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25 de dez. de 2012

Ensino Médio


Ultimo dia D
Assim que cheguei ao primeiro ano fiquei extremamente ansiosa: só faltavam mais dois anos. No começo do segundo, animadíssima com essa ideia da escola acabar e no começo do terceiro já estava fazendo planos pra como seria viver sem o Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG) na minha vida.
Minha historia, não, minha saga estudantil no IEMG começou na primeira série em 2002 e acho que vocês perceberam que eu só saí de lá quando me formei. Claro que vou dizer o que vocês querem saber: estou ajoelhando e dando graças ao meu bom Senhor por eu ter me formado sem nenhuma bomba, sem nenhum ano a mais lá! Porque só os dias a mais que eu tive que ficar naquele prédio rosa e estudando em casa por causa da recuperação equivalem por um aninho a mais! haha Esperei o ano todo por esse momento de me formar e excluir toda a ralé (me desculpe você que está lendo esse adjetivo e se sinta ofendido) da escola das minhas redes sociais porque agora já não sou mais obrigada a conviver e espero que entendam que eu os tinha não por uma questão de querer vigiar vocês e rir de suas fotos (ok, eu fazia isso as vezes...culpada! rs) mas era uma questão de necessidade de informação sobre a nossa instituição de ensino e agora meu querido ou minha querida, NÃO nos veremos nunca mais.
Agora eu estou livre desse fardo de anos. Acho que vocês devem estar um pouquinho só curiosos e se perguntando "se era um fardo e você odiava tanto aquele lugar porque nunca mudou de escola?!" e eu lhes responderei a resposta mais obvia de todas: acontece que o IEMG é uma escola comoda para os filhos dos meus pais estudarem, é bem elogiada (por quem não estuda lá, claro) e é bem localizada - com bem localizada quero dizer perto da minha casa.
Então agora sou um lindo pássaro ruivo solto! Mas vou admitir que estou perdida... meu mundo é tão pequeno e limitado, não sei até onde posso ir. A única realidade que eu conhecia era a realidade do IEMG.

Pós primeira etapa: esperançosa.
"Mas peraí Ana,e a faculdade?" É claaaaaaaro que eu deixei que toda aquela pressão da mídia, da família e da escola cair sobre meus ombrinhos nesse último ano. Fiz o ENEM sofrendo, corrigi o gabarito online e é uma coisa que eu não recomendo a fazer, porque você pode se decepcionar muito como eu e ir totalmente desanimado no outro dia e fazer uma péssima prova... só Deus sabe meu resultado dessa prova. E bom, como nas fotos vocês já podem ter reparado que a mocinha aqui botou na cabeça que faria Artes Plásticas na UEMG e a trágica historia é que eu fiquei pra excedente. Tem coisa pior que te deixarem no meio do muro sem saber o que vai acontecer?! Tentei a primeira etapa que foi um dia de desenho de observação e no outro desenho de criação: passei. Fiz a segunda etapa completamente otimista, eram 25 vagas e 2,40 candidatos por vaga (bem que a mamãe avisou pra não cantar vitória antes da hora) e eu não consegui. Fiquei em 30º lugar e atualmente estou esperando que alguns candidatos desistam porque afinal é ARTES PLÁSTICAS E NÃO VAI TE LEVAR A LUGAR NENHUM! (quem sabe algum concorrente meu não lê isso e fica comovido).
Enfim é isso: não tenho pra onde ir. Me formei. Vou ter que prestar vestibular de novo e dessa vez pretendo fazer um cursinho pra matemática não ficar de palhaçada comigo como fez na segunda etapa da UEMG que intrigantemente foi a prova geral com todas as matérias.
Festa de formatura no Mix Garden.
Eu queria dizer muita coisa sobre toda essa mudança, especialmente de  costume, mas tudo está se resumindo mesmo é em saudade. Apesar de todos esses anos torturantes que não passavam, chegou no fim e tiveram coisas lindas também. É um saco sempre ser uma pessimista-apelativa (olha, nem posso mais perguntar a minha professora de português se isso tá certo) mas vou contar uma coisinha: meus melhores anos foram lá. Os meus amigos de hoje são meus amigos desde sempre, que estudaram comigo e eu sei que estarão sempre ao meu lado.
Eu acreditava que a gente não ia se afastar, mas agora... tá tudo bem distante. Aquelas malditas 5 horas por dia fazem falta nessa questão do convívio e da falta dos amigos de verdade que eu sei que ainda vou me divertir muito. Mas me faz feliz saber que agora finalmente cada um vai pro seu rumo artístico, engenheiro, publicitário ou nutricionista. É um surto de desabafo psicótico da Ana, mas também é um agradecimento. Obrigada. <3

19 de dez. de 2012

Tatuagem com a amiga



Já pensei em vários desenhos pra minha primeira tatuagem , mas resolvi adiar porque quero fazer com uma amiga que mora em São Paulo. Conversamos pela internet desde 2009 (ou será 2008?) , e sempre tivemos a vontade de nos conhecermos. Já que eu vou fazer 18 primeiro, nada mais justo que eu vá visitá-la. Não tem nada muito certo ou confirmado, mas ja combinamos que faremos uma tatuagem juntas quando eu for pra lá!

Pensando nisso, eu pesquisei alguns desenhos que eu faria com a minha amiga (ou não, eu gosto da Hello Kitty, mas não tanto), e estou muito em dúvida!
Qual delas você faria?












E aí? De qual vocês gostaram mais? Comentem!

11 de out. de 2012

Happy 18th


Hoje estava assistindo um filme quando ouvi a seguinte frase: "não é difícil ser feliz depois que a gente cresce" e entendi perfeitamente porque eu sou tão feliz.
Por tempos eu insisti tanto na tristeza sem ter muitas perspectivas, investi toda a minha pouca fé em coisas superficiais, nas paixões que tanto me enganei esperando encontrar o homem da minha vida, meu final feliz. Entrei de cabeça mesmo em todas as histórias e sofri, e chorei e doeu. Busquei respostas; já pensei até que suicídio podia ser uma dessas respostas. Precisava de soluções: eu vivia perdida, mas não sabia que estava perdida de mim mesma. Também briguei muito, xinguei muito, fui extremamente grossa com quem convivia e ainda sou assim, mas aos pouquinhos estou lapidando esses defeitos tão rudes.
Passei por muita coisa que me doeu e não me refiro a essa fase das desilusões, me refiro a minha família. Foram muitas barreiras, muito teste de fogo que eu passei com muita dificuldade, muita coisa que eu acreditava impiedosamente não merecer e que eram coisas além do meu tempo. E ai vem uma coisa que eu to sempre falando: os problemas não esperam você ter suporte emocional pra ser mais comodo pra você, eles simplesmente aparecem.
Acho que uma parte de mim sempre vai acreditar que eu passei por coisas além do meu tempo, como ter cuidado dos meus pais da forma que eu já cuidei, de ter tomado decisões que eu já tomei. Continuo e continuarei desejando que as dificuldades nunca cheguem pra ninguém da forma que chegaram a mim.
Sei que sempre abordo a temática do meu amadurecimento mas é que nos últimos tempos ter percebido isso tem sido uma coisa tão bonita pra mim. Tem sido lindo aceitar que tudo isso me tornou quem sou hoje e ver que o resultado de tanta coisa tem me tornado na pessoa maravilhosa que eu sou hoje. É isso mesmo: eu sou uma mulher maravilhosa, independente, muito segura de mim e estou completamente satisfeita com o rumo que a minha vida tem tomado. Não sou feliz o tempo inteiro, ainda acho que a gente tem que ser um pouquinho de tudo: um pouquinho de raiva, um pouquinho de tristeza, um pouquinho de contentação e de satisfação. Eu já tenho em mente: nunca vai vir nada que meus ombros não aguentem.




ps.: a frase é do filme "As Melhores Coisas do Mundo", se você queria assistir um filme taí uma ótima dica!

20 de jul. de 2012

Feliz dia do Amigo


Tenho que admitir que a maioria dos meus amigos estão longe e, que às vezes, mal nos lembramos da existência uns dos outros. Que a coisa que mais aperta o peito é não me ver nas fotos, de não fazer parte dos assuntos, de, simplesmente, não estar mais perto.

Já perdi a conta das vezes que sentei para escrever algo para dizer como me sinto, mas nunca achei nada que pudesse expressar o que realmente está acontecendo. E o pior: estamos crescendo. Sinto que daqui pra frente, vamos nos afastar ainda mais. Tudo isso para fazer novos amigos, para amar, para ter filhos, para fazer todos aqueles sonhos que compartilhávamos virarem realidade.

Minha unica certeza é que lembramos uns dos outros, que gostamos uns dos outros, e que nós não seríamos os mesmos se não tivéssemos vivido essa amizade.


