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4 de jan. de 2013

Aprendendo a amar(gar)


Você precisa aprender a amadurecer o seu amor, amar amargamente. Preparar-se para a queda e para as crises como qualquer adulto. Minhas palavras podem ferir mas meu amor, nós sabemos que não sou sua alma gêmea. Algo na nossa história não deixa que sigamos os mesmos caminhos, e afinal sempre soubemos que minha alma encontrou-se com a sua para nos prepararmos para algo maior que logo virá. Estamos na belle époque do amor, vivendo um tempo de linda calmaria artística antes de uma guerra estourar sobre nós.
           
Queria eu ser seu e vivermos esse romance suburbano. Queria eu que você fosse apenas meu e não estivesse apenas sendo preparado pelo destino para ser levado pelos braços de um outro alguém. Ah, esse alguém vai lhe fazer feliz como eu e qualquer outra pessoa no mundo jamais conseguiu. Vocês aprenderão muita coisa juntos... mas precisam estar preparados. Penso que se estou lhe preparando para um amor maior com esse meu enorme ego e pessimismo, conviver com esse vindouro não será fácil.
           
Ele deve ter uma personalidade realmente difícil e forte. Você aguentará. Algo está acontecendo com ele agora. Até você sentiu em suas previsões oníricas que há um terceiro amor, aquele que virá logo depois de mim, e que apenas ele lhe fará estonteantemente feliz. Mas por enquanto nós bastamos. Nos amamos hoje e provamos nosso amor diariamente, apesar de todas as desventuras que insistem em nos visitar. Fazemos o possível e um pouco além para prolongarmos nosso amor um pouco mais, antes que o destino tirem-nos dos braços um do outro.


2 de out. de 2012

Alana e a felicidade



Alana só queria ficar um pouco mais. Não queria um romance ou qualquer coisa coisa do tipo, não queria um relacionamento. Alana apenas gostava daquele beijo e de estar com ele, apenas queria estar com ele o tempo que fosse possível. Aproveitar um forte sentimento que a engolfava e momentos de felicidade com ele. Queria mais daquele abraço, mais daquele beijo, mais daquele prazer e mais daquele garoto. Seria dele pelo tempo necessário e diria as palavras de amor e conforto conforme mandasse seu coração e, quando o sentimento de ambos começasse a esfriar eles continuariam como amigos seguindo as próprias vidas e pronto. Não havia problemas em querer ser feliz e desejada.
            
Ela tinha um compromisso consigo mesma e queria sentir-se bonita e amada o máximo de tempo possível, independentemente se seria amada por si mesma ou pelos outros. Queria estar em todos os lugares e estar sempre fazendo amigos, queria que todos quisessem acompanhá-la onde quer que fosse e mesmo assim poder ficar sozinha quando quisesse também. Alana se atrasava para sair por estar se arrumando mas mesmo assim não se importava quando passava um vento forte em seu cabelo: sua vaidade consistia apenas em sentir-se bem consigo mesma. Se seu reflexo a dizia que estava bonita ou se seu sorriso dizia que estava feliz já bastava. Ela era bonita o suficiente para independentemente dos desastres que acontecessem com sua imagem Alana saber que sempre haveria alguém que a quereria -- talvez não no lugar onde ela estivesse no momento, mas há no mundo pessoas o suficiente para gostar de todos os tipos de beleza possíveis. Alana sempre teria quem a achasse bonita, fosse um ficante ou uma amiga.
            
E por ter consciência do quão especial ela era apenas por ser ela mesma, Alana era sempre especial. Ficava com quem queria o tempo que queria e não deixava as pessoas se intrometerem em sua vida. Todos queriam seu msn, seu twitter, seu facebook. Alana dificilmente saía de uma festa sem ter conseguido alguns números a mais em suas redes sociais. Ela queria apenas a si e por se querer todos a queriam também. Às vezes entristecia-se por conhecer sua imensidão. Um dia ficarei velha, pensava, e dessa forma provavelmente solitária, mas não consigo gostar de alguém mais do que gosto de todos -- será que um dia aparecerá alguém especial o suficiente para mim a ponto de eu querer abandonar esse meu direito de ter todos os que quero ao mesmo tempo?
            
