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29 de nov. de 2012
Nuvens de tecido
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Ceres
Nuvens de tecido. Um despertar no paraíso. O corpo perdendo sua forma para unir-se ao Todo. Tornar-se nada, o orgasmo da despreocupação. Os olhos se fechando lentamente, cada objeto ao redor se borrando pouco a pouco. A câmera sai de foco, o último olhar se torna uma foto. Uma foto a viajar pela mente, a mente a viajar pelo espaço. A escuridão incolor se adensando, impondo-se em cada partícula do cérebro que a cada segundo -- o que seria o segundo? -- relaxa mais e mais. E o mais é uma palavra que se perde nessa imensidão da cegueira, pois afinal nada é mais do que esse mais do que esse mais. Nada mais que esse mais que se perde nessa imensidão da cegueira que não é mais do que esse mais do que esse mais.
Cortes e colagens, a mente como uma obra dadaísta, dadaísta obra a mente é uma colagem. Cortes, o cérebro como um diretor de cinema que entre tantas filmagens se vê obrigado a decidir o quê e onde deve ser retirado cortes onde quê e quando. Diretor de cinema deve ser retirado, filmagens obrigado. As memórias começam a se perder, nos tornamos um barco a viajar, a maré a ressaca a se perder um barco a se perder as memórias. Perde-se tudo, perde-se o mundo perde-se o chão perde-se a noção. A noção só resta a noção a pouca noção do que afinal é o chão em que viajamos então. O chão é mar é amar é amor é paixão. Nada é a noção, nada somos então.
A visita de Hypnos do Sono de Morfeu do R.E.M. da Solidão. Este sou eu nos holofotes perdendo minha religião. Hypnos Sono o que é religião Morfeu Solidão R.E.M. acho que eu falei demais. Começam os delírios desce-se nos rios. Todas as coisas se tornam sombras se tornam delírios desce-se nos rios. Se desce no rio se desse no rio se desse para pelo rio passar, atravessar uma vida inteira sem precisar descansar descansar sem pestanejar descansar uma vida inteira pelo rio passar se desse todas as coisas sombras todas as coisas sobram. Sobra-se coisas sobra-se sombras sobra-se tudo e não se vive se transborda uma vida inteira sobra-se sombras uma vida inteira se transborda uma vida inteira não se vive as memórias começam a se perder perde-se tudo perde-se sombras perde-se sobras e o mais é uma palavra que se perde nessa imensidão do mais que se perde perde-se tudo perde-se o mais nada mais que esse mais nessa imensidão de uma foto a viajar pela mente os olhos se fechando lentamente. Perde-se a gente.
Perde-se as horas. Os olhos se abrem, o despertador toca. Perde-se as sombras as sombras se perdem, perde-se a pouca realidade do nada-ser do nada-ser perde-se a realidade. O chão é a noção, no chão pisa-se os pés os pés pisam no chão. O sol a brilhar um futuro a começar, perde-se as memórias perde-se as sombras. Na minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam blá blá blá. As nádegas abandonam as nuvens de tecido, abandonam os nadas e ainda o paraíso. Perderam-se as horas e de volta estamos no mesmo mundo de antes. A câmera recupera o foco, o diretor afinal deve voltar ao seu posto. A vida deve voltar a ser dirigida, os olhos devem voltar à cegueira de ver tudo o que está a nossa frente. Perdem-se as sombras, perde-se a gente. E a gente volta a ser e a parecer gente, tudo volta a ter formato e voltamos a nos familiarizar com essa loucura de dar uma palavra e uma simetria a todas as coisas. Perdemos a razão para dizermo-nos racionais, o abrir dos olhos é um filme rodando para trás. Ande e prepare o café, está na hora de acordar rapaz.
11 de out. de 2012
Happy 18th
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Ceres
Hoje estava assistindo um filme quando ouvi a seguinte frase: "não é difícil ser feliz depois que a gente cresce" e entendi perfeitamente porque eu sou tão feliz.
Por tempos eu insisti tanto na tristeza sem ter muitas perspectivas, investi toda a minha pouca fé em coisas superficiais, nas paixões que tanto me enganei esperando encontrar o homem da minha vida, meu final feliz. Entrei de cabeça mesmo em todas as histórias e sofri, e chorei e doeu. Busquei respostas; já pensei até que suicídio podia ser uma dessas respostas. Precisava de soluções: eu vivia perdida, mas não sabia que estava perdida de mim mesma. Também briguei muito, xinguei muito, fui extremamente grossa com quem convivia e ainda sou assim, mas aos pouquinhos estou lapidando esses defeitos tão rudes.
Passei por muita coisa que me doeu e não me refiro a essa fase das desilusões, me refiro a minha família. Foram muitas barreiras, muito teste de fogo que eu passei com muita dificuldade, muita coisa que eu acreditava impiedosamente não merecer e que eram coisas além do meu tempo. E ai vem uma coisa que eu to sempre falando: os problemas não esperam você ter suporte emocional pra ser mais comodo pra você, eles simplesmente aparecem.
Acho que uma parte de mim sempre vai acreditar que eu passei por coisas além do meu tempo, como ter cuidado dos meus pais da forma que eu já cuidei, de ter tomado decisões que eu já tomei. Continuo e continuarei desejando que as dificuldades nunca cheguem pra ninguém da forma que chegaram a mim.
Sei que sempre abordo a temática do meu amadurecimento mas é que nos últimos tempos ter percebido isso tem sido uma coisa tão bonita pra mim. Tem sido lindo aceitar que tudo isso me tornou quem sou hoje e ver que o resultado de tanta coisa tem me tornado na pessoa maravilhosa que eu sou hoje. É isso mesmo: eu sou uma mulher maravilhosa, independente, muito segura de mim e estou completamente satisfeita com o rumo que a minha vida tem tomado. Não sou feliz o tempo inteiro, ainda acho que a gente tem que ser um pouquinho de tudo: um pouquinho de raiva, um pouquinho de tristeza, um pouquinho de contentação e de satisfação. Eu já tenho em mente: nunca vai vir nada que meus ombros não aguentem.
ps.: a frase é do filme "As Melhores Coisas do Mundo", se você queria assistir um filme taí uma ótima dica!
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8 de out. de 2012
Ficamos
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Ceres
Nos encontramos sem muita conveniência. Não nos olhamos no olhos e permanecemos o tempo inteiro de braços cruzados, afinal, tínhamos consciência de que era melhor assim. Choramos. Falamos. Reclamamos. Deduzimos. Fomos embora para nos encontrarmos novamente. Para não cruzarmos mais os braços. Para tomarmos vento e sol, já que não queríamos nos tomar. Para olhar o céu. Descobrimos que sabemos como estamos e como queremos estar. Mesmo assim nos contentamos em apenas esperar. Esperar qualquer milagre cair em nossas cabeças. Que o tempo avance em outro em que esteja tudo bem. Em que haja espaço. Que o passado não seja qualquer empecilho. No qual vamos dizer o que sentimos, o que queremos. Que sejamos nós para nossas próprias expectativas.
Vamos esperar. Vamos ver se isso vai passar, continuar, piorar, ou terminar. Temos tempo.
Também só sabemos que no final ficamos, enfim, no fim.
25 de ago. de 2012
"O que te sobra além das coisas casuais?"
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Ceres

Tenho pensado muito nessas coisas que a gente engole – essas palavras que chegam na pontinha da língua, mas voltam com a saliva e também aquelas palavras que ouvimos e fingimos que não nos doeu. As coisas que deixamos de viver por acharmos não estarmos prontos, por acharmos que aquela situação está à frente do nosso tempo ou por medo...
O que eu tenho pensado muito mesmo é em todas as palavras que eu ando engolindo acreditando que nenhuma delas vai me salvar desse meu medo tão profundo no meu âmago e em todas as palavras que eu consegui não engolir, mas não consegui dizê-las a quem eu queria tanto que ouvisse.
Uma dessas coisas que eu queria dizer é que eu entendo porque as pessoas não amadurecem. Entendo que seja mais fácil viver pelas coisas casuais porque a futilidade é um caminho mais fácil pra felicidade e é por isso que tem tanta gente fútil e vazia ao meu redor. Mas não vou brigar por isso, porque pra deixar de ser fútil e se aprofundar em relacionamentos e atitudes é preciso amadurecer e este é o grande problema.
Amadurecer é uma fase muito dolorosa na vida da gente e as pessoas tem tanto medo de sofrer, medo de se envolver, medo de falar o que querem, medo de serem elas.
O que me incomoda não é quando esse medo impede as pessoas de investirem no que sentem, o que me incomoda é quando elas começam a se aprofundar, mas percebem como é tão vasto ter intimidade e ficam com medo, se assustam e desistem. O que me incomoda é cada pessoa que eu vejo fugindo de ser mais profundo, de ser mais sensível. Me incomoda elas não quererem descobrir o que elas podem ser. Me incomoda elas desistirem por esse medo tão oculto e destrutivo em seu interior.
Quando é a hora da pessoa crescer, ela cresce... não dá pra fugir disso pra sempre.
1 de jul. de 2012
Coleção de Ilusão
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Ceres
(antes de começar a ler, favor clicar em play)
Então aqui vou eu recorrer ao maior clichê de escritores do mundo: falar sobre a dor amor.
É...vou falar sobre esse ciclo vicioso de não querer nada/encontrar alguém/se entregar totalmente ao sentimento e acabar. Estou colecionando ilusões e decepções amorosas ha alguns anos e já não tenho mais aonde guarda-las.É triste ser tão nova e pensar em desistir de tudo, como se nada fizesse sentido...
Dessa vez não foi uma ilusãozinha que pelo menos eu consiga ficar lembrando do Frejat cantando "procuro um amor que seja bom pra mim" porque ta na cara que se meus amores tivessem sido tão bons assim, eu ainda teria um amor.
Eu continuo vivendo nesse mundo de filmes de romances, de finais felizes, de que a esperança é a última que morre. Eu estou cansada de passar por isso DE NOVO. Porque DE NOVO, eu acreditei - e acreditei com tudo que tinha dentro de mim -que agora era pra sempre, que afinal, meu primeiro relacionamento sério e o mais longo podia ser tão longo que quando eu fosse velhinha estaria de mãos dadas com o mesmo cara, mas não estou de mãos dadas com ninguém.
Infelizmente eu sei que esse meu jeito não vai mudar, que eu vou viver esperando por uns tempos que tudo volte a ser como antes e que depois vou passar um tempo esperando não encontrar ninguém, pra não sofrer assim de novo. Mas depois, sei que vou encontrar alguém pra poder ter tudo de novo. E depois, depois, depois... sempre depois.O coração da gente nunca esquece, nunca cicatriza totalmente e cada vez a dor aumenta e em contra-partida a esperança também. E o segredo do meu coração é que eu sempre vou ter forças pra pensar em continuar e querer continuar. Até eu esquecer e essa dor passar não vai sair da minha cabeça: "pra que te esquecer, se o amor é tanto?..."
Eu queria aqui poder confiar a você (que já sabe tanto sobre mim) o que eu realmente sinto, mas tenho medo de admitir...medo de saber que as minhas certezas ainda são certas ou não. Eu queria saber se agora, os sentimentos de duvida, medo, ansiedade e dor também são recíprocos, mas eu também queria saber como não amar ninguém além do que eu sinto agora.
O que eu quero mesmo, é encontrar logo o "grande amor da minha vida" pra ter certeza de que ele não está entre as minhas ilusões. Essa é a maior dúvida da minha vida.
29 de jun. de 2012
Só deixar
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Ceres
Talvez eu não esteja completamente sã; afinal de contas, tenho dezessete anos e estou farta de sonhar, de planejar.
Por anos fui daquelas gordinhas iludidas, que cedia a concentração pra qualquer um mais sensível que arriscasse a me dar uns beijos. Concentração porque primeiro, não conseguia pensar ou falar de outra coisa. Segundo porque não deixava o coitado (nem ninguém) em paz com aquilo. Todo mundo tinha que saber que eu fui beijada, que eu gostei, e que eu tava muito afim de ser beijada de novo. E claro, quem sabe, com o detalhe de a parte do 'gostar' fosse totalmente recíproca.
Eu tinha a puta convicção que cada cara desses que eu beijei era o amor da minha vida. Que eles iam me beijar, gostar, me beijar de novo, me dar presentes, falar em namorar, ir pedir meu pai (que aliás, é enorme), e namorar comigo o namoro mais lindo e duradouro do mundo.
