29 de mai. de 2012
29 de maio
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Ceres
A saudade está tomando conta de onde a tristeza já está.
É a hora que a gente sente que vai começar a sofrer; ou pelo menos, admitir que já sofre.
É quando as horas vão passando devagar o bastante para enxergar o que se perde nitidamente.
É quando os batimentos cardíacos aumentam esperando um 'eu te amo' antes do findar da ligação.
É quando, simplesmente, não sabemos o que fazer.
E quando simplesmente, nada fazemos.
Letras
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Ceres
Bruna esparramou-se no sofá da sala enrolada em um cobertor velho. Pousou a xícara de café na mesinha ao lado e abriu o livro. Não queria mais pensar, não queria mais se distrair. Estava cansada do mundo, cansada de suas responsabilidades, de ser um ser humano, de ser mulher. Queria experimentar o não-viver vivendo outra vida. Queria ficar de fora, apenas observando os outros, ou simplesmente ter o prazer de desistir de prosseguir com os caminhos de sua vida quando quisesse.
O frio arrepiava sua pele enquanto seus olhos seguiam cada frase do livro. Teve certa dificuldade para se desligar do tique-taque do relógio inquieto da sala. Estava um silêncio infinitamente prazeroso, e mesmo assim o tique-taque não parava. Era o tempo passando. Bruna sabia que poderia sentir o maior e mais inocente dos prazeres e o tempo jamais pararia de persegui-la. Preciso tomar uma decisão da minha vida, pensava. Ficar inerte não vai mudar nada.
A garota pensou em seus problemas, pensou nas possibilidades, pensou no porquê não estava entendendo a história que estava lendo. Voltou alguns parágrafos e obrigou-se a imaginar cada movimento da protagonista. Obrigou-se a imaginar cada emoção da protagonista. Obrigou-se a sentir uma empatia interativa, pois ela precisava ser a personagem para compreender as razões por trás de tudo.
Bruna tomou um gole de café e seus olhos não pararam mais. Frase após frase, sentia a ânsia de seguir o desenrolar de sua nova vida para enfim descobrir o final. Tudo faria sentido no final. Dentro de algumas horas esteve então em lugares que ela nem ao menos sabia imaginar direito. Deve ser truque da escritora, pensava, descrever pouco para deixar a imaginação de cada um interpretar o resto. Bruna então julgou pessoas que nem sequer existiam, mas que de alguma forma lhe lembravam alguém. Talvez conhecidos, amigos, ou talvez ela mesma.
Cada página virada era uma nova tragada de ar, cada passo adiante na história era uma nova sensação de encher seus pulmões de algo que não podia ser só oxigênio. Era algo melhor, era uma tranquilidade que lhe invadia aos poucos por poder não ser ela mesma. Era a tranquilidade de viver e ser alguém que não era ela, uma sensação de poder largar essa vida a qualquer momento e nunca mais voltar. Mas Bruna estava gostando dessa vida. Havia muitas pessoas desagradáveis e personagens tolos, mas ela gostava deles afinal.
Ela já não ouvia mais o tique-taque do relógio, mas sabia que ele não cessou. Nada parou, mas de alguma forma a garota se sentia suficientemente anestesiada. Sentia a vida em suas mãos, um livro aberto contendo a primeira grande descoberta do Homem. Quantos mil anos já não haviam se passado e continuava sendo fonte de cada vez mais descobertas! E afinal Bruna compreendeu, no descobrir de si mesma das páginas dos livros. Aos poucos seus problemas se desanuviavam e ela por fim conseguia ver a saída, a solução para tudo o que lhe incomodava. E a cada nova letra devorada por seus olhos, ela podia enxergar o mundo com maior clareza.
21 de mai. de 2012
Aprendizagem
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Ceres
Eu os amava de uma forma que a nós mortais não estava permitido amar. Cada um de nós era um sopro de vida expelido por um coração em chamas. E quando nos juntávamos, algo soava grandioso... podíamos sentir que era uns com os outros onde deveríamos ficar. Éramos um grupo que chamava atenção, e todos do grupo queriam a atenção um pouco mais voltada para si. Tínhamos uma sede de imperadores que em tempos de crise se aliaram para enfrentar a guerra.
Mas a guerra éramos nós. Sempre havia confrontos internos e mesmo assim um governo não conseguia ficar sem o outro. Éramos crianças descobrindo desde cedo o gosto amargo da vida e mesmo não gostando, não conseguíamos nos desapaixonar desse viver. Era uma descarga de cafeína na alma. Não conseguíamos ficar parados, estávamos sempre fazendo algo de errado com uma aura de isso-vai-dar-merda.
Éramos apaixonados pelo terrível medo do perigo. Estávamos sempre nos arriscando. Sabíamos que esse tipo de vida era uma merda que não valia a pena e mesmo assim botávamos tudo a perder. Seria coragem ou covardia viver no limite do medo por um simples grupo de amizade que às vezes era inclusive posto em dúvida se amizade o era?
Isso não é ser amigo, botavam as pessoas na nossa cabeça. As pessoas, em especial os professores, realmente adoravam encher nossa cabeça. Por alguma razão, nossa pequena sociedade anarquista acabara se subdividindo-se. O tempo nos separou enquanto nosso tamanho crescia. E todos nós lamentamos pelo tempo que se foi, pois mesmo sabendo que nosso estilo de vida era ruim, afinal descobrimos que todos os nossos sentimentos e experimentos foram verdadeiros. E disso ninguém que não fizera parte do movimento pode falar, e o que aprendemos juntos professor nenhum ensina.
16 de mai. de 2012
Ilustrações de Liz Clements
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Ceres
Liz Clements é um ilustrador freelancer Inglês que manda super bem em trabalhos com persangens tatuados.
Eu o descobri exatamente em uma página do face sobre tatuagens, e achei o máximo!
São um amor, não são? Dá vontade de mandar imprimir e fazer um pôster!
Se quiser conferir mais ilustrações, estes são a Fan Page e o Tumblr dele. ;)
15 de mai. de 2012
Playlist da Semana
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Ceres
Bom, para conseguir levar a vida corrida com calma, nada como uma boa música, não é? Não posso dizer que sou eclética (só ouço músicas mais lentas), mas achei legal dividir com vocês as músicas que eu mais ouvi nesses dias! Vamos lá?
Qual vocês mais curtiram? Temos o gosto parecido?
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