos, até então, menos de uma semana pra organizar as coisas. Nos meses anteriores eu escrevi sim, uma peça de Teatro sobre "a cultura que vêm das praças", o tema da nossa série, baseado na "Praça é nossa". Vamos frisar que a professora falou que podia. Então, quando a coordenadora leu, ela me xingou muito, e disse que poderiam me processar por causa disso, que aquilo tava horrível, e mimimi. Foi aí que o Gilberto caiu do céu (com dinheiro no meio, qualquer um cái), e ajudou a gente a fazer alguma coisa bem legal. Era essa coisa bem legal que estávamos ensaiando, e eu, que antes era responsável por tudo, agora era uma simples contra regra. Sim, eu estava satisfeitíssima. Nós tínhamos uma semana pra ensaiar, eram poucas falas, e estava tudo sob controle. Não podia estar melhor. Sexta feira e pronto: todo aquele tormento acabava.

Na quinta, a menina que estava cantando, não estava conseguindo pegar o ritmo. Cantou, cantou, e NECA. Ela, frustrada, foi pro recreio. Eu tenho certeza absoluta que ela tava puta mesmo porque eu falei que cantar a música mais lentamente era fácil. Deviam achar que eu não sabia de nada.

Sim, eles estavam errados.

Enquanto ela foi pro recreio, eu sentei do lado do Samuel (meus olhos são dele, -n) que tava tocando teclado e consegui cantar a música, perfeitamente. Eu juro que não era minha intenção cantar no dia. Eu só queria mostrar pra todo mundo que até eu que nunca tinha ensaiado com o Samuel conseguiria facilmente pegar o ritmo. E a Gabriela conseguiu também. Fomos cantando, cantando, e quando eu terminamos, tava todo mundo com o queixo no chão, olhando, e o Gilberto bateu e bateu palmas, gritou umas duas vezes "Lindo!". O Samuel me olhou e fez uma cara muito... convidativa para que eu cantasse outra vez. Foi o que eu fiz. O que nós três fizemos. De novo. E de novo. Ninguém tava acreditando que eu sabia cantar. E eu não acreditava que a nossa voz podia ficar tão boa junto.

Foi aí que a Yasmin chegou, e eu fui explicar pra ela. Que, provavelmente, eu cantaria com ela, o Guilherme e o Samuel (a voz dele é uma coisa, meu Deus *-*). Primeiro ela "finjiu" uma certa aceitação. Depois ela disse que não ia cantar, e o Guilherme foi na dela. Depois, ela soltou a frase que todo mundo temia ouvir: "ou a gente, ou vocês." Pronto. Foi a conta de eu ficar nervosa, das tapa na testa e andar em círculos.

O Gilberto veio todo atencioso, tentou convencer a Yasmin a cantar todo mundo, pôxa, ia ficar muito legal. Ela tentou. Primeiro que só tinha um microfone, e ela enfiou o coitado na boca, e só saiu a voz dela, ela saía do ritmo, e obtivemos nenhuma melhora. Depois o Gilberto falou mais um tanto, e PIMBA! de repente a música fica perfeita, com todo mundo cantando, eu, Gabriela, Yasmin, Samuel e Guilherme. Não podia ter ficado melhor. Juro que me deu vontade de chorar e, pela primeira vez eu abracei a Yasmin com muita vontade.

Na sexta de manhã, a primeira primeira pessoa que eu encontro no corredor é a Gabriela, e ela diz que não, não ia cantar. Bom, eu fiquei triste, mas né, o que eu podia fazer ?
No mesmo dia, fomos pro local da apresentação ensaiar. Foram as meninas que apresentariam a poesia que o Guilherme queria transformar em música, e nós, que íamos cantar: Eu, Yasmin e Guilherme.

Bom, eu quase morri quando subi no palco, e olhando pra aquele tanto de cadeira vazia, não consegui deixar imaginar aquilo tudo cheio de gente, me olhando, OMG. Erramos a letra, saímos do ritmo, o Samuel errou algumas notas do teclado, e os meninos do 2º e do 3º anos riram muito da gente. Eu fiquei suuuuper tranquila em relação a isso, porque eles não sabiam da parte do teatro, que tinha o Ramon (ou No mar, como preferir), como personagem principal. Nós tinhamos um truque na manga, e isso era ÓTIMO.

Vim pra casa, arrumei o cabelo, escolhi escolhei roupa, passei o vestido que eu ia usar, e o tempo passou muito rápido, fui pra casa da Rúbia pra gente ir.
Chegando lá, encontramos com a Isabelle, uma das meninas que partiparam do teatro.

Uma coisa muito estranha que ficou martelando na minha cabeça, foi que na programação de todas as apresentações, na nossa série, que é o 1º ano, ficou por último.

Enfim, estava marcado pra começar às 19 horas. Eu não estava muito preocupada com horário, foi fascinante ver meus colegas sem uniforme, no salto, todo mundo chique, maquiado, nossa. O Bruno de terno, o Guilherme de blazer, o Ramon de Charles Chaplin! Tirando a Yasmin, claro, que sempre tá toda maquiada e emperequitada às 7 da manhã, nem fez tanta diferença, FATO.