Mas isso não aconteceu. Com nenhum deles.
Custou uns vinte e poucos caras, e uns 7 anos.
Até que eu desisti. Beijava, mas agora era só para controlar meus hormônios que agora atuavam de fato. Me chamaram pra sair. Me falaram que gostavam de me beijar. Duvido nada que pediriam meu pai pra namorar comigo; mas agora era eu quem não queria.
Sabe qual é o problema disso tudo? Quem eu queria existe. Quem eu esperava apareceu. Sim, problema.
E eu nem dei para ele o trabalho de me pedir em namoro. Eu quem pedi.
Ir lá em casa? Claro, para apresentar você para meu pai. É, você, meu namorado. Não precisa pedir para ele.
Mesmo achando que tinha certeza que todos eles eram 'o cara certo', agora era de verdade. Quem e quando eu menos esperava.O problema mesmo é que tudo o que planejei eu mesma estraguei na hora H.
Eu não deixei você ser quem eu sempre quis para mim.
E cheguei à conclusão de que vou deixar você sonhar por mim de agora em diante, e fazer com que tudo se realize. Sem atropelar, sem forçar. Só deixar.
27 de jun. de 2012
nota de 4 de outubro
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Ceres
Pensando em como sempre consegui escrever e agora não mais; estava lendo meus posts antigos e esse me chamou a atenção (leia aqui).
Cheguei à algumas conclusões: No texto eu falava com indignação sobre o fato de ainda ter que voltar para BH toda semana. Agora isso é uma coisa que não me incomoda mais, porque tem um bom tempo que eu não vou lá e realmente já acho que Sete Lagoas é o melhor lugar do mundo (falem o que quiser).
Sinto saudade, sinto aperto, fico triste por não fazer mais parte da vida de cada um que ficou.
Mas sabe o que acontece? Daqui um tempo vou sentir é falta disso e mais um tanto.
Eu cresci. Para mim agora, passado serve para confortar (ou bagunçar) o coração. Serve de experiência.
Agora 4 de outubro é puro e simplesmente aniversário da Ana (nossa colaboradora aqui no blog), dia dos animais, e três dias depois de passar mais um ano com o Matheus.
Aprendi a lidar melhor com o tempo. Agora eu sei que temos a eternidade toda para crescer, e sofrer com isso é apenas opção. Viver todos esses "quatro de outubro" foram uma delícia, mas não quero que eles se repitam. Não quero retrocesso. E estou feliz assim.
Pronto. Agora eu sei porque eu não escrevo como antes: é porque eu mudei.
29 de mai. de 2012
Letras
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Ceres
Bruna esparramou-se no sofá da sala enrolada em um cobertor velho. Pousou a xícara de café na mesinha ao lado e abriu o livro. Não queria mais pensar, não queria mais se distrair. Estava cansada do mundo, cansada de suas responsabilidades, de ser um ser humano, de ser mulher. Queria experimentar o não-viver vivendo outra vida. Queria ficar de fora, apenas observando os outros, ou simplesmente ter o prazer de desistir de prosseguir com os caminhos de sua vida quando quisesse.
O frio arrepiava sua pele enquanto seus olhos seguiam cada frase do livro. Teve certa dificuldade para se desligar do tique-taque do relógio inquieto da sala. Estava um silêncio infinitamente prazeroso, e mesmo assim o tique-taque não parava. Era o tempo passando. Bruna sabia que poderia sentir o maior e mais inocente dos prazeres e o tempo jamais pararia de persegui-la. Preciso tomar uma decisão da minha vida, pensava. Ficar inerte não vai mudar nada.
A garota pensou em seus problemas, pensou nas possibilidades, pensou no porquê não estava entendendo a história que estava lendo. Voltou alguns parágrafos e obrigou-se a imaginar cada movimento da protagonista. Obrigou-se a imaginar cada emoção da protagonista. Obrigou-se a sentir uma empatia interativa, pois ela precisava ser a personagem para compreender as razões por trás de tudo.
Bruna tomou um gole de café e seus olhos não pararam mais. Frase após frase, sentia a ânsia de seguir o desenrolar de sua nova vida para enfim descobrir o final. Tudo faria sentido no final. Dentro de algumas horas esteve então em lugares que ela nem ao menos sabia imaginar direito. Deve ser truque da escritora, pensava, descrever pouco para deixar a imaginação de cada um interpretar o resto. Bruna então julgou pessoas que nem sequer existiam, mas que de alguma forma lhe lembravam alguém. Talvez conhecidos, amigos, ou talvez ela mesma.
Cada página virada era uma nova tragada de ar, cada passo adiante na história era uma nova sensação de encher seus pulmões de algo que não podia ser só oxigênio. Era algo melhor, era uma tranquilidade que lhe invadia aos poucos por poder não ser ela mesma. Era a tranquilidade de viver e ser alguém que não era ela, uma sensação de poder largar essa vida a qualquer momento e nunca mais voltar. Mas Bruna estava gostando dessa vida. Havia muitas pessoas desagradáveis e personagens tolos, mas ela gostava deles afinal.
Ela já não ouvia mais o tique-taque do relógio, mas sabia que ele não cessou. Nada parou, mas de alguma forma a garota se sentia suficientemente anestesiada. Sentia a vida em suas mãos, um livro aberto contendo a primeira grande descoberta do Homem. Quantos mil anos já não haviam se passado e continuava sendo fonte de cada vez mais descobertas! E afinal Bruna compreendeu, no descobrir de si mesma das páginas dos livros. Aos poucos seus problemas se desanuviavam e ela por fim conseguia ver a saída, a solução para tudo o que lhe incomodava. E a cada nova letra devorada por seus olhos, ela podia enxergar o mundo com maior clareza.
15 de jan. de 2012
Cinema: O Homem do Futuro
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Ceres
E agora? Que tal acabarmos com o preconceito dos filmes nacionais? Ontem vi um filme bem interessante, e achei que seria legal dividir com vocês.
João/Zero (Wagner Moura) é um cientista genial, mas infeliz porque há 20 anos atrás foi humilhado publicamente durante uma festa e perdeu Helena (Alinne Moraes), uma antiga e eterna paixão. Certo dia, uma experiência com um de seus inventos permite que ele faça uma viagem no tempo, retornando para aquela época e podendo interferir no seu destino. Mas quando ele retorna, descobre que sua vida mudou totalmente e agora precisa encontrar um jeito de mudar essa história, nem que para isso tenha que voltar novamente ao passado. Será que ele conseguirá acertar as coisas?
É com isso em mãos que Claudio Torres (que também escreveu o roteiro) cria então essa espécie de misto Efeito Borboleta, com as mesmas lições de moral e as mesmas conclusões, mas sem, em nenhum momento perder seu próprio foco e a simpatia. Acima de qualquer coisa O Homem do Futuro é um passatempo leve, sobre amor, escolhas e o quanto elas podem mudar o futuro.
Elenco
Fonte
Cinemaqui
Wikipédia
João/Zero (Wagner Moura) é um cientista genial, mas infeliz porque há 20 anos atrás foi humilhado publicamente durante uma festa e perdeu Helena (Alinne Moraes), uma antiga e eterna paixão. Certo dia, uma experiência com um de seus inventos permite que ele faça uma viagem no tempo, retornando para aquela época e podendo interferir no seu destino. Mas quando ele retorna, descobre que sua vida mudou totalmente e agora precisa encontrar um jeito de mudar essa história, nem que para isso tenha que voltar novamente ao passado. Será que ele conseguirá acertar as coisas?
É com isso em mãos que Claudio Torres (que também escreveu o roteiro) cria então essa espécie de misto Efeito Borboleta, com as mesmas lições de moral e as mesmas conclusões, mas sem, em nenhum momento perder seu próprio foco e a simpatia. Acima de qualquer coisa O Homem do Futuro é um passatempo leve, sobre amor, escolhas e o quanto elas podem mudar o futuro.
Elenco
- Wagner Moura como Zero
- Alinne Moraes como Helena
- Maria Luiza Mendonça como Sandra
- Gabriel Braga Nunes como Ricardo
- Fernando Ceylão como Otávio
- Jean Pierre Noher como Mayer (participação especial)
O filme é bastante empolgante, e é preciso bastante atenção para entendê-lo bem... Nessas viagens do tempo podem haver alguns conflitos, mas nada impede de absorver a essência.
Mas então, já sabem o que vão assistir nesse restinho de fim de semana?
Cinemaqui
Wikipédia
9 de dez. de 2010
Sete Lagoas Piscando
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Ceres
Eu estava sentada na cama, com as pernas cruzadas, e um alicate de unhas na mãos. Levava um dedo na boca, olhava com muita cautela para ele, para, depois, corta-lhe, de modo desapropriado as cutículas.
Meu coração ia contra todo o raciocínio: palpitava, pulava. Chegava a doer o peito.
Agora, deslizava o pincel sobre as unhas, com esmalte roxo.
- Tá horrível, Rúbia, olha isso. - E esticava as mãos, para poder analisá-las.
- Que isso, Ceres, pára.
Me distrai comendo, tomei um banho cauteloso. Estava atrasada, estava nervosa, estava louca, mas não demonstrava. Sai correndo e amarrando o cadarço do All Star.
Me despedi de Rúbia, subi no ônibus.
Vim sentada sem postura alguma. Desci, correndo, de novo, e olhando, periodicamente, mais exatamente de um em um segundo, as horas no celular.
Parei na esquina. Respirei fundo.
O fato de não vê-lo dali me deixava mais nervosa ainda. Dei mais alguns passos, até que minha respiração voltou ao normal. Eu entrelaçava meus próprios dedos com as duas mãos na frente do corpo.
Eu o vi. Parado, de costas para mim.
Continuei, no mesmo ritmo, a andar em sua direção.
"Será que ele vai me beijar?"
Soltei as mãos devagar.
"Não vira, não vira!"
Projetei as duas mãos, e fui chegando mais perto dele.
De uma vez segurei-o pela cintura, e ele se virou pra mim, assustado.
Primeiro: ele riu.
Nunca, nunca havia reparado o quão seu sorriso é bonito.
Ele me cumprimentou como sempre fazia, me abraçando.
- Como você está?
- Estou bem. - eu disse, apreensiva.
Segundo: ele, com carinho, pegou na minha mão, entrelaçando meus dedos nos dele.
Fazia muito calor. Ele estava com uma blusa de manga comprida com o Kurt Cobain estampado na frente. Eu havia elogiado essa blusa dias atrás.
- Você gosta de boné, Ceres?
- Não mesmo.
Ele riu, passando a mão direita na cabeça sem boné. Eu ri com ele.
- É, eu imaginei isso. - ele disse.
Eu sorri para ele.
"Deus, e ele que não me beija!"
Conversamos por horas. Para mim, foram horas. As mãos suavam, mas eu não largava, e duvido que ele pensasse nessa hipótese.
Paramos. Ele se virou para mim. Num susto, me beijou.
Até hoje, o peço para ver se consegue me beijar daquele jeito de novo.
Ele nunca consegue. A cada dia beijá-lo fica melhor.
Minhas mãos ele não solta. Cada pedaço do corpo dele é meu preferido: a cicatriz perto da boca, os lábios, as mãos, as pernas.
Morro de saudade quando ele vira a esquina. A blusa do Kurt Cobain, agora é minha.
Terceiro: Meu coração, agora é seu, Matheus. E vejo luzes piscando em todo lugar que eu vou, porque você está comigo.
Meu coração ia contra todo o raciocínio: palpitava, pulava. Chegava a doer o peito.
Agora, deslizava o pincel sobre as unhas, com esmalte roxo.
- Tá horrível, Rúbia, olha isso. - E esticava as mãos, para poder analisá-las.
- Que isso, Ceres, pára.
Me distrai comendo, tomei um banho cauteloso. Estava atrasada, estava nervosa, estava louca, mas não demonstrava. Sai correndo e amarrando o cadarço do All Star.
Me despedi de Rúbia, subi no ônibus.
Vim sentada sem postura alguma. Desci, correndo, de novo, e olhando, periodicamente, mais exatamente de um em um segundo, as horas no celular.
Parei na esquina. Respirei fundo.
O fato de não vê-lo dali me deixava mais nervosa ainda. Dei mais alguns passos, até que minha respiração voltou ao normal. Eu entrelaçava meus próprios dedos com as duas mãos na frente do corpo.
Eu o vi. Parado, de costas para mim.
