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24 de set. de 2012

Tudo sobre os Hipsters



Não sei se isso é em absolutamente todos os lugares, mas pelo menos aqui em São Paulo e em várias páginas de humor, moda ou de qualquer teor social, tenho visto e ouvido falar bastante do termo "hipster". A primeira vez que vi tal palavra foi em uma reportagem sobre moda na televisão em 2009, acho que no Scrap Mtv (não tenho certeza), em que a Jana Rosa foi procurar pessoas nas boates para falar sobre o termo tão controverso que aparentemente estava em ascensão. Desde então só vi muito raramente falarem sobre hipsters até pouco tempo atrás, quando de repente uma enorme quantidade de pessoas que conheço parecem ter conhecido tal termo e praticamente o mundo inteiro considerar o novo wannabe do momento. Por várias razões decidi então pesquisar sobre como surgiu o termo e acabei me questionando se é mesmo uma coisa atual e como acabou gerando hm, questões extensas (digamos assim). Achei que não seria uma má ideia fazer um post sobre o assunto explicando um pouco melhor para quem sabe e quem não sabe o que é hipster, baseado no que encontrei ao longo das pesquisas.

Onde/quando surgiu o hipster?




Acredito que ao falarmos sobre uma subcultura, movimento ou seja lá que nome você quiser chamar, devemos começar sempre por essa questão e seguir uma cronologia para melhor compreender o assunto. E essa foi a resposta que mais me surpreendeu. Afinal, se você for conferir no postque fiz há algumas semanas sobre os anos 60 aqui no blog, descobrirá que a palavra "hippie" que todos nós conhecemos desde sempre é uma abreviação do termo "hipster", que aparentemente era usado na época para definir pessoas que ao invés de seguirem o senso comum da época decidiam se envolver com a cultura negra e outras formas de cultura underground. Como a palavra surgiu de fato não tenho como dizer, mas acredito que seja alguma gíria usada nos bares e clubes e etc. da época; não vamos nos esquecer, aliás, que foi nos anos 60 que teve a explosão dessa coisa de se informar e ir contra essa onda de consumismo desenfreado e "cegueira política" da época, a contracultura. É importante lembrar ainda que não foram apenas os hippies que iniciaram a contracultura, se for levar em consideração que o primeiro "movimento" de tal cunho foram os beatniks, que surgiram logo após a Segunda Guerra Mundial -- mas as diferenças entre as vertentes, na minha opinião, tem muito mais a ver com estereótipos e estilo e período do que qualquer outra coisa.

Mas e essa relação de hipster ter que ser "tendência", "underground" e fugir do "mainstream"?





Se você for acompanhar os posts "Juventude revolucionária" concluirá que, na sociedade dos anos 50 e 60, uma pessoa que não pensasse apenas na enorme aceleração do processo de urbanização era, de certa forma, anormal. É um pensamento diferente do senso comum, do mainstream, o que até hoje chamamos de underground. Não existindo computador, a única forma de encontrar outras pessoas com essa mesma filosofia diferente seria frequentando lugares underground, como bares e clubes próprios para isso. Os beatniks surgiram assim, questionando a sociedade pós-guerra enquanto trocavam entre si interesses artísticos (literatura, música, etc.) e acredito que com a aparição da contracultura na grande massa do final dos anos 60, tais coisas ficaram tão populares que causou a criação das discotecas tão conhecidas nos anos 70, mesmo período em que o mundo passou a olhar para os jovens: a urbanização havia possibilitado que a alta costura se popularizasse nos anos 50, ou seja, uma ditadura da moda alcançando a grande massa. Porém, nos anos 70 a moda é que começou a ver o que os jovens estavam vestindo e assim começou a popularizar a "cultura de rua". Desde então tem sido cada vez mais comum você não precisar mais abrir uma revista para ver o que é moda, é apenas ir em algum dos lugares com grande concentração de baladas, clubes, bares, danceterias ou seja lá de que nome você chamar (aqui em SP costumamos dizer "rolê" para englobar praticamente qualquer lugar onde possamos nos divertir com os amigos, haha). Acredito então que é dessa época que vem essa coisa de o hipster estar associado à moda e à tendência: vejo uma relação mais ou menos do tipo "uma pessoa vai a uma boate underground, começa a inspirar-se no estilo desse local, o que inspira outras pessoas ao redor com o tempo e assim toda a massa daquele meio passa a aderir tal estilo, o que acaba chamando a atenção dos influentes de moda urbana", embora a própria pessoa de certa influência na moda pode ser o tal "olheiro underground". Entenderam?

E essa coisa de ser "vintage" e "pseudocult"?






