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19 de dez. de 2012

Mais um sobre você



Devagarinho, vamos sentindo que o tempo está passando. Nossa coleção de brigas, de sorrisos, de beijos e de longas caminhadas sete lagoas afora está aumentando, afinal. E olha só, até nossos "dias primeiros" voltamos a contar! Vamos nos lembrando de como começou, de como vieram e foram todas as interrupções; com a sensação deliciosa de que tudo foi como devia ter sido. Sabe, só pra ficar melhor?
Sinto que apesar de tudo, a cada dia que passa, você mostra mais um pouquinho que só quer cuidar de mim. Me sinto pequena, frágil, e você me faz sentir protegida, forte e linda. Perto de você eu quase que não me reconheço.
Olha, eu ainda não sei o que vai ser da gente... Mas sei o que quero.
Sabemos o que queremos. E acho que isso é suficiente.

(Já falei que eu tenho ouvido muito a Clarice esses dias? E quando eu escrevi eu lembrei dessa música. Fica aí a dica.)

5 de out. de 2012

Sem você


Com seu braço esquerdo, envolva a minha cintura.
Apoie o direito nas minhas costas, puxando-me para perto.
Me deixe eu apoiar os braços entrelaçados em volta do seu pescoço.
Coloque seu rosto junto do meu, para que eu possa te sentir.
Sussurre ao pé do meu ouvido tudo o que você quer dizer e fazer.
Baile comigo qualquer música que tenha a duração mínima de uma vida;
porque sabemos que nos matamos e nos ressuscitamos, ao mesmo tempo, o tempo todo.
E você não sabe o quanto que eu quero que isso termine de vez.
O quanto eu quero um fim.
Para que o tempo todo seja meu, e ao mesmo tempo, que minha própria vida seja minha.
Para que você não me envolva mais, que não me tenha mais perto.
Que você não precise dizer (nem sussurrar) nada para me fazer bem.
Que para mim não faça diferença o que você quer dizer e fazer.
Só para mim conseguir ficar feliz, sem você.

29 de set. de 2012

Na verdade


Sem metáforas. Sem analogias.
Essa sou eu para dizer que não sinto raiva. Para dizer que ainda acredito nas coisas eternas, mas nunca vou deixar de duvidar da força das efêmeras.

Saber que elas existem é fundamental. É necessário aplicar as expectativas na sua própria capacidade.
Porque a saudade é algo que, depois de um tempo, acalma no coração. Depois, nem incomoda.
Então, para que acomodar? Por que acomodar com a dor, com o choro? Não é bom deixar que a tristeza vire rotina só porque você não tem mais a sua do lado de quem quer que seja.

As coisas não são da maneira que nós queremos. São exatamente ao contrário se você associar toda sua felicidade, tudo o que há de bom para você em alguém. As pessoas se sentem sufocadas assim, creio eu. Imagina, ser o centro de tudo para alguém? Mas vá, ninguém faz isso por mal. Ninguém deposita sua própria felicidade em ninguém por querer mal. Longe disso.

Pensei nesses dias sobre uma vez que você me disse que se sentia bem comigo. Que confiava em mim. E que perto de mim, conseguia ser você mesmo. Eu lembro que peguei seu rosto entre minhas duas mãos, e beijei cada cantinho dele. E vou te contar que isso me deixou muito, mas muito mais feliz do que quando você disse que me amava pela primeira vez, quando apenas escondi meu rosto na sua camisa.

Isso que eu aprendi. Que têm certas palavras que dão muito mais acalanto e vontade de ficar junto do que o ultrapassado do 'eu te amo'. Que as pessoas estão aqui, com a gente, mas nós nunca vamos conhecê-las de verdade. Nunca vamos saber o que elas sentem, mesmo que façamos tudo para fazê-las felizes. Tudo mesmo. É necessário confiar, muito mais do que gostar muito. E por favor, não subestime. Converse.

Se já chegou a dizer que ama, que confia, não custa dizer o que incomoda. Muito mais do que saber o quanto tem e o tamanho da sua individualidade é saber o quanto o outro conta com você. Se amar primeiro não é egoísmo. Egoísmo é tomar as decisões sozinho sobre algo que é coletivo, sobre algo que envolve outra pessoa. É assim mesmo. E não tente entender. É só respeito. É só pensar no outro.

30 de abr. de 2012

Sete Lagoas


























Morei até meus 15 anos, mais ou menos, em Belo Horizonte. No final de 2009, eu e a minha família nos mudamos para Sete Lagoas. 

No início foi muito complicado: não conhecia ninguém, não sabia andar na cidade, e me sentia muito sozinha. (A primeira vez que eu fui pro correio peguei o ônibus pro lado errado!)

De fato, as meninas que moram aqui da minha rua não têm a mesma cabeça que eu. Isso me incomodava muito. Quando morava em BH eu tinha muitas amigas no bairro, nós ficávamos muito juntas; mas depois que eu me mudei perdi contato com todas. Via as fotos no facebook e me sentia triste por não poder estar nelas também. E o pior: o tempo foi passando, e eu nem tinha mais assunto com elas.

Em fevereiro de 2010, no meu primeiro dia de aula no primeiro ano, depois de muito tempo, eu estava em uma escola que eu não conhecia ninguém. As pessoas foram bem legais, e eu comecei a me sentir em casa. (Lembro quem foi a primeira pessoa que conversou comigo. Começou com um sonoro "Oi! Qual é o seu nome?" e eu dizia "Ceres!" e ela "Que?" e eu "Ceres!" e de novo ela não entendia, até que eu disse "Lê na lista que tá na porta!") Descobri também que uma menina que mora no meu bairro, e até hoje somos muito amigas. Inclusive, ela também tinha se mudado de BH para cá.