Continuei, no mesmo ritmo, a andar em sua direção.
"Será que ele vai me beijar?"
Soltei as mãos devagar.
"Não vira, não vira!"
Projetei as duas mãos, e fui chegando mais perto dele.
De uma vez segurei-o pela cintura, e ele se virou pra mim, assustado.
Primeiro: ele riu.
Nunca, nunca havia reparado o quão seu sorriso é bonito.
Ele me cumprimentou como sempre fazia, me abraçando.
- Como você está?
- Estou bem. - eu disse, apreensiva.
Segundo: ele, com carinho, pegou na minha mão, entrelaçando meus dedos nos dele.
Fazia muito calor. Ele estava com uma blusa de manga comprida com o Kurt Cobain estampado na frente. Eu havia elogiado essa blusa dias atrás.
- Você gosta de boné, Ceres?
- Não mesmo.
Ele riu, passando a mão direita na cabeça sem boné. Eu ri com ele.
- É, eu imaginei isso. - ele disse.
Eu sorri para ele.
"Deus, e ele que não me beija!"
Conversamos por horas. Para mim, foram horas. As mãos suavam, mas eu não largava, e duvido que ele pensasse nessa hipótese.
Paramos. Ele se virou para mim. Num susto, me beijou.
Até hoje, o peço para ver se consegue me beijar daquele jeito de novo.
Ele nunca consegue. A cada dia beijá-lo fica melhor.
Minhas mãos ele não solta. Cada pedaço do corpo dele é meu preferido: a cicatriz perto da boca, os lábios, as mãos, as pernas.
Morro de saudade quando ele vira a esquina. A blusa do Kurt Cobain, agora é minha.
Terceiro: Meu coração, agora é seu, Matheus. E vejo luzes piscando em todo lugar que eu vou, porque você está comigo.
14 de jun. de 2010
Sobre Ladrilhos e Ônibus
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Ceres
Amanhã de manhã eu quero acordar às 6 da manhã, me olhar no meu espelho grande do banheiro, vestir meu uniforme azul-marinho, colocar minha mochila laranja nas costas, e sair porta afora.; exatamente às 6:30.
Quando abrir o portão, a primeira coisa que eu quero ver é meu poste ainda acesco, no meu passeio, fazendo par com a minha castanheira pouco frondosa pelo outono. Meu passeio. Quantas vezes eu não me sentei ali. Quantas vezes não tomei chuva, não chorei, não amei... ali.
Descer a rua calçada com pedras grandes, devagar, por mais que estivesse atrasada; curtindo cada centrímetro da rua que um dia eu quis ladrilhar.
Quero, passar no portão da sua casa, e pensar: "Mais tarde eu passo aqui.". Atravessar a passarela do metrô, observando as grades amarelas, deixando que as lembranças tomem conta de mim.
Cerrar os olhos pra conseguir ver as horas na torre do relógio, jogar os cabelos para trás.
Esperar, subir e curtir o ônibus. É, o ônibus. Olhar, da janela suja, a vida alheia, que se repetia, dia após dia, certeira. E eu amo ver aquilo. O cara da moto, o semáforo, o cobrador, o motorista. A televisão ligada na Globo dentro da lanchonete.
Descer do ônibus, respirar a poluição do centro da cidade, passar na frente da igreja; ver um aglomerado de pessoas com a mesma roupa que eu.
Beijar, abraçar, "Bom Dia!".
Como eu quero chorar. Chorar, só por lembrar. Lembrar de quem estaria ali. Quem eu quero ver, quem eu quero sentir. Que raiva que me dá de saber onde eu quero estar, e não poder!
Me sinto idiota. Nove e meia da noite sete-lagoana. Amanhã de manhã, farei tudo o que não quero fazer.
Só hoje, por favor, me deixa voltar pra lá?
E que diabos é você que me impede de estar?
Quero você, calçada. Quero você, poste. Quero você, castanheira. Quero você, espelho; e tudo o que viria em vossa consequência.
Pelo menos, agora. Só hoje.
Só pra parar de doer.
Quando abrir o portão, a primeira coisa que eu quero ver é meu poste ainda acesco, no meu passeio, fazendo par com a minha castanheira pouco frondosa pelo outono. Meu passeio. Quantas vezes eu não me sentei ali. Quantas vezes não tomei chuva, não chorei, não amei... ali.
Descer a rua calçada com pedras grandes, devagar, por mais que estivesse atrasada; curtindo cada centrímetro da rua que um dia eu quis ladrilhar.
Quero, passar no portão da sua casa, e pensar: "Mais tarde eu passo aqui.". Atravessar a passarela do metrô, observando as grades amarelas, deixando que as lembranças tomem conta de mim.
Cerrar os olhos pra conseguir ver as horas na torre do relógio, jogar os cabelos para trás.
Esperar, subir e curtir o ônibus. É, o ônibus. Olhar, da janela suja, a vida alheia, que se repetia, dia após dia, certeira. E eu amo ver aquilo. O cara da moto, o semáforo, o cobrador, o motorista. A televisão ligada na Globo dentro da lanchonete.
Descer do ônibus, respirar a poluição do centro da cidade, passar na frente da igreja; ver um aglomerado de pessoas com a mesma roupa que eu.
Beijar, abraçar, "Bom Dia!".
Como eu quero chorar. Chorar, só por lembrar. Lembrar de quem estaria ali. Quem eu quero ver, quem eu quero sentir. Que raiva que me dá de saber onde eu quero estar, e não poder!
Me sinto idiota. Nove e meia da noite sete-lagoana. Amanhã de manhã, farei tudo o que não quero fazer.
Só hoje, por favor, me deixa voltar pra lá?
E que diabos é você que me impede de estar?
Quero você, calçada. Quero você, poste. Quero você, castanheira. Quero você, espelho; e tudo o que viria em vossa consequência.
Pelo menos, agora. Só hoje.
Só pra parar de doer.
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28 de mai. de 2010
Cabeludo Imaginário
Postado por
Ceres
Em falar em instabilidade... eu já disse que nunca quero me casar? E também que em hipótese alguma eu não terei filhos? Nem MEIO filho?
Pois é... isso foi até outro dia. Hoje mesmo, enquanto eu estava com a bunda suada na cadeira do salão, com o secador quente na cabeça; a Flávia (a queimadora de couro cabeludo) falava toda orgulhosa da filhinha dela, que nem dois meses tem, a Melissa. E eu: "Nossa, não tenho filho antes dos trinta nem a pau." - esse povo tá pegando o boi, porque eu falava que não ia ter era nunca!
E ela: "Que isso, Celes (é, Celes). Eu também falava isso. Agora, olha eu e a Melissa."
"É, Flávia. Filho é bom, mas dura muito." (li isso no livro do Mário Prata hoje de manhã).
Enfim, o que eu quero dizer com tudo isso é que em relação à relacionamentos duradouros, vestidos, noivo, buffet (huum), e tudo mais, eu tenho pensado (muito) diferente.
Eu ainda não consigo me imaginar barriguda, com um neném com cara de joelho no colo, achando a coisa mais linda do mundo. Mas já consigo imaginar como seria meu vestido de noiva. Vai combinar muito bem com a tatuagem que eu pretendo fazer depois dos 18 e os meus (futuros) piercings. E acredita que eu também consigo idealizar um noivo?
Tá, de qualquer maneira, casar é uma coisa muito definitiva. Vou deixar pra mudar de ideia sobre isso depois, nada de ficar enxendo (mais) a cabeça com isso agora.
Quem sabe até, ter um namorado a longo (looooongo) prazo, tipo uns 7, 8, 9 anos de namoro, cabeludo, roqueiro, tatuado e que tenha uma voz bonita. Nós podíamos morar num apertamento (lê-se apartamento) no centro, todo bonitinho, e teremos um cachorro também. Teremos brigas diárias, só pra depois ficar falando "Desculpa, a culpa foi minha!" se abraçar e se amar no sofá da sala. Com o cachorro olhando, e morrendo de carência. (Tá, essa foi ridícula).
Depois, se meus pais reclamarem por ausência de compromisso e presença de vagabundagem da nossa parte, poderíamos nos "casar": Cachorro em pé na sala, só pra ter testemunha, que por conicidência é a mesma sala que sempre faríamos as "pazes". Mas né, ninguém precisa saber disso. Eu de moletom e camisa de banda, ele de cueca samba canção. Sem padre. Nós engalobamos um texto pra ficar menos informal. Beijinho, beijinho. Pronto, estamos casados. Tomamos café. Pronto de novo, minha felicidade está completa.
Nossa, que emoção imaginar isso. Tá bom que na sala também poderia estar pai, mãe, sogro, sogra, amigos, agregados e tudo mais, mas como eu disse, é apertamento, não vai caber. E além do mais, só o cachorro ia ficar muito bom, eu acho. Ou não, sei lá. Só sei que eu e meu cabeludo imaginário não nos casaríamos formalmente.
Ainda, meu cabeludo, não consigo imaginar nossos filhos. Mesmo porque, você ainda não tem um rosto definido. Mas mesmo assim, onde você estiver agora, com quem estiver e todas essas coisas, espero que nossos sonhos sejam compatíveis. Ou se não forem, espero também, que depois de uma discussão (e uma conclusão) tenha uma sala (e um cachorro) disponível. Também espero, com todas as minhas forças que você exista mesmo.
Talvez eu até queira me casar. E quem sabe, me encher de filhos. É, mudei de ideia.
26 de mai. de 2010
Instabilidade
Postado por
Ceres
Acho que crônica é uma coisa bonita. Rápida, informal, objetiva, e às vezes dá um tesão danado escrever. Primeiro que você não precisa de ficar se preocupando com esquema de rimas, medida velha, medida nova, e todas essas coisas. Contando que você pense e saiba escrever, já é mais da metade do caminho andado. Não que hoje em dia as pessoas (eu) se preocupem com esse tipo de coisa, mas é sempre bom lembrar o quão é difícil escrever uma poesia, um artigo de opinião, ao até mesmo uma carta. E, não, não tenho um segundo motivo concreto.
Então, eu estava, agora, deitada na minha cama, lendo um livro. Um livro de crônicas, do Mário Prata; que é da biblioteca da escola, mas está comigo faz umas três semanas, mas isso não vem ao caso.
De início, quando eu li o "Crônicas" e o "Prata" na capa do livro admito que pensei: Nossa, deve ser parente da Liliane Prata.
Mas enquanto eu fui lendo, e descobri o verbo "sulfechar", eu me distraí o bastante pra não pensar muito nisso. Até que, de repente, procurando alguma crônica naquele livrão -foi o que disseram quando viram ele na minha carteira-, achei um com o título fofo, até: Beijando com Carinho. (Se não for isso me desculpe, porque nesse livrão todo não consegui achar a crônica de novo).
Bom, larguei minha Capricho aberta em cima da cama pra ler a crônica dos beijos, parecia mais interessante.
A primeira coisa que eu achei estranha foi ele estar citando a Capricho, e que a capa era a Yasmin Brunnet, que, na época, tinha 14 anos e, depois ele falou que hoje (lê-se 2003), o filho dele, Antônio (consequentemente, Prata), "ocupava" a última página. Antônio Prata, pai da Liliane Prata. Logo o Mário Prata é avô da Liliane prata, concluindo, eles são sim, parentes.
Porra, que lindo. Três gerações de cronistas. Será que quando eles preenchem alguma ficha pra alguma coisa eles colocam no lugarzinho da profissão "cronista"?
Será que, se um dia, eu for cronista, num outro dia, se eu tiver filhos eles também vão ser cronistas?
Essa espectativa toda é um delícia. Ainda mais quando você, na aula de Português interpreta uma crônica do Jô Soares, ou tem que ler uma do Fernando Sabino. Ah, que tesão!
É tão bom ser obrigada a fazer uma coisa que você sempre fez.
Fica melhor ainda quando você quer fazer isso o resto da vida!
Fica sensacional quando você só tem 15 anos, é egocentrista, e adora falar de você, da sua vida, dos seus amigos.
Fica sensacionalíssmo quando as pessoas gostam de ler o que você escreve.
Não sei se você que está lendo quer fazer tanto uma coisa quanto eu quero fazer isso. Como diz minha mãe, sou sonhadora demais, muito instável em relação às coisas que eu quero, e eu só me sinto bem escrevendo sobre meu mundinho egocentrista, egoísta, e todas essas coisas. Meu pai concordou, ele que completou dizendo "egocentrista" e "egoísta" de mim e do meu mundinho. Horrível.