Para quem não souber, "vintage" é, popularmente, seguir o estilo de uma época que já passou há certo tempo, embora eu considere que esse termo é muito mais abrangente e antigo do que dizem (se alguém souber algo mais a respeito dele, gostaria que comentassem). Atualmente esse termo é bastante utilizado para quem se inspira nos anos 40, 50, 60... enfim, todo esse "período" aí. Acredito que isso esteja mais ligado ao período artístico que muitos consideram que estamos vivendo: o pós-modernismo. É arriscado e complicado explicar isso sinteticamente, mas digamos apenas que na arte houve um período chamado de modernismo, há cerca de cem anos, e em que um grande número de artistas retratavam o acelerado crescimento urbano que estava ocorrendo; como eu digo, os movimentos dificilmente têm datas exatas, mas são apenas "reflexos de todo um contexto social". O movimento imediatamente após esse, é o que chamam de "pós-modernismo" por vários motivos, entre eles o fato de as mudanças não estarem ocorrendo tão rapidamente quanto no período do modernismo PORÉM estar seguindo a mesma linha filosófica de progredir em grande escala e em pouco tempo. Outras pessoas, entretanto, acreditam que o termo tem a ver com o fato de não ser mais tão preciso produzir e produzir uma enorme quantidade de coisas tão rápido para todos os lados, mas que chegou um tempo em que deve-se valorizar o que foi produzido durante todo esse tempo. Ou seja, uma reciclagem artística. O que isso tudo tem a ver com ser hipster? Simples: o período pós-moderno surgiu lá pelo mesmo período dos primeiros hipsters, ou seja, na metade do século passado, e por principalmente os daquela época estarem relacionados à arte e terem "ressurgido" atualmente, acredito que o tal do estilo hipster atualmente chamado de "vintage" não é outra coisa senão um reflexo dessa "reciclagem artística", porém com algumas décadas a mais para serem aproveitadas. Outra relação possível com o pós-modernismo pode ser ainda o fato de muitos hipsters se considerarem irônicos e/ou blasé, que são também características de tal movimento. 

Os hipsters querem apenas chamar atenção?



Isso é muito controverso porque depende do que a pessoa considera como "chamar a atenção". Minha teoria é a de que algumas pessoas meramente não entenderam o conceito filosófico de ir contra a grande massa e seguir toda uma cultura underground e por isso apenas usam algo berrante para as pessoas repararem nela. Não vou julgar dizendo quem é e quem não é hipster porque afinal todos os movimentos sócio-culturais não deixam de ser estereótipos. Vou é fazer uma pequena comparação: há alguns anos, por causa da relação com as músicas emotivas, as pessoas se acostumaram a dizer basicamente que "se chora, é emo" ignorando todo o contexto cultural. Apesar de muitos sabermos que não é bem isso, utilizamos tal comentário preconceituoso até hoje (confessemos) e, veja bem, há pouco tempo muita gente seguindo a filosofia de tal preconceito achava que apenas porque a mesma chorava com frequência, ela era emo. Acredito que acontece a mesma coisa com os hipsters: eles surgiram fazendo algo diferente do comum e as pessoas começaram a relacionar o nome a isso, entretanto algumas simplesmente não questionaram o "como assim fazer algo diferente?" e meramente decidiram fazer algo diferente para de fato apenas chamar atenção: isso acaba fazendo com que seja lançada com frequência a questão "será que isso é hipster ou é cafona?" (há inclusive um blog, o Hipster Cafona, dedicado a isso).

Hipster, a moda e os haters





Como vimos há pouco, o hipster quer algo diferente desde seu surgimento e quando a moda decidiu ver o que os jovens de fato querem vestir, foi quase a união perfeita: o mundo que quer fugir do mainstream e o mundo consideravelmente baseado na "tendência". Acredito que vários ditos hipsters dessa época migraram para a moda, o que foi fazendo com que dentro desse meio surgissem outros hipsters. Logo o hipster passou a ser conhecido basicamente por "ditarem" a moda, e inclusive há alguns dias fiquei surpreso ao estar assistindo o videoclipe de Stupid Girls da P!nk (de 2006) e notar que em determinado momento (1:41) ela estava usando uma camiseta escrito "DIE HIPSTER SCUM". Ou seja, ao contrário do que muitos pensam, o hipster não surgiu ontem, e esse videoclipe mesmo é uma prova disso. Porém, nem todos os hipsters são "ditadores da moda" -- embora não vou negar que existam muitos desse tipo.
            
Mas enfim, os gostos hipsters quanto a estilo, música, filmes e etc. não é muito surpreendente para você que tiver lido esse post inteiro: novamente, como eles gostam de algo diferente do extremo comum (embora sempre haja alguns estereótipos que se repitam, vide cabelo raspado de um único lado rs), quando eles não estão em busca de algo novo e underground, que quase ninguém conheça ainda, eles estão cultuando coisas vintage, porque, de certa forma, a maior parte dos jovens de determinada época simplesmente ignora que tenha havido outros movimentos sociais antes da época deles. Entretanto, isso é controverso, afinal há quem diga que "ser hipster ficou mainstream" devido à grande volta de tal movimento. Eu particularmente acredito que essa volta tenha a ver com o fácil acesso a informações proporcionado pela internet e, de certa forma, considero positiva essa busca por um tipo diferente de conhecimento.
            

Concluindo em poucas palavras esse imenso post, cujo qual peço que me desculpem pelo tamanho, acho que não seria totalmente errôneo afirmar que hipster, afinal, levando em consideração as variações e transformações de todos os tipos e a possível comparação com vários outros termos, poderia significar atualmente apenas "uma saída da zona de conforto proporcionada pelo senso comum".