No meio do ano conheci o Matheus, e em outubro, já estávamos namorando.
Com o tempo (e com a ajuda dele, claro) as coisas foram chegando no lugar, e eu enxerguei, de fato, que eu estou onde deveria estar. 

Hoje em dia vejo que construí amizades maravilhosas, e as que eu deixei ainda estão na memória, mas de forma menos dolorida. Olho para a cidade, e sinto como a vida aqui é melhor. 

As pessoas daqui têm o costume de reclamar do trânsito, do transporte, e eu acho tudo uma delícia. Aqui nós conseguimos atravessar a rua na metade do tempo que levaria em BH, tem uma lagoa linda a 20 minutos de casa, tem o melhor sorvete do mundo (fabricado aqui mesmo), a comida daqui também é deliciosa (principalmente as empadas, o hambúrguer assado e as pizzas), ficamos na rua até tarde, mais da metade dos setelagoanos andam de bicicleta, e sempre tem show legal por aqui. Por exemplo, sexta (27) teve show do Nando Reis, e 18 de maio, eu acho vai ter do Roupa Nova, só pra início de conversa. Tem um concurso de beleza, o Miss Férias, que sempre tem uma menina da sua escola que participa. Também tem Exposete todo ano, o Ferro Velho, o Opinião Pub e o Route 66 para os mais cult...
Tem dois anos que abriu shopping aqui, acredita?

Não sei se todo mundo concorda comigo, mas ver Sete Lagoas crescer é uma delícia; e eu não quero sair daqui tão cedo - excluindo o fato de que eu vou tentar Federal final desse ano.

A "Cidade dos Sete Lagos Encantados", a "Cidade Nascida Para o Alto", me encantou; e se caso você quiser me visitar, eu ficaria bem feliz.

(Vista da varanda)

(Ano Novo na Lagoa Paulino, choveu muito)
(O tal melhor sorvete do mundo)
Enfim, se você não quiser vir por minha causa, ainda tem o voo livre e o Parque da Cascata na Serra de Santa Helena, a Gruta Rei do Mato (que todo mundo vai de excursão), o Boa Vista (a lagoa bonita da primeira foto)...

Tudo para você ficar convicto de que aqui é muito mais que a terra da Paula Fernandes (que na verdade, nasceu em Santana de Pirapama, mas vamos deixar isso para depois).




30 de abr. de 2011

Sete meses



Eu te vi deitado na minha cama. Cobertor tampando até a boca, de bruços, com os braços debaixo do travesseiro; exatamente como eu estaria caso estivesse no seu lugar. Passei na porta do quarto uma, duas vezes, só para observar. Eu sentia uma ansiedade doida de correr, deitar em cima de você, e ficar lá, quietinha, sentindo seu calorzinho matinal de sábado. Mas não. Fiquei me corroendo, devagarinho, e você na sua pose pornográfica, sem mexer um músculo, me extasiando. Até que, segurando a barra do meu short de pijama, eu resolvi chegar perto; afinal de contas, ninguém me dissera que não podia. Sentei na beirada da cama, bem pertinho, sentindo o que podia daquela distância infinita. Fui me inclinando para perto do seu rosto. Parei no meio do caminho. Recuei. Sua boca estava coberta, oras. Continuei naquela tortura de te olhar dormindo, que aliás, é uma delícia. Novamente me inclinei para perto. E mais. E mais. Sentia sua respiração no meu rosto. Me aproximei mais. Passei o nariz, devagarzinho, na sua bochecha. Ia e voltava com o rosto, arrepiando, sentindo, derretendo por dentro. Você se mexeu um pouco, encolhendo mais ainda, com os olhos fechados. Eu sorria de tal maneira, que aquilo parecia fazer parte do meu rosto, como se ele estivesse sempre ali. E você não tem ideia de como faz isso bem. Essa coisa de me fazer feliz. Parece que você via aquilo tudo mesmo de olhos fechados; porque sua boca, agora à vista, também sorria para mim. Passei o braço por cima de você, deitei a cabeça nas suas costas. Num átimo levantei, beijei seu rosto, bem devagar; sentindo, derretendo... tudo de novo. E você me fazendo feliz, como sempre fez. Como sempre irá fazer. À sete meses atrás, daqui a sete meses, sete anos; assim eu penso. Quero você feliz, me fazendo feliz, assim eu sonho. Satisfeita, levantei-me da cama, saltitante. Olhei para trás e você dormia, na pose pornográfica de sempre.

20 de jan. de 2011

Mate a Nostalgia


E, por favor, não me lembre o motivo de eu ter feito esse blog.
Me lembre, apenas, do motivo do meu presente sorriso.
Me lembre, apenas, do amor que eu esperei existir.
E que agora vivo, para minha inteira felicidade.

30 de dez. de 2010

Memória é sinônimo de Música


Creio que eu não seja a unica a ouvir musica. Creio não, tenho certeza absoluta.
Quantas vezes não ouvi, cantei, cantarolei, murmurei ou recitei alguma musica com as amigas na sala de aula, no pátio da escola, com o namorado enquanto tocamos violão. Pensei várias vezes em fazer uma retrospectiva, para conseguir reviver cada gostinho, cada beijo, cada abraço, cada lágrima, cada ... música de 2010. Quanta coisa para dizer, para chorar lembrando... cantar para mim é tão fácil! Ouvir cantar... melhor ainda!

Resolvi contar como foi o meu ano. Em forma de música. Não vou agradar a gregos, troianos e loiras, mesmo porque, é impossível.