De fato, a responsabilidade e a necessidade de sermos adultos nos tira tudo aquilo que um dia nos fizeram tão felizes, mas não o que sentimos uns pelos outros. E é isso que realmente importa.

Feliz dia do amigo.

21 de mai. de 2012

Aprendizagem




Eu os amava de uma forma que a nós mortais não estava permitido amar. Cada um de nós era um sopro de vida expelido por um coração em chamas. E quando nos juntávamos, algo soava grandioso... podíamos sentir que era uns com os outros onde deveríamos ficar. Éramos um grupo que chamava atenção, e todos do grupo queriam a atenção um pouco mais voltada para si. Tínhamos uma sede de imperadores que em tempos de crise se aliaram para enfrentar a guerra.

Mas a guerra éramos nós. Sempre havia confrontos internos e mesmo assim um governo não conseguia ficar sem o outro. Éramos crianças descobrindo desde cedo o gosto amargo da vida e mesmo não gostando, não conseguíamos nos desapaixonar desse viver. Era uma descarga de cafeína na alma. Não conseguíamos ficar parados, estávamos sempre fazendo algo de errado com uma aura de isso-vai-dar-merda.

Éramos apaixonados pelo terrível medo do perigo. Estávamos sempre nos arriscando. Sabíamos que esse tipo de vida era uma merda que não valia a pena e mesmo assim botávamos tudo a perder. Seria coragem ou covardia viver no limite do medo por um simples grupo de amizade que às vezes era inclusive posto em dúvida se amizade o era?

Isso não é ser amigo, botavam as pessoas na nossa cabeça. As pessoas, em especial os professores, realmente adoravam encher nossa cabeça. Por alguma razão, nossa pequena sociedade anarquista acabara se subdividindo-se. O tempo nos separou enquanto nosso tamanho crescia. E todos nós lamentamos pelo tempo que se foi, pois mesmo sabendo que nosso estilo de vida era ruim, afinal descobrimos que todos os nossos sentimentos e experimentos foram verdadeiros. E disso ninguém que não fizera parte do movimento pode falar, e o que aprendemos juntos professor nenhum ensina.


15 de jan. de 2012

Cinema: O Homem do Futuro

E agora? Que tal acabarmos com o preconceito dos filmes nacionais? Ontem vi um filme bem interessante, e achei que seria legal dividir com vocês.








João/Zero (Wagner Moura) é um cientista genial, mas infeliz porque há 20 anos atrás foi humilhado publicamente durante uma festa e perdeu Helena (Alinne Moraes), uma antiga e eterna paixão. Certo dia, uma experiência com um de seus inventos permite que ele faça uma viagem no tempo, retornando para aquela época e podendo interferir no seu destino. Mas quando ele retorna, descobre que sua vida mudou totalmente e agora precisa encontrar um jeito de mudar essa história, nem que para isso tenha que voltar novamente ao passado. Será que ele conseguirá acertar as coisas?

É com isso em mãos que Claudio Torres (que também escreveu o roteiro) cria então essa espécie de misto Efeito Borboleta, com as mesmas lições de moral e as mesmas conclusões, mas sem, em nenhum momento perder seu próprio foco e a simpatia. Acima de qualquer coisa O Homem do Futuro é um passatempo leve, sobre amor, escolhas e o quanto elas podem mudar o futuro.




Elenco
  • Wagner Moura como Zero
  • Alinne Moraes como Helena
  • Maria Luiza Mendonça como Sandra
  • Gabriel Braga Nunes como Ricardo
  • Fernando Ceylão como Otávio
  • Jean Pierre Noher como Mayer (participação especial)
O filme é bastante empolgante, e é preciso bastante atenção para entendê-lo bem... Nessas viagens do tempo podem haver alguns conflitos, mas nada impede de absorver a essência.

Mas então, já sabem o que vão assistir nesse restinho de fim de semana?

Fonte
Cinemaqui
Wikipédia

15 de jan. de 2011

Dezesseis Espatódeas Completas



Ela chegou perto de mim, ajoelhou na minha frente, e consertou o cabelo lindo e curtinho que eu adorei, colocando-o atrás da orelha.
- Ceres, preciso te mostrar isso.
Pegou o celular, apertou botões com cautela, e depois me entregou.
- Essa música me lembra você, sabia?
Eu ouvi a musica, pra gravar cada acorde, pra, quando eu ouvir de novo, me lembrar ela também.
Ela me falava o quanto gostava de mim, e o quanto eu era importante pra ela.
E isso fez com que meu décimo sexto aniversário fosse o melhor.
Que, pela primeira vez na vida, eu dei valor pra amizade certa. E sabia disso. E tinha certeza de que aquilo me faria bem.
E só. Pra quê mais?
Estou numa fase de satisfação. De estar feliz com o que tenho. Estou numa fase de me sentir completa.
E não, não usei a palavra "espatódea" no sentido certo.

7 de ago. de 2010

Desencontro Setelagoano

                         por Isabela Estanisláo, a menina que não bebe leite.
Não, eu não me perdi em Sete Lagoas, muito menos estive por lá. O que eu desencontrei foi uma amiga naturalizada ounão como setelagoana. Pra quem não conhece, Sete Lagoas é uma cidade localizada a 70 quilômetros de BHComo diz o wikipédia .. " A cidade dos sete lagos encantados". Mas bem .. se são ou não, eu não sei. 
Mas enfim, essa minha amiga veio passar uma semana aqui em BH, justo na minha única semana de férias, então tive que marcar de encontrar com ela. Até ai tudo bem .. o problema foi onde e quando a gente marcou ...
Era uma terça feira, o dia parecia comum, o céu estava até bonito diga-se de passagem. Acordei e fui me arrumar. Quando terminei de tomar banho olhei pro espelho e perguntei pro meu reflexo:  PURA QUE PARIU ! Como eu chego no shopping cidade ? Além de ter uma terrível mania de conversar com o meu reflexo no espelho eu nunca, isso mesmo, NUCA tinha ido sozinha pro shopping cidade, portanto nunca prestei atenção no caminho, logo não sabia como chegar lá. Eu sabia que eu tinha que pegar o ônibus azul que passa aqui na rua de casa, também sabia que se eu olhasse no google maps eu chegaria lá bem mais fácil do que sair perguntando pra todo mundo onde ficava o shopping mais popular de BH. Isso sem contar com o Oiapoque, Xavantes e Tupinambas. Rá, trocadilho #fail. Mas voltando para a história ... Eu já estava atrasada e se eu olhasse no google iria atrasar mais ainda. O jeito foi pegar o ônibus, fazer carão a la Vanessão e perguntar onde ficava. Juro que até pensei em usar algum sotaque pra fingir que eu não tinha a menor ideia de onde eu estava indo, mas meu mineirês iria me desmascarar rapidinho. Por sorte achei uma  moça que tava levando a sobrinha pro cinema e não precisei perguntar pra ninguém. O complicado foi seguir as duas até o lá .. nunca vi duas pessoas andar tão rápido, não andar correndo, andar mesmo. Eu com meu oteeemo preparo físico, tirei de letra. NOT. Cheguei cansada, mas cheguei ! Quando entrei foi um alivio, mas quando vi a escada rolante entupida de gente, o alivio passou. Subi 3 lances de escada rolante até chegar no piso do cinema, juro que me deu vontade de chorar quando vi aquele tanto de gente formando uma fila quilometrica que dava voltas e mais voltas. Mas também, o que deu na minha cabeça ? Era férias escolares, era terça feira, o dia mais barato da semana,     em um dos cinemas mais baratos ! Tuuuudo bem, eu já tava la meso né ? Agora eu só tinha que achar minha amiga. Dei umas 5 voltas por tudo e não achei. Fui na leitura, procurei um livro que tava querendo e voltei para procurar ela. Ai depois de tanto andar que me lembrei que eu tenho um celular e ele serve para ligar para as pessoas. Mas quem disse que eu tinha levado meu celular ? HAHA. Ai pensei em sair perguntando as pessoas se elas tinham visto uma menina, relativamente do meu tamanho, mulata, cabelos lisos e com todo perdão da palavra .. uma bunda e par de coxas que seduziria qualquer marmanjo por ai. Mas ai imaginei quantas outras meninas parecidas com ela podia estar lá, até porque parecia que todo mundo resolveu ir no cinema naquele dia ! Logo desisti da ideia. Mas fiquei pensando sobre as características dela. Que pra mim, por acaso são sete características marcantes. Sete características de uma Setelagoana. Coincidência ou coisa do destino ? Tanto faz, não acredito em nenhum dos dois mesmo. HAHAHA. Mas depois de tanto esperar, andar e procurar acabei desistindo e não encontrei a Ceres. Teria sido culpa de uma conspiração vital ? Sei lá ! Só sabia que eu só a veria na sexta feira, pra tirar algumas fotos e me despedir, pois ela iriam voltar logo pra sua cidade das sete lagoas tão encantadoras como as suas sete características: Ser diferente de tudo e todas, ter uma voz inconfudivel, ser uma mulata que poderia esbanjar sensualidade atraves do seu corpo, mas prefere atrair olhares por ser quem é, é apaixonada por céu, coleciona all star, ama o Axl e é mesmo à 70 km de mim, continua sempre junto de mim. Até por que, quem foi que disse que pra ta junto precisa ta perto ?  

