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26 de jan. de 2013
Chiaroscuro
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Ceres
Aqui o mundo é sereno. A noite não é fria nem quente, o céu não é escuro nem claro. A vida é um chiaroscuro impressionista. Não há nada lá fora e nós somos apenas um reflexo exagerado desse exterior. Sentimentos demais que aprendemos a transformar em poesia para ser admirada por outros de alma notívaga.
Alguns goles de café, às vezes chá. As gotas caem nas folhas dos estudos sobre uma pesquisa desordenada; as pálpebras caem junto. As frases ficam confusas e o impressionismo afinal se torna simbolismo e enfim surrealismo. Os sentimentos mistos são apenas códigos sinestésicos, são cores e são uma série de definições desnecessárias criadas para burocratizar a nossa mente: sentir é codificar. Tentamos decodificar esse nosso sentir de poeta e afinal o que seríamos sem as palavras para definir? Mas afinal, por que não podemos viver sem a palavra?
É tudo imposição governamental, individual ou não. O simbolismo da decodificação dos sentimentos é um socialismo, é um estado de revoltas e questionamentos que nos ligará ao comunismo do surreal. Surreal é sermos todos iguais, é não termos um idioma para comunicarmo-nos entre si; sem uma linguagem ninguém se impõe sobre ninguém e todos somos iguais. O comunismo é o surrealismo que é a mudez. O primeiro é um sonho usado como objetivo, o segundo é o sonho como meio e o terceiro é a essência do verdadeiro sonhar sem ser manipulado por dialética alheia. Comunidade é ter a boca tapada por uma ditadura.
Não existe futuro para um escritor que não possa usar dos seus domínios sobre a língua. Não há motivação para o indivíduo que seja obrigado a viver como todos os outros apesar de seus ócios ou esforços. Comunidade é ser maquinal, é servir indiretamente ao governo de uma única criatura. É tirar o poder da mão de muitos e dar a um. Pois reivindico ao meu direito de comunicar-me e de ser diferente.
Reivindico meu direito de sonhar e ser confuso, sonhar e ser difuso. Direito de conhecer e informar, direito de construir. Reivindico meu direito de iluminista e de romântico. De conhecer e escrever. De sentir e dar o nome que eu bem entender aos meus sentimentos. Reivindico o direito da virtude aristotélica. Reivindico o direito de ser meu próprio governo.
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29 de nov. de 2012
Nuvens de tecido
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Ceres
Nuvens de tecido. Um despertar no paraíso. O corpo perdendo sua forma para unir-se ao Todo. Tornar-se nada, o orgasmo da despreocupação. Os olhos se fechando lentamente, cada objeto ao redor se borrando pouco a pouco. A câmera sai de foco, o último olhar se torna uma foto. Uma foto a viajar pela mente, a mente a viajar pelo espaço. A escuridão incolor se adensando, impondo-se em cada partícula do cérebro que a cada segundo -- o que seria o segundo? -- relaxa mais e mais. E o mais é uma palavra que se perde nessa imensidão da cegueira, pois afinal nada é mais do que esse mais do que esse mais. Nada mais que esse mais que se perde nessa imensidão da cegueira que não é mais do que esse mais do que esse mais.
Cortes e colagens, a mente como uma obra dadaísta, dadaísta obra a mente é uma colagem. Cortes, o cérebro como um diretor de cinema que entre tantas filmagens se vê obrigado a decidir o quê e onde deve ser retirado cortes onde quê e quando. Diretor de cinema deve ser retirado, filmagens obrigado. As memórias começam a se perder, nos tornamos um barco a viajar, a maré a ressaca a se perder um barco a se perder as memórias. Perde-se tudo, perde-se o mundo perde-se o chão perde-se a noção. A noção só resta a noção a pouca noção do que afinal é o chão em que viajamos então. O chão é mar é amar é amor é paixão. Nada é a noção, nada somos então.
A visita de Hypnos do Sono de Morfeu do R.E.M. da Solidão. Este sou eu nos holofotes perdendo minha religião. Hypnos Sono o que é religião Morfeu Solidão R.E.M. acho que eu falei demais. Começam os delírios desce-se nos rios. Todas as coisas se tornam sombras se tornam delírios desce-se nos rios. Se desce no rio se desse no rio se desse para pelo rio passar, atravessar uma vida inteira sem precisar descansar descansar sem pestanejar descansar uma vida inteira pelo rio passar se desse todas as coisas sombras todas as coisas sobram. Sobra-se coisas sobra-se sombras sobra-se tudo e não se vive se transborda uma vida inteira sobra-se sombras uma vida inteira se transborda uma vida inteira não se vive as memórias começam a se perder perde-se tudo perde-se sombras perde-se sobras e o mais é uma palavra que se perde nessa imensidão do mais que se perde perde-se tudo perde-se o mais nada mais que esse mais nessa imensidão de uma foto a viajar pela mente os olhos se fechando lentamente. Perde-se a gente.
Perde-se as horas. Os olhos se abrem, o despertador toca. Perde-se as sombras as sombras se perdem, perde-se a pouca realidade do nada-ser do nada-ser perde-se a realidade. O chão é a noção, no chão pisa-se os pés os pés pisam no chão. O sol a brilhar um futuro a começar, perde-se as memórias perde-se as sombras. Na minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam blá blá blá. As nádegas abandonam as nuvens de tecido, abandonam os nadas e ainda o paraíso. Perderam-se as horas e de volta estamos no mesmo mundo de antes. A câmera recupera o foco, o diretor afinal deve voltar ao seu posto. A vida deve voltar a ser dirigida, os olhos devem voltar à cegueira de ver tudo o que está a nossa frente. Perdem-se as sombras, perde-se a gente. E a gente volta a ser e a parecer gente, tudo volta a ter formato e voltamos a nos familiarizar com essa loucura de dar uma palavra e uma simetria a todas as coisas. Perdemos a razão para dizermo-nos racionais, o abrir dos olhos é um filme rodando para trás. Ande e prepare o café, está na hora de acordar rapaz.
9 de out. de 2012
"Pra sonhar"
Postado por
Ceres
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| Foto encontrada em http://michellenewellphotography.com/ |
Ninguém vai ser casar (muito menos eu), mas estou numa vibe muito gostosa desde que conheci a música "Pra sonhar", do Marcelo Jeneci. O clipe foi feito de forma colaborativa (adoro coisas feitas assim), e ficou a coisa mais apaixonante do mundo! Bora conferir?
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| Também encontradas em http://michellenewellphotography.com/ |
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| Encontradas em http://www.benjhaisch.com/blog/jadeandkaitlin/ Só para sonhar mesmo, né? |
20 de set. de 2012
morr(eu)
Postado por
Ceres
Essa noite sonhei com você. Que sorria fechando os olhos, como faz quando está extremamente feliz. Coisa que eu já não via mais. Quanto acordei estava convicta de que tudo está como deveria estar, apesar do modo como ocorreu.
Hoje ainda falamos em respeito, consideração... mas tudo depende de nosso ponto de vista, de nosso coração, de nossa dor (ou a falta dela). Você fala exatamente de liberdade, da falta de felicidade, e que não valia mais a pena. Fala que à um mês já não estava bom. Fala que simplesmente não quer mais tudo o que expectamos. Já eu falo de como as coisas iam andando, apesar de tudo. Falo que acomodamos. Falo do que confinamos esses anos, do que combinamos: que se um dia isso acontecesse, contaríamos um ao outro, sem mágoa. Mas esqueci de que você não faz promessas.
Nesse tempo, muitas vezes, pensei: "Seríamos ótimos amigos!", mas logo afastava a ideia, porque parecíamos felizes daquele jeito. E estávamos (com o sorriso, os olhos fechados e tudo). Mas talvez, se eu dissesse, você concordaria. Já chegaram a nos dizer, desde o início, que isso aconteceria; mas mesmo assim, tentamos.
Entendi, que na verdade, não estávamos amadurecendo... estávamos morrendo afinal. E você enxergou primeiro. Sabe, eu devia esperar que fosse da forma que foi, pelo tanto que te conheço.
Nunca vi você tão seguro de algo. E espero que esteja mesmo. Porque assim sinto que todas as mudanças que nos cobramos, aprendemos, finalmente.
Continue correndo atrás do que você quer.
Eu também estou indo, só que para o outro lado.
E a solução, meu jovem, foi a solidão de nós.
31 de jul. de 2010
70 quilômetros
Postado por
Ceres
Seria egoísmo meu pensar que quando eu lá chegaria, tudo estaria do jeito que eu deixei. Egoísmo e hipocrisia. Para falar a verdade, não havia mudado muita coisa. Era o mesmo sofá azul-marinho no meio da sala de chão de madeira; o móvel - solitário apesar do sofá - sem TV em cima, triste. As janelas, tão grandes quanto eu conseguia me lembrar, a mesa... tudo. Tudo aquilo me trazia naquele momento (e agora, por lembrar) uma nostalgia imensa. Tão grande quanto a minha rua de um quarteirão que um dia eu quis ladrilhar. Por mais que, a vida inteira eu ali morasse, naquele dia no qual eu lá cheguei, eu sentia, mais do que nunca, que tudo aquilo que eu amo não pertence mais a mim. E que dor isso me dá! Que dor!
Dói saber que quem eu deixei ali pertence a mim em partes, que venho perdendo todos, aos poucos. Venho perdendo um pouco de mim mesma no namorado da amiga que um dia não quis amar, na solidão da outra que se recusa a fazer o que sempre fez, nos lábios de quem eu acredito que sempre amei... Como dói voltar e não sentir que ali você mora, que em algum lugar, a exatamente 70 quilômetros de distância está uma vida, SUA VIDA!
Seria egoísmo meu pensar que quando eu lá chegaria, tudo estaria do jeito que eu deixei. Egoísmo e hipocrisia. Para falar a verdade, não havia mudado muita coisa. Eram os mesmo sofás amarelos, distribuídos de forma diferente pela sala, o móvel, feliz, acompanhado, com uma TV em cima, os livros, o computador. Aquilo não doía, não me dava nostalgia, me dava até, conforto. Eu morava ali, numa rua de não sei quantos quarteirões, que um dia eu vou querer ladrinhar. Tudo aquilo pertencia a mim. Inteiramente, com todas as partes, frações e vontades possíveis. Só é novo. Ainda. As janelas, menores, me mostravam nada mais, nada menos, que uma vida. A MINHA vida. Daqui setenta quilômetros rua abaixo direita, esquerda, e tudo mais, estão minhas lembranças. Meu passado. Essas Sete Lagoas não são um motivo para que eu esqueça disso. Por mais que doa.