- Nada contra loiras, modo de falar. -
Enfim...



Janeiro

Saudade de BH. Quase morrendo em Sete Lagoas. Fugindo de Sete Lagoas. Fazendo quinze anos.

Fevereiro

Todas as minhas meninas lindas belohorizontinas queriam morar na minha rua: Camila, Sarah, Ana, Maria Clara, Giovanna, Fernanda, Isabela...


Março

Continuando na onda da saudade: SÉÉÉRGIOOOO (saiba quem é Sérgio aqui.)


Abril

Cantei essa musica para seiscentas pessoas na UNIFEMM, num projeto ridículo da escola. Eu conto tudo sobre esse feito aqui.

Maio

Cheguei na escola milhares de vezes durante o ano cantarolando essa música. Mas eu me lembro de isso ter sido mais ou menos a partir de maio. "Olhar pro Sol só ver janela e cortina..."


Junho

Definitivamente O MELHOR despertador de todos os tempos. Nem sei pra quê eu tirei. Ficava o resto do dia de bom humor (pelo menos eu acredito nisso).


Julho

"Não, não dê mais, tantas voltas não..." Viciei nessa música. Viciei a Rúbia na música, que viciou a Bianca, que viciou a Nathália, que viciou a Bruna, que viciou a Gaby... até todo mundo enjoar. De menos eu.


Agosto

Ensaiamos por um mês para apresentar essa música num trabalho de inglês. Foi exatamente dia 08/08. Mentira, não foi exatamente, porque eu não tenho certeza.
Eu, pra variar, cantei. Coisa linda. #IRONIAFEELINGS


Setembro

- Ceres, acho que você vai gostar dessa música.
- Mas é rap, Camila!
- Eu sei.
(Vai por mim, é bom. Tão viciante quanto Lama)


Outubro ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

Saiba quem deixou o Sérgio no chinelo aqui (É feio ficar falando essas coisas no blog, mas não adianta, fiz isso a vida inteira). Meu Último Romance... "Eu encontrei, quando não quis mais procurar o meu amor..."

Viciei nessa música por causa da Camila, e viciei o Matheus. Ele aprendeu a tocar pra mim. Lindo! (sem #IRONIAFEELINGS)

Novembro

O blog faz dois anos, aê (nada de música da Xuxa para aniversário de criança. Dois anos é uma criança, um bebê; então, em alguma hipótese, a musica cariria bem.). Descobri pra quem eu guardei meu amor o tempo todo. (♥♥♥♥♥♥)


Dezembro

Acabou o recomeço. Lido melhor com a saudade, com meu corpo, com meu cabelo, com minha pele.
Passei de ano, fiz uma "surpresa" pra minha mãe de aniversário (ela sabia)... Está tudo no lugar, onde e do jeito que deveria estar.

Comprei outro All Star azul.
Aprendi a tocar essa musica no violão.
Quero morar na rua dos meus amigos antigos, quero cantar Sweet Child Of Mine desafinadamente até ficar rouca, me afogar em Lama... Porque "foi bom enquanto durou, e durou enquanto estava sendo bom, mas acabou."Acabou 2010, só. Minha vida, nossa vida, só está começando.

Um ótimo 2011 para vocês, com muita musica.

28 de dez. de 2010

O Coração


- Ceres, toma. - disse, jogando em cima da carteira.
- O que é isso, Samuel? - perguntei, olhando pro cristal em forma de...
- Coração. Meu coração.
  Ele saiu andando, com convicção.
- Sério?
  Ele parou, e olhou para mim.
- Você me deu mesmo? - eu disse estendendo a mão com o coração na palma.
- Sim, dei. - e voltou a andar.
  Olhei aquela coisa reluzente que, mesmo sem olhos, retribuia o olhar.
Fiquei calada por alguns segundos.
- Ceres, o que é isso?
- O Samuel me deu o coração dele.
  Aquele coração rodou a mão de metade da sala, e eu não sabia o que fazer com ele.
Joguei na mochila. Tirei da mochila, fotografei. Coloquei na estante, como um troféu.
E só. É lá que ele vai ficar.