31 de jul. de 2010

70 quilômetros

Seria egoísmo meu pensar que quando eu lá chegaria, tudo estaria do jeito que eu deixei. Egoísmo e hipocrisia. Para falar a verdade, não havia mudado muita coisa. Era o mesmo sofá azul-marinho no meio da sala de chão de madeira; o móvel - solitário apesar do sofá - sem TV em cima, triste. As janelas, tão grandes quanto eu conseguia me lembrar, a mesa... tudo. Tudo aquilo me trazia naquele momento (e agora, por lembrar) uma nostalgia imensa. Tão grande quanto a minha rua de um quarteirão que um dia eu quis ladrilhar. Por mais que, a vida inteira eu ali morasse, naquele dia no qual eu lá cheguei, eu sentia, mais do que nunca, que tudo aquilo que eu amo não pertence mais a mim. E que dor isso me dá! Que dor!
Dói saber que quem eu deixei ali pertence a mim em partes, que venho perdendo todos, aos poucos. Venho perdendo um pouco de mim mesma no namorado da amiga que um dia não quis amar, na solidão da outra que se recusa a fazer o que sempre fez, nos lábios de quem eu acredito que sempre amei... Como dói voltar e não sentir que ali você mora, que em algum lugar, a exatamente 70 quilômetros de distância está uma vida, SUA VIDA!
Seria egoísmo meu pensar que quando eu lá chegaria, tudo estaria do jeito que eu deixei. Egoísmo e hipocrisia. Para falar a verdade, não havia mudado muita coisa. Eram os mesmo sofás amarelos, distribuídos de forma diferente pela sala, o móvel, feliz, acompanhado, com uma TV em cima, os livros, o computador. Aquilo não doía,  não me dava nostalgia, me dava até, conforto. Eu morava ali, numa rua de não sei quantos quarteirões, que um dia eu vou querer ladrinhar. Tudo aquilo pertencia a mim. Inteiramente, com todas as partes, frações e vontades possíveis. Só é novo. Ainda. As janelas, menores, me mostravam nada mais, nada menos, que uma vida. A MINHA vida. Daqui setenta quilômetros rua abaixo direita, esquerda, e tudo mais, estão minhas lembranças. Meu passado. Essas Sete Lagoas não são um motivo para que eu esqueça disso. Por mais que doa.

26 de mai. de 2010

Instabilidade

Acho que crônica é uma coisa bonita. Rápida, informal, objetiva, e às vezes dá um tesão danado escrever. Primeiro que você não precisa de ficar se preocupando com esquema de rimas, medida velha, medida nova, e todas essas coisas. Contando que você pense e saiba escrever, já é mais da metade do caminho andado. Não que hoje em dia as pessoas (eu) se preocupem com esse tipo de coisa, mas é sempre bom lembrar o quão é difícil escrever uma poesia, um artigo de opinião, ao até mesmo uma carta. E, não, não tenho um segundo motivo concreto.
Então, eu estava, agora, deitada na minha cama, lendo um livro. Um livro de crônicas, do Mário Prata; que é da biblioteca da escola, mas está comigo faz umas três semanas, mas isso não vem ao caso.
De início, quando eu li o "Crônicas" e o "Prata" na capa do livro admito que pensei: Nossa, deve ser parente da Liliane Prata.
Mas enquanto eu fui lendo, e descobri o verbo "sulfechar", eu me distraí o bastante pra não pensar muito nisso. Até que, de repente, procurando alguma crônica naquele livrão -foi o que disseram quando viram ele na minha carteira-, achei um com o título fofo, até: Beijando com Carinho. (Se não for isso me desculpe, porque nesse livrão todo não consegui achar a crônica de novo).
Bom, larguei minha Capricho aberta em cima da cama pra ler a crônica dos beijos, parecia mais interessante.
A primeira coisa que eu achei estranha foi ele estar citando a Capricho, e que a capa era a Yasmin Brunnet, que, na época, tinha 14 anos e, depois ele falou que hoje (lê-se 2003), o filho dele, Antônio (consequentemente, Prata), "ocupava" a última página. Antônio Prata, pai da Liliane Prata. Logo o Mário Prata é avô da Liliane prata, concluindo, eles são sim, parentes.
Porra, que lindo. Três gerações de cronistas. Será que quando eles preenchem alguma ficha pra alguma coisa eles colocam no lugarzinho da profissão "cronista"?
Será que, se um dia, eu for cronista, num outro dia, se eu tiver filhos eles também vão ser cronistas?
Essa espectativa toda é um delícia. Ainda mais quando você, na aula de Português interpreta uma crônica do Jô Soares, ou tem que ler uma do Fernando Sabino. Ah, que tesão!
É tão bom ser obrigada a fazer uma coisa que você sempre fez.
Fica melhor ainda quando você quer fazer isso o resto da vida!
Fica sensacional quando você só tem 15 anos, é egocentrista, e adora falar de você, da sua vida, dos seus amigos.
Fica sensacionalíssmo quando as pessoas gostam de ler o que você escreve.
Não sei se você que está lendo quer fazer tanto uma coisa quanto eu quero fazer isso. Como diz minha mãe, sou sonhadora demais, muito instável em relação às coisas que eu quero, e eu só me sinto bem escrevendo sobre meu mundinho egocentrista, egoísta, e todas essas coisas. Meu pai concordou, ele que completou dizendo "egocentrista" e "egoísta" de mim e do meu mundinho. Horrível.
Como eu ia dizendo, se você quer fazer muito uma coisa, tomara que amanhã você ainda queira fazer. Além do mais, estalbilidade é uma coisa muito bonita, coisa que geralmente eu não tenho. Ultimamente, venho andando tão instável, que, sexta feira eu amava o Samuel, mas hoje, quarta, que aliás, é nossa quarta quarta feira juntos, eu nem dei bom dia pra ele, e ele deve estar querendo me capotar numa hora dessas. E enquanto sexta eu me preocupava muito com isso, hoje, eu nem ligo. Olha que faz muito pouco tempo.
Me sinto idiota por isso, mas, com certeza, muito menos idiota do que ele (hoje).
Hoje estou preferindo exercer meu egocentrismo, meu egoísto, e manter meus pezinhos bem longe do chão. Além do mais, são só quatro quarta feiras. Muito menos que 15 anos, muito menos do quanto eu vou viver, nem é tão importante pra mim (hoje).
Mesmo que amanhã eu ame o Samuel pra sempre, queira fugir pra ver o Luís ou até mesmo com o Sérgio, espero querer escrever sobre isso.
E cá pra nós, instabilidade combina muito bem com esse tipo de coisa. Coisa, essa coisa de escrever.
Ou não, sei lá.
Talvez amanhã eu mude de ideia. Daqui dois anos, quem sabe.
E a crônica dois beijos é bem legal.

16 de mai. de 2010

Ceres Sete-Lagoana

-Oi, quero te conhecer. - diz o cara, e pega na minha mão – Qual é o seu nome, morena?
- Ceres. (sim, eu sei que ele não entendeu.)
Ele chega perto, e me dá um beijo na bochecha. Sinceramente, eu não ia perguntar o nome dele, porque eu não fazia questão. E ele, se estivesse tão preocupado em saber meu nome, ele tinha perguntado de novo; porque não, ninguém NUNCA entende de primeira. Por isso que agora até eu mesma me denomino “morena”.
E então, ele me dá outro beijo na bochecha. E na outra. E na outra de novo.
Até que eu virei de costas e saí andando.

Puta merda, mas que saco.
Aquele era o nº 18, eu acho. O décimo oitavo garoto que mexia comigo na mesma festa, o décimo oitavo que eu não me interessara.

- Ceres, aquele ali, de camisa azul, ele quer fazer parceria.
Parceria ? Que diabos eu estou fazendo aqui, pelo amor de Deus!

E eu ia, andava, levantava um pouquinho a perna, por causa do salto, ria um pouquinho, e até me deu vontade de dançar. Forró, sertanejo.
Afinal de contas, eu precisava me enturmar.