Dói saber que quem eu deixei ali pertence a mim em partes, que venho perdendo todos, aos poucos. Venho perdendo um pouco de mim mesma no namorado da amiga que um dia não quis amar, na solidão da outra que se recusa a fazer o que sempre fez, nos lábios de quem eu acredito que sempre amei... Como dói voltar e não sentir que ali você mora, que em algum lugar, a exatamente 70 quilômetros de distância está uma vida, SUA VIDA!
Seria egoísmo meu pensar que quando eu lá chegaria, tudo estaria do jeito que eu deixei. Egoísmo e hipocrisia. Para falar a verdade, não havia mudado muita coisa. Eram os mesmo sofás amarelos, distribuídos de forma diferente pela sala, o móvel, feliz, acompanhado, com uma TV em cima, os livros, o computador. Aquilo não doía, não me dava nostalgia, me dava até, conforto. Eu morava ali, numa rua de não sei quantos quarteirões, que um dia eu vou querer ladrinhar. Tudo aquilo pertencia a mim. Inteiramente, com todas as partes, frações e vontades possíveis. Só é novo. Ainda. As janelas, menores, me mostravam nada mais, nada menos, que uma vida. A MINHA vida. Daqui setenta quilômetros rua abaixo direita, esquerda, e tudo mais, estão minhas lembranças. Meu passado. Essas Sete Lagoas não são um motivo para que eu esqueça disso. Por mais que doa.
14 de jun. de 2010
Sobre Ladrilhos e Ônibus
Postado por
Ceres
Amanhã de manhã eu quero acordar às 6 da manhã, me olhar no meu espelho grande do banheiro, vestir meu uniforme azul-marinho, colocar minha mochila laranja nas costas, e sair porta afora.; exatamente às 6:30.
Quando abrir o portão, a primeira coisa que eu quero ver é meu poste ainda acesco, no meu passeio, fazendo par com a minha castanheira pouco frondosa pelo outono. Meu passeio. Quantas vezes eu não me sentei ali. Quantas vezes não tomei chuva, não chorei, não amei... ali.
Descer a rua calçada com pedras grandes, devagar, por mais que estivesse atrasada; curtindo cada centrímetro da rua que um dia eu quis ladrilhar.
Quero, passar no portão da sua casa, e pensar: "Mais tarde eu passo aqui.". Atravessar a passarela do metrô, observando as grades amarelas, deixando que as lembranças tomem conta de mim.
Cerrar os olhos pra conseguir ver as horas na torre do relógio, jogar os cabelos para trás.
Esperar, subir e curtir o ônibus. É, o ônibus. Olhar, da janela suja, a vida alheia, que se repetia, dia após dia, certeira. E eu amo ver aquilo. O cara da moto, o semáforo, o cobrador, o motorista. A televisão ligada na Globo dentro da lanchonete.
Descer do ônibus, respirar a poluição do centro da cidade, passar na frente da igreja; ver um aglomerado de pessoas com a mesma roupa que eu.
Beijar, abraçar, "Bom Dia!".
Como eu quero chorar. Chorar, só por lembrar. Lembrar de quem estaria ali. Quem eu quero ver, quem eu quero sentir. Que raiva que me dá de saber onde eu quero estar, e não poder!
Me sinto idiota. Nove e meia da noite sete-lagoana. Amanhã de manhã, farei tudo o que não quero fazer.
Só hoje, por favor, me deixa voltar pra lá?
E que diabos é você que me impede de estar?
Quero você, calçada. Quero você, poste. Quero você, castanheira. Quero você, espelho; e tudo o que viria em vossa consequência.
Pelo menos, agora. Só hoje.
Só pra parar de doer.
Quando abrir o portão, a primeira coisa que eu quero ver é meu poste ainda acesco, no meu passeio, fazendo par com a minha castanheira pouco frondosa pelo outono. Meu passeio. Quantas vezes eu não me sentei ali. Quantas vezes não tomei chuva, não chorei, não amei... ali.
Descer a rua calçada com pedras grandes, devagar, por mais que estivesse atrasada; curtindo cada centrímetro da rua que um dia eu quis ladrilhar.
Quero, passar no portão da sua casa, e pensar: "Mais tarde eu passo aqui.". Atravessar a passarela do metrô, observando as grades amarelas, deixando que as lembranças tomem conta de mim.
Cerrar os olhos pra conseguir ver as horas na torre do relógio, jogar os cabelos para trás.
Esperar, subir e curtir o ônibus. É, o ônibus. Olhar, da janela suja, a vida alheia, que se repetia, dia após dia, certeira. E eu amo ver aquilo. O cara da moto, o semáforo, o cobrador, o motorista. A televisão ligada na Globo dentro da lanchonete.
Descer do ônibus, respirar a poluição do centro da cidade, passar na frente da igreja; ver um aglomerado de pessoas com a mesma roupa que eu.
Beijar, abraçar, "Bom Dia!".
Como eu quero chorar. Chorar, só por lembrar. Lembrar de quem estaria ali. Quem eu quero ver, quem eu quero sentir. Que raiva que me dá de saber onde eu quero estar, e não poder!
Me sinto idiota. Nove e meia da noite sete-lagoana. Amanhã de manhã, farei tudo o que não quero fazer.
Só hoje, por favor, me deixa voltar pra lá?
E que diabos é você que me impede de estar?
Quero você, calçada. Quero você, poste. Quero você, castanheira. Quero você, espelho; e tudo o que viria em vossa consequência.
Pelo menos, agora. Só hoje.
Só pra parar de doer.
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13 de jun. de 2010
Remember, November
Postado por
Ceres
Estávamos sentados na varanda. O clima não era muito bom, nada nem perto do sentimento que geralmente tinhamos:
- Roberto, nós estamos brigando muito.
- Você que implica muito comigo, Ceres.
- Roberto, você me proibe de ver o Sérgio, implica com tudo o que eu faço, eu sou eu quem implica com você? Me poupe! Alguma vez eu te proibi de fazer alguma coisa? - minha voz se alterou, e ele permaneceu calado; seu semblante pesado.- Sabe, Beto -respirei-, eu acho melhor se nós dessemos um tempo... talvez seja melhor pra gente pensar, não? Faltam menos de um mês pra mim me mudar pra cá, o que você acha? -eu disse, como se fosse um pedido pra uma viagem.
- Ceres, não gosto de meio-termo. Não gosto.-sua voz era ríspida.- Ou a gente continua assim, ou termina.
- Roberto, por favor... eu gosto tanto de você! Vamos fazer isso? -eu já implorava.
- Ceres... -a voz dele me assustava.
- Então, tá -eu disse, perdendo o tom-, vamos terminar.
Ele tirou a minha pulseira que ele levava no pulso, colocou no chão, perto de onde eu estava sentada, de frente pra ele.
- É, falou, zé... vamos terminar.
Ele levantou, e saiu pelo portão afora.
"Zé? Falou, zé?" Aquilo não enfiava na minha cabeça de forma alguma.
Uma lágrima, solitária, devagar, rolou pelo meu rosto, exatamente no lado direito. Nossa, que simples. Nós havíamos terminado. Não me permiti chorar, nem gritar, como era o que eu queria. Ele não merecia que eu sofresse. Como assim, eu que implicava? Era ele que tinha mansagens de meninas no celular, do tipo "Me busca na porta da escola, amor?" ! E era eu que implicava? Eu não podia ter amigos, eu não podia ver o Sérgio, eu não podia contar piada... e por quê? Só porque eu morava em outra cidade? Por que ele não confiava em mim? Eu confiava nele!
Era um mês de novembro. O tempo estava fechado. Não chovia, fazia calor.
Ele saiu pelo meu portão nitidamente irritado comigo; e eu não queria fazer nada.
Os três meses que se passaram foram comigo o amando. Ou, pelo menos, mentindo pra mim mesma. Passávamos os sábados e domingos no sofá da sala, tomando sorvete, se abraçando.
Aquela foi a unica vez que eu chamei algum garoto de "namorado". Aquelas foram as minhas unicas lembranças. E essa, de ele saindo pelo portão, foi a última.
Ontem foi dia dos namorados. Se ainda estivéssemos namorando, estaríamos fazendo quase um ano.
E eu o vi. Na rua, naquele frio descarado, eu estava de mãos dadas com outra pessoa. A pessoa em quem quero apostar "minhas fichinhas". Para um recomeço, uma tentativa, sempre cái bem. Eu não me incomodo com o Roberto, agora. Para um recomeço, uma (ou algumas) lembranças, sempre caem bem. Eu não me incomodo com essa situação, agora.
Rolei na cama a noite inteira. Quando dormi, sonhei com o dono das minhas fichinhas.
Enquanto eu o esperava, o frio da minha barriga combinava com a noite e com a situação inteira.
Depois, tudo combinava.
Essa é uma das situações em que eu preciso de instabilidade. Agora é uma boa hora pra não saber o que vai acontecer, só pro frio da minha barriga combinar com todo o resto.
Em novembro, essas coisas já vão ser lembranças. E o que aconteceu novembro do ano passado, também.
Em novembro já não vai ser mais recomeço. Essa é a unica certeza que eu tenho.
Te espero, novembro, te espero.
Vejo que não demora.
Vem resto da minha vida. Vem pro resto ser lembrança. Vem pro resto não ser mais recomeço. Vem.
- Roberto, nós estamos brigando muito.
- Você que implica muito comigo, Ceres.
- Roberto, você me proibe de ver o Sérgio, implica com tudo o que eu faço, eu sou eu quem implica com você? Me poupe! Alguma vez eu te proibi de fazer alguma coisa? - minha voz se alterou, e ele permaneceu calado; seu semblante pesado.- Sabe, Beto -respirei-, eu acho melhor se nós dessemos um tempo... talvez seja melhor pra gente pensar, não? Faltam menos de um mês pra mim me mudar pra cá, o que você acha? -eu disse, como se fosse um pedido pra uma viagem.
- Ceres, não gosto de meio-termo. Não gosto.-sua voz era ríspida.- Ou a gente continua assim, ou termina.
- Roberto, por favor... eu gosto tanto de você! Vamos fazer isso? -eu já implorava.
- Ceres... -a voz dele me assustava.
- Então, tá -eu disse, perdendo o tom-, vamos terminar.
Ele tirou a minha pulseira que ele levava no pulso, colocou no chão, perto de onde eu estava sentada, de frente pra ele.
- É, falou, zé... vamos terminar.
Ele levantou, e saiu pelo portão afora.
"Zé? Falou, zé?" Aquilo não enfiava na minha cabeça de forma alguma.
Uma lágrima, solitária, devagar, rolou pelo meu rosto, exatamente no lado direito. Nossa, que simples. Nós havíamos terminado. Não me permiti chorar, nem gritar, como era o que eu queria. Ele não merecia que eu sofresse. Como assim, eu que implicava? Era ele que tinha mansagens de meninas no celular, do tipo "Me busca na porta da escola, amor?" ! E era eu que implicava? Eu não podia ter amigos, eu não podia ver o Sérgio, eu não podia contar piada... e por quê? Só porque eu morava em outra cidade? Por que ele não confiava em mim? Eu confiava nele!