9 de dez. de 2010

Sete Lagoas Piscando

Eu estava sentada na cama, com as pernas cruzadas, e um alicate de unhas na mãos. Levava um dedo na boca, olhava com muita cautela para ele, para, depois, corta-lhe, de modo desapropriado as cutículas.
Meu coração ia contra todo o raciocínio: palpitava, pulava. Chegava a doer o peito.
Agora, deslizava o pincel sobre as unhas, com esmalte roxo.
- Tá horrível, Rúbia, olha isso. - E esticava as mãos, para poder analisá-las.
- Que isso, Ceres, pára.
Me distrai comendo, tomei um banho cauteloso. Estava atrasada, estava nervosa, estava louca, mas não demonstrava. Sai correndo e amarrando o cadarço do All Star.
Me despedi de Rúbia, subi no ônibus.
Vim sentada sem postura alguma. Desci, correndo, de novo, e olhando, periodicamente, mais exatamente de um em um segundo, as horas no celular.
Parei na esquina. Respirei fundo.
O fato de não vê-lo dali me deixava mais nervosa ainda. Dei mais alguns passos, até que minha respiração voltou ao normal. Eu entrelaçava meus próprios dedos com as duas mãos na frente do corpo.
Eu o vi. Parado, de costas para mim.
Continuei, no mesmo ritmo, a andar em sua direção.
"Será que ele vai me beijar?"
Soltei as mãos devagar.
"Não vira, não vira!"
Projetei as duas mãos, e fui chegando mais perto dele.
De uma vez segurei-o pela cintura, e ele se virou pra mim, assustado.
Primeiro: ele riu.
Nunca, nunca havia reparado o quão seu sorriso é bonito.
Ele me cumprimentou como sempre fazia, me abraçando.
- Como você está?
- Estou bem. - eu disse, apreensiva.
Segundo: ele, com carinho, pegou na minha mão, entrelaçando meus dedos nos dele.
Fazia muito calor. Ele estava com uma blusa de manga comprida com o Kurt Cobain estampado na frente. Eu havia elogiado essa blusa dias atrás.
- Você gosta de boné, Ceres?
- Não mesmo.
Ele riu, passando a mão direita na cabeça sem boné. Eu ri com ele.
- É, eu imaginei isso. - ele disse.
Eu sorri para ele.
"Deus, e ele que não me beija!"
Conversamos por horas. Para mim, foram horas. As mãos suavam, mas eu não largava, e duvido que ele pensasse nessa hipótese.
Paramos. Ele se virou para mim. Num susto, me beijou.
Até hoje, o peço para ver se consegue me beijar daquele jeito de novo.
Ele nunca consegue. A cada dia beijá-lo fica melhor.
Minhas mãos ele não solta. Cada pedaço do corpo dele é meu preferido: a cicatriz perto da boca, os lábios, as mãos, as pernas.
Morro de saudade quando ele vira a esquina. A blusa do Kurt Cobain, agora é minha.
Terceiro: Meu coração, agora é seu, Matheus. E vejo luzes piscando em todo lugar que eu vou, porque você está comigo.

30 de nov. de 2010

[Quando ele ler, dá um título]

Eu suspirava. Cantava qualquer música capaz de não me distrair. Curtia aquela coisa que ele tem de levar meus olhos involuntariamente para a sua boca, suas mãos que sempre mexem nos meus cabelos. Fecho os olhos pra ouvir sua voz com mais atenção. Ele consegue fazer com que minha frequência cardíaca aumente consideravelmente com um unico beijo.
Posso dizer uma verdade?
Ele é perfeito.
Parece fantasia, filme de "Sessão da Tarde", e como diria a Michele, propaganda de margarina.
Parece qualquer coisa que eu sonhara pouco vagamente o tempo todo.
Parece um objetivo de vida alcançado, felicidade completa, sensação de não precisar de mais nada.
Juro, até agora, me distraí.
Ainda penso nele como eu pensava enquanto esperava nosso primeiro beijo.
Ainda penso nele como se fosse a primeira vez que ele me disse "Eu te amo".
Ainda penso nele da mesma forma do que dia vinte e três de novembro, a uma e cinquenta e oito da manhã, pra dizer que, melhor do que isso, me ama absolutamente.
Ainda consigo escrever qualquer tipo de texto falando de você de forma concreta, tudo bem?
Não terminou do jeito que eu almejava, mas ah, você tá aqui no sofá, do meu lado, virado pra TV para não ver o que eu estou digitando.
Ai ai.
Te amo, Matheus. Absolutamente.

9 de set. de 2010

Um por Vinte e três


Ele segurou meu rosto com uma mão só, e foi chegando a boca dele perto da minha. Eu fiquei parada, do mesmo jeito que estava enquanto falava que iria vender toda a minha coleção de revista Capricho. Não queria pensar demais, porque, se pensasse, viraria o rosto. Não pensei, não virei o rosto, e ele me beijou. Me beijou, devagar, do jeito que ele sempre fazia, mas eu tinha esquecido de como era. Ele parou e ficou esperando minha reação. Tentei não esboçar nenhuma. Ele sorriu pra mim, eu sorri para ele, que se virou, e saiu de perto. Suspirei.
Enfiei todas as vinte e três revistas dentro da minha mochila. Estava convicta de que não precisaria mais delas. Estava convicta de que não queria mais saber o que o Justin Bieber ou a Lady Gaga andavam fazendo, e que, meu estilo já estava pronto, dentro de mim, não naquelas páginas coloridas. Fui pesada, vagarosa e falante ao lado da Rúbia; e entramos na loja onde havia uma placa que dizia "vendemos, trocamos, compramos."
No fundo do recinto, onde eu podia ver estava um homem magro e de aparência que quase não me agradava de certa forma. Esperei, calada, que ele me desse atenção.Uma mulher com nome diferente (e que tinha o número começado com 9999) fazia o favor de puxar a atenção do homem, por causa do Freddie Mercury. "Só  Freddie Mercury, o resto não interessa."
Rúbia andava sala afora, lendo gibi.
- Você compra revistas; não compra?
- Compro.
- Eu tenho vinte e três revistas Capricho.
- Não.
- Não?
- Deixa eu ver.
Coloquei, em pilha, as revistas na frente dele, que por sua vez demasiado analisou-as.
- Essa daqui, essa não... - dizia enquanto separava alguma delas.
Depois colocava tudo em uma pilha só, dividia-as novamente... E eu trabalhava forçadamente a minha paciência diante daquilo.
- Dez reais, e essas daqui não. - disse, empurrando uma pilha menor.
- Dez? - olhei pra Rúbia.
- Dez!?
- Dez. - ele repitiu, calmamente, pedindo um balde d'água cabeça afora.
Contei as revistas. Na pilha que ele escolheu, haviam dezessete.
- Gastei 85 reais nelas.
E ele me explicou que precisava de ter mais lucro que eu, e que foi burrice minha gastar tanto dinheiro com revista (minha conclusão).
O telefone tocou, e o magrelo estrábico atendeu com simpatia alguém que procurava um livro do José de Alencar.
- Você pode escolher outra coisa. - disse, desligando o telefone.
Saí sala afora, distraída com aquele mundo de revistas e livros. O cara acendeu as luzes para mim. Feliz Ano Velho, Blecaute, O Meu Pé de Laranja Lima.
Eu ignorava tudo o que me pareceria muito óbvio para opção de escolha.
Conversava com o magrelo enquanto percorria a sala. Rúbia continuou lendo gibi e "rindo feito o Marcos".
O alguém que ligou procurando o José de Alencar apareceu, e comprou o livro.
- Agora o magrelo burguês vai registrar seu lucro - falou de modo irônico o magrelo que pra mim é louco, enquanto digitava em seu computador.
A essa altura Rúbia já tinha se levantado, e se proposto a me ajudar.
Atrás de algumas prateleiras estavam algumas revistas Playboy fazendo montes perto de nossos pés. Rúbia me cutucou com gentileza, e quando eu a olhei, ela apontou para o chão. Analisei aquilo tudo, sem colocar as mãos, considerando o fato de nunca ter folheado uma revista daquela. Estava habituada à Capricho, sabe como é. Vi, escrito de vermelho e em letras grandes a palavra "Cléo", perto de uma coxa carnuda. Cléo Pìres. Não exitei em pegar a revista, e folhear com cuidado.
De algumas coisas você pode ter certeza (caso nunca tenha lido uma Playboy): Não é só pornografia. As fotos são muitos artísticas, bem tiradas e de muito bom gosto. Homens compram revista com conteúdo, de certa forma.
Larguei a revista grossa e proibida no chão, onde estava antes, bem pertinho do meu pé.
Me levantei, e estava, na prateleira: O Beijo.
Peguei, coloquei debaixo do braço, girei por algumas prateleiras ainda, e acabei levando o livro dos beijos. Um por vinte e três. Ele veio solitário dentro da minha mochila, ocupando o lugar das vinte e três revistas Capricho. Tomara que ele seja bom, porque ele me fez lembrar de hoje de manhã. E quer saber? Se ele me beijar de novo, eu não vou me incomodar nem um pouco.