- Não, Ingrid, não, sem essa de parceria, que isso.
Ingrid sái, e vai falar com o dito cujo, que deve ter sido o décimo, por aí.
- Ceres, ele te chamou de playboyzinha, que ele nem sabe o que você está fazendo aqui, maior metida. Feia pra caralho.

Pois é, Ceres. Playboyzinha. Playboyzinha.
Essa é nova. E eu sou tão feia que ele queria me beijar. Bom. Isso quer dizer que os garotos daqui (34, pra ser mais exata), preferem as morenas, metidas, feias e playboyzinhas.

- Que foi, Roberto?
- Cé, lembra aquela calça apertada que eu tinha?
- Lembro, Roberto.
- Então, eu vou na festa hoje com uma mais apertada que aquela. Você vai?
- Ah, não sei, se o Léo for...
- Tá bom, chama ele então pra vocês irem.
- Beleza, Roberto.

Bom, eu fui à festa por conta do Roberto. Por conta no sentido de ele ter me chamado. Ele me vigiou a festa inteira, pelo o que eu sei não ficou com nenhuma garota. Vai ver que é porque toda vez que ele ia conversar com uma, ele tinha que ficar vigiando pra ver se eu estava olhando, e morrendo de ciúmes. Coisa que eu não fiz.

Número 30, 31, 32...
- Não.
- Neeem, fala pro seu amigo que eu to muito ocupada coçando meu pé agora.
- Eu sou seu sonho, é? Então vá dormir!

Por que, cara, por quê?
Por que nenhum daqueles 34 garotos eram o que eu quero?
Por que toda vez eu tinha que contar até 10 e falar “Samuel, Samuel!” em voz alta ?
Por que eu me obrigo a ser tão idiota?
Por que que ser sete-lagoana é tão, mas tão difícil?

Só porque eu sempre fui apaixonada pelo Sérgio?
Só porque eu estou ficando com o Samuel?
Só porque agora eu moro em Sete Lagoas?

É tão difícil entender que isso tudo não é culpa minha?
Então porque que a pior parte fica pra mim?
De que adiantava 34 se eu só quero um?

Não, eu ainda não consegui trocar de pizza preferida.

Sou uma garota sete-lagoana e frustrada.
Sou uma morena dos sonhos do nº 26.
Sou uma apreciadora de pizzas belo-horizontinas.
Sou uma idiota.

É difícil esconder desespero, desculpa.

6 de mai. de 2010

Verbos causadores de esforço, não.

Tirando a parte que eu tenho me sentido uma gorda sedentária ultimamente, as coisas estão indo bem.
Minha calça jeans preferida tá larga na bunda, e minha mãe disse que, se eu continuar atoa do jeito que eu estou, e emagrecendo desse jeito, vou ficar pelancuda antes dos quarenta, e isso sim é uma coisa terrível. Então cheguei à conclusão de que preciso de arranjar alguma coisa pra fazer.
Porra, que dor de cabeça é essa que eu estou sentindo agora, que isso.
Sei lá, pode ser arranjar um remédio pra tomar por causa dessa dor de cabeça, andar de bike, dar volta na lagoa de tarde, e hoje mais cedo, enquanto eu pensava nisso, eu só consegui levantar do sofá pra ir fazer compras com a minha mãe.
Quando eu cheguei em casa, eu descobri que a forma mais fácil de conseguir felicidade que eu tenho ao meu alcance é um saco de 66g de Fandagos. E quer saber? Essa felicidade que o Fandagos pode me proporcionar é totalmente instantânea, e depois do ultimo salgadinho vou ter vontade de chorar, de tanta dor na consciência.
É, eu estou assim. Como, tomo, digero e depois me dá vontade de morrer, porque eu vou ficar uma gorda. Sim, eu estou ficando doente, doida, sei lá.
Eu tenho que admitir que outras coisas me proporcionariam uma certa felicidade mais duradoura; isso claro, depois de muito esforço. E esforço está fora de cogitação agora.
Aliás, o esforço vai depender do resultado.
Tipo assim, depois de ter sonhado dois dias seguidos com o Sérgio, eu estou convicta (mais um pouco, se é que isso é possível) que se eu estivesse em BH numa hora dessas eu fugiria pra vê-lo.
O verbo FUGIR, diga-se de passagem, exige esforço. E claro,tudo isso é só uma suposição. (ironia)
E, agora, eu não consigo pensar em outro esforço que eu seria capaz de exercer. Não, estudar não conta.
Então o que eu vou (posso e quero) fazer é: levantar da cadeira, abrir o armário, pegar o meu saquinho de 66g de Fandangos (sorte minha que não é o tamanho família), comer, comer, comer, chorar, chorar, e chorar; ir pro banheiro, chegar na frente do espelho, levantar a blusa, pressionar a região abdominal com o indicador e o polegar, fazer uma cara de nojo. Depois abaixar a blusa, olhar a minha espinha que está deformando o meu rosto, passar pomada de própolis nela (de novo, pra ver se ela some), soltar o cabelo, prender o cabelo, trançar o cabelo, e acabar deixando ele solto, parar de novo, rir bastante pro espelho, extravasar a minha felicidade (não) odontológica, apagar a luz, talvez estudar pra prova de geografia, deitar, dormir, dormir, e acordar e fazer tudo de novo. A única de diferença é que amanhã de manhã talvez não tenha Fandangos, e eu vou usar maquiagem.
O que eu quis dizer que eu estou presa à minha rotina sem esforço.
E não vem me lembrar da existência do Samuel não, porque eu não esqueci dele, nem dos beijos com certa frenquência, durante cinco horas por dia, cinco dias por semana, aleatoriamente, sem compromisso, sem sonhos e, principalmente, sem futuro. Eu podia até fazer um tag "Samuel", mas não, desocupar meu coração pra ocupar de novo é uma oração com dois verbos que me causariam muito, mas muito esforço. Sem falar que eu não quero, não quero mesmo. E enciumar, por mais que não necessite de tanto esforço assim, ainda mais nessas condições nas quais nos encontramos, não é uma coisa que eu queira fazer, não mesmo. E que isso fique bem claro.
E quer saber? Gostar tanto de você assim já faz parte de mim, nem me causa esforço. Eu não gostando de você seria eu com algum problema psiquiátrico muito sério.

29 de abr. de 2010

Contra o Exercício de Pensar em Dúvidas

Dúvida.
Esse é tipo de coisa da qual eu não fico sem. Nem eu, nem ninguém.
Sabe o que é pior? Nós somos OBRIGADOS, todos os dias, a morar com ela, estudar com ela, beijar, abraçar, alisar, morder, apertar... e sim, isso é saco. 
Vai que alguma dúvida tem bafo, deixa cabelo no sabonete quando toma banho e ainda por cima copia seu dever?
Eu em particular, todos os dias, fico louquinha atrás das minhas respostas; porque minhas dúvidas têm bafo, e todas essas coisas desconfortáveis.
Eu não sei se meus amigos de BH pensam em mim com frequência igual a que eu penso neles, se em um futuro distante eu vou ser mãe, me enxer de pirralhinhos, ou, até então, ser uma louca, toda tatuada e cheia de piercing.
Ou pior: se vou ter minha casa própria, se vou comprar roupas legais, qual profissão vou exercer, se vou ficar com quem eu amo.
Gente, e se meus amigos me acham esquisita, se meus pais não estão satisfeitos comigo, se o cara que eu gosto não gosta de mim?
Pensar nisso tudo me mata de desespero, que merda.
Então, agora, cheguei à uma conclusão, e vou combinar isso comigo mesma:
se eu tiver dúvidas (é só uma suposição, porque, como eu já disse, eu tenho, e de sobra) eu vou tentar acabar com elas. É, foder com elas, tirá-las o poder de existir e me enxer o raio do saco, mandar elas pra puta que pariu.
Se eu não conseguir vou simplesmente não pensar nelas.
De que adianta ficar horas pensando em uma coisa incerta, totalmente fora do seu alcance?
Garota, para de ficar pensando se os garotos do VDG vão se casar com você. Se isso tiver que acontecer, vai acontecer e ponto final.
Garoto, não fica enxendo a cabeça com filme pornô se masturbando no banheiro. Não fica preocupado se a gatinha da sua sala vai te olhar. Sobe a calça e vai jogar um charme em cima dela, escrever uma música pra uma serenata, sei lá!
Vamos ser felizes não pensando nas dúvidas que não podemos achar as respostas!
Vamos ir pra "Religião do Destino", e acreditar no nosso potencial de alcançar nossos objetivos!
Eu digo por experiência própria.

p.s.: não me dirigi à ninguém.