Era um mês de novembro. O tempo estava fechado. Não chovia, fazia calor.
Ele saiu pelo meu portão nitidamente irritado comigo; e eu não queria fazer nada.
Os três meses que se passaram foram comigo o amando. Ou, pelo menos, mentindo pra mim mesma. Passávamos os sábados e domingos no sofá da sala, tomando sorvete, se abraçando.
Aquela foi a unica vez que eu chamei algum garoto de "namorado". Aquelas foram as minhas unicas lembranças. E essa, de ele saindo pelo portão, foi a última.
Ontem foi dia dos namorados. Se ainda estivéssemos namorando, estaríamos fazendo quase um ano.
E eu o vi. Na rua, naquele frio descarado, eu estava de mãos dadas com outra pessoa. A pessoa em quem quero apostar "minhas fichinhas". Para um recomeço, uma tentativa, sempre cái bem. Eu não me incomodo com o Roberto, agora. Para um recomeço, uma (ou algumas) lembranças, sempre caem bem. Eu não me incomodo com essa situação, agora.
Rolei na cama a noite inteira. Quando dormi, sonhei com o dono das minhas fichinhas.
Enquanto eu o esperava, o frio da minha barriga combinava com a noite e com a situação inteira.
Depois, tudo combinava.
Essa é uma das situações em que eu preciso de instabilidade. Agora é uma boa hora pra não saber o que vai acontecer, só pro frio da minha barriga combinar com todo o resto.
Em novembro, essas coisas já vão ser lembranças. E o que aconteceu novembro do ano passado, também.
Em novembro já não vai ser mais recomeço. Essa é a unica certeza que eu tenho.
Te espero, novembro, te espero.
Vejo que não demora.
Vem resto da minha vida. Vem pro resto ser lembrança. Vem pro resto não ser mais recomeço. Vem.
28 de mai. de 2010
Cabeludo Imaginário
Postado por
Ceres
Em falar em instabilidade... eu já disse que nunca quero me casar? E também que em hipótese alguma eu não terei filhos? Nem MEIO filho?
Pois é... isso foi até outro dia. Hoje mesmo, enquanto eu estava com a bunda suada na cadeira do salão, com o secador quente na cabeça; a Flávia (a queimadora de couro cabeludo) falava toda orgulhosa da filhinha dela, que nem dois meses tem, a Melissa. E eu: "Nossa, não tenho filho antes dos trinta nem a pau." - esse povo tá pegando o boi, porque eu falava que não ia ter era nunca!
E ela: "Que isso, Celes (é, Celes). Eu também falava isso. Agora, olha eu e a Melissa."
"É, Flávia. Filho é bom, mas dura muito." (li isso no livro do Mário Prata hoje de manhã).
Enfim, o que eu quero dizer com tudo isso é que em relação à relacionamentos duradouros, vestidos, noivo, buffet (huum), e tudo mais, eu tenho pensado (muito) diferente.
Eu ainda não consigo me imaginar barriguda, com um neném com cara de joelho no colo, achando a coisa mais linda do mundo. Mas já consigo imaginar como seria meu vestido de noiva. Vai combinar muito bem com a tatuagem que eu pretendo fazer depois dos 18 e os meus (futuros) piercings. E acredita que eu também consigo idealizar um noivo?
Tá, de qualquer maneira, casar é uma coisa muito definitiva. Vou deixar pra mudar de ideia sobre isso depois, nada de ficar enxendo (mais) a cabeça com isso agora.
Quem sabe até, ter um namorado a longo (looooongo) prazo, tipo uns 7, 8, 9 anos de namoro, cabeludo, roqueiro, tatuado e que tenha uma voz bonita. Nós podíamos morar num apertamento (lê-se apartamento) no centro, todo bonitinho, e teremos um cachorro também. Teremos brigas diárias, só pra depois ficar falando "Desculpa, a culpa foi minha!" se abraçar e se amar no sofá da sala. Com o cachorro olhando, e morrendo de carência. (Tá, essa foi ridícula).
Depois, se meus pais reclamarem por ausência de compromisso e presença de vagabundagem da nossa parte, poderíamos nos "casar": Cachorro em pé na sala, só pra ter testemunha, que por conicidência é a mesma sala que sempre faríamos as "pazes". Mas né, ninguém precisa saber disso. Eu de moletom e camisa de banda, ele de cueca samba canção. Sem padre. Nós engalobamos um texto pra ficar menos informal. Beijinho, beijinho. Pronto, estamos casados. Tomamos café. Pronto de novo, minha felicidade está completa.
Nossa, que emoção imaginar isso. Tá bom que na sala também poderia estar pai, mãe, sogro, sogra, amigos, agregados e tudo mais, mas como eu disse, é apertamento, não vai caber. E além do mais, só o cachorro ia ficar muito bom, eu acho. Ou não, sei lá. Só sei que eu e meu cabeludo imaginário não nos casaríamos formalmente.
Ainda, meu cabeludo, não consigo imaginar nossos filhos. Mesmo porque, você ainda não tem um rosto definido. Mas mesmo assim, onde você estiver agora, com quem estiver e todas essas coisas, espero que nossos sonhos sejam compatíveis. Ou se não forem, espero também, que depois de uma discussão (e uma conclusão) tenha uma sala (e um cachorro) disponível. Também espero, com todas as minhas forças que você exista mesmo.
Talvez eu até queira me casar. E quem sabe, me encher de filhos. É, mudei de ideia.
16 de mai. de 2010
Ceres Sete-Lagoana
Postado por
Ceres
-Oi, quero te conhecer. - diz o cara, e pega na minha mão – Qual é o seu nome, morena?
- Ceres. (sim, eu sei que ele não entendeu.)
Ele chega perto, e me dá um beijo na bochecha. Sinceramente, eu não ia perguntar o nome dele, porque eu não fazia questão. E ele, se estivesse tão preocupado em saber meu nome, ele tinha perguntado de novo; porque não, ninguém NUNCA entende de primeira. Por isso que agora até eu mesma me denomino “morena”.
E então, ele me dá outro beijo na bochecha. E na outra. E na outra de novo.
Até que eu virei de costas e saí andando.
Puta merda, mas que saco.
Aquele era o nº 18, eu acho. O décimo oitavo garoto que mexia comigo na mesma festa, o décimo oitavo que eu não me interessara.
- Ceres, aquele ali, de camisa azul, ele quer fazer parceria.
Parceria ? Que diabos eu estou fazendo aqui, pelo amor de Deus!
E eu ia, andava, levantava um pouquinho a perna, por causa do salto, ria um pouquinho, e até me deu vontade de dançar. Forró, sertanejo.
Afinal de contas, eu precisava me enturmar.
- Não, Ingrid, não, sem essa de parceria, que isso.
Ingrid sái, e vai falar com o dito cujo, que deve ter sido o décimo, por aí.
- Ceres, ele te chamou de playboyzinha, que ele nem sabe o que você está fazendo aqui, maior metida. Feia pra caralho.
Pois é, Ceres. Playboyzinha. Playboyzinha.
Essa é nova. E eu sou tão feia que ele queria me beijar. Bom. Isso quer dizer que os garotos daqui (34, pra ser mais exata), preferem as morenas, metidas, feias e playboyzinhas.
- Que foi, Roberto?
- Cé, lembra aquela calça apertada que eu tinha?
- Lembro, Roberto.
- Então, eu vou na festa hoje com uma mais apertada que aquela. Você vai?
- Ah, não sei, se o Léo for...
- Tá bom, chama ele então pra vocês irem.
- Beleza, Roberto.
Bom, eu fui à festa por conta do Roberto. Por conta no sentido de ele ter me chamado. Ele me vigiou a festa inteira, pelo o que eu sei não ficou com nenhuma garota. Vai ver que é porque toda vez que ele ia conversar com uma, ele tinha que ficar vigiando pra ver se eu estava olhando, e morrendo de ciúmes. Coisa que eu não fiz.
Número 30, 31, 32...
- Não.
- Neeem, fala pro seu amigo que eu to muito ocupada coçando meu pé agora.
- Eu sou seu sonho, é? Então vá dormir!
Por que, cara, por quê?
Por que nenhum daqueles 34 garotos eram o que eu quero?
Por que toda vez eu tinha que contar até 10 e falar “Samuel, Samuel!” em voz alta ?
Por que eu me obrigo a ser tão idiota?
Por que que ser sete-lagoana é tão, mas tão difícil?
Só porque eu sempre fui apaixonada pelo Sérgio?
Só porque eu estou ficando com o Samuel?
Só porque agora eu moro em Sete Lagoas?
É tão difícil entender que isso tudo não é culpa minha?
Então porque que a pior parte fica pra mim?
De que adiantava 34 se eu só quero um?
Não, eu ainda não consegui trocar de pizza preferida.
Sou uma garota sete-lagoana e frustrada.
Sou uma morena dos sonhos do nº 26.
Sou uma apreciadora de pizzas belo-horizontinas.
Sou uma idiota.
É difícil esconder desespero, desculpa.
- Ceres. (sim, eu sei que ele não entendeu.)
Ele chega perto, e me dá um beijo na bochecha. Sinceramente, eu não ia perguntar o nome dele, porque eu não fazia questão. E ele, se estivesse tão preocupado em saber meu nome, ele tinha perguntado de novo; porque não, ninguém NUNCA entende de primeira. Por isso que agora até eu mesma me denomino “morena”.
E então, ele me dá outro beijo na bochecha. E na outra. E na outra de novo.
Até que eu virei de costas e saí andando.
Puta merda, mas que saco.
Aquele era o nº 18, eu acho. O décimo oitavo garoto que mexia comigo na mesma festa, o décimo oitavo que eu não me interessara.
- Ceres, aquele ali, de camisa azul, ele quer fazer parceria.
Parceria ? Que diabos eu estou fazendo aqui, pelo amor de Deus!
E eu ia, andava, levantava um pouquinho a perna, por causa do salto, ria um pouquinho, e até me deu vontade de dançar. Forró, sertanejo.
Afinal de contas, eu precisava me enturmar.
- Não, Ingrid, não, sem essa de parceria, que isso.
Ingrid sái, e vai falar com o dito cujo, que deve ter sido o décimo, por aí.
- Ceres, ele te chamou de playboyzinha, que ele nem sabe o que você está fazendo aqui, maior metida. Feia pra caralho.
Pois é, Ceres. Playboyzinha. Playboyzinha.
Essa é nova. E eu sou tão feia que ele queria me beijar. Bom. Isso quer dizer que os garotos daqui (34, pra ser mais exata), preferem as morenas, metidas, feias e playboyzinhas.