Como eu ia dizendo, se você quer fazer muito uma coisa, tomara que amanhã você ainda queira fazer. Além do mais, estalbilidade é uma coisa muito bonita, coisa que geralmente eu não tenho. Ultimamente, venho andando tão instável, que, sexta feira eu amava o Samuel, mas hoje, quarta, que aliás, é nossa quarta quarta feira juntos, eu nem dei bom dia pra ele, e ele deve estar querendo me capotar numa hora dessas. E enquanto sexta eu me preocupava muito com isso, hoje, eu nem ligo. Olha que faz muito pouco tempo.
Me sinto idiota por isso, mas, com certeza, muito menos idiota do que ele (hoje).
Hoje estou preferindo exercer meu egocentrismo, meu egoísto, e manter meus pezinhos bem longe do chão. Além do mais, são só quatro quarta feiras. Muito menos que 15 anos, muito menos do quanto eu vou viver, nem é tão importante pra mim (hoje).
Mesmo que amanhã eu ame o Samuel pra sempre, queira fugir pra ver o Luís ou até mesmo com o Sérgio, espero querer escrever sobre isso.
E cá pra nós, instabilidade combina muito bem com esse tipo de coisa. Coisa, essa coisa de escrever.
Ou não, sei lá.
Talvez amanhã eu mude de ideia. Daqui dois anos, quem sabe.
E a crônica dois beijos é bem legal.
Então, eu estava, agora, deitada na minha cama, lendo um livro. Um livro de crônicas, do Mário Prata; que é da biblioteca da escola, mas está comigo faz umas três semanas, mas isso não vem ao caso.
De início, quando eu li o "Crônicas" e o "Prata" na capa do livro admito que pensei: Nossa, deve ser parente da Liliane Prata.
Mas enquanto eu fui lendo, e descobri o verbo "sulfechar", eu me distraí o bastante pra não pensar muito nisso. Até que, de repente, procurando alguma crônica naquele livrão -foi o que disseram quando viram ele na minha carteira-, achei um com o título fofo, até: Beijando com Carinho. (Se não for isso me desculpe, porque nesse livrão todo não consegui achar a crônica de novo).
Bom, larguei minha Capricho aberta em cima da cama pra ler a crônica dos beijos, parecia mais interessante.
A primeira coisa que eu achei estranha foi ele estar citando a Capricho, e que a capa era a Yasmin Brunnet, que, na época, tinha 14 anos e, depois ele falou que hoje (lê-se 2003), o filho dele, Antônio (consequentemente, Prata), "ocupava" a última página. Antônio Prata, pai da Liliane Prata. Logo o Mário Prata é avô da Liliane prata, concluindo, eles são sim, parentes.
Porra, que lindo. Três gerações de cronistas. Será que quando eles preenchem alguma ficha pra alguma coisa eles colocam no lugarzinho da profissão "cronista"?
Será que, se um dia, eu for cronista, num outro dia, se eu tiver filhos eles também vão ser cronistas?
Essa espectativa toda é um delícia. Ainda mais quando você, na aula de Português interpreta uma crônica do Jô Soares, ou tem que ler uma do Fernando Sabino. Ah, que tesão!
É tão bom ser obrigada a fazer uma coisa que você sempre fez.
Fica melhor ainda quando você quer fazer isso o resto da vida!
Fica sensacional quando você só tem 15 anos, é egocentrista, e adora falar de você, da sua vida, dos seus amigos.
Fica sensacionalíssmo quando as pessoas gostam de ler o que você escreve.
Não sei se você que está lendo quer fazer tanto uma coisa quanto eu quero fazer isso. Como diz minha mãe, sou sonhadora demais, muito instável em relação às coisas que eu quero, e eu só me sinto bem escrevendo sobre meu mundinho egocentrista, egoísta, e todas essas coisas. Meu pai concordou, ele que completou dizendo "egocentrista" e "egoísta" de mim e do meu mundinho. Horrível.
Como eu ia dizendo, se você quer fazer muito uma coisa, tomara que amanhã você ainda queira fazer. Além do mais, estalbilidade é uma coisa muito bonita, coisa que geralmente eu não tenho. Ultimamente, venho andando tão instável, que, sexta feira eu amava o Samuel, mas hoje, quarta, que aliás, é nossa quarta quarta feira juntos, eu nem dei bom dia pra ele, e ele deve estar querendo me capotar numa hora dessas. E enquanto sexta eu me preocupava muito com isso, hoje, eu nem ligo. Olha que faz muito pouco tempo.
Me sinto idiota por isso, mas, com certeza, muito menos idiota do que ele (hoje).
Hoje estou preferindo exercer meu egocentrismo, meu egoísto, e manter meus pezinhos bem longe do chão. Além do mais, são só quatro quarta feiras. Muito menos que 15 anos, muito menos do quanto eu vou viver, nem é tão importante pra mim (hoje).
Mesmo que amanhã eu ame o Samuel pra sempre, queira fugir pra ver o Luís ou até mesmo com o Sérgio, espero querer escrever sobre isso.
E cá pra nós, instabilidade combina muito bem com esse tipo de coisa. Coisa, essa coisa de escrever.
Ou não, sei lá.
Talvez amanhã eu mude de ideia. Daqui dois anos, quem sabe.
E a crônica dois beijos é bem legal.
12 de mai. de 2010
Analogia da Pizza
Postado por
Ceres
Pensar em tanta coisa ao mesmo tempo é normal?
Se for normal, por favor, me perdoe por estar enlouquecendo.
Preciso lembrar que acho que estou começando a querer me esforçar para fazer alguma coisa.
Primeiro porque não fazer exatamente nada interfere na produção de colágeno, e não, não quero que a gravidade não fique ao meu favor, mesmo porque, eu só tenho 15 anos.
Segundo, é que eu acho de suma importância que eu – pelo menos, eu - seja feliz.
É. Feliz. E, por mais que eu já tenha passado (gastado, jogado, ou qualquer outro verbo desse gênero) dois anos da minha vida me “doando” por uma mesma e nada justa causa, acho que agora é hora de dar um basta nisso.
Não, eu não disse que seria fácil, muito menos rápido.
Isso tudo consiste numa técnica, ou, se preferir, em pura sorte. E toda sorte só existe de braços dados com o esforço. É como se fossem um casal: um não existe sem o outro.
Contudo, podemos concluir triunfalmente que sim, eu (e todos que quiserem um conselho, mesmo que seja meu) precisamos de um esforço. Queremos sorte, certo?
Então, teremos que nos esforçar. Eu tenho que me esforçar. E é exatamente isso que eu vou fazer.
Posso começar me apaixonando perdidamente pelo Samuel. Esse pode ser meu segundo objetivo, porque o primeiro, claro é não olhar tantas fotos do Sérgio.
Aliás, eu observei uma coisa em comum com garotos belo-horizontinos envolvidos de forma amorosa comigo. E todos praticamente têm a mesma história que, se entrelaçam. Isso é outra coisa que vem me levando vagarosamente pelo precipício da loucura.
Enfim, essa tal coisa que eu observei foi a seguinte: eu Ceres, me apaixono. Eles, garotos ajudam e praticamente me obrigam a fazer isso (não vou citar nomes, mesmo porque, não precisa). Preciso frisar que é impressionante o poder deles de fazer isso comigo. Ou gostam de Coldplay, ou têm pernas, queixos, cabelos e palavras espetaculares. E claro, com muito sensacionalismo e exagero.
Depois de um certo tempo; que pode ser denominado dia ou, no máximo, semana, eles simplesmente somem. Me deixam, ao léu, sozinha, triste, abandonada e chorosa.
E assim eles faziam: alternando. Primeiro um, e quando o outro reparava que eu estava prestes a contar pra minha mãe que eu estava apaixonada, ele combinava com o segundo. Aí o primeiro sumia, eu chorava, o segundo aparecia, e assim ia. Sim, eu me apaixonava fácil, e muito rápido.
Esse é o “apaixonar entre aspas”, fogo de palha, coisa de gente boba, que,aliás, é um delícia.
Tipo, primeiro eu só gostava de mussarela e calabresa, ai depois que eu comecei a apreciar à moda, à portuguesa e às vezes catupiry, essa coisa de dor de coração diminuiu.
Agora que eu estou retratando o meu sofrer super esforçado, cheguei à conclusão de que talvez esses mineiros maldosos tenham um complô contra mim, mas eu nem ligo.
Depois que eu vim pra cá, comecei a me interessar por outros sabores, sabe? E às vezes mussarela e calabresa ainda vêm com a frase: “Ceres, desculpa, eu fui um burro, joguei muito tempo fora em relação à você.” Aí eu digo: ”Pois é, (nome do sabor correspondente), eu, agora, não posso fazer muita coisa. Se você fosse menos burro, agora nós podíamos estar fazendo 1 (ou dois) anos de namoro.”
(Lembrando que a duração do namoro hipotético corresponde ao sabor).
Sabe o que eu faço depois? Invento um outro sabor pra gostar. Por mais que seja difícil trocar de sabor preferido, assim, na hora que quer, é até bem divertido.
Já disse que eu adoro analogias? E pizza também, claro.
Se for normal, por favor, me perdoe por estar enlouquecendo.
Preciso lembrar que acho que estou começando a querer me esforçar para fazer alguma coisa.
Primeiro porque não fazer exatamente nada interfere na produção de colágeno, e não, não quero que a gravidade não fique ao meu favor, mesmo porque, eu só tenho 15 anos.
Segundo, é que eu acho de suma importância que eu – pelo menos, eu - seja feliz.
É. Feliz. E, por mais que eu já tenha passado (gastado, jogado, ou qualquer outro verbo desse gênero) dois anos da minha vida me “doando” por uma mesma e nada justa causa, acho que agora é hora de dar um basta nisso.
Não, eu não disse que seria fácil, muito menos rápido.
Isso tudo consiste numa técnica, ou, se preferir, em pura sorte. E toda sorte só existe de braços dados com o esforço. É como se fossem um casal: um não existe sem o outro.
Contudo, podemos concluir triunfalmente que sim, eu (e todos que quiserem um conselho, mesmo que seja meu) precisamos de um esforço. Queremos sorte, certo?
Então, teremos que nos esforçar. Eu tenho que me esforçar. E é exatamente isso que eu vou fazer.
Posso começar me apaixonando perdidamente pelo Samuel. Esse pode ser meu segundo objetivo, porque o primeiro, claro é não olhar tantas fotos do Sérgio.
Aliás, eu observei uma coisa em comum com garotos belo-horizontinos envolvidos de forma amorosa comigo. E todos praticamente têm a mesma história que, se entrelaçam. Isso é outra coisa que vem me levando vagarosamente pelo precipício da loucura.
Enfim, essa tal coisa que eu observei foi a seguinte: eu Ceres, me apaixono. Eles, garotos ajudam e praticamente me obrigam a fazer isso (não vou citar nomes, mesmo porque, não precisa). Preciso frisar que é impressionante o poder deles de fazer isso comigo. Ou gostam de Coldplay, ou têm pernas, queixos, cabelos e palavras espetaculares. E claro, com muito sensacionalismo e exagero.
Depois de um certo tempo; que pode ser denominado dia ou, no máximo, semana, eles simplesmente somem. Me deixam, ao léu, sozinha, triste, abandonada e chorosa.
E assim eles faziam: alternando. Primeiro um, e quando o outro reparava que eu estava prestes a contar pra minha mãe que eu estava apaixonada, ele combinava com o segundo. Aí o primeiro sumia, eu chorava, o segundo aparecia, e assim ia. Sim, eu me apaixonava fácil, e muito rápido.
Esse é o “apaixonar entre aspas”, fogo de palha, coisa de gente boba, que,aliás, é um delícia.
Tipo, primeiro eu só gostava de mussarela e calabresa, ai depois que eu comecei a apreciar à moda, à portuguesa e às vezes catupiry, essa coisa de dor de coração diminuiu.
Agora que eu estou retratando o meu sofrer super esforçado, cheguei à conclusão de que talvez esses mineiros maldosos tenham um complô contra mim, mas eu nem ligo.
Depois que eu vim pra cá, comecei a me interessar por outros sabores, sabe? E às vezes mussarela e calabresa ainda vêm com a frase: “Ceres, desculpa, eu fui um burro, joguei muito tempo fora em relação à você.” Aí eu digo: ”Pois é, (nome do sabor correspondente), eu, agora, não posso fazer muita coisa. Se você fosse menos burro, agora nós podíamos estar fazendo 1 (ou dois) anos de namoro.”