imagem: we♥it

11 de ago. de 2010

Não


Apoiei a cabeça na cortina azul da janela do ônibus. Ali, ela batia em certo compasso. Daquele modo, eu quase dormia. Dormia, sim, porque não havia mais o que pensar, só o que fazer. Nada me deixava melhor em relação à isso. Não deixava, e ainda não deixa.
Fazer? Eu? Não, isso não. Não quero fazer isso.
Sei o por quê e a necessidade disso; mas me recuso. E recusar, pra que? Não querer fazer, por que?
Andava avoada rua afora. Tinha uma vontade enorme de me afogar, não importa em que fosse. Em choro, em livro, em música, em seios, em lagoas. Em sete lagoas.
Hipocrisia a minha. Sei o que tenho que fazer e simplesmente não quero.
Enquanto for assim, sofrerei. Sofrerei em forma de crônica. Sofrerei noite afora. Sofrerei beijando a cidade inteira. E que diferença isso faz? Para mim, faz. E mesmo assim, sofro. Simplesmente por te querer demais.

18 de jun. de 2010

Testamento Equivocado


Quero concentrar toda a minha saudade em você; tudo o que eu sinto e não tem denominação, toda a minha confiança e atenção. Te dar tudo o que eu tenho agora, que é a vontade de experimentar algo novo, que é querer pertencer a alguém de forma íntegra, pelo menos com um pouco de sentimento; sendo feliz, e só.
Divido com você, tudo o que sinto, tudo o que tenho.

13 de jun. de 2010

Remember, November

Estávamos sentados na varanda. O clima não era muito bom, nada nem perto do sentimento que geralmente tinhamos:
- Roberto, nós estamos brigando muito.
- Você que implica muito comigo, Ceres.
- Roberto, você me proibe de ver o Sérgio, implica com tudo o que eu faço, eu sou eu quem implica com você? Me poupe! Alguma vez eu te proibi de fazer alguma coisa? - minha voz se alterou, e ele permaneceu calado; seu semblante pesado.- Sabe, Beto -respirei-, eu acho melhor se nós dessemos um tempo... talvez seja melhor pra gente pensar, não? Faltam menos de um mês pra mim me mudar pra cá, o que você acha? -eu disse, como se fosse um pedido pra uma viagem.
- Ceres, não gosto de meio-termo. Não gosto.-sua voz era ríspida.- Ou a gente continua assim, ou termina.
- Roberto, por favor... eu gosto tanto de você! Vamos fazer isso? -eu já implorava.
- Ceres... -a voz dele me assustava.
- Então, tá -eu disse, perdendo o tom-, vamos terminar.
Ele tirou a minha pulseira que ele levava no pulso, colocou no chão, perto de onde eu estava sentada, de frente pra ele.
- É, falou, zé... vamos terminar.
Ele levantou, e saiu pelo portão afora.

"Zé? Falou, zé?" Aquilo não enfiava na minha cabeça de forma alguma.
Uma lágrima, solitária, devagar, rolou pelo meu rosto, exatamente no lado direito. Nossa, que simples. Nós havíamos terminado. Não me permiti chorar, nem gritar, como era o que eu queria. Ele não merecia que eu sofresse. Como assim, eu que implicava? Era ele que tinha mansagens de meninas no celular, do tipo "Me busca na porta da escola, amor?" ! E era eu que implicava? Eu não podia ter amigos, eu não podia ver o Sérgio, eu não podia contar piada... e por quê? Só porque eu morava em outra cidade? Por que ele não confiava em mim? Eu confiava nele!
Era um mês de novembro. O tempo estava fechado. Não chovia, fazia calor.
Ele saiu pelo meu portão nitidamente irritado comigo; e eu não queria fazer nada.
Os três meses que se passaram foram comigo o amando. Ou, pelo menos, mentindo pra mim mesma. Passávamos os sábados e domingos no sofá da sala, tomando sorvete, se abraçando.
Aquela foi a unica vez que eu chamei algum garoto de "namorado". Aquelas foram as minhas unicas lembranças. E essa, de ele saindo pelo portão, foi a última.