- Que foi, Roberto?
- Cé, lembra aquela calça apertada que eu tinha?
- Lembro, Roberto.
- Então, eu vou na festa hoje com uma mais apertada que aquela. Você vai?
- Ah, não sei, se o Léo for...
- Tá bom, chama ele então pra vocês irem.
- Beleza, Roberto.
Bom, eu fui à festa por conta do Roberto. Por conta no sentido de ele ter me chamado. Ele me vigiou a festa inteira, pelo o que eu sei não ficou com nenhuma garota. Vai ver que é porque toda vez que ele ia conversar com uma, ele tinha que ficar vigiando pra ver se eu estava olhando, e morrendo de ciúmes. Coisa que eu não fiz.
Número 30, 31, 32...
- Não.
- Neeem, fala pro seu amigo que eu to muito ocupada coçando meu pé agora.
- Eu sou seu sonho, é? Então vá dormir!
Por que, cara, por quê?
Por que nenhum daqueles 34 garotos eram o que eu quero?
Por que toda vez eu tinha que contar até 10 e falar “Samuel, Samuel!” em voz alta ?
Por que eu me obrigo a ser tão idiota?
Por que que ser sete-lagoana é tão, mas tão difícil?
Só porque eu sempre fui apaixonada pelo Sérgio?
Só porque eu estou ficando com o Samuel?
Só porque agora eu moro em Sete Lagoas?
É tão difícil entender que isso tudo não é culpa minha?
Então porque que a pior parte fica pra mim?
De que adiantava 34 se eu só quero um?
Não, eu ainda não consegui trocar de pizza preferida.
Sou uma garota sete-lagoana e frustrada.
Sou uma morena dos sonhos do nº 26.
Sou uma apreciadora de pizzas belo-horizontinas.
Sou uma idiota.
É difícil esconder desespero, desculpa.
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12 de mai. de 2010
Analogia da Pizza
Postado por
Ceres
Pensar em tanta coisa ao mesmo tempo é normal?
Se for normal, por favor, me perdoe por estar enlouquecendo.
Preciso lembrar que acho que estou começando a querer me esforçar para fazer alguma coisa.
Primeiro porque não fazer exatamente nada interfere na produção de colágeno, e não, não quero que a gravidade não fique ao meu favor, mesmo porque, eu só tenho 15 anos.
Segundo, é que eu acho de suma importância que eu – pelo menos, eu - seja feliz.
É. Feliz. E, por mais que eu já tenha passado (gastado, jogado, ou qualquer outro verbo desse gênero) dois anos da minha vida me “doando” por uma mesma e nada justa causa, acho que agora é hora de dar um basta nisso.
Não, eu não disse que seria fácil, muito menos rápido.
Isso tudo consiste numa técnica, ou, se preferir, em pura sorte. E toda sorte só existe de braços dados com o esforço. É como se fossem um casal: um não existe sem o outro.
Contudo, podemos concluir triunfalmente que sim, eu (e todos que quiserem um conselho, mesmo que seja meu) precisamos de um esforço. Queremos sorte, certo?
Então, teremos que nos esforçar. Eu tenho que me esforçar. E é exatamente isso que eu vou fazer.
Posso começar me apaixonando perdidamente pelo Samuel. Esse pode ser meu segundo objetivo, porque o primeiro, claro é não olhar tantas fotos do Sérgio.
Aliás, eu observei uma coisa em comum com garotos belo-horizontinos envolvidos de forma amorosa comigo. E todos praticamente têm a mesma história que, se entrelaçam. Isso é outra coisa que vem me levando vagarosamente pelo precipício da loucura.
Enfim, essa tal coisa que eu observei foi a seguinte: eu Ceres, me apaixono. Eles, garotos ajudam e praticamente me obrigam a fazer isso (não vou citar nomes, mesmo porque, não precisa). Preciso frisar que é impressionante o poder deles de fazer isso comigo. Ou gostam de Coldplay, ou têm pernas, queixos, cabelos e palavras espetaculares. E claro, com muito sensacionalismo e exagero.
Depois de um certo tempo; que pode ser denominado dia ou, no máximo, semana, eles simplesmente somem. Me deixam, ao léu, sozinha, triste, abandonada e chorosa.
E assim eles faziam: alternando. Primeiro um, e quando o outro reparava que eu estava prestes a contar pra minha mãe que eu estava apaixonada, ele combinava com o segundo. Aí o primeiro sumia, eu chorava, o segundo aparecia, e assim ia. Sim, eu me apaixonava fácil, e muito rápido.
Esse é o “apaixonar entre aspas”, fogo de palha, coisa de gente boba, que,aliás, é um delícia.
Tipo, primeiro eu só gostava de mussarela e calabresa, ai depois que eu comecei a apreciar à moda, à portuguesa e às vezes catupiry, essa coisa de dor de coração diminuiu.
Agora que eu estou retratando o meu sofrer super esforçado, cheguei à conclusão de que talvez esses mineiros maldosos tenham um complô contra mim, mas eu nem ligo.
Depois que eu vim pra cá, comecei a me interessar por outros sabores, sabe? E às vezes mussarela e calabresa ainda vêm com a frase: “Ceres, desculpa, eu fui um burro, joguei muito tempo fora em relação à você.” Aí eu digo: ”Pois é, (nome do sabor correspondente), eu, agora, não posso fazer muita coisa. Se você fosse menos burro, agora nós podíamos estar fazendo 1 (ou dois) anos de namoro.”
(Lembrando que a duração do namoro hipotético corresponde ao sabor).
Sabe o que eu faço depois? Invento um outro sabor pra gostar. Por mais que seja difícil trocar de sabor preferido, assim, na hora que quer, é até bem divertido.
Já disse que eu adoro analogias? E pizza também, claro.
Se for normal, por favor, me perdoe por estar enlouquecendo.
Preciso lembrar que acho que estou começando a querer me esforçar para fazer alguma coisa.
Primeiro porque não fazer exatamente nada interfere na produção de colágeno, e não, não quero que a gravidade não fique ao meu favor, mesmo porque, eu só tenho 15 anos.
Segundo, é que eu acho de suma importância que eu – pelo menos, eu - seja feliz.
É. Feliz. E, por mais que eu já tenha passado (gastado, jogado, ou qualquer outro verbo desse gênero) dois anos da minha vida me “doando” por uma mesma e nada justa causa, acho que agora é hora de dar um basta nisso.
Não, eu não disse que seria fácil, muito menos rápido.
Isso tudo consiste numa técnica, ou, se preferir, em pura sorte. E toda sorte só existe de braços dados com o esforço. É como se fossem um casal: um não existe sem o outro.
Contudo, podemos concluir triunfalmente que sim, eu (e todos que quiserem um conselho, mesmo que seja meu) precisamos de um esforço. Queremos sorte, certo?
Então, teremos que nos esforçar. Eu tenho que me esforçar. E é exatamente isso que eu vou fazer.
Posso começar me apaixonando perdidamente pelo Samuel. Esse pode ser meu segundo objetivo, porque o primeiro, claro é não olhar tantas fotos do Sérgio.
Aliás, eu observei uma coisa em comum com garotos belo-horizontinos envolvidos de forma amorosa comigo. E todos praticamente têm a mesma história que, se entrelaçam. Isso é outra coisa que vem me levando vagarosamente pelo precipício da loucura.
Enfim, essa tal coisa que eu observei foi a seguinte: eu Ceres, me apaixono. Eles, garotos ajudam e praticamente me obrigam a fazer isso (não vou citar nomes, mesmo porque, não precisa). Preciso frisar que é impressionante o poder deles de fazer isso comigo. Ou gostam de Coldplay, ou têm pernas, queixos, cabelos e palavras espetaculares. E claro, com muito sensacionalismo e exagero.
Depois de um certo tempo; que pode ser denominado dia ou, no máximo, semana, eles simplesmente somem. Me deixam, ao léu, sozinha, triste, abandonada e chorosa.
E assim eles faziam: alternando. Primeiro um, e quando o outro reparava que eu estava prestes a contar pra minha mãe que eu estava apaixonada, ele combinava com o segundo. Aí o primeiro sumia, eu chorava, o segundo aparecia, e assim ia. Sim, eu me apaixonava fácil, e muito rápido.
Esse é o “apaixonar entre aspas”, fogo de palha, coisa de gente boba, que,aliás, é um delícia.
Tipo, primeiro eu só gostava de mussarela e calabresa, ai depois que eu comecei a apreciar à moda, à portuguesa e às vezes catupiry, essa coisa de dor de coração diminuiu.
Agora que eu estou retratando o meu sofrer super esforçado, cheguei à conclusão de que talvez esses mineiros maldosos tenham um complô contra mim, mas eu nem ligo.
Depois que eu vim pra cá, comecei a me interessar por outros sabores, sabe? E às vezes mussarela e calabresa ainda vêm com a frase: “Ceres, desculpa, eu fui um burro, joguei muito tempo fora em relação à você.” Aí eu digo: ”Pois é, (nome do sabor correspondente), eu, agora, não posso fazer muita coisa. Se você fosse menos burro, agora nós podíamos estar fazendo 1 (ou dois) anos de namoro.”
(Lembrando que a duração do namoro hipotético corresponde ao sabor).
Sabe o que eu faço depois? Invento um outro sabor pra gostar. Por mais que seja difícil trocar de sabor preferido, assim, na hora que quer, é até bem divertido.
Já disse que eu adoro analogias? E pizza também, claro.
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6 de mai. de 2010
Verbos causadores de esforço, não.
Postado por
Ceres
Tirando a parte que eu tenho me sentido uma gorda sedentária ultimamente, as coisas estão indo bem.
Minha calça jeans preferida tá larga na bunda, e minha mãe disse que, se eu continuar atoa do jeito que eu estou, e emagrecendo desse jeito, vou ficar pelancuda antes dos quarenta, e isso sim é uma coisa terrível. Então cheguei à conclusão de que preciso de arranjar alguma coisa pra fazer.
Porra, que dor de cabeça é essa que eu estou sentindo agora, que isso.
Sei lá, pode ser arranjar um remédio pra tomar por causa dessa dor de cabeça, andar de bike, dar volta na lagoa de tarde, e hoje mais cedo, enquanto eu pensava nisso, eu só consegui levantar do sofá pra ir fazer compras com a minha mãe.
Quando eu cheguei em casa, eu descobri que a forma mais fácil de conseguir felicidade que eu tenho ao meu alcance é um saco de 66g de Fandagos. E quer saber? Essa felicidade que o Fandagos pode me proporcionar é totalmente instantânea, e depois do ultimo salgadinho vou ter vontade de chorar, de tanta dor na consciência.