Pauta para Projeto How Deal

28 de abr. de 2010

Morena

Passei a aula inteira preocupada com o que eu ia fazer em relação ao bilhete que eu recebi ontem. Singelo, talvez. Era do tal do namoradinho setelagoano de mentira, querendo que fosse de verdade. "Fala com a Ceres que a brincadeira acabou, que eu to gostando dela de verdade, e que quero ficar com ela." 
Tudo isso numa caligrafia supertremida, parecendo que de nervosismo, de tão forte que tava. Não sei se esse é o jeito de ele escrever. Vou olhar o caderno dele depois pra ter certeza.
Até que existiram duas situações um tanto quanto... estranhas.
Primeiro foi depois do recreio, antes da vídeoaula engraçada de Literatura. Cheguei, como quem não quer nada, como eu sempre fazia, e abracei ele.
Ele retribuiu.
Olha, vou ser sincera. Super sincera, na verdade. 
Sei lá sei ele só retribuiu, ou, não sei explicar direito. 
Só sei que eu senti um puto de um friozinho na barriga. Tá, foi um friozão. E também meu coração desparou.
Tudo isso deve ter durado uns dois segundos, porque quando eu reparei que tava ficando nervosa, acho que saí correndo. Acho porque eu fiquei meio estranha mesmo.
Por segundo, na hora da saída, eu fui toda felizinha pro lado da Millaine (minha outra amiguinha legal e setelagoana), e ela veio toda folgosa me perguntar se tinha acontecido alguma coisa. E quando eu falei que não, ela fechou a cara.
Em falar em Millaine, ela é muito gente boa, e estuda numa escola do lado da minha, o Dom Silvério. A gente pega o mesmo escolar, e como ela mesma disse: "Nós só não somos melhores amigas porque a gente se conhece a muito pouco tempo."
Enfim, enquanto ela ia me xingando porque não tinha rolado nem um beijinho depois do bilhete (e da carta) que ele tinha me mandado, a gente dá de cara com ele.
Peguei na mão dele, como eu sempre fazia, e quando eu fui dar um beijo no rosto dele; no meio do caminho, não sei se virava uns centímetrozinhos pra esquerda e lascava um beijo na boca dele de uma vez. No desespero, na falta de tempo, e no calor do momento, o beijo não foi nem no rosto nem na boca.
Tentei sair correndo de vergonha, mas a unica coisa que eu consegui fazer foi olhar pra ele.
Pela cara que ele olhou pra mim, parecia que ele estava era satisfeito. Ah, porra, eu fiquei foi com dor na consiência, mas quando eu reparei, tava rindo feito uma louca. Fodas, cara, fodas.
Eu PRECISO disso. Fodas, cara, fodas se não der em nada. Fodas se der também. 
Se eu contar que depois do Sérgio eu não beijei ninguém você aí que tá lendo vai rir da minha cara ? 
Fodas se você rir também, fodas.
Samuel, pode me chamar de morena o quanto quiser. Nunca te disse isso, mas eu adoro. Ganha um beijo amanhã se fala com charme! (Fodas se você riu)
Marcelo (Rubens Paiva), meu querido, me apaixonei por você, sério.

Eu gosto muito de falar palavrão.
Cheguei em casa, fui de uniforme e tudo pra cama. Que lindo, adoro roupa larga, meu uniforme tá igual um pijama. Dormi feito um cocô, e acho, não tenho certeza, que sonhei com o Samuel. 
Custei pra levantar e, pra minha surpresa, só dormi uma hora e meia.
Recebi um Cornetto Fellings da Mariana, a menina do chove-chuva, lá de são Paulo, e tô feliz até agora.
E puta merda, Lua, você tá linda tampadinha até os olhos de tanta nuvem.


26 de abr. de 2010

Feliz Ceres Velha

- Toma, Ceres.
- Obrigada, Ramon. - eu disse, quando ele pôs o bendito livro na minha mão.

Finalmente eu iria passar da página 53, e minha curiosidade de saber o que ia acontecer (o que aconteceu e todos os outros verbos) com o Marcelo (Rubens  Paiva)  ia ser saciada. Juro que até só agora eu entendi a minha tara por querer tanto ler esse livro.
À uns 3 anos atrás, a Karine, uma menina que pegava ônibus comigo e estudava na mesma escola que eu me disse que "Feliz Ano Velho" era um livro absurdo, e que o cara dele é um filho da puta, que só falava de seios e bocas alheias.
Karine, sua mentirosa!
Eu tenho total consciência de que o Marcelo nunca vai ler o que eu escrevo. Afinal de contas, além de pé no chão eu sou até bem pessimista, pelo menos às vezes. Mas eu fico feliz por você ter conseguido se sentar, andar de cadeira de rodas, ido no cinema e, puta merda! Como como o jeito que você descreve as coisas me fascina!
Agora, eu já passei da página 180. Tudo hoje. Eu simplesmente não consigo parar de ler. Depois de horas que todo mundo aqui estava pensando que eu estava domindo enquanto eu lia freneticamente, minha vista está supercansada. E sim, a possibilidade de eu sonhar que eu estava ouvindo o Bamba, num gramado enorme que provevelmente seria da USP é enorme.
Esse tipo de coisa toma conta de mim fácil. Aconteceu a mesma coisa com Crepúsculo, Lua Nova e afins; mas quando você sabe que que aquilo aconteceu de verdade com gente de verdade o efeito de êxtase é bem mais avassalador e selvagem.
Como eu sou arcaica! Me identifico com um jovem louco da década de 80, e meu sonho é conhecer uma pessoa assim que, de preferência esteja ao meu alcance. Não sei se é pedir muito, mas a minha vontade de crescer, ter uma visão política (não pelo fato de ter vivido certa repressão governamental, e sim por ser isso uma coisa que me é considerada útil), conseguir se apaixonar por coisas mínimas e torná-las vitais é enorme. Concluindo a ladainha toda, esse é meu objetivo.
Esses hormônios, essa coisa ridícula que dificulta ainda mais minha (nossa) passagem pelo pântano lamacento (?) que é a adolescência estão me deixando uma pessoa (muito) cismada, pensativa, irritadinha, (principalmente) chorona e desconformada. Não me sinto normal.
Ultimamente tenho A-DO-RA-DO falar muito palavrão, filosofar (apesar de as aulas de filosofia serem, em sua maioria, chatas), pensar em coisas chulas (tipo pornografia e coisas do gênero) e isso tá me deixando louca e, ao mesmo tempo, fascinada. Nem imaginava que essas coisas existiam.
Outra vontade que eu tenho é falar exatamente o que eu penso. A sensação de conseguir fazer isso seria praticamente a mesma de sair correndo na avenida Paulista na contra-mão (não sei a merda da reforma ortográfica não, porra!), e ainda por cima pelada. Parece que tem um elefante na minhas costas, e com ele eu não consigo realizar movimento, muito menos trabalho. (Prestei atenção na aula de Física. Beijo Afonso!)
Fico o dia inteiro pensando no meu cabelo que ERA tão lindo, no meu projeto-de-namoro-que-eu-sempre-sonhei que durou exatamente uma semana e um dia, na minha abstinência por um (dois ou mais) contato(s) físico(s) com o sexo oposto, nas lagoas, na empada, na minha coxa, na luz que eu meu pai acendeu, na minha bunda!
Nunca, nunca mais vou julgar as pessoas porque elas são cismadas, falam da mesma coisa (ou pessoa) o tempo todo, porque veem Isa tkm, tk+, seja lá o que for, usam calcinha (ou cueca) pequena, gostam de livros de amor super melancólicos ou, então, são indiferentes a mim.
Primeiro que tudo isso eu já fiz, faço, ou farei, Um exemplo é usar calcinhas pequenas. E fodas, eu falo "nunca", mesmo correndo o risco de não fazer de novo. 
Nesse caso, o verbo é "julgar". O que conta aqui é o pronome que vem antes. Não pode ser "eu".
Aliás, essa coisa de prometer e não cumprir às vezes é muito, mas muito convidativa pra mim, mas isso, de verdade, eu não gosto de fazer.
Camilla, eu ia escrever sobre sua beleza mineira, magra e sedutora e esconderijos idiotas, frágeis e não-óbvios que a felicidade usa, mas não, não me senti apta pra isso.
Bela, Gabi, Paulinha, Lika, Fernanda e Giovanna: vocês são as melhores amigas belohorizontinas do mundo, sério!
Marcelo, já já vou ir ler o que aconteceu depois que você terminou com a Marina, esperaê.

19 de abr. de 2010

Sobre Cartas não Destinadas, O de Sempre e Alface

Ontem a noite, reparei que tinham umas seis folhas de caderno, todas dobradas em quatro vezes, em cima da minha mesa.
Peguei e enfiei na mochila, pra depois ver o que era (ou até mesmo, relembrar, mas enfim).