Ontem foi dia dos namorados. Se ainda estivéssemos namorando, estaríamos fazendo quase um ano.
E eu o vi. Na rua, naquele frio descarado, eu estava de mãos dadas com outra pessoa. A pessoa em quem quero apostar "minhas fichinhas". Para um recomeço, uma tentativa, sempre cái bem. Eu não me incomodo com o Roberto, agora. Para um recomeço, uma (ou algumas) lembranças, sempre caem bem. Eu não me incomodo com essa situação, agora.

Rolei na cama a noite inteira. Quando dormi, sonhei com o dono das minhas fichinhas.
Enquanto eu o esperava, o frio da minha barriga combinava com a noite e com a situação inteira.
Depois, tudo combinava.
Essa é uma das situações em que eu preciso de instabilidade. Agora é uma boa hora pra não saber o que vai acontecer, só pro frio da minha barriga combinar com todo o resto.

Em novembro, essas coisas já vão ser lembranças. E o que aconteceu novembro do ano passado, também.
Em novembro já não vai ser mais recomeço. Essa é a unica certeza que eu tenho.
Te espero, novembro, te espero.
Vejo que não demora.

Vem resto da minha vida. Vem pro resto ser lembrança. Vem pro resto não ser mais recomeço. Vem.

16 de mai. de 2010

Ceres Sete-Lagoana

-Oi, quero te conhecer. - diz o cara, e pega na minha mão – Qual é o seu nome, morena?
- Ceres. (sim, eu sei que ele não entendeu.)
Ele chega perto, e me dá um beijo na bochecha. Sinceramente, eu não ia perguntar o nome dele, porque eu não fazia questão. E ele, se estivesse tão preocupado em saber meu nome, ele tinha perguntado de novo; porque não, ninguém NUNCA entende de primeira. Por isso que agora até eu mesma me denomino “morena”.
E então, ele me dá outro beijo na bochecha. E na outra. E na outra de novo.
Até que eu virei de costas e saí andando.

Puta merda, mas que saco.
Aquele era o nº 18, eu acho. O décimo oitavo garoto que mexia comigo na mesma festa, o décimo oitavo que eu não me interessara.

- Ceres, aquele ali, de camisa azul, ele quer fazer parceria.
Parceria ? Que diabos eu estou fazendo aqui, pelo amor de Deus!

E eu ia, andava, levantava um pouquinho a perna, por causa do salto, ria um pouquinho, e até me deu vontade de dançar. Forró, sertanejo.
Afinal de contas, eu precisava me enturmar.

- Não, Ingrid, não, sem essa de parceria, que isso.
Ingrid sái, e vai falar com o dito cujo, que deve ter sido o décimo, por aí.
- Ceres, ele te chamou de playboyzinha, que ele nem sabe o que você está fazendo aqui, maior metida. Feia pra caralho.

Pois é, Ceres. Playboyzinha. Playboyzinha.
Essa é nova. E eu sou tão feia que ele queria me beijar. Bom. Isso quer dizer que os garotos daqui (34, pra ser mais exata), preferem as morenas, metidas, feias e playboyzinhas.

- Que foi, Roberto?
- Cé, lembra aquela calça apertada que eu tinha?
- Lembro, Roberto.
- Então, eu vou na festa hoje com uma mais apertada que aquela. Você vai?
- Ah, não sei, se o Léo for...
- Tá bom, chama ele então pra vocês irem.
- Beleza, Roberto.

Bom, eu fui à festa por conta do Roberto. Por conta no sentido de ele ter me chamado. Ele me vigiou a festa inteira, pelo o que eu sei não ficou com nenhuma garota. Vai ver que é porque toda vez que ele ia conversar com uma, ele tinha que ficar vigiando pra ver se eu estava olhando, e morrendo de ciúmes. Coisa que eu não fiz.

Número 30, 31, 32...
- Não.
- Neeem, fala pro seu amigo que eu to muito ocupada coçando meu pé agora.
- Eu sou seu sonho, é? Então vá dormir!

Por que, cara, por quê?
Por que nenhum daqueles 34 garotos eram o que eu quero?
Por que toda vez eu tinha que contar até 10 e falar “Samuel, Samuel!” em voz alta ?
Por que eu me obrigo a ser tão idiota?
Por que que ser sete-lagoana é tão, mas tão difícil?

Só porque eu sempre fui apaixonada pelo Sérgio?
Só porque eu estou ficando com o Samuel?
Só porque agora eu moro em Sete Lagoas?

É tão difícil entender que isso tudo não é culpa minha?
Então porque que a pior parte fica pra mim?
De que adiantava 34 se eu só quero um?

Não, eu ainda não consegui trocar de pizza preferida.

Sou uma garota sete-lagoana e frustrada.
Sou uma morena dos sonhos do nº 26.
Sou uma apreciadora de pizzas belo-horizontinas.
Sou uma idiota.

É difícil esconder desespero, desculpa.