É, eu estou assim. Como, tomo, digero e depois me dá vontade de morrer, porque eu vou ficar uma gorda. Sim, eu estou ficando doente, doida, sei lá.
Eu tenho que admitir que outras coisas me proporcionariam uma certa felicidade mais duradoura; isso claro, depois de muito esforço. E esforço está fora de cogitação agora.
Aliás, o esforço vai depender do resultado.
Tipo assim, depois de ter sonhado dois dias seguidos com o Sérgio, eu estou convicta (mais um pouco, se é que isso é possível) que se eu estivesse em BH numa hora dessas eu fugiria pra vê-lo.
O verbo FUGIR, diga-se de passagem, exige esforço. E claro,tudo isso é só uma suposição. (ironia)
E, agora, eu não consigo pensar em outro esforço que eu seria capaz de exercer. Não, estudar não conta.
Então o que eu vou (posso e quero) fazer é: levantar da cadeira, abrir o armário, pegar o meu saquinho de 66g de Fandangos (sorte minha que não é o tamanho família), comer, comer, comer, chorar, chorar, e chorar; ir pro banheiro, chegar na frente do espelho, levantar a blusa, pressionar a região abdominal com o indicador e o polegar, fazer uma cara de nojo. Depois abaixar a blusa, olhar a minha espinha que está deformando o meu rosto, passar pomada de própolis nela (de novo, pra ver se ela some), soltar o cabelo, prender o cabelo, trançar o cabelo, e acabar deixando ele solto, parar de novo, rir bastante pro espelho, extravasar a minha felicidade (não) odontológica, apagar a luz, talvez estudar pra prova de geografia, deitar, dormir, dormir, e acordar e fazer tudo de novo. A única de diferença é que amanhã de manhã talvez não tenha Fandangos, e eu vou usar maquiagem.
O que eu quis dizer que eu estou presa à minha rotina sem esforço.
E não vem me lembrar da existência do Samuel não, porque eu não esqueci dele, nem dos beijos com certa frenquência, durante cinco horas por dia, cinco dias por semana, aleatoriamente, sem compromisso, sem sonhos e, principalmente, sem futuro. Eu podia até fazer um tag "Samuel", mas não, desocupar meu coração pra ocupar de novo é uma oração com dois verbos que me causariam muito, mas muito esforço. Sem falar que eu não quero, não quero mesmo. E enciumar, por mais que não necessite de tanto esforço assim, ainda mais nessas condições nas quais nos encontramos, não é uma coisa que eu queira fazer, não mesmo. E que isso fique bem claro.
E quer saber? Gostar tanto de você assim já faz parte de mim, nem me causa esforço. Eu não gostando de você seria eu com algum problema psiquiátrico muito sério.
Minha calça jeans preferida tá larga na bunda, e minha mãe disse que, se eu continuar atoa do jeito que eu estou, e emagrecendo desse jeito, vou ficar pelancuda antes dos quarenta, e isso sim é uma coisa terrível. Então cheguei à conclusão de que preciso de arranjar alguma coisa pra fazer.
Porra, que dor de cabeça é essa que eu estou sentindo agora, que isso.
Sei lá, pode ser arranjar um remédio pra tomar por causa dessa dor de cabeça, andar de bike, dar volta na lagoa de tarde, e hoje mais cedo, enquanto eu pensava nisso, eu só consegui levantar do sofá pra ir fazer compras com a minha mãe.
Quando eu cheguei em casa, eu descobri que a forma mais fácil de conseguir felicidade que eu tenho ao meu alcance é um saco de 66g de Fandagos. E quer saber? Essa felicidade que o Fandagos pode me proporcionar é totalmente instantânea, e depois do ultimo salgadinho vou ter vontade de chorar, de tanta dor na consciência.
É, eu estou assim. Como, tomo, digero e depois me dá vontade de morrer, porque eu vou ficar uma gorda. Sim, eu estou ficando doente, doida, sei lá.
Eu tenho que admitir que outras coisas me proporcionariam uma certa felicidade mais duradoura; isso claro, depois de muito esforço. E esforço está fora de cogitação agora.
Aliás, o esforço vai depender do resultado.
Tipo assim, depois de ter sonhado dois dias seguidos com o Sérgio, eu estou convicta (mais um pouco, se é que isso é possível) que se eu estivesse em BH numa hora dessas eu fugiria pra vê-lo.
O verbo FUGIR, diga-se de passagem, exige esforço. E claro,tudo isso é só uma suposição. (ironia)
E, agora, eu não consigo pensar em outro esforço que eu seria capaz de exercer. Não, estudar não conta.
Então o que eu vou (posso e quero) fazer é: levantar da cadeira, abrir o armário, pegar o meu saquinho de 66g de Fandangos (sorte minha que não é o tamanho família), comer, comer, comer, chorar, chorar, e chorar; ir pro banheiro, chegar na frente do espelho, levantar a blusa, pressionar a região abdominal com o indicador e o polegar, fazer uma cara de nojo. Depois abaixar a blusa, olhar a minha espinha que está deformando o meu rosto, passar pomada de própolis nela (de novo, pra ver se ela some), soltar o cabelo, prender o cabelo, trançar o cabelo, e acabar deixando ele solto, parar de novo, rir bastante pro espelho, extravasar a minha felicidade (não) odontológica, apagar a luz, talvez estudar pra prova de geografia, deitar, dormir, dormir, e acordar e fazer tudo de novo. A única de diferença é que amanhã de manhã talvez não tenha Fandangos, e eu vou usar maquiagem.
O que eu quis dizer que eu estou presa à minha rotina sem esforço.
E não vem me lembrar da existência do Samuel não, porque eu não esqueci dele, nem dos beijos com certa frenquência, durante cinco horas por dia, cinco dias por semana, aleatoriamente, sem compromisso, sem sonhos e, principalmente, sem futuro. Eu podia até fazer um tag "Samuel", mas não, desocupar meu coração pra ocupar de novo é uma oração com dois verbos que me causariam muito, mas muito esforço. Sem falar que eu não quero, não quero mesmo. E enciumar, por mais que não necessite de tanto esforço assim, ainda mais nessas condições nas quais nos encontramos, não é uma coisa que eu queira fazer, não mesmo. E que isso fique bem claro.
E quer saber? Gostar tanto de você assim já faz parte de mim, nem me causa esforço. Eu não gostando de você seria eu com algum problema psiquiátrico muito sério.
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29 de abr. de 2010
Contra o Exercício de Pensar em Dúvidas
Postado por
Ceres
Dúvida.
Esse é tipo de coisa da qual eu não fico sem. Nem eu, nem ninguém.
Sabe o que é pior? Nós somos OBRIGADOS, todos os dias, a morar com ela, estudar com ela, beijar, abraçar, alisar, morder, apertar... e sim, isso é saco.
Vai que alguma dúvida tem bafo, deixa cabelo no sabonete quando toma banho e ainda por cima copia seu dever?
Eu em particular, todos os dias, fico louquinha atrás das minhas respostas; porque minhas dúvidas têm bafo, e todas essas coisas desconfortáveis.
Eu não sei se meus amigos de BH pensam em mim com frequência igual a que eu penso neles, se em um futuro distante eu vou ser mãe, me enxer de pirralhinhos, ou, até então, ser uma louca, toda tatuada e cheia de piercing.
Ou pior: se vou ter minha casa própria, se vou comprar roupas legais, qual profissão vou exercer, se vou ficar com quem eu amo.
Gente, e se meus amigos me acham esquisita, se meus pais não estão satisfeitos comigo, se o cara que eu gosto não gosta de mim?
Pensar nisso tudo me mata de desespero, que merda.
Então, agora, cheguei à uma conclusão, e vou combinar isso comigo mesma:
se eu tiver dúvidas (é só uma suposição, porque, como eu já disse, eu tenho, e de sobra) eu vou tentar acabar com elas. É, foder com elas, tirá-las o poder de existir e me enxer o raio do saco, mandar elas pra puta que pariu.
Se eu não conseguir vou simplesmente não pensar nelas.
De que adianta ficar horas pensando em uma coisa incerta, totalmente fora do seu alcance?
Garota, para de ficar pensando se os garotos do VDG vão se casar com você. Se isso tiver que acontecer, vai acontecer e ponto final.
Garoto, não fica enxendo a cabeça com filme pornô se masturbando no banheiro. Não fica preocupado se a gatinha da sua sala vai te olhar. Sobe a calça e vai jogar um charme em cima dela, escrever uma música pra uma serenata, sei lá!
Vamos ser felizes não pensando nas dúvidas que não podemos achar as respostas!
Vamos ir pra "Religião do Destino", e acreditar no nosso potencial de alcançar nossos objetivos!
Eu digo por experiência própria.
p.s.: não me dirigi à ninguém.
Pauta para Projeto How Deal
Esse é tipo de coisa da qual eu não fico sem. Nem eu, nem ninguém.
Sabe o que é pior? Nós somos OBRIGADOS, todos os dias, a morar com ela, estudar com ela, beijar, abraçar, alisar, morder, apertar... e sim, isso é saco.
Vai que alguma dúvida tem bafo, deixa cabelo no sabonete quando toma banho e ainda por cima copia seu dever?
Eu em particular, todos os dias, fico louquinha atrás das minhas respostas; porque minhas dúvidas têm bafo, e todas essas coisas desconfortáveis.
Eu não sei se meus amigos de BH pensam em mim com frequência igual a que eu penso neles, se em um futuro distante eu vou ser mãe, me enxer de pirralhinhos, ou, até então, ser uma louca, toda tatuada e cheia de piercing.
Ou pior: se vou ter minha casa própria, se vou comprar roupas legais, qual profissão vou exercer, se vou ficar com quem eu amo.
Gente, e se meus amigos me acham esquisita, se meus pais não estão satisfeitos comigo, se o cara que eu gosto não gosta de mim?
Pensar nisso tudo me mata de desespero, que merda.
Então, agora, cheguei à uma conclusão, e vou combinar isso comigo mesma:
se eu tiver dúvidas (é só uma suposição, porque, como eu já disse, eu tenho, e de sobra) eu vou tentar acabar com elas. É, foder com elas, tirá-las o poder de existir e me enxer o raio do saco, mandar elas pra puta que pariu.
Se eu não conseguir vou simplesmente não pensar nelas.
De que adianta ficar horas pensando em uma coisa incerta, totalmente fora do seu alcance?
Garota, para de ficar pensando se os garotos do VDG vão se casar com você. Se isso tiver que acontecer, vai acontecer e ponto final.
Garoto, não fica enxendo a cabeça com filme pornô se masturbando no banheiro. Não fica preocupado se a gatinha da sua sala vai te olhar. Sobe a calça e vai jogar um charme em cima dela, escrever uma música pra uma serenata, sei lá!
Vamos ser felizes não pensando nas dúvidas que não podemos achar as respostas!