Em falar em Yasmin... de manhã ela me fala que eu TINHA que ir de vestido e o Gilberto confirmou. Eu estava lá, com meu vestidinho e minha sandalinha na minha mochilinha e a Yasmin chega de calça jeans e sapatilha. Bom, ÓTIMO.

ISSO SE ELA NÃO TIVESSE LEVADO VESTIDO, POR QUERER, SABE POR QUÊ?  (voz fininha) "aaah Ceres, você vai ter que cantar de calça também, o vestido ficou feio, neeem." De novo eu dei um tapa na testa e comecei a andar em círculos, dessa vez pra não socar ela até os olhos dela saírem pra fora. Bom.

Fui pra cochia, porque lá tava quentinho, e só pra irritar, eu fui lá no banheiro, vesti meu vestido, subi no salto, retoquei a maquiagem, e queria só ver quem que ia falar que eu ia ter que cantar de calça jens por causa da Yasmin. Não é possível que eu passei meu vestido à toa. Vamos lembrar que meu vestido é balonè e com um tecido suuuper difícil de passar. Minha mãe nã tava aqui na hora não, tá?

Fui toda poderosa, pelos corredores da universidade, jogando o cabelo, e menino que me vê todo dia na escola assoviou pra mim. ÓTIMO. Eu estava totalmente apta a cantar, e cantar bem. Minha autoestima estava mais alta que o Ramon, e eu já tava pensando na cara de nojo do povo quando visse a Yasmin cantando do meu lado de calça jeans, e eu toda potente.
Tirando, claro, o fato de eu estar com a mochila nas costas, tava ofuscanto. (momento narciso)

Já tinha começado a apresentação, com muito tempo de atraso. Primeiro foram os pirralhos do 6º ano, depois o 3º ano da manhã (demorou). Enquanto isso, o Bruno, que namora a Juliele (uma das surdas da minha sala), o que tava de terno, pegou a rosa da lapela do Chaplin, ajoelhou na frente dela, e eu sei, eles conversaram por olhares (romântico). As outras meninas que são surdas faziam gestos pra Juliele beijar o Bruno, enquanto ela pegou a rosa da mão dele, deu um sorriso e fez um gesto de "beijar!? aqui !? cê tá doido!?" Eu, com todo meu poder de sedução, estava sentada numa escada caracol que tinha lá na cochia, que não dava pra lugar nenhum. O Samuel, meu tecladista preferido,o dono dos meus olhos (o dono do meu coração é o Geziel, o Guilherme é o dono da minha mão mais máscula e futuramente eu vou me casar com o Victor. É que a linha do amor da mãos da maioria deles se junta perfeitamente com a minha; eu tenho váárias Almas Gêmas setelagoas, só pra esclarecer as coisas) é, então, o Samuel, embalado no amor do Bruno e da Juliele, vestiu o blazer do Guilherme, pegou a rosa da Juliele, ajoelhou na frente da escada... (não, eu não vi isso, eu tava dormindo), e alguém gritou: "Olhaaaa, o Samuel vai se declarar pra Ceres!" Foi aí que eu olhei pra frente, e tava lá, no espaço entre um degrau e outro o Samuel, com o braço direito esticado com a rosa na mão. Ele respirou, olhou no meus olhos e disse: "Ceres, eu te amo! Namora comigo?" Eu fiz uma cara de "Hã?". Aí a ficha caiu, e eu fiquei parada, olhando pro Samuel. Foi só um segundo pra mim cair na gargalhada. Aí ele disse: "É, sabia que você tinha alguma coisa com o Geziel!" Nessa hora, coincidentemente caiu uma pétala da rosa, ele pegou do chão, pôs na minha mão e disse: "Isso foi o que sobrou do nosso amor, Ceres!" e saiu andando. Chorei o choro mais forçado que eu consegui, olhei pra pétala na minha mão, e chorei mais ainda. O Samuel voltou, me abraçou, e a gente começou a rir.
Todo mundo ficou sem entender, todo mundo acreditou. Gente, eu? Namorar com o Samuel? Aaah tá.

De repente, a menina que tava perto da cortina da cochia olha pra trás, com uma cara tremenda. Todo mundo que estava na cochia fez silêncio. Se não fez, é que eu não ouvi mais nada a não ser a música que vinha do palco. Era a MINHA música. A música que eu ia cantar,a original (a minha era paródia), o 3º ano tava tocando. Eu fiquei sem reação. Dessa vez eu chorei de verdade. Juro que desabei, ainda mais que eu vi outro Chaplin, outra donzela, outro bloco de Carnaval... era praticamente o nosso teatro, em dobro. A platéia inteira aplaude a apresentação deles, e pede pra cantar de novo. Eram aplausos atrás de aplausos.

Foi aí que eu entendi. Entendi o porquê de terem colocado o 3ºano pra apresentar primeiro. Eu não conseguia acreditar naquilo que eu via, que eu ouvia. Todos ficaram perplexos. A professora Fernanda, a coordenadora do projeto, me viu chorando, e perguntou o que tava acontecendo. Dei uma má resposta pra ela e fui pro banheiro. Quem tava lá, gente da minha escola com quem eu nunca tinha conversado, vendo meu desespero, ficaram preocupados.