Hoje de manhã, quando eu estava no ônibus indo pra escola, fui ver o que estava escrito nas folhas. Bom. Uma coisa eu posso afirmar: diziam o de sempre.
Uma delas é uma carta que eu escrevi pra Mariana, no dia 27 de janeiro, e não sei o por quê, mas ela ainda está comigo. Outra delas é onde eu escrevi o endereço dela, provavelmente pra mandar a carta depois. Coisa que, como você pode concluir, eu não fiz.

As outras quatro.
Sim, as outras quatro. Eu devia, sinceramente, pôr mais quatro posts no tag "Sérgio", porque se nos dias 23, 24, 25 e 26 de janeiro eu já tivesse internet em casa, sim, eu postaria tudo o que estava escrito aqui. Ou não, mas a gente não precisa de discutir isso agora (rumo aos 50!).

Depois que eu reparei que eu sou meio... sem uma outra inspiração a não ser a de sempre, já tinha acabado o primeiro horário. Física (sim, eu fiquei horas lendo e relendo).
Como nem todos os professores estavam dando aula, a maioria está de greve, a gente pôde sair, e depois voltar pra assistir o quarto horário.

Eu, o Ramon (No Mar), a Rúbia, a Gaby (sim, é com "y"), e a Andreza. (risquei o nome dela porque ela é muito chata, pelo menos na maioria das vezes. Ela fica me prometendo um pôster do Axl Rose *suspiro* faz tempo, mas nada. Mentirosa).

Demos uma volta na lagoa, e depois fomos pra biblioteca.
Como eu estava/estou numa puta preguiça de procurar os documentos pra fazer a ficha e pegar um livro, como qualquer pessoa normal faz, eu, pela segunda vez, estava indo na biblioteca pra continuar a ler o mesmo livro.

Sim, o livro é muito bom. E sim, estou apaixonada pelo cara do livro.
Ele é cara-de-pau, poético, toca violão, e pulou numa lagoa de meio metro de altura, estilo Tio Patinhas (assim que estava escrito), quebrou a quinta vértice da medula (acho que é isso), e vai (eu não li a parte que fala isso, mas eu sei que vai) ficar tetraplégico.

Ah, sem falar que ele tem uma posição política. Mesmo que eu não saiba que posição (política) é essa, eu tenho queda por caras inteligentes. Um cara burro não teria uma posição política. Ou tem.
Essa é outra coisa que não precisamos de discutir.

Saí da biblioteca com uma vontade enorme de enfiar na frente de um carro. Não me pergunte o por quê. Mas então, toda vez que eu ia atravessar a rua sem olhar, um "bom samaritano" parava e fazia um gesto de "´pode passar".
Resultado: estou viva, sem sequelas; e sem entender a minha vontade de morrer.

Assisti a aula de Português, e a professora ficava falando "que bonitinho" toda vez que eu falava do Samuel. E depois, quando eu estava esperando o tempo do quinto horário passar e meu escolar chegar, passa, do meu lado, a minha professora de Português.
Numa moto. Eu acho estranho, às vezes eu tenho que cair na real pra saber que professores têm uma vida fora da escola. Eu sei lá, vai que alguém comanda todos os professores e congelam eles enquanto eles não dão aula? - ignorância

Vim pra casa, deitei e dormi feito um bebê, por uma hora e meia, e minha mãe veio me cobrar as mudas de alface que a mãe da Rúbia falou que tinha de sobra.
Liguei pra Rúbia, ela veio com as mudas, minha mãe foi comprar pão faz muito tempo, e até agora não voltou.

Eu, o Léo e a Rúbia estamos vendo televisão. O nome do episódio da série é "Todo Mundo Odeia Garotas Altas e Magras".
Estou rindo feito louca.

Não, eu só ri um pouco.

P.S.: a Rúbia é alta e magra, a graça foi aí.
P.S.2: tô com fome, minha mãe podia chegar logo.
P.S.3: o nome do livro é "Feliz Ano Velho", do Marcelo Rubens Paiva, eu acho. Aliás, o Ramon tem ficha lá, ele podia pegar pra mim (o livro).
P.S.4: estou aprendendo a tocar violão. Consigo tocar tudo bonitinho, até um fá sustenido do caralho.
P.S.5: quero ir pra Belo Horizonte.
P.S.6: o céu tá bonito hoje.

12 de abr. de 2010

Mel, Código, Mentira, Aline, Convocação

Ele dá um pigarro, e quando vê que todo mundo estava dando atenção, respira, olha pra mim e diz: "Gente, olha o que eu escrevi pra minha amada: 

Ceres (coraçõeszinhos),

Você é uma morena linda.
Você é tudo de bom, super gata.

Não te quero por um dia
Nã te quero por um ano
Te quero por toda vida
Te quero porque te amo."

Samuel Reis

Esse é o tipo de coisa de aumenta o ego de qualquer uma.
Seria melhor se fosse de verdade.
Não, não é mentira.
Aliás, eu não sei o que que é.

Indepente de ser verdade ou não, me sinto bem. Me sinto bem com uma coisa incerta. O meu "namoro" com o eles (Setelagoanos de muito bom gosto, diga-se de passagem), é coisa de gente carente que não tem o que fazer.

E não vem me dizer que toda brincadeira tem um fundo de verdade não porque se não eu fico nervosa com você!

É literalmente ter tudo e não ter nada, ao mesmo tempo. Isso é frustrante, sabia?


PAY ATENTION, PLEASE !

Então vou fazer uma convocação: "morena chocolate", de estatura mediana, corpo esbelto (-n), cabelos compridos, que adora rock, ler sobre diversos assuntos e escrever sobre sua própria vida, se sente carente, e procura homens com idade média entre 16 e 20 anos com os seguintes quesitos (você pode - ou não - ignorar os parêntesis):


  1. Seja alto (ou baixo)

  2. Seja moreno (ou loiro)

  3. Goste de rock (ou pagode, também serve)

  4. Seja paciente

  5. Use piercings (ou seja evangélico e não use nada)

  6. Tenha cabelos curtos (ou longos)

  7. Use bigodes fartos, estilo Mário Broz (ou só costeleta, ou nada mesmo)

  8. Goste de ver filme abraçadinho (ou prefira não ver filme)

  9. Que entenda o meu tempo.

  10. Que escreva cartas de amor, principalmente.

  11. Se tiver carro, casa, e tiver como me sustentar, melhor ainda, fikdik.     

  12. Acho que pode ser alguém que faça meu coração bater mais rápido, faça a minha mão ficar gelada e esse tipo de coisa.

THANK YOU VERY MUCH PELA ATENTION (inglês booooom)    

10 de abr. de 2010

Praça, Perna, Mar, Sexta Feira 9

"Quebre a Perna!" Na até então língua teatral, isso quer dizer: Boa Sorte. Não sei se isso funciona com música, mããs ...
Conslusão: não me desejaram que eu quebrasse a perna, e eu não tive boa sorte.
De contra regra, eu virei cantora. Isso mesmo que você leu: can-to-ra.
Isso sim, podia acontecer com outra pessoa: mas não. Foi comigo. (can, pode, entendeu?)

Enfim, estávamos todos no salão nobre da escola. Todos os que estavam participando diretamente do Poemar't, a porcaria de projeto bimestral da escola. Nós tinhamos, até então, menos de uma semana pra organizar as coisas. Nos meses anteriores eu escrevi sim, uma peça de Teatro sobre "a cultura que vêm das praças", o tema da nossa série, baseado na "Praça é nossa". Vamos frisar que a professora falou que podia. Então, quando a coordenadora leu, ela me xingou muito, e disse que poderiam me processar por causa disso, que aquilo tava horrível, e mimimi. Foi aí que o Gilberto caiu do céu (com dinheiro no meio, qualquer um cái), e ajudou a gente a fazer alguma coisa bem legal. Era essa coisa bem legal que estávamos ensaiando, e eu, que antes era responsável por tudo, agora era uma simples contra regra. Sim, eu estava satisfeitíssima. Nós tínhamos uma semana pra ensaiar, eram poucas falas, e estava tudo sob controle. Não podia estar melhor. Sexta feira e pronto: todo aquele tormento acabava.

Na quinta, a menina que estava cantando, não estava conseguindo pegar o ritmo. Cantou, cantou, e NECA. Ela, frustrada, foi pro recreio. Eu tenho certeza absoluta que ela tava puta mesmo porque eu falei que cantar a música mais lentamente era fácil. Deviam achar que eu não sabia de nada.

Sim, eles estavam errados.