Vamos ir pra "Religião do Destino", e acreditar no nosso potencial de alcançar nossos objetivos!
Eu digo por experiência própria.
p.s.: não me dirigi à ninguém.
Pauta para Projeto How Deal
26 de abr. de 2010
Feliz Ceres Velha
Postado por
Ceres
- Toma, Ceres.
- Obrigada, Ramon. - eu disse, quando ele pôs o bendito livro na minha mão.
Finalmente eu iria passar da página 53, e minha curiosidade de saber o que ia acontecer (o que aconteceu e todos os outros verbos) com o Marcelo (Rubens Paiva) ia ser saciada. Juro que até só agora eu entendi a minha tara por querer tanto ler esse livro.
À uns 3 anos atrás, a Karine, uma menina que pegava ônibus comigo e estudava na mesma escola que eu me disse que "Feliz Ano Velho" era um livro absurdo, e que o cara dele é um filho da puta, que só falava de seios e bocas alheias.
Karine, sua mentirosa!
Eu tenho total consciência de que o Marcelo nunca vai ler o que eu escrevo. Afinal de contas, além de pé no chão eu sou até bem pessimista, pelo menos às vezes. Mas eu fico feliz por você ter conseguido se sentar, andar de cadeira de rodas, ido no cinema e, puta merda! Como como o jeito que você descreve as coisas me fascina!
Agora, eu já passei da página 180. Tudo hoje. Eu simplesmente não consigo parar de ler. Depois de horas que todo mundo aqui estava pensando que eu estava domindo enquanto eu lia freneticamente, minha vista está supercansada. E sim, a possibilidade de eu sonhar que eu estava ouvindo o Bamba, num gramado enorme que provevelmente seria da USP é enorme.
Esse tipo de coisa toma conta de mim fácil. Aconteceu a mesma coisa com Crepúsculo, Lua Nova e afins; mas quando você sabe que que aquilo aconteceu de verdade com gente de verdade o efeito de êxtase é bem mais avassalador e selvagem.
Como eu sou arcaica! Me identifico com um jovem louco da década de 80, e meu sonho é conhecer uma pessoa assim que, de preferência esteja ao meu alcance. Não sei se é pedir muito, mas a minha vontade de crescer, ter uma visão política (não pelo fato de ter vivido certa repressão governamental, e sim por ser isso uma coisa que me é considerada útil), conseguir se apaixonar por coisas mínimas e torná-las vitais é enorme. Concluindo a ladainha toda, esse é meu objetivo.
Esses hormônios, essa coisa ridícula que dificulta ainda mais minha (nossa) passagem pelo pântano lamacento (?) que é a adolescência estão me deixando uma pessoa (muito) cismada, pensativa, irritadinha, (principalmente) chorona e desconformada. Não me sinto normal.
Ultimamente tenho A-DO-RA-DO falar muito palavrão, filosofar (apesar de as aulas de filosofia serem, em sua maioria, chatas), pensar em coisas chulas (tipo pornografia e coisas do gênero) e isso tá me deixando louca e, ao mesmo tempo, fascinada. Nem imaginava que essas coisas existiam.
Outra vontade que eu tenho é falar exatamente o que eu penso. A sensação de conseguir fazer isso seria praticamente a mesma de sair correndo na avenida Paulista na contra-mão (não sei a merda da reforma ortográfica não, porra!), e ainda por cima pelada. Parece que tem um elefante na minhas costas, e com ele eu não consigo realizar movimento, muito menos trabalho. (Prestei atenção na aula de Física. Beijo Afonso!)
Fico o dia inteiro pensando no meu cabelo que ERA tão lindo, no meu projeto-de-namoro-que-eu-sempre-sonhei que durou exatamente uma semana e um dia, na minha abstinência por um (dois ou mais) contato(s) físico(s) com o sexo oposto, nas lagoas, na empada, na minha coxa, na luz que eu meu pai acendeu, na minha bunda!
Nunca, nunca mais vou julgar as pessoas porque elas são cismadas, falam da mesma coisa (ou pessoa) o tempo todo, porque veem Isa tkm, tk+, seja lá o que for, usam calcinha (ou cueca) pequena, gostam de livros de amor super melancólicos ou, então, são indiferentes a mim.
Primeiro que tudo isso eu já fiz, faço, ou farei, Um exemplo é usar calcinhas pequenas. E fodas, eu falo "nunca", mesmo correndo o risco de não fazer de novo.
Nesse caso, o verbo é "julgar". O que conta aqui é o pronome que vem antes. Não pode ser "eu".
Aliás, essa coisa de prometer e não cumprir às vezes é muito, mas muito convidativa pra mim, mas isso, de verdade, eu não gosto de fazer.
Camilla, eu ia escrever sobre sua beleza mineira, magra e sedutora e esconderijos idiotas, frágeis e não-óbvios que a felicidade usa, mas não, não me senti apta pra isso.
Bela, Gabi, Paulinha, Lika, Fernanda e Giovanna: vocês são as melhores amigas belohorizontinas do mundo, sério!
Marcelo, já já vou ir ler o que aconteceu depois que você terminou com a Marina, esperaê.
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17 de abr. de 2010
Inpiração à Jato por Longa Distância
Postado por
Ceres
Geralmente, é comum que pessoas normais que gostem de escrever sejam inspiradas por certas pessoas. É normal observar o jeito no qual certa pessoa mexe no cabelo, ri, te olha, e todas essas coisas que fazem com que certas pessoas sejam apaixonantes.
Com esse meu pensamento, chego a uma conclusão: eu não sou uma pessoa normal que gosta de escrever.
E sim, eu quero listar os motivos. Mas não, vou só citar mesmo. Aliás, listas irritam você?
Então. Está bem. Primeiro, é que eu não tenho como observar. Não tenho como sentir, e, muito menos, saber como está. De verdade.
Fico só pra... imaginar.
Seria ficção todas as minhas precipitações à longa distância (lê-se 70km)?
Ou será então que você está tão perto de mim que eu não preciso de estar tão perto pra que você me inspire?
Por mais que seja impossível ver, eu lembro.
Lembro de como você mexe nos cabelos, de como ri, de como olha pra mim, e todos os outros motivos dos quais fizeram com que eu me apaixonasse por você.
Sorte minha que você sabe sim, a falta que você me faz.
Isso me deixa feliz. E eu sei que você tá feliz, porque eu estou falando de você.
Mas de qualquer maneira, queria saber como foi o seu dia. E quem sabe, fazer parte dele. De novo.
Também espero que você se lembre de mim.
Com esse meu pensamento, chego a uma conclusão: eu não sou uma pessoa normal que gosta de escrever.
E sim, eu quero listar os motivos. Mas não, vou só citar mesmo. Aliás, listas irritam você?
Então. Está bem. Primeiro, é que eu não tenho como observar. Não tenho como sentir, e, muito menos, saber como está. De verdade.
Fico só pra... imaginar.
Seria ficção todas as minhas precipitações à longa distância (lê-se 70km)?
Ou será então que você está tão perto de mim que eu não preciso de estar tão perto pra que você me inspire?
Por mais que seja impossível ver, eu lembro.
Lembro de como você mexe nos cabelos, de como ri, de como olha pra mim, e todos os outros motivos dos quais fizeram com que eu me apaixonasse por você.
Sorte minha que você sabe sim, a falta que você me faz.
Isso me deixa feliz. E eu sei que você tá feliz, porque eu estou falando de você.
Mas de qualquer maneira, queria saber como foi o seu dia. E quem sabe, fazer parte dele. De novo.
Também espero que você se lembre de mim.
12 de abr. de 2010
Mel, Código, Mentira, Aline, Convocação
Postado por
Ceres
Ele dá um pigarro, e quando vê que todo mundo estava dando atenção, respira, olha pra mim e diz: "Gente, olha o que eu escrevi pra minha amada:
PAY ATENTION, PLEASE !
Então vou fazer uma convocação: "morena chocolate", de estatura mediana, corpo esbelto (-n), cabelos compridos, que adora rock, ler sobre diversos assuntos e escrever sobre sua própria vida, se sente carente, e procura homens com idade média entre 16 e 20 anos com os seguintes quesitos (você pode - ou não - ignorar os parêntesis):
Ceres (coraçõeszinhos),
Você é uma morena linda.
Você é tudo de bom, super gata.
Não te quero por um dia
Nã te quero por um ano
Te quero por toda vida
Te quero porque te amo."
Samuel Reis
Esse é o tipo de coisa de aumenta o ego de qualquer uma.
Seria melhor se fosse de verdade.
Não, não é mentira.
Aliás, eu não sei o que que é.
Indepente de ser verdade ou não, me sinto bem. Me sinto bem com uma coisa incerta. O meu "namoro" com o eles (Setelagoanos de muito bom gosto, diga-se de passagem), é coisa de gente carente que não tem o que fazer.
E não vem me dizer que toda brincadeira tem um fundo de verdade não porque se não eu fico nervosa com você!
É literalmente ter tudo e não ter nada, ao mesmo tempo. Isso é frustrante, sabia?
PAY ATENTION, PLEASE !
Então vou fazer uma convocação: "morena chocolate", de estatura mediana, corpo esbelto (-n), cabelos compridos, que adora rock, ler sobre diversos assuntos e escrever sobre sua própria vida, se sente carente, e procura homens com idade média entre 16 e 20 anos com os seguintes quesitos (você pode - ou não - ignorar os parêntesis):
- Seja alto (ou baixo)
- Seja moreno (ou loiro)
- Goste de rock (ou pagode, também serve)
- Seja paciente
- Use piercings (ou seja evangélico e não use nada)
- Tenha cabelos curtos (ou longos)
- Use bigodes fartos, estilo Mário Broz (ou só costeleta, ou nada mesmo)
- Goste de ver filme abraçadinho (ou prefira não ver filme)
- Que entenda o meu tempo.
- Que escreva cartas de amor, principalmente.
- Se tiver carro, casa, e tiver como me sustentar, melhor ainda, fikdik.
- Acho que pode ser alguém que faça meu coração bater mais rápido, faça a minha mão ficar gelada e esse tipo de coisa.
THANK YOU VERY MUCH PELA ATENTION (inglês booooom)
7 de abr. de 2010
No Mar, nas Lagoas e na Paciência
Postado por
Ceres
Posso dizer que, de certa forma, a rotina sete lagoana me fascina. Ontem, depois da aula, fui com o Ramon, a Rúbia e a Natane na Casa da Cultura (que aliás, tá com uma exposição do Fernando Sabino muito... estranha) e na Biblioteca Pública, com a desculpa de achar as coisas pro trabalho de Artes.
Andamos a toa, cantamos, e ainda lemos o livro "Na cama com Bruna Surfistinha", que, por sua vez tinha um +18 de todo tamanho na capa.