(Lembrando que a duração do namoro hipotético corresponde ao sabor).
Sabe o que eu faço depois? Invento um outro sabor pra gostar. Por mais que seja difícil trocar de sabor preferido, assim, na hora que quer, é até bem divertido.
Já disse que eu adoro analogias? E pizza também, claro.
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29 de abr. de 2010
Contra o Exercício de Pensar em Dúvidas
Postado por
Ceres
Dúvida.
Esse é tipo de coisa da qual eu não fico sem. Nem eu, nem ninguém.
Sabe o que é pior? Nós somos OBRIGADOS, todos os dias, a morar com ela, estudar com ela, beijar, abraçar, alisar, morder, apertar... e sim, isso é saco.
Vai que alguma dúvida tem bafo, deixa cabelo no sabonete quando toma banho e ainda por cima copia seu dever?
Eu em particular, todos os dias, fico louquinha atrás das minhas respostas; porque minhas dúvidas têm bafo, e todas essas coisas desconfortáveis.
Eu não sei se meus amigos de BH pensam em mim com frequência igual a que eu penso neles, se em um futuro distante eu vou ser mãe, me enxer de pirralhinhos, ou, até então, ser uma louca, toda tatuada e cheia de piercing.
Ou pior: se vou ter minha casa própria, se vou comprar roupas legais, qual profissão vou exercer, se vou ficar com quem eu amo.
Gente, e se meus amigos me acham esquisita, se meus pais não estão satisfeitos comigo, se o cara que eu gosto não gosta de mim?
Pensar nisso tudo me mata de desespero, que merda.
Então, agora, cheguei à uma conclusão, e vou combinar isso comigo mesma:
se eu tiver dúvidas (é só uma suposição, porque, como eu já disse, eu tenho, e de sobra) eu vou tentar acabar com elas. É, foder com elas, tirá-las o poder de existir e me enxer o raio do saco, mandar elas pra puta que pariu.
Se eu não conseguir vou simplesmente não pensar nelas.
De que adianta ficar horas pensando em uma coisa incerta, totalmente fora do seu alcance?
Garota, para de ficar pensando se os garotos do VDG vão se casar com você. Se isso tiver que acontecer, vai acontecer e ponto final.
Garoto, não fica enxendo a cabeça com filme pornô se masturbando no banheiro. Não fica preocupado se a gatinha da sua sala vai te olhar. Sobe a calça e vai jogar um charme em cima dela, escrever uma música pra uma serenata, sei lá!
Vamos ser felizes não pensando nas dúvidas que não podemos achar as respostas!
Vamos ir pra "Religião do Destino", e acreditar no nosso potencial de alcançar nossos objetivos!
Eu digo por experiência própria.
p.s.: não me dirigi à ninguém.
Pauta para Projeto How Deal
Esse é tipo de coisa da qual eu não fico sem. Nem eu, nem ninguém.
Sabe o que é pior? Nós somos OBRIGADOS, todos os dias, a morar com ela, estudar com ela, beijar, abraçar, alisar, morder, apertar... e sim, isso é saco.
Vai que alguma dúvida tem bafo, deixa cabelo no sabonete quando toma banho e ainda por cima copia seu dever?
Eu em particular, todos os dias, fico louquinha atrás das minhas respostas; porque minhas dúvidas têm bafo, e todas essas coisas desconfortáveis.
Eu não sei se meus amigos de BH pensam em mim com frequência igual a que eu penso neles, se em um futuro distante eu vou ser mãe, me enxer de pirralhinhos, ou, até então, ser uma louca, toda tatuada e cheia de piercing.
Ou pior: se vou ter minha casa própria, se vou comprar roupas legais, qual profissão vou exercer, se vou ficar com quem eu amo.
Gente, e se meus amigos me acham esquisita, se meus pais não estão satisfeitos comigo, se o cara que eu gosto não gosta de mim?
Pensar nisso tudo me mata de desespero, que merda.
Então, agora, cheguei à uma conclusão, e vou combinar isso comigo mesma:
se eu tiver dúvidas (é só uma suposição, porque, como eu já disse, eu tenho, e de sobra) eu vou tentar acabar com elas. É, foder com elas, tirá-las o poder de existir e me enxer o raio do saco, mandar elas pra puta que pariu.
Se eu não conseguir vou simplesmente não pensar nelas.
De que adianta ficar horas pensando em uma coisa incerta, totalmente fora do seu alcance?
Garota, para de ficar pensando se os garotos do VDG vão se casar com você. Se isso tiver que acontecer, vai acontecer e ponto final.
Garoto, não fica enxendo a cabeça com filme pornô se masturbando no banheiro. Não fica preocupado se a gatinha da sua sala vai te olhar. Sobe a calça e vai jogar um charme em cima dela, escrever uma música pra uma serenata, sei lá!
Vamos ser felizes não pensando nas dúvidas que não podemos achar as respostas!
Vamos ir pra "Religião do Destino", e acreditar no nosso potencial de alcançar nossos objetivos!
Eu digo por experiência própria.
p.s.: não me dirigi à ninguém.
Pauta para Projeto How Deal
28 de abr. de 2010
Morena
Postado por
Ceres
Passei a aula inteira preocupada com o que eu ia fazer em relação ao bilhete que eu recebi ontem. Singelo, talvez. Era do tal do namoradinho setelagoano de mentira, querendo que fosse de verdade. "Fala com a Ceres que a brincadeira acabou, que eu to gostando dela de verdade, e que quero ficar com ela."
Tudo isso numa caligrafia supertremida, parecendo que de nervosismo, de tão forte que tava. Não sei se esse é o jeito de ele escrever. Vou olhar o caderno dele depois pra ter certeza.
Até que existiram duas situações um tanto quanto... estranhas.
Primeiro foi depois do recreio, antes da vídeoaula engraçada de Literatura. Cheguei, como quem não quer nada, como eu sempre fazia, e abracei ele.
Ele retribuiu.
Olha, vou ser sincera. Super sincera, na verdade.
Sei lá sei ele só retribuiu, ou, não sei explicar direito.
Só sei que eu senti um puto de um friozinho na barriga. Tá, foi um friozão. E também meu coração desparou.
Tudo isso deve ter durado uns dois segundos, porque quando eu reparei que tava ficando nervosa, acho que saí correndo. Acho porque eu fiquei meio estranha mesmo.
Por segundo, na hora da saída, eu fui toda felizinha pro lado da Millaine (minha outra amiguinha legal e setelagoana), e ela veio toda folgosa me perguntar se tinha acontecido alguma coisa. E quando eu falei que não, ela fechou a cara.
Em falar em Millaine, ela é muito gente boa, e estuda numa escola do lado da minha, o Dom Silvério. A gente pega o mesmo escolar, e como ela mesma disse: "Nós só não somos melhores amigas porque a gente se conhece a muito pouco tempo."
Enfim, enquanto ela ia me xingando porque não tinha rolado nem um beijinho depois do bilhete (e da carta) que ele tinha me mandado, a gente dá de cara com ele.
Peguei na mão dele, como eu sempre fazia, e quando eu fui dar um beijo no rosto dele; no meio do caminho, não sei se virava uns centímetrozinhos pra esquerda e lascava um beijo na boca dele de uma vez. No desespero, na falta de tempo, e no calor do momento, o beijo não foi nem no rosto nem na boca.
Tentei sair correndo de vergonha, mas a unica coisa que eu consegui fazer foi olhar pra ele.
Pela cara que ele olhou pra mim, parecia que ele estava era satisfeito. Ah, porra, eu fiquei foi com dor na consiência, mas quando eu reparei, tava rindo feito uma louca. Fodas, cara, fodas.
Eu PRECISO disso. Fodas, cara, fodas se não der em nada. Fodas se der também.
Se eu contar que depois do Sérgio eu não beijei ninguém você aí que tá lendo vai rir da minha cara ?
Fodas se você rir também, fodas.
Samuel, pode me chamar de morena o quanto quiser. Nunca te disse isso, mas eu adoro. Ganha um beijo amanhã se fala com charme! (Fodas se você riu)
Marcelo (Rubens Paiva), meu querido, me apaixonei por você, sério.
Eu gosto muito de falar palavrão.
Cheguei em casa, fui de uniforme e tudo pra cama. Que lindo, adoro roupa larga, meu uniforme tá igual um pijama. Dormi feito um cocô, e acho, não tenho certeza, que sonhei com o Samuel.
Custei pra levantar e, pra minha surpresa, só dormi uma hora e meia.
Recebi um Cornetto Fellings da Mariana, a menina do chove-chuva, lá de são Paulo, e tô feliz até agora.
E puta merda, Lua, você tá linda tampadinha até os olhos de tanta nuvem.
Tudo isso numa caligrafia supertremida, parecendo que de nervosismo, de tão forte que tava. Não sei se esse é o jeito de ele escrever. Vou olhar o caderno dele depois pra ter certeza.
Até que existiram duas situações um tanto quanto... estranhas.
Primeiro foi depois do recreio, antes da vídeoaula engraçada de Literatura. Cheguei, como quem não quer nada, como eu sempre fazia, e abracei ele.
Ele retribuiu.
Olha, vou ser sincera. Super sincera, na verdade.
Sei lá sei ele só retribuiu, ou, não sei explicar direito.
Só sei que eu senti um puto de um friozinho na barriga. Tá, foi um friozão. E também meu coração desparou.
Tudo isso deve ter durado uns dois segundos, porque quando eu reparei que tava ficando nervosa, acho que saí correndo. Acho porque eu fiquei meio estranha mesmo.
Por segundo, na hora da saída, eu fui toda felizinha pro lado da Millaine (minha outra amiguinha legal e setelagoana), e ela veio toda folgosa me perguntar se tinha acontecido alguma coisa. E quando eu falei que não, ela fechou a cara.
Em falar em Millaine, ela é muito gente boa, e estuda numa escola do lado da minha, o Dom Silvério. A gente pega o mesmo escolar, e como ela mesma disse: "Nós só não somos melhores amigas porque a gente se conhece a muito pouco tempo."
Enfim, enquanto ela ia me xingando porque não tinha rolado nem um beijinho depois do bilhete (e da carta) que ele tinha me mandado, a gente dá de cara com ele.
Peguei na mão dele, como eu sempre fazia, e quando eu fui dar um beijo no rosto dele; no meio do caminho, não sei se virava uns centímetrozinhos pra esquerda e lascava um beijo na boca dele de uma vez. No desespero, na falta de tempo, e no calor do momento, o beijo não foi nem no rosto nem na boca.
Tentei sair correndo de vergonha, mas a unica coisa que eu consegui fazer foi olhar pra ele.
Pela cara que ele olhou pra mim, parecia que ele estava era satisfeito. Ah, porra, eu fiquei foi com dor na consiência, mas quando eu reparei, tava rindo feito uma louca. Fodas, cara, fodas.
Eu PRECISO disso. Fodas, cara, fodas se não der em nada. Fodas se der também.
Se eu contar que depois do Sérgio eu não beijei ninguém você aí que tá lendo vai rir da minha cara ?
Fodas se você rir também, fodas.
Samuel, pode me chamar de morena o quanto quiser. Nunca te disse isso, mas eu adoro. Ganha um beijo amanhã se fala com charme! (Fodas se você riu)
Marcelo (Rubens Paiva), meu querido, me apaixonei por você, sério.
Eu gosto muito de falar palavrão.
Cheguei em casa, fui de uniforme e tudo pra cama. Que lindo, adoro roupa larga, meu uniforme tá igual um pijama. Dormi feito um cocô, e acho, não tenho certeza, que sonhei com o Samuel.
Custei pra levantar e, pra minha surpresa, só dormi uma hora e meia.
Recebi um Cornetto Fellings da Mariana, a menina do chove-chuva, lá de são Paulo, e tô feliz até agora.
E puta merda, Lua, você tá linda tampadinha até os olhos de tanta nuvem.
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26 de abr. de 2010
Feliz Ceres Velha
Postado por
Ceres
- Toma, Ceres.
- Obrigada, Ramon. - eu disse, quando ele pôs o bendito livro na minha mão.
Finalmente eu iria passar da página 53, e minha curiosidade de saber o que ia acontecer (o que aconteceu e todos os outros verbos) com o Marcelo (Rubens Paiva) ia ser saciada. Juro que até só agora eu entendi a minha tara por querer tanto ler esse livro.