12 de mai. de 2010

Analogia da Pizza

Pensar em tanta coisa ao mesmo tempo é normal?
Se for normal, por favor, me perdoe por estar enlouquecendo.
Preciso lembrar que acho que estou começando a querer me esforçar para fazer alguma coisa.
Primeiro porque não fazer exatamente nada interfere na produção de colágeno, e não, não quero que a gravidade não fique ao meu favor, mesmo porque, eu só tenho 15 anos.
Segundo, é que eu acho de suma importância que eu – pelo menos, eu - seja feliz.
É. Feliz. E, por mais que eu já tenha passado (gastado, jogado, ou qualquer outro verbo desse gênero) dois anos da minha vida me “doando” por uma mesma e nada justa causa, acho que agora é hora de dar um basta nisso.
Não, eu não disse que seria fácil, muito menos rápido.
Isso tudo consiste numa técnica, ou, se preferir, em pura sorte. E toda sorte só existe de braços dados com o esforço. É como se fossem um casal: um não existe sem o outro.
Contudo, podemos concluir triunfalmente que sim, eu (e todos que quiserem um conselho, mesmo que seja meu) precisamos de um esforço. Queremos sorte, certo?
Então, teremos que nos esforçar. Eu tenho que me esforçar. E é exatamente isso que eu vou fazer.
Posso começar me apaixonando perdidamente pelo Samuel. Esse pode ser meu segundo objetivo, porque o primeiro, claro é não olhar tantas fotos do Sérgio.
Aliás, eu observei uma coisa em comum com garotos belo-horizontinos envolvidos de forma amorosa comigo. E todos praticamente têm a mesma história que, se entrelaçam. Isso é outra coisa que vem me levando vagarosamente pelo precipício da loucura.
Enfim, essa tal coisa que eu observei foi a seguinte: eu Ceres, me apaixono. Eles, garotos ajudam e praticamente me obrigam a fazer isso (não vou citar nomes, mesmo porque, não precisa). Preciso frisar que é impressionante o poder deles de fazer isso comigo. Ou gostam de Coldplay, ou têm pernas, queixos, cabelos e palavras espetaculares. E claro, com muito sensacionalismo e exagero.
Depois de um certo tempo; que pode ser denominado dia ou, no máximo, semana, eles simplesmente somem. Me deixam, ao léu, sozinha, triste, abandonada e chorosa.
E assim eles faziam: alternando. Primeiro um, e quando o outro reparava que eu estava prestes a contar pra minha mãe que eu estava apaixonada, ele combinava com o segundo. Aí o primeiro sumia, eu chorava, o segundo aparecia, e assim ia. Sim, eu me apaixonava fácil, e muito rápido.
Esse é o “apaixonar entre aspas”, fogo de palha, coisa de gente boba, que,aliás, é um delícia.
Tipo, primeiro eu só gostava de mussarela e calabresa, ai depois que eu comecei a apreciar à moda, à portuguesa e às vezes catupiry, essa coisa de dor de coração diminuiu.
Agora que eu estou retratando o meu sofrer super esforçado, cheguei à conclusão de que talvez esses mineiros maldosos tenham um complô contra mim, mas eu nem ligo.
Depois que eu vim pra cá, comecei a me interessar por outros sabores, sabe? E às vezes mussarela e calabresa ainda vêm com a frase: “Ceres, desculpa, eu fui um burro, joguei muito tempo fora em relação à você.” Aí eu digo: ”Pois é, (nome do sabor correspondente), eu, agora, não posso fazer muita coisa. Se você fosse menos burro, agora nós podíamos estar fazendo 1 (ou dois) anos de namoro.”
(Lembrando que a duração do namoro hipotético corresponde ao sabor).
Sabe o que eu faço depois? Invento um outro sabor pra gostar. Por mais que seja difícil trocar de sabor preferido, assim, na hora que quer, é até bem divertido.
Já disse que eu adoro analogias? E pizza também, claro.

6 de mai. de 2010

Verbos causadores de esforço, não.