Enquanto ela foi pro recreio, eu sentei do lado do Samuel (meus olhos são dele, -n) que tava tocando teclado e consegui cantar a música, perfeitamente. Eu juro que não era minha intenção cantar no dia. Eu só queria mostrar pra todo mundo que até eu que nunca tinha ensaiado com o Samuel conseguiria facilmente pegar o ritmo. E a Gabriela conseguiu também. Fomos cantando, cantando, e quando eu terminamos, tava todo mundo com o queixo no chão, olhando, e o Gilberto bateu e bateu palmas, gritou umas duas vezes "Lindo!". O Samuel me olhou e fez uma cara muito... convidativa para que eu cantasse outra vez. Foi o que eu fiz. O que nós três fizemos. De novo. E de novo. Ninguém tava acreditando que eu sabia cantar. E eu não acreditava que a nossa voz podia ficar tão boa junto.

Foi aí que a Yasmin chegou, e eu fui explicar pra ela. Que, provavelmente, eu cantaria com ela, o Guilherme e o Samuel (a voz dele é uma coisa, meu Deus *-*). Primeiro ela "finjiu" uma certa aceitação. Depois ela disse que não ia cantar, e o Guilherme foi na dela. Depois, ela soltou a frase que todo mundo temia ouvir: "ou a gente, ou vocês." Pronto. Foi a conta de eu ficar nervosa, das tapa na testa e andar em círculos.

O Gilberto veio todo atencioso, tentou convencer a Yasmin a cantar todo mundo, pôxa, ia ficar muito legal. Ela tentou. Primeiro que só tinha um microfone, e ela enfiou o coitado na boca, e só saiu a voz dela, ela saía do ritmo, e obtivemos nenhuma melhora. Depois o Gilberto falou mais um tanto, e PIMBA! de repente a música fica perfeita, com todo mundo cantando, eu, Gabriela, Yasmin, Samuel e Guilherme. Não podia ter ficado melhor. Juro que me deu vontade de chorar e, pela primeira vez eu abracei a Yasmin com muita vontade.

Na sexta de manhã, a primeira primeira pessoa que eu encontro no corredor é a Gabriela, e ela diz que não, não ia cantar. Bom, eu fiquei triste, mas né, o que eu podia fazer ?
No mesmo dia, fomos pro local da apresentação ensaiar. Foram as meninas que apresentariam a poesia que o Guilherme queria transformar em música, e nós, que íamos cantar: Eu, Yasmin e Guilherme.

Bom, eu quase morri quando subi no palco, e olhando pra aquele tanto de cadeira vazia, não consegui deixar imaginar aquilo tudo cheio de gente, me olhando, OMG. Erramos a letra, saímos do ritmo, o Samuel errou algumas notas do teclado, e os meninos do 2º e do 3º anos riram muito da gente. Eu fiquei suuuuper tranquila em relação a isso, porque eles não sabiam da parte do teatro, que tinha o Ramon (ou No mar, como preferir), como personagem principal. Nós tinhamos um truque na manga, e isso era ÓTIMO.

Vim pra casa, arrumei o cabelo, escolhi escolhei roupa, passei o vestido que eu ia usar, e o tempo passou muito rápido, fui pra casa da Rúbia pra gente ir.
Chegando lá, encontramos com a Isabelle, uma das meninas que partiparam do teatro.

Uma coisa muito estranha que ficou martelando na minha cabeça, foi que na programação de todas as apresentações, na nossa série, que é o 1º ano, ficou por último.

Enfim, estava marcado pra começar às 19 horas. Eu não estava muito preocupada com horário, foi fascinante ver meus colegas sem uniforme, no salto, todo mundo chique, maquiado, nossa. O Bruno de terno, o Guilherme de blazer, o Ramon de Charles Chaplin! Tirando a Yasmin, claro, que sempre tá toda maquiada e emperequitada às 7 da manhã, nem fez tanta diferença, FATO.

Em falar em Yasmin... de manhã ela me fala que eu TINHA que ir de vestido e o Gilberto confirmou. Eu estava lá, com meu vestidinho e minha sandalinha na minha mochilinha e a Yasmin chega de calça jeans e sapatilha. Bom, ÓTIMO.

ISSO SE ELA NÃO TIVESSE LEVADO VESTIDO, POR QUERER, SABE POR QUÊ?  (voz fininha) "aaah Ceres, você vai ter que cantar de calça também, o vestido ficou feio, neeem." De novo eu dei um tapa na testa e comecei a andar em círculos, dessa vez pra não socar ela até os olhos dela saírem pra fora. Bom.

Fui pra cochia, porque lá tava quentinho, e só pra irritar, eu fui lá no banheiro, vesti meu vestido, subi no salto, retoquei a maquiagem, e queria só ver quem que ia falar que eu ia ter que cantar de calça jens por causa da Yasmin. Não é possível que eu passei meu vestido à toa. Vamos lembrar que meu vestido é balonè e com um tecido suuuper difícil de passar. Minha mãe nã tava aqui na hora não, tá?

Fui toda poderosa, pelos corredores da universidade, jogando o cabelo, e menino que me vê todo dia na escola assoviou pra mim. ÓTIMO. Eu estava totalmente apta a cantar, e cantar bem. Minha autoestima estava mais alta que o Ramon, e eu já tava pensando na cara de nojo do povo quando visse a Yasmin cantando do meu lado de calça jeans, e eu toda potente.
Tirando, claro, o fato de eu estar com a mochila nas costas, tava ofuscanto. (momento narciso)

Já tinha começado a apresentação, com muito tempo de atraso. Primeiro foram os pirralhos do 6º ano, depois o 3º ano da manhã (demorou). Enquanto isso, o Bruno, que namora a Juliele (uma das surdas da minha sala), o que tava de terno, pegou a rosa da lapela do Chaplin, ajoelhou na frente dela, e eu sei, eles conversaram por olhares (romântico). As outras meninas que são surdas faziam gestos pra Juliele beijar o Bruno, enquanto ela pegou a rosa da mão dele, deu um sorriso e fez um gesto de "beijar!? aqui !? cê tá doido!?" Eu, com todo meu poder de sedução, estava sentada numa escada caracol que tinha lá na cochia, que não dava pra lugar nenhum. O Samuel, meu tecladista preferido,o dono dos meus olhos (o dono do meu coração é o Geziel, o Guilherme é o dono da minha mão mais máscula e futuramente eu vou me casar com o Victor. É que a linha do amor da mãos da maioria deles se junta perfeitamente com a minha; eu tenho váárias Almas Gêmas setelagoas, só pra esclarecer as coisas) é, então, o Samuel, embalado no amor do Bruno e da Juliele, vestiu o blazer do Guilherme, pegou a rosa da Juliele, ajoelhou na frente da escada... (não, eu não vi isso, eu tava dormindo), e alguém gritou: "Olhaaaa, o Samuel vai se declarar pra Ceres!" Foi aí que eu olhei pra frente, e tava lá, no espaço entre um degrau e outro o Samuel, com o braço direito esticado com a rosa na mão. Ele respirou, olhou no meus olhos e disse: "Ceres, eu te amo! Namora comigo?" Eu fiz uma cara de "Hã?". Aí a ficha caiu, e eu fiquei parada, olhando pro Samuel. Foi só um segundo pra mim cair na gargalhada. Aí ele disse: "É, sabia que você tinha alguma coisa com o Geziel!" Nessa hora, coincidentemente caiu uma pétala da rosa, ele pegou do chão, pôs na minha mão e disse: "Isso foi o que sobrou do nosso amor, Ceres!" e saiu andando. Chorei o choro mais forçado que eu consegui, olhei pra pétala na minha mão, e chorei mais ainda. O Samuel voltou, me abraçou, e a gente começou a rir.
Todo mundo ficou sem entender, todo mundo acreditou. Gente, eu? Namorar com o Samuel? Aaah tá.

De repente, a menina que tava perto da cortina da cochia olha pra trás, com uma cara tremenda. Todo mundo que estava na cochia fez silêncio. Se não fez, é que eu não ouvi mais nada a não ser a música que vinha do palco. Era a MINHA música. A música que eu ia cantar,a original (a minha era paródia), o 3º ano tava tocando. Eu fiquei sem reação. Dessa vez eu chorei de verdade. Juro que desabei, ainda mais que eu vi outro Chaplin, outra donzela, outro bloco de Carnaval... era praticamente o nosso teatro, em dobro. A platéia inteira aplaude a apresentação deles, e pede pra cantar de novo. Eram aplausos atrás de aplausos.

Foi aí que eu entendi. Entendi o porquê de terem colocado o 3ºano pra apresentar primeiro. Eu não conseguia acreditar naquilo que eu via, que eu ouvia. Todos ficaram perplexos. A professora Fernanda, a coordenadora do projeto, me viu chorando, e perguntou o que tava acontecendo. Dei uma má resposta pra ela e fui pro banheiro. Quem tava lá, gente da minha escola com quem eu nunca tinha conversado, vendo meu desespero, ficaram preocupados.