À uns 3 anos atrás, a Karine, uma menina que pegava ônibus comigo e estudava na mesma escola que eu me disse que "Feliz Ano Velho" era um livro absurdo, e que o cara dele é um filho da puta, que só falava de seios e bocas alheias.
Karine, sua mentirosa!
Eu tenho total consciência de que o Marcelo nunca vai ler o que eu escrevo. Afinal de contas, além de pé no chão eu sou até bem pessimista, pelo menos às vezes. Mas eu fico feliz por você ter conseguido se sentar, andar de cadeira de rodas, ido no cinema e, puta merda! Como como o jeito que você descreve as coisas me fascina!
Agora, eu já passei da página 180. Tudo hoje. Eu simplesmente não consigo parar de ler. Depois de horas que todo mundo aqui estava pensando que eu estava domindo enquanto eu lia freneticamente, minha vista está supercansada. E sim, a possibilidade de eu sonhar que eu estava ouvindo o Bamba, num gramado enorme que provevelmente seria da USP é enorme.
Esse tipo de coisa toma conta de mim fácil. Aconteceu a mesma coisa com Crepúsculo, Lua Nova e afins; mas quando você sabe que que aquilo aconteceu de verdade com gente de verdade o efeito de êxtase é bem mais avassalador e selvagem.
Como eu sou arcaica! Me identifico com um jovem louco da década de 80, e meu sonho é conhecer uma pessoa assim que, de preferência esteja ao meu alcance. Não sei se é pedir muito, mas a minha vontade de crescer, ter uma visão política (não pelo fato de ter vivido certa repressão governamental, e sim por ser isso uma coisa que me é considerada útil), conseguir se apaixonar por coisas mínimas e torná-las vitais é enorme. Concluindo a ladainha toda, esse é meu objetivo.
Esses hormônios, essa coisa ridícula que dificulta ainda mais minha (nossa) passagem pelo pântano lamacento (?) que é a adolescência estão me deixando uma pessoa (muito) cismada, pensativa, irritadinha, (principalmente) chorona e desconformada. Não me sinto normal.
Ultimamente tenho A-DO-RA-DO falar muito palavrão, filosofar (apesar de as aulas de filosofia serem, em sua maioria, chatas), pensar em coisas chulas (tipo pornografia e coisas do gênero) e isso tá me deixando louca e, ao mesmo tempo, fascinada. Nem imaginava que essas coisas existiam.
Outra vontade que eu tenho é falar exatamente o que eu penso. A sensação de conseguir fazer isso seria praticamente a mesma de sair correndo na avenida Paulista na contra-mão (não sei a merda da reforma ortográfica não, porra!), e ainda por cima pelada. Parece que tem um elefante na minhas costas, e com ele eu não consigo realizar movimento, muito menos trabalho. (Prestei atenção na aula de Física. Beijo Afonso!)
Fico o dia inteiro pensando no meu cabelo que ERA tão lindo, no meu projeto-de-namoro-que-eu-sempre-sonhei que durou exatamente uma semana e um dia, na minha abstinência por um (dois ou mais) contato(s) físico(s) com o sexo oposto, nas lagoas, na empada, na minha coxa, na luz que eu meu pai acendeu, na minha bunda!
Nunca, nunca mais vou julgar as pessoas porque elas são cismadas, falam da mesma coisa (ou pessoa) o tempo todo, porque veem Isa tkm, tk+, seja lá o que for, usam calcinha (ou cueca) pequena, gostam de livros de amor super melancólicos ou, então, são indiferentes a mim.
Primeiro que tudo isso eu já fiz, faço, ou farei, Um exemplo é usar calcinhas pequenas. E fodas, eu falo "nunca", mesmo correndo o risco de não fazer de novo.
Nesse caso, o verbo é "julgar". O que conta aqui é o pronome que vem antes. Não pode ser "eu".
Aliás, essa coisa de prometer e não cumprir às vezes é muito, mas muito convidativa pra mim, mas isso, de verdade, eu não gosto de fazer.
Camilla, eu ia escrever sobre sua beleza mineira, magra e sedutora e esconderijos idiotas, frágeis e não-óbvios que a felicidade usa, mas não, não me senti apta pra isso.
Bela, Gabi, Paulinha, Lika, Fernanda e Giovanna: vocês são as melhores amigas belohorizontinas do mundo, sério!
Marcelo, já já vou ir ler o que aconteceu depois que você terminou com a Marina, esperaê.
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17 de abr. de 2010
Inpiração à Jato por Longa Distância
Postado por
Ceres
Geralmente, é comum que pessoas normais que gostem de escrever sejam inspiradas por certas pessoas. É normal observar o jeito no qual certa pessoa mexe no cabelo, ri, te olha, e todas essas coisas que fazem com que certas pessoas sejam apaixonantes.
Com esse meu pensamento, chego a uma conclusão: eu não sou uma pessoa normal que gosta de escrever.
E sim, eu quero listar os motivos. Mas não, vou só citar mesmo. Aliás, listas irritam você?
Então. Está bem. Primeiro, é que eu não tenho como observar. Não tenho como sentir, e, muito menos, saber como está. De verdade.
Fico só pra... imaginar.
Seria ficção todas as minhas precipitações à longa distância (lê-se 70km)?
Ou será então que você está tão perto de mim que eu não preciso de estar tão perto pra que você me inspire?
Por mais que seja impossível ver, eu lembro.
Lembro de como você mexe nos cabelos, de como ri, de como olha pra mim, e todos os outros motivos dos quais fizeram com que eu me apaixonasse por você.
Sorte minha que você sabe sim, a falta que você me faz.
Isso me deixa feliz. E eu sei que você tá feliz, porque eu estou falando de você.
Mas de qualquer maneira, queria saber como foi o seu dia. E quem sabe, fazer parte dele. De novo.
Também espero que você se lembre de mim.
Com esse meu pensamento, chego a uma conclusão: eu não sou uma pessoa normal que gosta de escrever.
E sim, eu quero listar os motivos. Mas não, vou só citar mesmo. Aliás, listas irritam você?
Então. Está bem. Primeiro, é que eu não tenho como observar. Não tenho como sentir, e, muito menos, saber como está. De verdade.
Fico só pra... imaginar.
Seria ficção todas as minhas precipitações à longa distância (lê-se 70km)?
Ou será então que você está tão perto de mim que eu não preciso de estar tão perto pra que você me inspire?
Por mais que seja impossível ver, eu lembro.
Lembro de como você mexe nos cabelos, de como ri, de como olha pra mim, e todos os outros motivos dos quais fizeram com que eu me apaixonasse por você.
Sorte minha que você sabe sim, a falta que você me faz.
Isso me deixa feliz. E eu sei que você tá feliz, porque eu estou falando de você.
Mas de qualquer maneira, queria saber como foi o seu dia. E quem sabe, fazer parte dele. De novo.
Também espero que você se lembre de mim.
10 de abr. de 2010
Praça, Perna, Mar, Sexta Feira 9
Postado por
Ceres
"Quebre a Perna!" Na até então língua teatral, isso quer dizer: Boa Sorte. Não sei se isso funciona com música, mããs ...
Conslusão: não me desejaram que eu quebrasse a perna, e eu não tive boa sorte.
De contra regra, eu virei cantora. Isso mesmo que você leu: can-to-ra.
Isso sim, podia acontecer com outra pessoa: mas não. Foi comigo. (can, pode, entendeu?)
Enfim, estávamos todos no salão nobre da escola. Todos os que estavam participando diretamente do Poemar't, a porcaria de projeto bimestral da escola. Nós tinhamos, até então, menos de uma semana pra organizar as coisas. Nos meses anteriores eu escrevi sim, uma peça de Teatro sobre "a cultura que vêm das praças", o tema da nossa série, baseado na "Praça é nossa". Vamos frisar que a professora falou que podia. Então, quando a coordenadora leu, ela me xingou muito, e disse que poderiam me processar por causa disso, que aquilo tava horrível, e mimimi. Foi aí que o Gilberto caiu do céu (com dinheiro no meio, qualquer um cái), e ajudou a gente a fazer alguma coisa bem legal. Era essa coisa bem legal que estávamos ensaiando, e eu, que antes era responsável por tudo, agora era uma simples contra regra. Sim, eu estava satisfeitíssima. Nós tínhamos uma semana pra ensaiar, eram poucas falas, e estava tudo sob controle. Não podia estar melhor. Sexta feira e pronto: todo aquele tormento acabava.
Na quinta, a menina que estava cantando, não estava conseguindo pegar o ritmo. Cantou, cantou, e NECA. Ela, frustrada, foi pro recreio. Eu tenho certeza absoluta que ela tava puta mesmo porque eu falei que cantar a música mais lentamente era fácil. Deviam achar que eu não sabia de nada.
Sim, eles estavam errados.
Enquanto ela foi pro recreio, eu sentei do lado do Samuel (meus olhos são dele, -n) que tava tocando teclado e consegui cantar a música, perfeitamente. Eu juro que não era minha intenção cantar no dia. Eu só queria mostrar pra todo mundo que até eu que nunca tinha ensaiado com o Samuel conseguiria facilmente pegar o ritmo. E a Gabriela conseguiu também. Fomos cantando, cantando, e quando eu terminamos, tava todo mundo com o queixo no chão, olhando, e o Gilberto bateu e bateu palmas, gritou umas duas vezes "Lindo!". O Samuel me olhou e fez uma cara muito... convidativa para que eu cantasse outra vez. Foi o que eu fiz. O que nós três fizemos. De novo. E de novo. Ninguém tava acreditando que eu sabia cantar. E eu não acreditava que a nossa voz podia ficar tão boa junto.
Foi aí que a Yasmin chegou, e eu fui explicar pra ela. Que, provavelmente, eu cantaria com ela, o Guilherme e o Samuel (a voz dele é uma coisa, meu Deus *-*). Primeiro ela "finjiu" uma certa aceitação. Depois ela disse que não ia cantar, e o Guilherme foi na dela. Depois, ela soltou a frase que todo mundo temia ouvir: "ou a gente, ou vocês." Pronto. Foi a conta de eu ficar nervosa, das tapa na testa e andar em círculos.
O Gilberto veio todo atencioso, tentou convencer a Yasmin a cantar todo mundo, pôxa, ia ficar muito legal. Ela tentou. Primeiro que só tinha um microfone, e ela enfiou o coitado na boca, e só saiu a voz dela, ela saía do ritmo, e obtivemos nenhuma melhora. Depois o Gilberto falou mais um tanto, e PIMBA! de repente a música fica perfeita, com todo mundo cantando, eu, Gabriela, Yasmin, Samuel e Guilherme. Não podia ter ficado melhor. Juro que me deu vontade de chorar e, pela primeira vez eu abracei a Yasmin com muita vontade.
Na sexta de manhã, a primeira primeira pessoa que eu encontro no corredor é a Gabriela, e ela diz que não, não ia cantar. Bom, eu fiquei triste, mas né, o que eu podia fazer ?
No mesmo dia, fomos pro local da apresentação ensaiar. Foram as meninas que apresentariam a poesia que o Guilherme queria transformar em música, e nós, que íamos cantar: Eu, Yasmin e Guilherme.
Bom, eu quase morri quando subi no palco, e olhando pra aquele tanto de cadeira vazia, não consegui deixar imaginar aquilo tudo cheio de gente, me olhando, OMG. Erramos a letra, saímos do ritmo, o Samuel errou algumas notas do teclado, e os meninos do 2º e do 3º anos riram muito da gente. Eu fiquei suuuuper tranquila em relação a isso, porque eles não sabiam da parte do teatro, que tinha o Ramon (ou No mar, como preferir), como personagem principal. Nós tinhamos um truque na manga, e isso era ÓTIMO.
Vim pra casa, arrumei o cabelo, escolhi escolhei roupa, passei o vestido que eu ia usar, e o tempo passou muito rápido, fui pra casa da Rúbia pra gente ir.
Chegando lá, encontramos com a Isabelle, uma das meninas que partiparam do teatro.
Uma coisa muito estranha que ficou martelando na minha cabeça, foi que na programação de todas as apresentações, na nossa série, que é o 1º ano, ficou por último.
Enfim, estava marcado pra começar às 19 horas. Eu não estava muito preocupada com horário, foi fascinante ver meus colegas sem uniforme, no salto, todo mundo chique, maquiado, nossa. O Bruno de terno, o Guilherme de blazer, o Ramon de Charles Chaplin! Tirando a Yasmin, claro, que sempre tá toda maquiada e emperequitada às 7 da manhã, nem fez tanta diferença, FATO.