Alana levantou-se da cama e começou a se vestir. Preciso ir embora, disse, ou não chego no trabalho ainda hoje. E que mal há em não chegar no trabalho? ele desafiou, apenas fique aqui comigo e eu te darei tanto amor que você não precisará de mais nada. Alana respirou fundo, era sempre assim. Já era mulher e não mais se iludia, sabia que ninguém a daria tanto amor quanto ela própria. Sabia que ele correria atrás dela por um bom tempo e que se entregar não havia sentido -- ele não era suficiente, a vida para ela era algo mais do que viver um único grande amor e afagos noturnos caídos na rotina. Se entregar tão jovem representava ser reduzida a um móvel, a empregada gratuita uma vez que logo seria esquecida e então as pelancas começariam a cair tornando difícil se libertar de tal escravidão. Alana não nascera para ser esposa, era a certeza que ela tinha quando se vestia após essas transas casuais. Ela não queria ser eterna ao lado de alguém, apenas queria ser eterna. O homem que afinal a observava deitado na cama a tornava mais feliz do que qualquer pessoa no universo, mas ela sabia que eles não foram feitos para o longo prazo -- com o tempo ele também saberia. As flores das juras de amor morreriam com o tempo e fazer apostas tão altas faria apenas a felicidade e a paciência dos dois morrer junto. Eles eram a felicidade agora, mas logo isso acabaria e o que eles tinham juntos não seria suficiente para prorrogar. Ambos tinham um caminho completamente diferente e afinal não havia problema em aproveitar enquanto ambos os destinos se cruzavam e seguiam a trilha juntos. Mas Alana deixaria-se arrastar quando as linhas se separassem.
            
Terminou de se vestir e foi beijá-lo. Disse um último eu te amo que era o mais sincero que ela poderia dar em todos os milênios que eles possivelmente poderiam passar juntos. Ela o amava agora como nunca amara ninguém, assim como fora com o último e seria com o próximo. Ela o amava naquele segundo e queria ficar presa nele antes que tudo acabasse, porque afinal aquele segundo era o amor puro. Ela o amava porque era bonito, criativo, popular e a amava. Ela o amava porque ele era bom e gentil em sua própria forma. Ela o amava porque sentia que o compreendia e a depressão em sua alma era a maior do mundo naquele único segundo em que ela lembrava-se que um dia ela compreenderia o suficiente para decepcionar-se e não mais amá-lo de tal forma. Deprimia-se porque um dia tudo mudaria e mesmo assim o amava pois ele a amava mesmo sem saber nada sobre ela. Alana o amava porque isso revelava uma ingenuidade infantil no homem que tanto se fazia de durão, via nos olhos dele uma garotinha que se entrega a um amor qualquer. Via o quão perdido ele estava por querer tanto se entregar a alguém e ter uma pessoa que parecia ser tão linda e especial quanto Alana em seus braços. E por tudo isso ela o amava, mas sabia que não era bem o que ela queria no fundo de seu coração. Os homens eram todos assim, eram sempre crianças que não terminaram de crescer e queriam todas as noites anestesiar a solidão de viver em amassos com mulheres quaisquer que os fariam sentir-se o único homem do mundo. Todos queriam sentir-se poderosos por saber que a vida era a maior decepção que se podia ter. Apesar de tudo, Alana sabia que isso não era por maldade, mas ela não era muito do tipo que lamentava sua existência fazendo sexo com pessoas quaisquer; ela transava com quem queria porque queria, pelos mais variados motivos, na esperança de um dia ser tão completa consigo mesma a ponto de conseguir mudar alguma coisa, seja no mundo ou na vida de alguém. Ela sabia que não era menos medíocre por isso, mas sabia que talvez fosse ao menos mais corajosa, por afinal enfrentar todos os dias a felicidade buscando domá-la.



29 de set. de 2012

Na verdade


Sem metáforas. Sem analogias.
Essa sou eu para dizer que não sinto raiva. Para dizer que ainda acredito nas coisas eternas, mas nunca vou deixar de duvidar da força das efêmeras.

Saber que elas existem é fundamental. É necessário aplicar as expectativas na sua própria capacidade.
Porque a saudade é algo que, depois de um tempo, acalma no coração. Depois, nem incomoda.
Então, para que acomodar? Por que acomodar com a dor, com o choro? Não é bom deixar que a tristeza vire rotina só porque você não tem mais a sua do lado de quem quer que seja.

As coisas não são da maneira que nós queremos. São exatamente ao contrário se você associar toda sua felicidade, tudo o que há de bom para você em alguém. As pessoas se sentem sufocadas assim, creio eu. Imagina, ser o centro de tudo para alguém? Mas vá, ninguém faz isso por mal. Ninguém deposita sua própria felicidade em ninguém por querer mal. Longe disso.

Pensei nesses dias sobre uma vez que você me disse que se sentia bem comigo. Que confiava em mim. E que perto de mim, conseguia ser você mesmo. Eu lembro que peguei seu rosto entre minhas duas mãos, e beijei cada cantinho dele. E vou te contar que isso me deixou muito, mas muito mais feliz do que quando você disse que me amava pela primeira vez, quando apenas escondi meu rosto na sua camisa.