Em falar em Ramon... ele é um caralegal. Deve ter 1,90m de altura, tem covinhas na bochecha (que as meninas - e a moça da cantina- adoram), meio tímido, inteligente, e tem alguma coisa que faz com que - pelo menos - eu tenha muita vontade de ficar perto dele.
Sem falar que o nome dele de trás pra frente fica "No mar", e ele nunca foi na praia.
Enfim, não, não estou apaixonada pelo Ramon, apesar do fato de eu me apaixonar muito fácil. Ou não. Muitas coisas mudaram dentro de mim.
Tava aqui pensando... se eu fosse embora daqui (mesmo que eu não quisesse), eu ia sentir falta daqui. Da empada, do Ramon, da Rúbia e até mesmo da professora de Biologia. Ela tem a voz irritante.
Cheguei a conclusão de que, pelo menos por enquanto, meu lugar é aqui. Eu estou aqui porque era isso que tinha que acontecer, e sim, a minha Teoria do Heroísmo vai se concretizar.
Tá bom, eu tenho que admitir que a minha vida tem ficado até bem emocionante por aqui.
Hoje eu estava avaliando a mão dos garotos da sala, e de um do segundo ano, que tava no meio, não sei o por quê. Eram 7 meninos, e a linha do amor de 5 de juntou simetricamente com a minha. Fiquei pasma. Sou contra regra da apresentação do Poemar't, o projeto bimestral. Converso com muita gente na escola, me acham estilosa e eu me sinto bem, obrigada.
A Isabela deve vir na próxima semana, pra a gente apoveitar a noite Sete Lagoana, e eu estou muito animanda. Aliás, ela tem um blog legal.
Queria ter alguma coisa mais legal pra contar. Mas né, fazer o quê ?
Paciência, Ceres, Paciência.
Andamos a toa, cantamos, e ainda lemos o livro "Na cama com Bruna Surfistinha", que, por sua vez tinha um +18 de todo tamanho na capa.
Em falar em Ramon... ele é um caralegal. Deve ter 1,90m de altura, tem covinhas na bochecha (que as meninas - e a moça da cantina- adoram), meio tímido, inteligente, e tem alguma coisa que faz com que - pelo menos - eu tenha muita vontade de ficar perto dele.
Sem falar que o nome dele de trás pra frente fica "No mar", e ele nunca foi na praia.
Enfim, não, não estou apaixonada pelo Ramon, apesar do fato de eu me apaixonar muito fácil. Ou não. Muitas coisas mudaram dentro de mim.
Tava aqui pensando... se eu fosse embora daqui (mesmo que eu não quisesse), eu ia sentir falta daqui. Da empada, do Ramon, da Rúbia e até mesmo da professora de Biologia. Ela tem a voz irritante.
Cheguei a conclusão de que, pelo menos por enquanto, meu lugar é aqui. Eu estou aqui porque era isso que tinha que acontecer, e sim, a minha Teoria do Heroísmo vai se concretizar.
Tá bom, eu tenho que admitir que a minha vida tem ficado até bem emocionante por aqui.
Hoje eu estava avaliando a mão dos garotos da sala, e de um do segundo ano, que tava no meio, não sei o por quê. Eram 7 meninos, e a linha do amor de 5 de juntou simetricamente com a minha. Fiquei pasma. Sou contra regra da apresentação do Poemar't, o projeto bimestral. Converso com muita gente na escola, me acham estilosa e eu me sinto bem, obrigada.
A Isabela deve vir na próxima semana, pra a gente apoveitar a noite Sete Lagoana, e eu estou muito animanda. Aliás, ela tem um blog legal.
Queria ter alguma coisa mais legal pra contar. Mas né, fazer o quê ?
Paciência, Ceres, Paciência.
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1 de abr. de 2010
Problema mãe: Saudade
Postado por
Ceres
Escola Estadual "Dr. Arthur Bernardes", Centro de Sete Lagoas, Minas Gerais.
É aí onde eu estou estudando agora.
Se a pessoa que tirou essa foto andasse mais alguns metros pra trás ela cairia na lagoa Paulina.
Se ela não caisse na lagoa, certamente atravessaria a rua e, se continuasse viva, pegaria um ônibus, e, facilmente chegaria aqui em casa.
Sorte sua - você que está lendo, que essa pessoa não tirou uma foto da minha cara agora. Eu queria muito, mas muito mesmo, conseguir escrever sobre esse lugar; sobre os professores, meus colegas, sobre as chuvas corriqueiras, sobre meus vizinhos (hum), e blá blá blá.
Mas não. Eu simplesmente não consigo.
Hoje, a minha colega, a Rúbia, veio aqui. Ela é muito legal (claro que é, eu emprestei minha coleção de Capricho pra ela). Acho que o que fez com que a gente fosse... amiga, é que nós viemos de BH. No mesmo mês, e ainda por cima, temos mais ou menos o mesmo problema.
O nome desse problema é SAUDADE.
Saudade dos amigos.
Saudade da escola.
Saudade da casa.
Saudade do supermercado. (aliás, eu adoro supermercados)
Saudade da rua.
Saudade, saudade...
Quem sente saudade está, consequentemente, imerso em nostalgia.
Posso ser sincera? Se me perguntarem o que é nostalgia, eu não vou saber explicar. Só sei dicernir quando eu sinto ou não.
Enquanto, hoje, eu estava imersa em nostalgia, contei pra Rúbia todas as minhas histórias. Essas que provavelmente, se você me conhecer vai saber, de cór. O legal disso tudo, é que ela não sabia. Acho que ela, à essa altura, é a única que faria (como ela fez), uma cara de supresa quando eu contei pra ela o que tomo mundo já deve estar careca de saber. Todo mundo de Belo Horizonte, todos os meus amigos, meu pai, minha mãe... a cara de novidade dela de uma certa forma me deixava feliz. Ela ria do jeito que meu pé ficou gelado enquanto eu falava do Sérgio. (sim, agora é o pé.)
Mas do que que adianta?
Depois, quando a nostalgia tava quase me tampando os olhos (agora), eu lembrei, certinho, da Isabela em pé na cama do meu irmão, fazendo comentários na lista que eu tinha colada na porta do meu guarda-roupa. A lista de quem eu já tinha beijado, coisa de gente besta mesmo.
Ela estava com o predendor do cabelo dela na mão, que estava todo bonitinho como sempre, por cima de uma blusa verde. Ela estava usando uma bermuda, na altura do joelho, eu lembro como se fosse hoje. E como eu sinto saudade de ela ir na minha casa fim de semana, quando a gente não tinha nada pra fazer! De ir "tomar" açaí, de rir da besteira da outra.
Eu aqui, em Sete Lagoas... quando que, num sábado a Bela ia vir me ver porque tava a toa na casa do pai dela? Quando?
Não, era a Rúbia... ela e a cara de surpresa pelas minhas histórias. Eu queria uma cara de tédio. Queria ouvir um "de novo, Cé?"
Só pra depois descer as escadas, ir pra rua, tentar pensar em outra coisa pra, quem sabe, escrever uma história melhor do que aquela que eu tava contando, pra lembrar de outras, até.
Saudade.
Saudade da pracinha.
Saudade do sorvete de chocomenta.
Saudade da banca de revista (aqui no bairro não tem)
Saudade do Emídio.
Saudade do meu avô.
Saudade do chão de madeira.
Saudade da minha cama que fazia barulho.
Saudade da vista da minha janela.
Saudade da avenida.
Saudade da rua de cima.
Saudade do Bar do Fernando.
Saudade de tirar foto com a Fernanda.
Saudade de cantar com a Giovanna na rua.
Saudade dos verbos, dos substantivos, e tudo mais o que eu podia fazer... lá.
Saudade, saudade ...
Isso foi um post introspectivo?
É aí onde eu estou estudando agora.
Se a pessoa que tirou essa foto andasse mais alguns metros pra trás ela cairia na lagoa Paulina.
Se ela não caisse na lagoa, certamente atravessaria a rua e, se continuasse viva, pegaria um ônibus, e, facilmente chegaria aqui em casa.
Sorte sua - você que está lendo, que essa pessoa não tirou uma foto da minha cara agora. Eu queria muito, mas muito mesmo, conseguir escrever sobre esse lugar; sobre os professores, meus colegas, sobre as chuvas corriqueiras, sobre meus vizinhos (hum), e blá blá blá.
Mas não. Eu simplesmente não consigo.
Hoje, a minha colega, a Rúbia, veio aqui. Ela é muito legal (claro que é, eu emprestei minha coleção de Capricho pra ela). Acho que o que fez com que a gente fosse... amiga, é que nós viemos de BH. No mesmo mês, e ainda por cima, temos mais ou menos o mesmo problema.
O nome desse problema é SAUDADE.
Saudade dos amigos.
Saudade da escola.
Saudade da casa.
Saudade do supermercado. (aliás, eu adoro supermercados)
Saudade da rua.
Saudade, saudade...
Quem sente saudade está, consequentemente, imerso em nostalgia.
Posso ser sincera? Se me perguntarem o que é nostalgia, eu não vou saber explicar. Só sei dicernir quando eu sinto ou não.
Enquanto, hoje, eu estava imersa em nostalgia, contei pra Rúbia todas as minhas histórias. Essas que provavelmente, se você me conhecer vai saber, de cór. O legal disso tudo, é que ela não sabia. Acho que ela, à essa altura, é a única que faria (como ela fez), uma cara de supresa quando eu contei pra ela o que tomo mundo já deve estar careca de saber. Todo mundo de Belo Horizonte, todos os meus amigos, meu pai, minha mãe... a cara de novidade dela de uma certa forma me deixava feliz. Ela ria do jeito que meu pé ficou gelado enquanto eu falava do Sérgio. (sim, agora é o pé.)
Mas do que que adianta?
Depois, quando a nostalgia tava quase me tampando os olhos (agora), eu lembrei, certinho, da Isabela em pé na cama do meu irmão, fazendo comentários na lista que eu tinha colada na porta do meu guarda-roupa. A lista de quem eu já tinha beijado, coisa de gente besta mesmo.
Ela estava com o predendor do cabelo dela na mão, que estava todo bonitinho como sempre, por cima de uma blusa verde. Ela estava usando uma bermuda, na altura do joelho, eu lembro como se fosse hoje. E como eu sinto saudade de ela ir na minha casa fim de semana, quando a gente não tinha nada pra fazer! De ir "tomar" açaí, de rir da besteira da outra.
Eu aqui, em Sete Lagoas... quando que, num sábado a Bela ia vir me ver porque tava a toa na casa do pai dela? Quando?
Não, era a Rúbia... ela e a cara de surpresa pelas minhas histórias. Eu queria uma cara de tédio. Queria ouvir um "de novo, Cé?"