6 de jul. de 2012

Juventude revolucionária: os Anos Dourados e o Rockabilly


Como eu havia dito no final do meu último post, eu passei dias (cerca de duas semanas, na verdade) pesquisando na internet sobre os jovens de cada década a partir dos anos 50 até os dias atuais e o que eles tinham de mais interessante e influente sobre a sociedade atual. Escolhi começar por essa época porque creio que foi a partir dela que a juventude foi ficando cada vez mais "chamativa", digamos assim. Afinal, a tecnologia estava avançando cada vez mais rápido, e com o fim das duas guerras mundiais o mundo inteiro passava por um intenso processo de mudanças, enquanto a globalização finalmente se tornava cada vez mais presente. Anyway, vamos começar então com a nossa linha do tempo, para que vocês possam compreender melhor o que estou querendo dizer.



A Segunda Guerra Mundial termina e os Estados Unidos é então a maior potência do mundo, buscando convencer todos a aderirem a seus ideais capitalistas. Após tantos anos de guerras, a sociedade começa então com uma necessidade de voltar-se para si, objetivando e procurando acostumar-se com uma vida de conforto. Há um grande crescimento na indústria capitalista e surgem uma série de aparelhos domésticos (televisão, por exemplo), enquanto a moda se torna mais acessível. É uma década, na minha opinião, de cansaço pós-guerra, no qual a sociedade busca apenas o máximo de conforto possível.




(Marilyn Monroe nas duas fotos acima e Brigitte Bardot abaixo)


As principais inspirações femininas dos Anos Dourados são então as divas Brigitte Bardot e principalmente Marilyn Monroe, as eternas e sensuais musas loiras do cinema. A indústria da moda começa a funcionar a todo vapor, valorizando e glamourizando como nunca a beleza feminina. Via-se para todo lado vestidos amarrados na cintura e pequenas luvas. É dessa época a forte imagem que costumamos ter em mente de mulheres elegantes vestidas com cores alegres e assando tortas esperando seus maridos chegarem em casa.



Era um tempo de relativa prosperidade e no qual surgiu muitos estereótipos contra os quais lutamos até hoje. Os clássicos Disney, por exemplo, que retratam princesas elegantes resgatadas por príncipes encantados, foram lançados grande parte nessa época. Foi um período, na minha opinião, em que após tempos muito conturbados, finalmente a sociedade se via em uma paz praticamente de sonho; era quase uma necessidade produzir e consumir o máximo possível de tecnologia e arte, de valorizar a beleza após quase meio século de devastações e conflitos e angústias. Alguém aqui já notou que os rostos nos retratos dos anos 50 nunca estão insatisfeitos e são sempre sorridentes?




Uma prova disso é o “baby boomer”, ou seja, grande explosão de bebês que houve por todo o mundo: afinal, os homens haviam voltado há pouco da guerra e, após eles e suas esposas se recuperarem do trauma, não queriam outra coisa senão construir uma família e serem felizes.


(Elvis Presley, que apesar de eu não tê-lo citado no post, todos nós sabemos que ele é considerado o pai do rock'n'roll; deixei a presença dele então nas fotos)


Nesse meio nasce então o Rock, gênero de música influenciado por country, blues, R&B, músicas africanas, etc. Sua principal vertente da época era então o Rockabilly (tendo ganhado esse nome por ser uma mistura desse novo gênero com o hillbilly (nome pelo qual chamavam a música country na época)). Lá pela mesma época é lançado ainda o filme Rebel without a cause (Juventude Transviada) que, como o próprio título já diz, lança o estereótipo do “rebelde sem causa”. Os garotos adquiriram então ao visual da camiseta branca com jaqueta de couro, jeans e topete.




(James Dean *suspiros*, um dos principais atores da época e que protagonizou Juventude Transviada)

Inicia-se então todo um estilo baseado em um gênero musical que atualmente ninguém sabe dizer com exatidão de onde surgiu. O Rock começou a ser gerado no final dos anos 40 e início dos anos 50 e, talvez até acidentalmente, misturou-se com todo o movimento pós-guerra e acabou sendo, ao lado do pop, o gênero mais marcante no estilo de vida dos jovens desde então.  Gênero musical causando polêmica desde sempre, prova disso é o então prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, que chegou inclusive a proibir os bailes de tocar o tal do rock and roll.

(Ritchie Valens)

Deixo vocês então com duas músicas que eu adoro: uma do Bill Haley e outra do Ritchie Valens, sendo que a última você provavelmente reconhecerá como sendo a música que o Zé Colmeia (sim, o do desenho <3) canta em vários episódios.




Ps- e para quem estiver interessado ou quiser rir um pouco ou estiver simplesmente entediado, recomendo também o vídeo abaixo apenas de comerciais dos anos 50. Vi na televisão uma vez e fui pesquisar, fiquei impressionado com o quão antigas são algumas marcas bastante comuns no nosso dia-a-dia, e alguns dos comerciais são muitíssimos engraçados na minha opinião (em especial o da musiquinha "Toddy é gostoso quando fica econômico").