Em falar em Yasmin... de manhã ela me fala que eu TINHA que ir de vestido e o Gilberto confirmou. Eu estava lá, com meu vestidinho e minha sandalinha na minha mochilinha e a Yasmin chega de calça jeans e sapatilha. Bom, ÓTIMO.
ISSO SE ELA NÃO TIVESSE LEVADO VESTIDO, POR QUERER, SABE POR QUÊ? (voz fininha) "aaah Ceres, você vai ter que cantar de calça também, o vestido ficou feio, neeem." De novo eu dei um tapa na testa e comecei a andar em círculos, dessa vez pra não socar ela até os olhos dela saírem pra fora. Bom.
Fui pra cochia, porque lá tava quentinho, e só pra irritar, eu fui lá no banheiro, vesti meu vestido, subi no salto, retoquei a maquiagem, e queria só ver quem que ia falar que eu ia ter que cantar de calça jens por causa da Yasmin. Não é possível que eu passei meu vestido à toa. Vamos lembrar que meu vestido é balonè e com um tecido suuuper difícil de passar. Minha mãe nã tava aqui na hora não, tá?
Fui toda poderosa, pelos corredores da universidade, jogando o cabelo, e menino que me vê todo dia na escola assoviou pra mim. ÓTIMO. Eu estava totalmente apta a cantar, e cantar bem. Minha autoestima estava mais alta que o Ramon, e eu já tava pensando na cara de nojo do povo quando visse a Yasmin cantando do meu lado de calça jeans, e eu toda potente.
Tirando, claro, o fato de eu estar com a mochila nas costas, tava ofuscanto. (momento narciso)
Já tinha começado a apresentação, com muito tempo de atraso. Primeiro foram os pirralhos do 6º ano, depois o 3º ano da manhã (demorou). Enquanto isso, o Bruno, que namora a Juliele (uma das surdas da minha sala), o que tava de terno, pegou a rosa da lapela do Chaplin, ajoelhou na frente dela, e eu sei, eles conversaram por olhares (romântico). As outras meninas que são surdas faziam gestos pra Juliele beijar o Bruno, enquanto ela pegou a rosa da mão dele, deu um sorriso e fez um gesto de "beijar!? aqui !? cê tá doido!?" Eu, com todo meu poder de sedução, estava sentada numa escada caracol que tinha lá na cochia, que não dava pra lugar nenhum. O Samuel, meu tecladista preferido,o dono dos meus olhos (o dono do meu coração é o Geziel, o Guilherme é o dono da minha mão mais máscula e futuramente eu vou me casar com o Victor. É que a linha do amor da mãos da maioria deles se junta perfeitamente com a minha; eu tenho váárias Almas Gêmas setelagoas, só pra esclarecer as coisas) é, então, o Samuel, embalado no amor do Bruno e da Juliele, vestiu o blazer do Guilherme, pegou a rosa da Juliele, ajoelhou na frente da escada... (não, eu não vi isso, eu tava dormindo), e alguém gritou: "Olhaaaa, o Samuel vai se declarar pra Ceres!" Foi aí que eu olhei pra frente, e tava lá, no espaço entre um degrau e outro o Samuel, com o braço direito esticado com a rosa na mão. Ele respirou, olhou no meus olhos e disse: "Ceres, eu te amo! Namora comigo?" Eu fiz uma cara de "Hã?". Aí a ficha caiu, e eu fiquei parada, olhando pro Samuel. Foi só um segundo pra mim cair na gargalhada. Aí ele disse: "É, sabia que você tinha alguma coisa com o Geziel!" Nessa hora, coincidentemente caiu uma pétala da rosa, ele pegou do chão, pôs na minha mão e disse: "Isso foi o que sobrou do nosso amor, Ceres!" e saiu andando. Chorei o choro mais forçado que eu consegui, olhei pra pétala na minha mão, e chorei mais ainda. O Samuel voltou, me abraçou, e a gente começou a rir.
Todo mundo ficou sem entender, todo mundo acreditou. Gente, eu? Namorar com o Samuel? Aaah tá.
De repente, a menina que tava perto da cortina da cochia olha pra trás, com uma cara tremenda. Todo mundo que estava na cochia fez silêncio. Se não fez, é que eu não ouvi mais nada a não ser a música que vinha do palco. Era a MINHA música. A música que eu ia cantar,a original (a minha era paródia), o 3º ano tava tocando. Eu fiquei sem reação. Dessa vez eu chorei de verdade. Juro que desabei, ainda mais que eu vi outro Chaplin, outra donzela, outro bloco de Carnaval... era praticamente o nosso teatro, em dobro. A platéia inteira aplaude a apresentação deles, e pede pra cantar de novo. Eram aplausos atrás de aplausos.
Foi aí que eu entendi. Entendi o porquê de terem colocado o 3ºano pra apresentar primeiro. Eu não conseguia acreditar naquilo que eu via, que eu ouvia. Todos ficaram perplexos. A professora Fernanda, a coordenadora do projeto, me viu chorando, e perguntou o que tava acontecendo. Dei uma má resposta pra ela e fui pro banheiro. Quem tava lá, gente da minha escola com quem eu nunca tinha conversado, vendo meu desespero, ficaram preocupados.
Acho que eu nunca fiquei tão nervosa na minha vida. Tudo o que a gente tinha feito. Juro que até agora eu não consigo entender o que que aconteceu naquele lugar ontem. Chegou perto de mim um menino do 2º ano, e me falou assim que todo ano o 1º ano levava ferro em tudo o que fazia na escola. Eram os calouros contra os veteranos, é impossivel.
Em nenhum momento eu pensei em desistir. Retoquei a minha maquiagem, reanimei o povo (foi o que eu fiz o tempo todo, toda vez que alguma coisa dava errada), e a professora conseguiu colocar a nossa série pra apresentar no lugar do 2º ano.
Chegamos, apresentamos, como se nada tivesse acontecido. Os microfones sem fio falharam, ninguém se interessava, claro, estavam vendo tudo pela segunda vez. Aí chegou a minha vez. Em cima da hora, o Guilherme não queria cantar também, e ficou sumido atrás da Luisa. Eu estava convicta que eu conseguiria. Subimos no palco. Na hora, também, não acharam um microfone pro Samuel. Estava tudo nas nossas mãos. Nas minhas e nas da Yasmin (de calça).
Não me concetrei nas 600 pessoas que estavam me olhando, todas, 1.220 olhos me olhando, todos, ao mesmo tempo, acompanhando o estalar dos meus dedos nervosos.
O Samuel começou a tocar a música. Eu não sabia pra onde olhar. Peguei na mão da Yasmin, e me virei pra ela. Eu já tinha ensaiado olhando pra ela mesmo, não devia ser tão difícil.
A música deslisava fácil, precisa sobre meus lábios. Parecia que estava sob êxtase, até que eu senti a Yasmin apertanto a minha mão, bem na parte da musica onde tínhamos dificuldade.
Nessa hora eu ouvia, estranhamente, só minha voz. Era o microfone, falhando. Me abaixei pra dividir o microfone com a Yasmin. Olhei pra primeira fila e vi a Maria Rita, intérprete das meninas, fazendo um sinal de positivo.
Minha mão não suava. Nós não errávamos, estávamos em perfeita sintonia.
Quando acabou, e agradecemos, esqueci que pelo menos poucas, viriam palmas.
Eu não conseguia parar de sorrir. Eu fiz minha parte.
(Quando eu descobrir o que aconteceu pode deixar que eu conto.)
Sim, eu queria (muito) ter quebrado a perna.
Conslusão: não me desejaram que eu quebrasse a perna, e eu não tive boa sorte.
De contra regra, eu virei cantora. Isso mesmo que você leu: can-to-ra.
Isso sim, podia acontecer com outra pessoa: mas não. Foi comigo. (can, pode, entendeu?)
Enfim, estávamos todos no salão nobre da escola. Todos os que estavam participando diretamente do Poemar't, a porcaria de projeto bimestral da escola. Nós tinhamos, até então, menos de uma semana pra organizar as coisas. Nos meses anteriores eu escrevi sim, uma peça de Teatro sobre "a cultura que vêm das praças", o tema da nossa série, baseado na "Praça é nossa". Vamos frisar que a professora falou que podia. Então, quando a coordenadora leu, ela me xingou muito, e disse que poderiam me processar por causa disso, que aquilo tava horrível, e mimimi. Foi aí que o Gilberto caiu do céu (com dinheiro no meio, qualquer um cái), e ajudou a gente a fazer alguma coisa bem legal. Era essa coisa bem legal que estávamos ensaiando, e eu, que antes era responsável por tudo, agora era uma simples contra regra. Sim, eu estava satisfeitíssima. Nós tínhamos uma semana pra ensaiar, eram poucas falas, e estava tudo sob controle. Não podia estar melhor. Sexta feira e pronto: todo aquele tormento acabava.
Na quinta, a menina que estava cantando, não estava conseguindo pegar o ritmo. Cantou, cantou, e NECA. Ela, frustrada, foi pro recreio. Eu tenho certeza absoluta que ela tava puta mesmo porque eu falei que cantar a música mais lentamente era fácil. Deviam achar que eu não sabia de nada.
Sim, eles estavam errados.
Enquanto ela foi pro recreio, eu sentei do lado do Samuel (meus olhos são dele, -n) que tava tocando teclado e consegui cantar a música, perfeitamente. Eu juro que não era minha intenção cantar no dia. Eu só queria mostrar pra todo mundo que até eu que nunca tinha ensaiado com o Samuel conseguiria facilmente pegar o ritmo. E a Gabriela conseguiu também. Fomos cantando, cantando, e quando eu terminamos, tava todo mundo com o queixo no chão, olhando, e o Gilberto bateu e bateu palmas, gritou umas duas vezes "Lindo!". O Samuel me olhou e fez uma cara muito... convidativa para que eu cantasse outra vez. Foi o que eu fiz. O que nós três fizemos. De novo. E de novo. Ninguém tava acreditando que eu sabia cantar. E eu não acreditava que a nossa voz podia ficar tão boa junto.
Foi aí que a Yasmin chegou, e eu fui explicar pra ela. Que, provavelmente, eu cantaria com ela, o Guilherme e o Samuel (a voz dele é uma coisa, meu Deus *-*). Primeiro ela "finjiu" uma certa aceitação. Depois ela disse que não ia cantar, e o Guilherme foi na dela. Depois, ela soltou a frase que todo mundo temia ouvir: "ou a gente, ou vocês." Pronto. Foi a conta de eu ficar nervosa, das tapa na testa e andar em círculos.
O Gilberto veio todo atencioso, tentou convencer a Yasmin a cantar todo mundo, pôxa, ia ficar muito legal. Ela tentou. Primeiro que só tinha um microfone, e ela enfiou o coitado na boca, e só saiu a voz dela, ela saía do ritmo, e obtivemos nenhuma melhora. Depois o Gilberto falou mais um tanto, e PIMBA! de repente a música fica perfeita, com todo mundo cantando, eu, Gabriela, Yasmin, Samuel e Guilherme. Não podia ter ficado melhor. Juro que me deu vontade de chorar e, pela primeira vez eu abracei a Yasmin com muita vontade.
Na sexta de manhã, a primeira primeira pessoa que eu encontro no corredor é a Gabriela, e ela diz que não, não ia cantar. Bom, eu fiquei triste, mas né, o que eu podia fazer ?
No mesmo dia, fomos pro local da apresentação ensaiar. Foram as meninas que apresentariam a poesia que o Guilherme queria transformar em música, e nós, que íamos cantar: Eu, Yasmin e Guilherme.
Bom, eu quase morri quando subi no palco, e olhando pra aquele tanto de cadeira vazia, não consegui deixar imaginar aquilo tudo cheio de gente, me olhando, OMG. Erramos a letra, saímos do ritmo, o Samuel errou algumas notas do teclado, e os meninos do 2º e do 3º anos riram muito da gente. Eu fiquei suuuuper tranquila em relação a isso, porque eles não sabiam da parte do teatro, que tinha o Ramon (ou No mar, como preferir), como personagem principal. Nós tinhamos um truque na manga, e isso era ÓTIMO.
Vim pra casa, arrumei o cabelo, escolhi escolhei roupa, passei o vestido que eu ia usar, e o tempo passou muito rápido, fui pra casa da Rúbia pra gente ir.