Só pra depois descer as escadas, ir pra rua, tentar pensar em outra coisa pra, quem sabe, escrever uma história melhor do que aquela que eu tava contando, pra lembrar de outras, até.
Saudade.
Saudade da pracinha.
Saudade do sorvete de chocomenta.
Saudade da banca de revista (aqui no bairro não tem)
Saudade do Emídio.
Saudade do meu avô.
Saudade do chão de madeira.
Saudade da minha cama que fazia barulho.
Saudade da vista da minha janela.
Saudade da avenida.
Saudade da rua de cima.
Saudade do Bar do Fernando.
Saudade de tirar foto com a Fernanda.
Saudade de cantar com a Giovanna na rua.
Saudade dos verbos, dos substantivos, e tudo mais o que eu podia fazer... lá.
Saudade, saudade ...
Isso foi um post introspectivo?
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29 de mar. de 2010
Intensidade da Fase
Postado por
Ceres
É só fase? Ora... fase.
Não devia ser tão ruim.
Não devia me fazer chorar por tanta intensidade, fase.
No mínimo curta eu quero que seja.
Sinto admitir, mas eu tenho problemas.
São muitos pensamentos ecoando em minha cabeça, todos soltos, sem direção, perdidos, todos ao mesmo tempo.
Aos poucos, venho enlouquecendo. Vagarosamente, venho perdendo os sentidos, a direção.
Vou acompanhando meus pensamentos, afinal, não tenho para onde ir.
Tenho vontade de abandonar minhas responsabilidades. Tudo, todos, nas minhas mãos.
Corações nas minhas mãos, decisões nas minhas mãos...
Arre! Minhas mãos não querem, entenda.
Minhas mãos querem brincar, minha mãos querem deslizar sobre cabelos alheios, enrolá-los em seus dedos; exibir seu dedo do meio bruscamente, sem responsabilidade, com inocência, como se fossem mãos de crianças.
Minha cabeça quer ser esvasiada, só pra depois ser enchida de cenas de novela pra adolescentes, só pra ter espaço pra conseguir decorar Todos os meus livros preferidos, pra poder pensar em alguém diferente, pra conseguir... ficar leve, pelo menos agora, enquanto eu preciso de paz.
Quero o equívoco de ser pega por alguém nos braços, quero a certeza de amar alguém (e ser amada), quero, que a fase acabe.
E que culpa eu tenho ?
Que culpa eu tenho de amar você ?
Sim, eu tenho.
Tenho toda culpa do mundo. que diferença isso faz pra você ?
Sim, eu também quero, e eu vou, te esquecer.
E, pra sua informação, estou indo bem.
Meu charme é minha contradição, concorda ?
Não devia ser tão ruim.
Não devia me fazer chorar por tanta intensidade, fase.
No mínimo curta eu quero que seja.
Sinto admitir, mas eu tenho problemas.
São muitos pensamentos ecoando em minha cabeça, todos soltos, sem direção, perdidos, todos ao mesmo tempo.
Aos poucos, venho enlouquecendo. Vagarosamente, venho perdendo os sentidos, a direção.
Vou acompanhando meus pensamentos, afinal, não tenho para onde ir.
Tenho vontade de abandonar minhas responsabilidades. Tudo, todos, nas minhas mãos.
Corações nas minhas mãos, decisões nas minhas mãos...
Arre! Minhas mãos não querem, entenda.
Minhas mãos querem brincar, minha mãos querem deslizar sobre cabelos alheios, enrolá-los em seus dedos; exibir seu dedo do meio bruscamente, sem responsabilidade, com inocência, como se fossem mãos de crianças.
Minha cabeça quer ser esvasiada, só pra depois ser enchida de cenas de novela pra adolescentes, só pra ter espaço pra conseguir decorar Todos os meus livros preferidos, pra poder pensar em alguém diferente, pra conseguir... ficar leve, pelo menos agora, enquanto eu preciso de paz.
Quero o equívoco de ser pega por alguém nos braços, quero a certeza de amar alguém (e ser amada), quero, que a fase acabe.
E que culpa eu tenho ?
Que culpa eu tenho de amar você ?
Sim, eu tenho.
Sim, eu também quero, e eu vou, te esquecer.
E, pra sua informação, estou indo bem.
Meu charme é minha contradição, concorda ?
15 de mar. de 2010
Quero comer cru
Postado por
Ceres
Tá olha, vou direto ao ponto: no pico do gráfico da minha instabilidade nos ultimos dias, eu posso dizer que caiu a ficha.
De tanto dizer, o dia inteiro, que eu estou ótima, que aqui é lindo, e que a empada daqui é boa, a vontade de amanhã acordar em BH é grande.
Isso tá me dando muito, mas muito trabalho. Primeiro é que eu tenho que literalmente trocar a minha fonte de inspiração. Porque se não for pra escrever do Luís, do Pedro, do Roberto e do Sérgio em especial, eu praticamente não consiguiria.
Segundo é que eu me recuso mesmo.
Enfim, não é porque é difícil que eu não vou tentar.
Sempre que eu chego na escola, eu vou conversar com o Ramon, até o professor chegar. Ele é um espécie de "amiguinha que senta do seu lado e conversa com você a aula inteira"; só que, no caso, ele é um menino. Ele me entende, ri das minhas piadas e me apoia, independente de nós nos conhecermos só à menos de 4 meses. Hoje eu e outros amigos ficamos na beirada da lagoa, rindo um da cara do outro, e eu me senti bem, foi impressionante. Eu me sinto melhor assim, não sou muito familiarizada com batom, e com meninas falando de meninos. Tirando a parte de que eu não uso batom, eu falo muito sobre meninos, essa é uma das provas de que eu sou uma menina. É válido, pelo menos na minha opinião.
Como espécie de representante da sala -não me elejeram, nem eu nem ninguém, mas eu sou-, eu sempre entrego as folhas, recolho o dinheiro, leio os texto, carteira vai, carteira vem e eu brinco com o Bruno todo dia, o Igor fica me olhando com uma cara esquisita, como se me imaginasse sem roupa, sei lá, o Samuel sempre ne fala alguma coisa do tipo "Oi Ceres (:" toda vez que ele me vê, independente de quantas vezes sejam e num modo geral, as pessoas da minha sala são legais.
Mas não acho, caros amigos, GRAÇA NENHUMA em escrever sobre eles. São pessoas normais, iguais de certa forma, praticamente homogêneas naquela sala e de beleza duvidosa; alguns deles, mais próximos de mim, naturalmente.
Estou pensando seriamente em me envolver emocionalmente com alguém, só pra ver se eu consigo escrever. Juro que estou entrando em desespero. A melhor coisa de estar apaixonada por alguém é que você possa transformar isso em palavras, que você vai querer lembrar das datas, só pra sonhar depois e... começar tudo de novo me dá uma preguiça!
Seria natural pra mim um relacionamento forçado, com duas pessoas ao mesmo tempo. Só pra sentir do sangue quente, pra poder falar com medo de deixar escapar o nome... gente, como essa cidade é parada!
Eu não quero esperar uma história de amor. Meus planos, de certa forma, são impalpáveis, intocáveis e o que eu temo, é que talvez também sejam impossíveis. E, sim, eu mudei/tentei mudar o lado pra onde o vento sopra. É necessário.
Sabe o que é pior? Meus sonhos estão se expandindo! Eu tenho novas possibilidades, tenho novas histórias, mas que, seriam histórias forçadas.
Em resumo, estou dividida. Desolada, chateada. Eu só queria não ter que forçar para que acontecesse uma coisa extraordinária ao ponto que me tire o sono. Enfim, quero comer cru. Afinal de contas, eu preciso escrever.
De tanto dizer, o dia inteiro, que eu estou ótima, que aqui é lindo, e que a empada daqui é boa, a vontade de amanhã acordar em BH é grande.
Isso tá me dando muito, mas muito trabalho. Primeiro é que eu tenho que literalmente trocar a minha fonte de inspiração. Porque se não for pra escrever do Luís, do Pedro, do Roberto e do Sérgio em especial, eu praticamente não consiguiria.
Segundo é que eu me recuso mesmo.
Enfim, não é porque é difícil que eu não vou tentar.
Sempre que eu chego na escola, eu vou conversar com o Ramon, até o professor chegar. Ele é um espécie de "amiguinha que senta do seu lado e conversa com você a aula inteira"; só que, no caso, ele é um menino. Ele me entende, ri das minhas piadas e me apoia, independente de nós nos conhecermos só à menos de 4 meses. Hoje eu e outros amigos ficamos na beirada da lagoa, rindo um da cara do outro, e eu me senti bem, foi impressionante. Eu me sinto melhor assim, não sou muito familiarizada com batom, e com meninas falando de meninos. Tirando a parte de que eu não uso batom, eu falo muito sobre meninos, essa é uma das provas de que eu sou uma menina. É válido, pelo menos na minha opinião.
Como espécie de representante da sala -não me elejeram, nem eu nem ninguém, mas eu sou-, eu sempre entrego as folhas, recolho o dinheiro, leio os texto, carteira vai, carteira vem e eu brinco com o Bruno todo dia, o Igor fica me olhando com uma cara esquisita, como se me imaginasse sem roupa, sei lá, o Samuel sempre ne fala alguma coisa do tipo "Oi Ceres (:" toda vez que ele me vê, independente de quantas vezes sejam e num modo geral, as pessoas da minha sala são legais.
Mas não acho, caros amigos, GRAÇA NENHUMA em escrever sobre eles. São pessoas normais, iguais de certa forma, praticamente homogêneas naquela sala e de beleza duvidosa; alguns deles, mais próximos de mim, naturalmente.
Estou pensando seriamente em me envolver emocionalmente com alguém, só pra ver se eu consigo escrever. Juro que estou entrando em desespero. A melhor coisa de estar apaixonada por alguém é que você possa transformar isso em palavras, que você vai querer lembrar das datas, só pra sonhar depois e... começar tudo de novo me dá uma preguiça!
Seria natural pra mim um relacionamento forçado, com duas pessoas ao mesmo tempo. Só pra sentir do sangue quente, pra poder falar com medo de deixar escapar o nome... gente, como essa cidade é parada!
Eu não quero esperar uma história de amor. Meus planos, de certa forma, são impalpáveis, intocáveis e o que eu temo, é que talvez também sejam impossíveis. E, sim, eu mudei/tentei mudar o lado pra onde o vento sopra. É necessário.
Sabe o que é pior? Meus sonhos estão se expandindo! Eu tenho novas possibilidades, tenho novas histórias, mas que, seriam histórias forçadas.
Em resumo, estou dividida. Desolada, chateada. Eu só queria não ter que forçar para que acontecesse uma coisa extraordinária ao ponto que me tire o sono. Enfim, quero comer cru. Afinal de contas, eu preciso escrever.
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