Isso que eu aprendi. Que têm certas palavras que dão muito mais acalanto e vontade de ficar junto do que o ultrapassado do 'eu te amo'. Que as pessoas estão aqui, com a gente, mas nós nunca vamos conhecê-las de verdade. Nunca vamos saber o que elas sentem, mesmo que façamos tudo para fazê-las felizes. Tudo mesmo. É necessário confiar, muito mais do que gostar muito. E por favor, não subestime. Converse.

Se já chegou a dizer que ama, que confia, não custa dizer o que incomoda. Muito mais do que saber o quanto tem e o tamanho da sua individualidade é saber o quanto o outro conta com você. Se amar primeiro não é egoísmo. Egoísmo é tomar as decisões sozinho sobre algo que é coletivo, sobre algo que envolve outra pessoa. É assim mesmo. E não tente entender. É só respeito. É só pensar no outro.

25 de ago. de 2012

"O que te sobra além das coisas casuais?"



Tenho pensado muito nessas coisas que a gente engole – essas palavras que chegam na pontinha da língua, mas voltam com a saliva e também aquelas palavras que ouvimos e fingimos que não nos doeu. As coisas que deixamos de viver por acharmos não estarmos prontos, por acharmos que aquela situação está à frente do nosso tempo ou por medo...
O que eu tenho pensado muito mesmo é em todas as palavras que eu ando engolindo acreditando que nenhuma delas vai me salvar desse meu medo tão profundo no meu âmago e em todas as palavras que eu consegui não engolir, mas não consegui dizê-las a quem eu queria tanto que ouvisse.
Uma dessas coisas que eu queria dizer é que eu entendo porque as pessoas não amadurecem. Entendo que seja mais fácil viver pelas coisas casuais porque a futilidade é um caminho mais fácil pra felicidade e é por isso que tem tanta gente fútil e vazia ao meu redor. Mas não vou brigar por isso, porque pra deixar de ser fútil e se aprofundar em relacionamentos e atitudes é preciso amadurecer e este é o grande problema.
Amadurecer é uma fase muito dolorosa na vida da gente e as pessoas tem tanto medo de sofrer, medo de se envolver, medo de falar o que querem, medo de serem elas.
O que me incomoda não é quando esse medo impede as pessoas de investirem no que sentem, o que me incomoda é quando elas começam a se aprofundar, mas percebem como é tão vasto ter intimidade e ficam com medo, se assustam e desistem. O que me incomoda é cada pessoa que eu vejo fugindo de ser mais profundo, de ser mais sensível. Me incomoda elas não quererem descobrir o que elas podem ser. Me incomoda elas desistirem por esse medo tão oculto e destrutivo em seu interior.
Quando é a hora da pessoa crescer, ela cresce... não dá pra fugir disso pra sempre.

10 de ago. de 2012

Amadureceu


Assim como o amor acaba, começa, ou até mesmo se perde; ele amadurece.

O fato é que quando esse tipo de coisa acontece, principalmente se for com você, provavelmente achará que o amor acabou. 

É que começa assim: vocês não se falam um dia, e você não morre por isso. Dorme feito um bebê, e acorda feliz porque sonhou que estava andando de bicicleta com quem deixou o celular desligado no dia anterior. Depois vocês transam, e cinco minutos depois estão rindo juntos enquanto veem Padrinhos Mágicos. Não tem mais aquela vergonhazinha de comer um perto de outro, e o pior dos patamares: vocês se beijam pela manhã, antes de escovar os dentes. E ele, depois de um tempo, vai saber exatamente onde você tem celulite. Também vai te evitar nos dias de TPM e admitir que você fica chata quando acorda. 
Vocês vão fazer faculdade, o tempo vai se esvair, e, mesmo assim, vai estar tudo bem.

O que eu posso te dizer é que, apesar dos pesares, isso tudo é uma delícia. Porque, se o amor superar essa coisa de 'amadurecer', ele com certeza deve suportar alguma coisa pior: as contas para pagar, criança chorando no seu ouvido, ou até mesmo não ter nada disso para suportar.

Aprendi que não é toda hora que o amor é aquele que a gente sonha. Aceitar o outro, o tempo, as decisões, o modo de amar e até mesmo quando o outro não quer (ou consegue) demonstrar todo amor que ele sente por você também é amar.
Parece que não, mas é difícil pensar no outro como ser humano. Talvez essa seja a chave.

Sabe, continua sendo amor. O jeito de amar é que muda. E mesmo assim vale muito a pena, até dando errado.