Acho que eu nunca fiquei tão nervosa na minha vida. Tudo o que a gente tinha feito. Juro que até agora eu não consigo entender o que que aconteceu naquele lugar ontem. Chegou perto de mim um menino do 2º ano, e me falou assim que todo ano o 1º ano levava ferro em tudo o que fazia na escola. Eram os calouros contra os veteranos, é impossivel.

Em nenhum momento eu pensei em desistir. Retoquei a minha maquiagem, reanimei o povo (foi o que eu fiz o tempo todo, toda vez que alguma coisa dava errada), e a professora conseguiu colocar a nossa série pra apresentar no lugar do 2º ano.

Chegamos, apresentamos, como se nada tivesse acontecido. Os microfones sem fio falharam, ninguém se interessava, claro, estavam vendo tudo pela segunda vez. Aí chegou a minha vez. Em cima da hora, o Guilherme não queria cantar também, e ficou sumido atrás da Luisa. Eu estava convicta que eu conseguiria. Subimos no palco. Na hora, também, não acharam um microfone pro Samuel. Estava tudo nas nossas mãos. Nas minhas e nas da Yasmin (de calça).

Não me concetrei nas 600 pessoas que estavam me olhando, todas, 1.220 olhos me olhando, todos, ao mesmo tempo, acompanhando o estalar dos meus dedos nervosos.

O Samuel começou a tocar a música. Eu não sabia pra onde olhar. Peguei na mão da Yasmin, e me virei pra ela. Eu já tinha ensaiado olhando pra ela mesmo, não devia ser tão difícil.

A música deslisava fácil, precisa sobre meus lábios. Parecia que estava sob êxtase, até que eu senti a Yasmin apertanto a minha mão, bem na parte da musica onde tínhamos dificuldade.
Nessa hora eu ouvia, estranhamente, só minha voz. Era o microfone, falhando. Me abaixei pra dividir o microfone com a Yasmin. Olhei pra primeira fila e vi a Maria Rita, intérprete das meninas, fazendo um sinal de positivo.

Minha mão não suava. Nós não errávamos, estávamos em perfeita sintonia.

Quando acabou, e agradecemos, esqueci que pelo menos poucas, viriam palmas.
Eu não conseguia parar de sorrir. Eu fiz minha parte.

(Quando eu descobrir o que aconteceu pode deixar que eu conto.)

Sim, eu queria (muito) ter quebrado a perna.

28 de jan. de 2010

O Recomeço - Parte III

Hoje de manhã, depois de varrer a casa inteira, sem muita intimidade eu estava descascando batatas. Mentira, eu estava cortando a parte que tinha casca, pra ser mais específica. Depois que eu vim pra cá, certas coisas mudaram muito, mas muito mesmo.
Tipo minhas pernas. Estão mais finas por sinal. Mesmo ficando dentro de casa sem fazer absolutamente NADA O DIA INTEIRO (exceto varrer, descascar batatas e escrever, tudo isso esporadicamente), eu emagreci dois quilos, eu disse DOIS QUILOS desde quando eu cheguei aqui. Isso sem falar quando eu como e me dá vontade de vomitar tudinho, ou quando eu fico literalmente dentro do guarda-roupa pensando. Tô ficando mentirosa e esquecida. E de pensar que fazer 15 anos não ia fazer diferença! Acredita que agora eu tenho TPM? Antes eu tinha BHPM (Bom Humor Pré Menstrual). Agora eu dei pra ficar chorando pelos cantos, irritadinha e todas essas coisas que pessoas, digo, mulheres normais têm nessa época mensal.
E sabe outra coisa HORRÍVEL que eu constatei? Que a minha Conspiração Vital acabou! Pelo menos é isso que eu acho. Isso é uma coisa que me dá desespero.
Outra coisa que me dá desespero é que eu não sabia/sei (estou em fase de adaptação)recomeçar. Pensa comigo: Eu não estou recomeçando uma crônica, ou qualquer coisa que se possa recomeçar facilmente. Eu estou recomeçando a minha vida! Vocês têm noção do que é isso? Tá, talvez tenham, mas isso não vem ao caso agora.
O que acontece é que eu estou Recomeçando, como eu já disse, e ao mesmo tempo, me ocupando e me prendendo à um amor de dois anos atrás. Para um desfeche completo do meu (Feliz!Maravilhoso!Viva!)Recomeço, preciso de uma coisa: esquecer, sacrificar.
Como, como que eu vou conseguir recomeçar assim? Junto com a vida preciso recomeçar essa coisa de apaixonar de novo, concordam?

Enfim, independente de o meu pensamento ter sido claro ou não, eu preciso de uma desculpa pra esquecer. O que me dói mais ainda é que ele tá me ajudando sem nem me dar sinal de vida.

Desculpa se isso tudo foi meio insano. Ah, e eu não pretendo voltar com o Roberto. Recomeçar com ele não viria bem agora. Pra mim existem vários tipos de recomeço, mas isso não é assunto pra ser tratado agora.

Ceres manda um beijo para o Sérgio