Acho que eu nunca fiquei tão nervosa na minha vida. Tudo o que a gente tinha feito. Juro que até agora eu não consigo entender o que que aconteceu naquele lugar ontem. Chegou perto de mim um menino do 2º ano, e me falou assim que todo ano o 1º ano levava ferro em tudo o que fazia na escola. Eram os calouros contra os veteranos, é impossivel.

Em nenhum momento eu pensei em desistir. Retoquei a minha maquiagem, reanimei o povo (foi o que eu fiz o tempo todo, toda vez que alguma coisa dava errada), e a professora conseguiu colocar a nossa série pra apresentar no lugar do 2º ano.

Chegamos, apresentamos, como se nada tivesse acontecido. Os microfones sem fio falharam, ninguém se interessava, claro, estavam vendo tudo pela segunda vez. Aí chegou a minha vez. Em cima da hora, o Guilherme não queria cantar também, e ficou sumido atrás da Luisa. Eu estava convicta que eu conseguiria. Subimos no palco. Na hora, também, não acharam um microfone pro Samuel. Estava tudo nas nossas mãos. Nas minhas e nas da Yasmin (de calça).

Não me concetrei nas 600 pessoas que estavam me olhando, todas, 1.220 olhos me olhando, todos, ao mesmo tempo, acompanhando o estalar dos meus dedos nervosos.

O Samuel começou a tocar a música. Eu não sabia pra onde olhar. Peguei na mão da Yasmin, e me virei pra ela. Eu já tinha ensaiado olhando pra ela mesmo, não devia ser tão difícil.

A música deslisava fácil, precisa sobre meus lábios. Parecia que estava sob êxtase, até que eu senti a Yasmin apertanto a minha mão, bem na parte da musica onde tínhamos dificuldade.
Nessa hora eu ouvia, estranhamente, só minha voz. Era o microfone, falhando. Me abaixei pra dividir o microfone com a Yasmin. Olhei pra primeira fila e vi a Maria Rita, intérprete das meninas, fazendo um sinal de positivo.

Minha mão não suava. Nós não errávamos, estávamos em perfeita sintonia.

Quando acabou, e agradecemos, esqueci que pelo menos poucas, viriam palmas.
Eu não conseguia parar de sorrir. Eu fiz minha parte.

(Quando eu descobrir o que aconteceu pode deixar que eu conto.)

Sim, eu queria (muito) ter quebrado a perna.

7 de abr. de 2010

No Mar, nas Lagoas e na Paciência

Posso dizer que, de certa forma, a rotina sete lagoana me fascina. Ontem, depois da aula, fui com o Ramon, a Rúbia e a Natane na Casa da Cultura (que aliás, tá com uma exposição do Fernando Sabino muito... estranha) e na Biblioteca Pública, com a desculpa de achar as coisas pro trabalho de Artes.
Andamos a toa, cantamos, e ainda lemos o livro "Na cama com Bruna Surfistinha", que, por sua vez tinha um +18 de todo tamanho na capa.
Em falar em Ramon... ele é um caralegal. Deve ter 1,90m de altura, tem covinhas na bochecha (que as meninas - e a moça da cantina- adoram), meio tímido, inteligente, e tem alguma coisa que faz com que - pelo menos - eu tenha muita vontade de ficar perto dele.
Sem falar que o nome dele de trás pra frente fica "No mar", e ele nunca foi na praia.
Enfim, não, não estou apaixonada pelo Ramon, apesar do fato de eu me apaixonar muito fácil. Ou não. Muitas coisas mudaram dentro de mim.
Tava aqui pensando... se eu fosse embora daqui (mesmo que eu não quisesse), eu ia sentir falta daqui. Da empada, do Ramon, da Rúbia e até mesmo da professora de Biologia. Ela tem a voz irritante.
Cheguei a conclusão de que, pelo menos por enquanto, meu lugar é aqui. Eu estou aqui porque era isso que tinha que acontecer, e sim, a minha Teoria do Heroísmo vai se concretizar.
Tá bom, eu tenho que admitir que a minha vida tem ficado até bem emocionante por aqui.
Hoje eu estava avaliando a mão dos garotos da sala, e de um do segundo ano, que tava no meio, não sei o por quê. Eram 7 meninos, e a linha do amor de 5 de juntou simetricamente com a minha. Fiquei pasma. Sou contra regra da apresentação do Poemar't, o projeto bimestral. Converso com muita gente na escola, me acham estilosa e eu me sinto bem, obrigada.
A Isabela deve vir na próxima semana, pra a gente apoveitar a noite Sete Lagoana, e eu estou muito animanda. Aliás, ela tem um blog legal.
Queria ter alguma coisa mais legal pra contar. Mas né, fazer o quê ?
Paciência, Ceres, Paciência.

1 de abr. de 2010

Problema mãe: Saudade

Escola Estadual "Dr. Arthur Bernardes", Centro de Sete Lagoas, Minas Gerais. 

É aí onde eu estou estudando agora. 
Se a pessoa que tirou essa foto andasse mais alguns metros pra trás ela cairia na lagoa Paulina.
Se ela não caisse na lagoa, certamente atravessaria a rua e, se continuasse viva, pegaria um ônibus, e, facilmente chegaria aqui em casa.

Sorte sua - você que está lendo, que essa pessoa não tirou uma foto da minha cara agora. Eu queria muito, mas muito mesmo, conseguir escrever sobre esse lugar; sobre os professores, meus colegas, sobre as chuvas corriqueiras, sobre meus vizinhos (hum), e blá blá blá.
Mas não. Eu simplesmente não consigo. 

Hoje, a minha colega, a Rúbia, veio aqui. Ela é muito legal (claro que é, eu emprestei minha coleção de Capricho pra ela). Acho que o que fez com que a gente fosse... amiga, é que nós viemos de BH. No mesmo mês, e ainda por cima, temos mais ou menos o mesmo problema.

O nome desse problema é SAUDADE.
Saudade dos amigos.
Saudade da escola.
Saudade da casa.
Saudade do supermercado. (aliás, eu adoro supermercados)
Saudade da rua.
Saudade, saudade...

Quem sente saudade está, consequentemente, imerso em nostalgia.
Posso ser sincera? Se me perguntarem o que é nostalgia, eu não vou saber explicar. Só sei dicernir quando eu sinto ou não.
Enquanto, hoje, eu estava imersa em nostalgia, contei pra Rúbia todas as minhas histórias. Essas que provavelmente, se você me conhecer vai saber, de cór. O legal disso tudo, é que ela não sabia. Acho que ela, à essa altura, é a única que faria (como ela fez), uma cara de supresa quando eu contei pra ela o que tomo mundo já deve estar careca de saber. Todo mundo de Belo Horizonte, todos os meus amigos, meu pai, minha mãe... a cara de novidade dela de uma certa forma me deixava feliz. Ela ria do jeito que meu pé ficou gelado enquanto eu falava do Sérgio. (sim, agora é o pé.)

Mas do que que adianta?
Depois, quando a nostalgia tava quase me tampando os olhos (agora), eu lembrei, certinho, da Isabela em pé na cama do meu irmão, fazendo comentários na lista que eu tinha colada na porta do meu guarda-roupa. A lista de quem eu já tinha beijado, coisa de gente besta mesmo.
Ela estava com o predendor do cabelo dela na mão, que estava todo bonitinho como sempre, por cima de uma blusa verde. Ela estava usando uma bermuda, na altura do joelho, eu lembro como se fosse hoje. E como eu sinto saudade de ela ir na minha casa fim de semana, quando a gente não tinha nada pra fazer! De ir "tomar" açaí, de rir da besteira da outra.
Eu aqui, em Sete Lagoas... quando que, num sábado a Bela ia vir me ver porque tava a toa na casa do pai dela? Quando?

Não, era a Rúbia... ela e a cara de surpresa pelas minhas histórias. Eu queria uma cara de tédio. Queria ouvir um "de novo, Cé?"

Só pra depois descer as escadas, ir pra rua, tentar pensar em outra coisa pra, quem sabe, escrever uma história melhor do que aquela que eu tava contando, pra lembrar de outras, até.

Saudade.
Saudade da pracinha.
Saudade do sorvete de chocomenta.
Saudade da banca de revista (aqui no bairro não tem)
Saudade do Emídio.
Saudade do meu avô.
Saudade do chão de madeira.
Saudade da minha cama que fazia barulho.
Saudade da vista da minha janela.
Saudade da avenida.
Saudade da rua de cima.
Saudade do Bar do Fernando.
Saudade de tirar foto com a Fernanda.
Saudade de cantar com a Giovanna na rua.
Saudade dos verbos, dos substantivos, e tudo mais o que eu podia fazer... lá.
Saudade, saudade ...

Isso foi um post introspectivo?