Tirando a parte que eu tenho me sentido uma gorda sedentária ultimamente, as coisas estão indo bem.
Minha calça jeans preferida tá larga na bunda, e minha mãe disse que, se eu continuar atoa do jeito que eu estou, e emagrecendo desse jeito, vou ficar pelancuda antes dos quarenta, e isso sim é uma coisa terrível. Então cheguei à conclusão de que preciso de arranjar alguma coisa pra fazer.
Porra, que dor de cabeça é essa que eu estou sentindo agora, que isso.
Sei lá, pode ser arranjar um remédio pra tomar por causa dessa dor de cabeça, andar de bike, dar volta na lagoa de tarde, e hoje mais cedo, enquanto eu pensava nisso, eu só consegui levantar do sofá pra ir fazer compras com a minha mãe.
Quando eu cheguei em casa, eu descobri que a forma mais fácil de conseguir felicidade que eu tenho ao meu alcance é um saco de 66g de Fandagos. E quer saber? Essa felicidade que o Fandagos pode me proporcionar é totalmente instantânea, e depois do ultimo salgadinho vou ter vontade de chorar, de tanta dor na consciência.
É, eu estou assim. Como, tomo, digero e depois me dá vontade de morrer, porque eu vou ficar uma gorda. Sim, eu estou ficando doente, doida, sei lá.
Eu tenho que admitir que outras coisas me proporcionariam uma certa felicidade mais duradoura; isso claro, depois de muito esforço. E esforço está fora de cogitação agora.
Aliás, o esforço vai depender do resultado.
Tipo assim, depois de ter sonhado dois dias seguidos com o Sérgio, eu estou convicta (mais um pouco, se é que isso é possível) que se eu estivesse em BH numa hora dessas eu fugiria pra vê-lo.
O verbo FUGIR, diga-se de passagem, exige esforço. E claro,tudo isso é só uma suposição. (ironia)
E, agora, eu não consigo pensar em outro esforço que eu seria capaz de exercer. Não, estudar não conta.
Então o que eu vou (posso e quero) fazer é: levantar da cadeira, abrir o armário, pegar o meu saquinho de 66g de Fandangos (sorte minha que não é o tamanho família), comer, comer, comer, chorar, chorar, e chorar; ir pro banheiro, chegar na frente do espelho, levantar a blusa, pressionar a região abdominal com o indicador e o polegar, fazer uma cara de nojo. Depois abaixar a blusa, olhar a minha espinha que está deformando o meu rosto, passar pomada de própolis nela (de novo, pra ver se ela some), soltar o cabelo, prender o cabelo, trançar o cabelo, e acabar deixando ele solto, parar de novo, rir bastante pro espelho, extravasar a minha felicidade (não) odontológica, apagar a luz, talvez estudar pra prova de geografia, deitar, dormir, dormir, e acordar e fazer tudo de novo. A única de diferença é que amanhã de manhã talvez não tenha Fandangos, e eu vou usar maquiagem.
O que eu quis dizer que eu estou presa à minha rotina sem esforço.
E não vem me lembrar da existência do Samuel não, porque eu não esqueci dele, nem dos beijos com certa frenquência, durante cinco horas por dia, cinco dias por semana, aleatoriamente, sem compromisso, sem sonhos e, principalmente, sem futuro. Eu podia até fazer um tag "Samuel", mas não, desocupar meu coração pra ocupar de novo é uma oração com dois verbos que me causariam muito, mas muito esforço. Sem falar que eu não quero, não quero mesmo. E enciumar, por mais que não necessite de tanto esforço assim, ainda mais nessas condições nas quais nos encontramos, não é uma coisa que eu queira fazer, não mesmo. E que isso fique bem claro.
E quer saber? Gostar tanto de você assim já faz parte de mim, nem me causa esforço. Eu não gostando de você seria eu com algum problema psiquiátrico muito sério.

28 de abr. de 2010

Morena

Passei a aula inteira preocupada com o que eu ia fazer em relação ao bilhete que eu recebi ontem. Singelo, talvez. Era do tal do namoradinho setelagoano de mentira, querendo que fosse de verdade. "Fala com a Ceres que a brincadeira acabou, que eu to gostando dela de verdade, e que quero ficar com ela." 
Tudo isso numa caligrafia supertremida, parecendo que de nervosismo, de tão forte que tava. Não sei se esse é o jeito de ele escrever. Vou olhar o caderno dele depois pra ter certeza.
Até que existiram duas situações um tanto quanto... estranhas.
Primeiro foi depois do recreio, antes da vídeoaula engraçada de Literatura. Cheguei, como quem não quer nada, como eu sempre fazia, e abracei ele.
Ele retribuiu.
Olha, vou ser sincera. Super sincera, na verdade. 
Sei lá sei ele só retribuiu, ou, não sei explicar direito. 
Só sei que eu senti um puto de um friozinho na barriga. Tá, foi um friozão. E também meu coração desparou.
Tudo isso deve ter durado uns dois segundos, porque quando eu reparei que tava ficando nervosa, acho que saí correndo. Acho porque eu fiquei meio estranha mesmo.
Por segundo, na hora da saída, eu fui toda felizinha pro lado da Millaine (minha outra amiguinha legal e setelagoana), e ela veio toda folgosa me perguntar se tinha acontecido alguma coisa. E quando eu falei que não, ela fechou a cara.
Em falar em Millaine, ela é muito gente boa, e estuda numa escola do lado da minha, o Dom Silvério. A gente pega o mesmo escolar, e como ela mesma disse: "Nós só não somos melhores amigas porque a gente se conhece a muito pouco tempo."
Enfim, enquanto ela ia me xingando porque não tinha rolado nem um beijinho depois do bilhete (e da carta) que ele tinha me mandado, a gente dá de cara com ele.
Peguei na mão dele, como eu sempre fazia, e quando eu fui dar um beijo no rosto dele; no meio do caminho, não sei se virava uns centímetrozinhos pra esquerda e lascava um beijo na boca dele de uma vez. No desespero, na falta de tempo, e no calor do momento, o beijo não foi nem no rosto nem na boca.
Tentei sair correndo de vergonha, mas a unica coisa que eu consegui fazer foi olhar pra ele.
Pela cara que ele olhou pra mim, parecia que ele estava era satisfeito. Ah, porra, eu fiquei foi com dor na consiência, mas quando eu reparei, tava rindo feito uma louca. Fodas, cara, fodas.
Eu PRECISO disso. Fodas, cara, fodas se não der em nada. Fodas se der também. 
Se eu contar que depois do Sérgio eu não beijei ninguém você aí que tá lendo vai rir da minha cara ? 
Fodas se você rir também, fodas.
Samuel, pode me chamar de morena o quanto quiser. Nunca te disse isso, mas eu adoro. Ganha um beijo amanhã se fala com charme! (Fodas se você riu)
Marcelo (Rubens Paiva), meu querido, me apaixonei por você, sério.

Eu gosto muito de falar palavrão.
Cheguei em casa, fui de uniforme e tudo pra cama. Que lindo, adoro roupa larga, meu uniforme tá igual um pijama. Dormi feito um cocô, e acho, não tenho certeza, que sonhei com o Samuel. 
Custei pra levantar e, pra minha surpresa, só dormi uma hora e meia.
Recebi um Cornetto Fellings da Mariana, a menina do chove-chuva, lá de são Paulo, e tô feliz até agora.
E puta merda, Lua, você tá linda tampadinha até os olhos de tanta nuvem.