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20 de dez. de 2010

Sobre Ditas Histórias de Amor

Já contei que é a Conspiração Vital que me fazia escrever. É uma espécie de "Inspiração Vital", segundo minha amiga Bia. Sabe qual é o problema? Não tem mais Conspiração Vital. Não tem.
Então você, minha querida, que sofre de amor platônico, de não ser correspondida, se sinta feliz.
Por que, quando isso tudo acabar, e você tiver um namorado lindo, planos pra faculdade, roupas legais, e, fazer o que gosta, com certeza, você vai custar a escrever. Tá bom, você pode ter sorte, tipo a Br Vieira, do blog Depois dos Quinze (que aliás, eu adoro). Pelo o que eu sei, aconteceu o mesmo com ela. O "amor-sofrimento" acabou, e ela foi escrever sobre outras coisas, e deu certo. Não, não é o meu caso, porque simplesmente eu não consigo mesmo. - Disse isso quando fui fazer pestana no violão, e depois eu consegui, mas mesmo assim, é diferente.- Então, voltando ao assunto, o sofrimento, a dúvida, e todas essas coisas rendem textos legais, seja de qualquer gênero. Isso não é um regra, porque senão todos os escritores famosos seriam um poço de tristeza e desilusão. Não conheço nenhum para poder dizer isso, mas né, toda regra tem sua excessão, e eu acho que nesse caso, as excessões são muitas.
Essa semana eu tentei escrever um trilhão de vezes aqui no blog. E não consegui. Toda vez que eu não dou conta, ou eu vou ver o blog da Br, o Depois dos Quinze, ou vou começar a ver o filme 500 Dias Com Ela (começar, porque eu nunca terminei). Pode parecer que não, mas isso tem uma ligação. Tudo aqui começou de uma história de amor. E histórias de amor que tem graça são as piores de viver. (Aliás, pensando bem, não são de amor). Foi assim que nasceu o Conspiração Vital, o Depois dos Quinze, e é disso que fala o filme. Não vou fazer sinopse nem essas coisas.
É isso que eu queria dividir com vocês. As ditas histórias de amor, mas sem amor rendem coisas boas, pelo menos nesses casos.
Agora já é tarde, está quase todo mundo de férias, com marca no braço, porque tomou sol de blusa.
Já dei duas ideias, dar uma lida no Depois dos Quinze e curtir a Zooey Deschanel nos seus melhores ângulos (isso foi meio "lésbico", mas tudo bem).

Filme "500 Dias Com Ela" na íntegra

Então, sinceramente, espero que você tenha uma história chata de viver, mas boa pra contar.

9 de dez. de 2010

Sete Lagoas Piscando

Eu estava sentada na cama, com as pernas cruzadas, e um alicate de unhas na mãos. Levava um dedo na boca, olhava com muita cautela para ele, para, depois, corta-lhe, de modo desapropriado as cutículas.
Meu coração ia contra todo o raciocínio: palpitava, pulava. Chegava a doer o peito.
Agora, deslizava o pincel sobre as unhas, com esmalte roxo.
- Tá horrível, Rúbia, olha isso. - E esticava as mãos, para poder analisá-las.
- Que isso, Ceres, pára.
Me distrai comendo, tomei um banho cauteloso. Estava atrasada, estava nervosa, estava louca, mas não demonstrava. Sai correndo e amarrando o cadarço do All Star.
Me despedi de Rúbia, subi no ônibus.
Vim sentada sem postura alguma. Desci, correndo, de novo, e olhando, periodicamente, mais exatamente de um em um segundo, as horas no celular.
Parei na esquina. Respirei fundo.
O fato de não vê-lo dali me deixava mais nervosa ainda. Dei mais alguns passos, até que minha respiração voltou ao normal. Eu entrelaçava meus próprios dedos com as duas mãos na frente do corpo.
Eu o vi. Parado, de costas para mim.
Continuei, no mesmo ritmo, a andar em sua direção.
"Será que ele vai me beijar?"
Soltei as mãos devagar.
"Não vira, não vira!"
Projetei as duas mãos, e fui chegando mais perto dele.
De uma vez segurei-o pela cintura, e ele se virou pra mim, assustado.
Primeiro: ele riu.
Nunca, nunca havia reparado o quão seu sorriso é bonito.
Ele me cumprimentou como sempre fazia, me abraçando.
- Como você está?
- Estou bem. - eu disse, apreensiva.
Segundo: ele, com carinho, pegou na minha mão, entrelaçando meus dedos nos dele.
Fazia muito calor. Ele estava com uma blusa de manga comprida com o Kurt Cobain estampado na frente. Eu havia elogiado essa blusa dias atrás.
- Você gosta de boné, Ceres?
- Não mesmo.
Ele riu, passando a mão direita na cabeça sem boné. Eu ri com ele.
- É, eu imaginei isso. - ele disse.
Eu sorri para ele.
"Deus, e ele que não me beija!"
Conversamos por horas. Para mim, foram horas. As mãos suavam, mas eu não largava, e duvido que ele pensasse nessa hipótese.
Paramos. Ele se virou para mim. Num susto, me beijou.
Até hoje, o peço para ver se consegue me beijar daquele jeito de novo.
Ele nunca consegue. A cada dia beijá-lo fica melhor.
Minhas mãos ele não solta. Cada pedaço do corpo dele é meu preferido: a cicatriz perto da boca, os lábios, as mãos, as pernas.
Morro de saudade quando ele vira a esquina. A blusa do Kurt Cobain, agora é minha.
Terceiro: Meu coração, agora é seu, Matheus. E vejo luzes piscando em todo lugar que eu vou, porque você está comigo.