Chegando lá, encontramos com a Isabelle, uma das meninas que partiparam do teatro.
Uma coisa muito estranha que ficou martelando na minha cabeça, foi que na programação de todas as apresentações, na nossa série, que é o 1º ano, ficou por último.
Enfim, estava marcado pra começar às 19 horas. Eu não estava muito preocupada com horário, foi fascinante ver meus colegas sem uniforme, no salto, todo mundo chique, maquiado, nossa. O Bruno de terno, o Guilherme de blazer, o Ramon de Charles Chaplin! Tirando a Yasmin, claro, que sempre tá toda maquiada e emperequitada às 7 da manhã, nem fez tanta diferença, FATO.
Em falar em Yasmin... de manhã ela me fala que eu TINHA que ir de vestido e o Gilberto confirmou. Eu estava lá, com meu vestidinho e minha sandalinha na minha mochilinha e a Yasmin chega de calça jeans e sapatilha. Bom, ÓTIMO.
ISSO SE ELA NÃO TIVESSE LEVADO VESTIDO, POR QUERER, SABE POR QUÊ? (voz fininha) "aaah Ceres, você vai ter que cantar de calça também, o vestido ficou feio, neeem." De novo eu dei um tapa na testa e comecei a andar em círculos, dessa vez pra não socar ela até os olhos dela saírem pra fora. Bom.
Fui pra cochia, porque lá tava quentinho, e só pra irritar, eu fui lá no banheiro, vesti meu vestido, subi no salto, retoquei a maquiagem, e queria só ver quem que ia falar que eu ia ter que cantar de calça jens por causa da Yasmin. Não é possível que eu passei meu vestido à toa. Vamos lembrar que meu vestido é balonè e com um tecido suuuper difícil de passar. Minha mãe nã tava aqui na hora não, tá?
Fui toda poderosa, pelos corredores da universidade, jogando o cabelo, e menino que me vê todo dia na escola assoviou pra mim. ÓTIMO. Eu estava totalmente apta a cantar, e cantar bem. Minha autoestima estava mais alta que o Ramon, e eu já tava pensando na cara de nojo do povo quando visse a Yasmin cantando do meu lado de calça jeans, e eu toda potente.
Tirando, claro, o fato de eu estar com a mochila nas costas, tava ofuscanto. (momento narciso)
Já tinha começado a apresentação, com muito tempo de atraso. Primeiro foram os pirralhos do 6º ano, depois o 3º ano da manhã (demorou). Enquanto isso, o Bruno, que namora a Juliele (uma das surdas da minha sala), o que tava de terno, pegou a rosa da lapela do Chaplin, ajoelhou na frente dela, e eu sei, eles conversaram por olhares (romântico). As outras meninas que são surdas faziam gestos pra Juliele beijar o Bruno, enquanto ela pegou a rosa da mão dele, deu um sorriso e fez um gesto de "beijar!? aqui !? cê tá doido!?" Eu, com todo meu poder de sedução, estava sentada numa escada caracol que tinha lá na cochia, que não dava pra lugar nenhum. O Samuel, meu tecladista preferido,o dono dos meus olhos (o dono do meu coração é o Geziel, o Guilherme é o dono da minha mão mais máscula e futuramente eu vou me casar com o Victor. É que a linha do amor da mãos da maioria deles se junta perfeitamente com a minha; eu tenho váárias Almas Gêmas setelagoas, só pra esclarecer as coisas) é, então, o Samuel, embalado no amor do Bruno e da Juliele, vestiu o blazer do Guilherme, pegou a rosa da Juliele, ajoelhou na frente da escada... (não, eu não vi isso, eu tava dormindo), e alguém gritou: "Olhaaaa, o Samuel vai se declarar pra Ceres!" Foi aí que eu olhei pra frente, e tava lá, no espaço entre um degrau e outro o Samuel, com o braço direito esticado com a rosa na mão. Ele respirou, olhou no meus olhos e disse: "Ceres, eu te amo! Namora comigo?" Eu fiz uma cara de "Hã?". Aí a ficha caiu, e eu fiquei parada, olhando pro Samuel. Foi só um segundo pra mim cair na gargalhada. Aí ele disse: "É, sabia que você tinha alguma coisa com o Geziel!" Nessa hora, coincidentemente caiu uma pétala da rosa, ele pegou do chão, pôs na minha mão e disse: "Isso foi o que sobrou do nosso amor, Ceres!" e saiu andando. Chorei o choro mais forçado que eu consegui, olhei pra pétala na minha mão, e chorei mais ainda. O Samuel voltou, me abraçou, e a gente começou a rir.
Todo mundo ficou sem entender, todo mundo acreditou. Gente, eu? Namorar com o Samuel? Aaah tá.
De repente, a menina que tava perto da cortina da cochia olha pra trás, com uma cara tremenda. Todo mundo que estava na cochia fez silêncio. Se não fez, é que eu não ouvi mais nada a não ser a música que vinha do palco. Era a MINHA música. A música que eu ia cantar,a original (a minha era paródia), o 3º ano tava tocando. Eu fiquei sem reação. Dessa vez eu chorei de verdade. Juro que desabei, ainda mais que eu vi outro Chaplin, outra donzela, outro bloco de Carnaval... era praticamente o nosso teatro, em dobro. A platéia inteira aplaude a apresentação deles, e pede pra cantar de novo. Eram aplausos atrás de aplausos.
Foi aí que eu entendi. Entendi o porquê de terem colocado o 3ºano pra apresentar primeiro. Eu não conseguia acreditar naquilo que eu via, que eu ouvia. Todos ficaram perplexos. A professora Fernanda, a coordenadora do projeto, me viu chorando, e perguntou o que tava acontecendo. Dei uma má resposta pra ela e fui pro banheiro. Quem tava lá, gente da minha escola com quem eu nunca tinha conversado, vendo meu desespero, ficaram preocupados.
Acho que eu nunca fiquei tão nervosa na minha vida. Tudo o que a gente tinha feito. Juro que até agora eu não consigo entender o que que aconteceu naquele lugar ontem. Chegou perto de mim um menino do 2º ano, e me falou assim que todo ano o 1º ano levava ferro em tudo o que fazia na escola. Eram os calouros contra os veteranos, é impossivel.
Em nenhum momento eu pensei em desistir. Retoquei a minha maquiagem, reanimei o povo (foi o que eu fiz o tempo todo, toda vez que alguma coisa dava errada), e a professora conseguiu colocar a nossa série pra apresentar no lugar do 2º ano.
Chegamos, apresentamos, como se nada tivesse acontecido. Os microfones sem fio falharam, ninguém se interessava, claro, estavam vendo tudo pela segunda vez. Aí chegou a minha vez. Em cima da hora, o Guilherme não queria cantar também, e ficou sumido atrás da Luisa. Eu estava convicta que eu conseguiria. Subimos no palco. Na hora, também, não acharam um microfone pro Samuel. Estava tudo nas nossas mãos. Nas minhas e nas da Yasmin (de calça).
Não me concetrei nas 600 pessoas que estavam me olhando, todas, 1.220 olhos me olhando, todos, ao mesmo tempo, acompanhando o estalar dos meus dedos nervosos.
O Samuel começou a tocar a música. Eu não sabia pra onde olhar. Peguei na mão da Yasmin, e me virei pra ela. Eu já tinha ensaiado olhando pra ela mesmo, não devia ser tão difícil.
A música deslisava fácil, precisa sobre meus lábios. Parecia que estava sob êxtase, até que eu senti a Yasmin apertanto a minha mão, bem na parte da musica onde tínhamos dificuldade.
Nessa hora eu ouvia, estranhamente, só minha voz. Era o microfone, falhando. Me abaixei pra dividir o microfone com a Yasmin. Olhei pra primeira fila e vi a Maria Rita, intérprete das meninas, fazendo um sinal de positivo.
Minha mão não suava. Nós não errávamos, estávamos em perfeita sintonia.
Quando acabou, e agradecemos, esqueci que pelo menos poucas, viriam palmas.
Eu não conseguia parar de sorrir. Eu fiz minha parte.
(Quando eu descobrir o que aconteceu pode deixar que eu conto.)
Sim, eu queria (muito) ter quebrado a perna.
7 de abr. de 2010
No Mar, nas Lagoas e na Paciência
Postado por
Ceres
Posso dizer que, de certa forma, a rotina sete lagoana me fascina. Ontem, depois da aula, fui com o Ramon, a Rúbia e a Natane na Casa da Cultura (que aliás, tá com uma exposição do Fernando Sabino muito... estranha) e na Biblioteca Pública, com a desculpa de achar as coisas pro trabalho de Artes.
Andamos a toa, cantamos, e ainda lemos o livro "Na cama com Bruna Surfistinha", que, por sua vez tinha um +18 de todo tamanho na capa.
Em falar em Ramon... ele é um caralegal. Deve ter 1,90m de altura, tem covinhas na bochecha (que as meninas - e a moça da cantina- adoram), meio tímido, inteligente, e tem alguma coisa que faz com que - pelo menos - eu tenha muita vontade de ficar perto dele.
Sem falar que o nome dele de trás pra frente fica "No mar", e ele nunca foi na praia.
Enfim, não, não estou apaixonada pelo Ramon, apesar do fato de eu me apaixonar muito fácil. Ou não. Muitas coisas mudaram dentro de mim.
Tava aqui pensando... se eu fosse embora daqui (mesmo que eu não quisesse), eu ia sentir falta daqui. Da empada, do Ramon, da Rúbia e até mesmo da professora de Biologia. Ela tem a voz irritante.
Cheguei a conclusão de que, pelo menos por enquanto, meu lugar é aqui. Eu estou aqui porque era isso que tinha que acontecer, e sim, a minha Teoria do Heroísmo vai se concretizar.
Tá bom, eu tenho que admitir que a minha vida tem ficado até bem emocionante por aqui.
Hoje eu estava avaliando a mão dos garotos da sala, e de um do segundo ano, que tava no meio, não sei o por quê. Eram 7 meninos, e a linha do amor de 5 de juntou simetricamente com a minha. Fiquei pasma. Sou contra regra da apresentação do Poemar't, o projeto bimestral. Converso com muita gente na escola, me acham estilosa e eu me sinto bem, obrigada.
A Isabela deve vir na próxima semana, pra a gente apoveitar a noite Sete Lagoana, e eu estou muito animanda. Aliás, ela tem um blog legal.
Queria ter alguma coisa mais legal pra contar. Mas né, fazer o quê ?
Paciência, Ceres, Paciência.
Andamos a toa, cantamos, e ainda lemos o livro "Na cama com Bruna Surfistinha", que, por sua vez tinha um +18 de todo tamanho na capa.
Em falar em Ramon... ele é um caralegal. Deve ter 1,90m de altura, tem covinhas na bochecha (que as meninas - e a moça da cantina- adoram), meio tímido, inteligente, e tem alguma coisa que faz com que - pelo menos - eu tenha muita vontade de ficar perto dele.
Sem falar que o nome dele de trás pra frente fica "No mar", e ele nunca foi na praia.
Enfim, não, não estou apaixonada pelo Ramon, apesar do fato de eu me apaixonar muito fácil. Ou não. Muitas coisas mudaram dentro de mim.
Tava aqui pensando... se eu fosse embora daqui (mesmo que eu não quisesse), eu ia sentir falta daqui. Da empada, do Ramon, da Rúbia e até mesmo da professora de Biologia. Ela tem a voz irritante.
Cheguei a conclusão de que, pelo menos por enquanto, meu lugar é aqui. Eu estou aqui porque era isso que tinha que acontecer, e sim, a minha Teoria do Heroísmo vai se concretizar.
Tá bom, eu tenho que admitir que a minha vida tem ficado até bem emocionante por aqui.
Hoje eu estava avaliando a mão dos garotos da sala, e de um do segundo ano, que tava no meio, não sei o por quê. Eram 7 meninos, e a linha do amor de 5 de juntou simetricamente com a minha. Fiquei pasma. Sou contra regra da apresentação do Poemar't, o projeto bimestral. Converso com muita gente na escola, me acham estilosa e eu me sinto bem, obrigada.
A Isabela deve vir na próxima semana, pra a gente apoveitar a noite Sete Lagoana, e eu estou muito animanda. Aliás, ela tem um blog legal.
Queria ter alguma coisa mais legal pra contar. Mas né, fazer o quê ?
Paciência, Ceres, Paciência.
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